![]() |
|
|
|
|
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
Moacir Roberto
Darolt Trabalho publicado em 04/04/03 |
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
Segundo
a Federação Internacional dos Movimentos de Agricultura Orgânica
(IFOAM), o sistema orgânico já é praticado em mais de uma centena
de países ao redor do mundo, sendo observada uma rápida expansão,
sobretudo na Europa, EUA, Japão, Austrália e América do Sul. Esta
expansão está associada, em grande parte, ao aumento de custos da
agricultura convencional, à degradação do meio ambiente e à
crescente exigência dos consumidores por produtos “limpos”, livres
de substâncias químicas e/ou geneticamente modificadas. De acordo com YUSSEFI (2003), atualmente no mundo cerca de 23 milhões de hectares são manejados organicamente em aproximadamente 400.000 propriedades orgânicas, o que representa pouco menos de 1% do total das terras agrícolas do mundo. A maior parte destas áreas está localizada na Austrália (10,5 milhões de hectares), Argentina (3,2 milhões de hectares) e Itália (cerca de 1,2 milhão de hectares). Conforme mostra a figura 1 a Oceania tem aproximadamente 46% da terra orgânica do mundo, seguida pela Europa (23%) e América Latina (21%). É importante destacar que os países que têm o maior percentual de área sob manejo orgânico em relação à área total destinada à agricultura, computam a área de pastagem. Assim, por exemplo, em países como a Austrália e Argentina mais de 90% da área de produção orgânica correspondem a áreas de pastagem. O mesmo acontece nos países da Europa: na Áustria 80% da área orgânica refere-se à pastagem; na Holanda, 56%; na Itália, 47%, e no Reino Unido 79%. Numa análise comparativa entre o tamanho de área manejada sob o sistema orgânico e o número de propriedades orgânicas e é possível perceber que a maior parte do volume da produção orgânica mundial ainda é proveniente de pequenas e médias propriedades. A figura 2 mostra que o maior número de fazendas orgânicas encontra-se na Europa (44,1%), América Latina (19,0%) e Ásia (15,1%).
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
As
estatísticas mundiais sobre o setor de alimentos orgânicos ainda não
insuficientes, o que dificulta a obtenção de números mais precisos
sobre o tamanho deste mercado. Todavia, estimativas do International Trade
Center (ITC), instituição ligada à Organização Mundial do Comércio (OMC),
mostram que o comércio mundial de alimentos orgânicos (considerando 16
países europeus, América do Norte e Japão) movimentou aproximadamente
US$ 17,5 bilhões em 2000 e cerca de US$ 21 bilhões em 2001 (KORTBECH-OLESEN,
2003). Segundo o mesmo autor, baseado em estimativas recentes, as vendas
mundiais de orgânicos devem ficar entre US$ 23 e 25 bilhões em 2003 e
provavelmente atinjam 29 a 31 bilhões em 2005. Informações
do ITC indicam que as vendas de produtos orgânicos na Europa devem
atingir um patamar entre US$ 10 bilhões e US$ 11 bilhões em 2003, ante
cerca de US$ 9 bilhões em 2001. Nos Estados Unidos, as vendas de orgânicos
podem alcançar a marca de US$ 11 bilhões em 2003, mostrando a consistência
desse mercado, que era de US$ 9,5 bilhões em 2001. Os números
apresentados são expressivos, mas mesmo considerando o rápido
crescimento dos últimos anos, o segmento de alimentos orgânicos ainda
pode ser considerado como um nicho de mercado. As vendas de orgânicos
representam apenas uma pequena parcela do total de alimentos vendidos, não
mais que 3 a 4%. Os dados indicam que existe um potencial enorme de
crescimento para este setor em todo o mundo.
