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Análise
Comparativa Entre o Sistema Orgânico |
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Moacir
Roberto Darolt 1
Trabalho publicado em 07/11/03 |
| RESUMO |
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Este trabalho faz uma análise
comparativa entre o sistema de cultivo convencional e orgânico de
batata comum na região metropolitana de Curitiba, observando as
principais dificuldades técnicas, desempenho econômico e
potencialidades do sistema orgânico. Para tanto, foram acompanhados
quatro estabelecimentos orgânicos e levantados indicadores técnicos e
econômicos para uma análise comparativa com valores médios
regionalizados da agricultura convencional. Observou-se que a principal
dificuldade técnica do sistema de batata orgânica está na falta de
variedades com maior rusticidade e resistência a patógenos. Um ponto
de estrangulamento para o futuro da atividade é a produção de
batata-semente de origem orgânica. Os resultados mostraram que no
sistema convencional a produtividade média (400 sacas/hectare) foi
superior ao sistema orgânico (206 sacas/hectare). Os gastos com insumos
foram, em média, 81% maiores no sistema convencional. Os custos variáveis
percentuais foram pouco maiores (75,42%) no convencional que
no sistema orgânico (70,27%). No sistema orgânico o custo da mão-de-obra
(5% do custo total) e dos serviços (29%) foi superior ao convencional
(3,8% e 24%, respectivamente). Os preços pagos ao produtor orgânico
pela batata comum foram em média 90% superiores ao similar
convencional. Apesar de menor produtividade, a relação benefício/custo
= 3,11 (B/C) no sistema orgânico
foi superior ao convencional (B/C = 2,03), o que gerou uma renda líquida
de aproximadamente R$ 2 mil/ hectare a mais no sistema orgânico. No estágio
atual, existe maior eficiência de mercado do que eficiência técnica
para a batata orgânica. Trata-se de investir em pesquisa para melhorar
a eficiência produtiva do sistema.
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| INTRODUÇÃO |
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Nos
últimos 30 anos, a produção brasileira de batata cresceu 70%, o que
representa uma disponibilidade anual de aproximadamente 15 kg por
habitante (LOPES & REIFSCHNEIDER, 1999). Este valor pode ser
considerado modesto quando comparado com alguns países europeus, em que
a disponibilidade é dez vezes maior. Mesmo assim, a batata é um item
importante da dieta alimentar brasileira, principalmente nas regiões
Sul e Sudeste, onde a produção se concentra. No cultivo de batata
normalmente utilizam-se grandes quantidades de fertilizantes químicos e
agrotóxicos, o que pode gerar elevada concentração de resíduos no
produto final e no ambiente (IAPAR, 2000). Segundo a SEAB/DERAL (2003),
os agroquímicos representam a maior parte dos gastos com insumos na
cultura da batata. O cultivo orgânico, em que se substituem
fertilizantes químicos e agrotóxicos por adubação orgânica e manejo
diferenciado, tem surgido como uma alternativa de manejo sustentável. O
objetivo deste artigo é verificar as possibilidades de se produzir
batata em sistemas orgânicos, observando os principais entraves técnicos,
desempenho econômico e potencialidades do sistema orgânico. Neste
sentido, foram levantados alguns indicadores técnicos e econômicos que
permitem a comparação entre o sistema orgânico e o
convencional.
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| METODOLOGIA |
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Para
este estudo foram selecionadas quatro propriedades que estão
trabalhando com batata orgânica em dois municípios (Araucária e Campo
Largo) da Região Metropolitana de Curitiba (RMC), Paraná. A partir de
um diagnóstico de campo de caráter qualitativo e quantitativo foram
obtidos indicadores de produção física e econômica. Optou-se por
selecionar alguns indicadores que pudessem ser comparados com valores médios
regionalizados da agricultura convencional. Os
dados referentes à produção orgânica foram obtidos junto a
agricultores certificados pelo Instituto Biodinâmico (IBD) e Rede
Ecovida de Certificação Participativa que estão trabalhando no
sistema orgânico há cerca de quatro anos. Os dados obtidos nas
propriedades orgânicas foram transformados em médias ponderadas para a
composição dos custos. Para
a análise econômica, optou-se pela Análise de Benefício Custo, por
ser uma das mais usadas na análise de atividades em que se quer
apresentar/comparar o valor presente/atual de diferentes atividades.
Trata-se de avaliar a razão entre o valor presente dos benefícios e o
valor presente dos custos. Obviamente, a atividade que tiver a maior
relação benefício custo (B/C), será a apropriada, do ponto de vista
econômico. Consideraram-se
como custos, apenas os variáveis: gastos com insumos, mão-de-obra,
serviços e transporte; como benefícios, as receitas brutas. Neste
estudo não se consideraram os custos fixos por assumir que a estrutura
de produção é semelhante, entre as propriedades em que se coletaram
os dados. No
caso da agricultura convencional os dados foram obtidos com o
Departamento de Economia Rural (DERAL) da Secretaria de Agricultura e
Abastecimento do Estado do Paraná (SEAB). Utilizou-se um estudo de
campo para atualização de coeficientes e composição de preços da
produção de batata comum[1]
na RMC, realizado em maio de 2003. Os preços de insumos, de serviços e
mão-de-obra e demais itens necessários à composição dos
custos para os dois sistemas, foram tomados da tabela de “Preços
pagos pelos produtores no Estado do Paraná” da SEAB, referente ao mês
de março de 2003. Os preços pagos ao produtor de batata comum foram
obtidos no CEASA de Curitiba, durante o mês de junho de 2003.
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DIFERENÇAS
E PARTICULARIDADES ENTRE O SISTEMA DE PRODUÇÃO DE BATATA ORGÂNICA E
CONVENCIONAL |
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A
tabela 1, mostra algumas diferenças entre o sistema orgânico e
convencional de batata. Em termos de preparo de solo praticamente não existe diferença entre os dois
sistemas, sendo que no sistema orgânico recomenda-se o uso de implementos
que movimentem o mínimo possível o solo, o que ainda não se conseguiu
implementar com eficiência.
Em relação ao processo de fertilização, além de diferenças técnicas, existem abordagens distintas. No caso do sistema orgânico o que se busca não é simplesmente a nutrição da planta mas, sobretudo, a melhoria da fertilidade do solo e do sistema como um todo. A fertilização orgânica é baseada na matéria orgânica e em fertilizantes minerais naturais pouco solúveis. O aporte de elementos fundamentais (N, P, K, Ca, Mg) é feito com o uso de esterco, adubos verdes, húmus, torta de mamona, farinha de ossos, rochas moídas semi-solubilizadas ou tratadas termicamente (fosfatos naturais, termofosfatos, sulfato potássio etc.), sendo estimulado o uso de calcário. No caso dos principais microelementos (Bo, Fe, Zn, Cu, Mn), a utilização ocorre principalmente na forma quelatizada, por meio da fermentação da matéria