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
EUROPA
ORGÂNICA |
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
Desde
o início da década de 1990, o sistema de agricultura orgânica tem se
desenvolvido muito rapidamente na Europa. Segundo WILLER & YUSSEFI
(2001), entre 1986 e 1996, a conversão para o sistema orgânico teve um
crescimento anual de 30%. HAMM et al. (2002), analisando o mercado
europeu de produtos orgânicos, mostraram que o setor orgânico de vendas
no varejo cresceu 439% entre 1993 e 2000. As previsões mais recentes (KORTBECH-OLESEN,
2003), mostram que o crescimento anual entre 2003 e 2005 deve variar entre
5 e 20%. Apesar das altas
taxas de crescimento, esses valores não ultrapassaram 4% do total de
vendas de alimentos e representaram no ano de 2000 apenas 2,9 % da área
agrícola total cultivada na União Européia. Cabe destacar que o maior
crescimento tem ocorrido nos países da Escandinávia e Mediterrâneo. A
tabela 1 mostra que
existem na Europa cerca de 175 mil propriedades orgânicas, ocupando uma
área de 5,1 milhões de hectares. A
Áustria é o país da União Européia com o maior percentual de área
orgânica cultivada do mundo (11,3%). Segundo WILLER (1999), em algumas
regiões do país, como Salzbourg e Tyrol, 50% dos agricultores já estão
no sistema orgânico. O setor, impulsionado a partir de 1983, obteve nos
últimos anos um forte apoio político com incentivos financeiros para
conversão. O objetivo do país é atingir nos próximos anos 20% das
terras com a produção orgânica. Paralelamente, tem se observado um
forte crescimento e a organização do mercado orgânico, com destaque
para os supermercados. Um dos motivos de sucesso, além do apoio político,
é o eficiente acompanhamento e serviço de inspeção.
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
FONTE:
Adaptado de YUSSEFI & WILLER
(2003) ; DAROLT (2002)
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
A
Suíça é outro país que
apresenta cifras acima da média mundial em agricultura orgânica, cerca
de 9,7 % da área total é cultivada com agricultura orgânica e 10,2% dos
agricultores do país são orgânicos. Este crescimento se deve a uma
estrutura organizada de apoio à produção, fiscalização e comercialização,
além de apoio para pesquisa, extensão e inspeção de atividades
agropecuárias orgânicas. Segundo
WIRTHGEN (1999), o mercado alemão de produtos orgânicos é um dos mais
importantes da Europa. A Alemanha
foi o primeiro país do mundo a criar um organismo para inspeção
e controle da produção orgânica, mediante a Associação Deméter. Em
2001, foram contabilizadas cerca de 14.703 unidades de produção (3,2% do
total), o que representa uma área de 632.165 hectares (3,7% da área
total). Atualmente, a Alemanha é o terceiro país da União Européia em
termos de área total com agricultura orgânica atrás da Itália e do
Reino Unido. A principal forma de venda é o marketing direto (feiras e
outros canais, que representam 20% das vendas) e as lojas de produtos
naturais (33%). Recentemente, os supermercados têm ganhado importância
significativa como canal de marketing, representando cerca de 27% das
vendas. O
crescimento da agricultura orgânica na Itália
tem surpreendido nos últimos
anos. Segundo as últimas
estatísticas, a Itália é o primeiro país da União Européia tanto em
termos de área total cultivada (perto de 1,2 milhão de ha) como em número
de produtores (tabela 1). O rápido crescimento do sistema deve-se,
sobretudo, às ajudas financeiras governamentais que apóiam o processo de
conversão das unidades de produção. A Itália se destaca na produção
de cereais, azeite de oliva, frutas e domina também a produção de vinho
orgânico. Segundo
HAMM et al. (2002)
o país é responsável por 53% do vinho orgânico produzido na União
Européia. Os
países situados mais ao norte da Europa como Suécia, Dinamarca, Noruega e
Finlândia apresentam um dos maiores crescimentos do mundo, motivado
pelo aumento da demanda dos consumidores. A área em agricultura orgânica
nesses países varia de 2,6 a 6,6% (Tabela 1). Os governos da Suécia e
Finlândia, por exemplo, fixaram como objetivo a conversão de 10 % das
unidades de produção para os próximos anos. A
Dinamarca apresenta o maior percentual de produção de vegetais orgânicos
da União Européia (15,9%), seguido pela Suécia (6,5%). Segundo
HAMM et al. (2002),
os países nórdicos também se destacam na produção animal, com
destaque para produção de leite e derivados, carne bovina, carne de
ovelha, carne de cabra e ovos. De
acordo com dados do Observatoire
National de l’Agriculture Biologique / ONAB (1999) da França, nos últimos anos o número de unidades de produção
aumentou 28% e a área certificada cerca de 16%. De qualquer forma, este
crescimento é considerado insuficiente para a agricultura francesa
atingir os objetivos fixados pelo Plano Plurianual de Desenvolvimento da
Agricultura Biológica (PPDAB), que pretende converter 25.000 propriedades
e 1 milhão de hectares até o ano 2005. A tabela 1 mostra que até
o momento foram convertidas cerca de 10.300 propriedades em 419 mil
hectares. Segundo um dossier preparado pela revista Chambres
d’Agriculture (APCA, 1999), para atingir esta meta, o nível atual
de conversão deveria estar em torno de 2.500 unidades de produção e
100.000 hectares por ano. Como mostra a tabela 1, o manejo orgânico
é utilizado em apenas 1,4% da área total agrícola da França. Ainda
na França, cabe destacar um aumento significativo de algumas produções
animais na linha orgânica, sobretudo o frango orgânico que teve taxas de
crescimento de 135% nos últimos dois anos, além da produção de porcos
(39%), ovelhas (35%) e leite (19%). Em relação à produção vegetal o
destaque é para o aumento das áreas de pastagens e forrageiras (29%),
seguidas do cultivo de olerícolas (21%). Outros
países que têm apresentado crescimento importante são a Espanha e o
Reino Unido. A Espanha nos últimos
anos triplicou o número de produtores e a área, motivada pela ajuda
governamental e pela possibilidade de exportação de seus produtos. O
país conta com ótimas condições de clima mediterrâneo e continental
para posicionar-se como destaque na União Européia. Entretanto, possui
um pequeno mercado interno até o momento. Desta forma, a maior parte da
produção orgânica é exportada para países do centro e norte da
Europa. A
Espanha já
ocupa a terceira posição em termos de número de produtores e quarta
posição em área plantada. Alguns dos principais produtos provenientes
de fazendas orgânicas são: grãos de leguminosas, hortaliças, frutas cítricas,
frutas temperadas (maçã, pêra, melão, pêssego e nectarina),
azeitonas, vinho, ervas aromáticas e medicinais, além de forragem para
animais. A maioria da indústria processadora está ligada a produção de
azeite de oliva e conservas de frutas e legumes que vão para o mercado
externo. No
Reino Unido, depois do lançamento
de uma lei de ajuda à conversão, editada em julho de 1994, a produção
orgânica passou de 50.000 hectares em 1996, para 679.631 hectares em 2001
(YUSSEFI, 2003). Do total das áreas consideradas orgânicas,
aproximadamente 80% correspondem a áreas de pastagem. O crescimento da
produção animal orgânica também aponta para uma crescente importação
de cereais orgânicos. O crescimento relativamente rápido experimentado
na Inglaterra contrasta com o baixo crescimento de outros países como a
Irlanda, por exemplo. Vale
ressaltar que dentro do setor orgânico se identificam pelo menos 800
empresas processadoras de alimentos certificadas, as quais orientam sua
produção, importação e exportação para produtos destinados a
alimentação humana e animal. A maior concentração destas empresas está
voltada à produção animal. A
meta do governo é converter pelo menos 10% das terras sob manejo orgânico
até o ano de 2005. De qualquer forma, a produção ainda é insuficiente
para suprir a demanda dos consumidores, fato que faz com que 70% dos
alimentos orgânicos do Reino Unido sejam importados. Em
síntese, analisando os países da
Europa, podemos observar um
crescimento muito rápido do número de unidades de produção orgânicas
e da demanda dos consumidores. A maioria dos países possui um sistema bem
definido de Normas de Produção e Certificação. Para o ano de 2003,
segundo previsões do ITC (KORTBECH-OLESEN, 2003), estima-se que o volume
comercializado de produtos orgânicos na União Européia fique entre US $
10,0 e US $ 11,0 bilhões, com destaque para os cereais, frutas, leite e
ovos. Segundo o mesmo autor, a taxa de crescimento do mercado orgânico até
2005 deve variar entre 5 e 20% ao ano.
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
AMÉRICA
DO NORTE ORGÂNICA |
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
Estatísticas
recentes mostram que existem cerca de 6.949 propriedades orgânicas nos Estados
Unidos, cobrindo uma área de 950 mil hectares, onde se cultiva
principalmente cereais, com destaque para soja e trigo (HAUMANN, 2003).
Segundo dados da Organic Farming
Research Fundation / Fundação de Pesquisa em Agricultura Orgânica,
aproximadamente 1% do mercado americano de alimentos é proveniente de métodos
orgânicos de produção. Em 1996, isso representava em torno de US $ 3,5
bilhões em vendas. Nos últimos anos a venda de produtos orgânicos tem
sido incrementada em até 20% ao ano. A tabela 2 mostra os
principais produtos comercializados por categoria. O volume de vendas,
estimado pelo OTA em 2000, que era de cerca de US $ 8 bilhões anuais, está
sendo previsto para US $ 11 bilhões para o final de 2002.
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
FONTE:
OTA (2000)
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
Em relação ao mercado, é interessante observar que 62% dos produtos orgânicos são comercializados por lojas de comidas naturais, 31% por supermercados e somente 7% via comercialização direta (feiras, sacolas etc). O maior supermercado orgânico está no Texas, possui mais de 85 lojas em 19 estados, com um movimento em 1998, segundo a OTA (2000), de US $ 1.4 bilhão. A importação dos EUA é considerável com relação aos produtos de origem tropical e alimentos processados. Atualmente, de acordo com dados da OTA (2000), 1/3 da população norte-americana ocasionalmente compra produtos orgânicos, sendo que 3% compram regularmente. Em média, os produtos orgânicos nos EUA custam 20% a mais que os similares convencionais. No
Canadá, segundo a Canadian
Organic Growers – COG (COG, 2002; HAUMANN, 2003), existem
aproximadamente 3.236 produtores orgânicos, produzindo basicamente trigo,
aveia, cevada, trigo mourisco, frutas temperadas e vegetais. A área
manejada com orgânicos é de aproximadamente 430.600 hectares, cerca de
0,58% da área total. Existem 45 certificadoras no Canadá, e mais de 320
processadores e transformadores de alimentos orgânicos. O mercado de
alimentos orgânicos no Canadá é estimado entre US $ 460 e US $ 660 milhões.
A expectativa, segundo a COG, é chegar a US $ 2 bilhões em 2005. No
México a agricultura orgânica
começou a crescer a partir do início dos anos de 1980. Entretanto, nos
últimos 5 anos o crescimento foi maior. Segundo TOVAR (2000) e HAUMANN
(2003), as áreas orgânicas certificadas passaram de 23 mil hectares em
1996 para cerca de 143 mil hectares no ano 2001. Existem cerca de 137
zonas incorporadas ao movimento orgânico no México, cultivando cerca de
30 diferentes produtos, com destaque para o café (cultivado em cerca de
75% da área); hortaliças, incluindo tomate, pimenta, pepino, alho etc.
(10% da área); maças (5% da área); sementes de gergelim (4%); feijões
e grão-de-bico (3%) e outros produtos em menor escala (3% da área) como
amendoim, cana-de-açúcar; banana, abacate, cacau, manga, morango e
outras ervas medicinais. O
México apresenta o maior número de produtores orgânicos das Américas,
cerca de 35.000, divididos em dois grupos: pequenos produtores ligados a
grupos de movimentos sociais, que representam 95% do total de produtores,
e grandes produtores ligados a grupos privados. Segundo TOVAR (2000) os
pequenos produtores são responsáveis por 89% da produção orgânica
mexicana e respondem por 78% da renda gerada com esses produtos. Em
torno de 85% da produção orgânica mexicana é exportada, sobretudo para
os Estados Unidos. O restante 15% é distribuído no mercado interno. Isto
faz com que as principais certificadoras sejam estrangeiras. Para se ter
uma idéia, aproximadamente 79% da certificação é realizada por agências
estrangeiras, sobretudo por certificadoras norte-americanas, como a Organic
Crop Improvement Association International (OCIA), que acompanha
43% da área certificada. De acordo com TOVAR (2000), o setor orgânico
mexicano gera aproximadamente 8,7 milhões de empregos por ano e
movimentava cerca de US $ 70 milhões em exportações.
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| AGRICULTURA ORGÂNICA NA OCEANIA | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
A região da Oceania inclui a Austrália, Nova Zelândia, Fiji, Papua, Nova Guiné, Tonga e Vanuatu. A concentração das áreas está majoritariamente na Austrália que possui cerca de 10,5 milhões de hectares orgânicos e 1.380 produtores (YUSSEFI, 2003), sendo mais de 90% da área com pastagens. Na Austrália, segundo CLAY (2000), o mercado orgânico passou de US $ 19,2 milhões em 1990 para US $ 137 milhões em 2000. O sortimento de produtos orgânicos passa por legumes, frutas frescas (maçã e laranja), produtos derivados de leite e carne. A maioria da área orgânica é administrada com pastoreio extensivo para gado e ovelha, sendo a carne exportada, basicamente, para a Europa. O produto no mercado interno é comercializado em lojas especializadas e, sobretudo, em grandes cadeias de supermercados. O país possui Normas estabelecidas desde 1992 para Produção de Produtos Orgânicos e Biodinâmicos e um Serviço Australiano de Inspeção (AQIS – Australian Quarantine Inspection Service). Sete Instituições estão cadastradas pela AQIS para o trabalho de inspeção de propriedades orgânicas e biodinâmicas, todas com permissão para exportação. Aproximadamente 60% dos alimentos orgânicos vão para o mercado interno. Neste caso, os produtos orgânicos recebem cerca de 50 a 75% de prêmio quando comparados com os similares convencionais. Os principais mercados para exportação são a Grã-Bretanha, Alemanha e Japão. Uma boa perspectiva para a Austrália está em produtos como o trigo, carne bovina, cenouras, laranja e vinho. Apesar de ter a maior superfície orgânica do mundo, a Austrália ainda importa produtos orgânicos, sobretudo sucos de frutas, óleo de oliva e comida para bebê. No
que diz respeito à Nova Zelândia,
até 1990 o mercado de produtos orgânicos era muito pequeno, apresentando
um crescimento mais expressivo nos últimos 5 anos. CLAY (2000), calcula
que o país movimentou cerca de US$ 60 milhões em alimentos orgânicos no
ano 2000, o que corresponde a 1% do mercado de alimentos. Frutas e legumes
representam o maior segmento de artigos organicamente produzidos. Cereais,
derivados de leite e ovos representam cerca de 10% do total. A maioria dos
alimentos orgânicos é comercializada em lojas de produtos naturais, as
quais oferecem também outros tipos de produtos não orgânicos.
Interessante destacar que o mercado da Nova Zelândia se desenvolveu
basicamente sem o apoio governamental. Em
1999, 60% do produto orgânico da Nova Zelândia foi exportado (Japão,
Europa, EUA e Austrália) e 40% foram comercializados no mercado interno.
Os produtos exportados foram kiwi, maçã, legumes congelados, legumes
frescos e mel. A Nova Zelândia importa frutas secas principalmente dos
Estados Unidos, Turquia e América do Sul, em segundo lugar nozes dos
Estados Unidos e Índia, arroz da Austrália, Índia e Indonésia. Café e
chá também são importados dos Estados Unidos, América do Sul, Índia e
Sri Lanka. Neste país, os consumidores em 1999 pagaram em média 30% a
mais sobre as frutas, legumes e óleos, e 40% a mais pelo preço da carne
orgânica (CLAY,
2000).
Para finalizar, é importante destacar que desde 1992 a Nova Zelândia
tem padrões nacionais para os produtos orgânicos. Recentemente, em julho
de 2002, o governo fundou uma organização (OPENZ – Organic Product
Exporters of New Zealand) visando facilitar a exportação dos produtos da
Nova Zelândia para União Européia, Estados Unidos e Japão.
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| ÁSIA ORGÂNICA | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
Dados
recentes mostram que o continente asiático, no qual se computam 23 países[2],
apresenta cerca de 60 mil propriedades orgânicas e 590 mil hectares de
terras manejadas sob o sistema orgânico. Segundo YUSSEFI (2003), a Indonésia
apresenta o maior número de produtores (45.000 propriedades em 40 mil
hectares de área). A Índia também apresenta um número expressivo de
propriedades orgânicas (5.661) em 41 mil hectares. Já a China se
caracteriza por grandes propriedades, computando a maior área do
continente asiático (301.000 hectares) e cerca de 2.900 propriedades. O
Japão apresenta uma produção local reduzida em aproximadamente 5 mil
hectares sendo, basicamente, um grande importador. É
por isso, que o maior mercado asiático de alimentos orgânicos está no Japão.
As estimativas do Ministério da Agricultura Japonês indicam que a
movimentação financeira deste mercado atingiu cerca de US $ 2,5 bilhões
em 2000. Anteriormente, este número fora divulgado como US $ 4 bilhões,
todavia neste cálculo eram computados outros produtos "verdes"
ou "naturais" não-certificados.
Cabe destacar
que o país apresenta um grande número de consumidores orgânicos,
variando de 3 a 5 milhões de pessoas, segundo dados da FAO (1994). No início
dos anos de 1970 a Associação de Agricultura Orgânica Japonesa fez uma
aliança entre produtores e consumidores, a meta era desenvolver um
duradouro sistema de mercado justo. Atualmente,
de acordo com dados fornecidos por uma Associação Japonesa de
Consumidores Orgânicos, com o qual mantivemos contato pessoal, existem
cerca de 10 milhões de consumidores para o mercado orgânico e similar
(com produtos que respeitam o meio ambiente). A tabela 3 aponta os
principais tipos de alimentos importados pelo mercado asiático.
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
FONTE:
(MASUDA, 2000)
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
No
Japão existe uma campanha para
se obter 1% da área agrícola orgânica para os próximos anos. Países
como Turquia e Israel estão produzindo frutas secas e frescas, legumes e
nozes. Na Ásia Oriental os países como China, Índia, República da Coréia
e Sri Lanka estão produzindo cacau, café, óleos essenciais, ervas,
especiarias, arroz, chá, baunilha e amendoim. Na maioria dos países
ainda não existe um mercado diferenciado para os alimentos orgânicos, não
havendo diferença de preço em relação aos produtos convencionais. Em
países como Israel, Malásia, Filipinas e Japão os produtos orgânicos são
comercializados em lojas especializadas e supermercados. Na China, Hong Kong, Taiwan e Filipinas a demanda por produtos organicamente produzidos estão em ritmo de crescimento. Apesar de o mercado interno ainda ser pequeno, existe um grande potencial para exportação. Na Turquia toda produção certificada é para a exportação, principalmente para os mercados da Europa e Estados Unidos, sendo que 90% dos alimentos produzidos são frutas secas.
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| ÁFRICA ORGÂNICA | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
O Continente africano apresenta uma particularidade importante: a “revolução verde” teve sucesso limitado, sendo que o uso de agroquímicos permaneceu baixo. Desta forma, pode-se dizer que muito da produção agrícola africana obedece aos padrões da agricultura orgânica. Entretanto, esta produção raramente é certificada pois não existem normas para produção orgânica em nenhum país do continente. Além disso, as estatísticas sobre a produção são limitadas a poucos países. As certificadoras que operam no continente são basicamente estrangeiras, o que torna o custo de certificação elevado. A tabela 4 apresenta os principais produtos orgânicos da agricultura africana colocados no mercado internacional. No Norte da África o mercado local de produtos orgânicos está crescendo, como é o caso do algodão e chá no Egito. Os principais países produtores são Uganda, África do Sul, Moçambique, Senegal, Marrocos, Tanzânia Madagascar e Tunísia.
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||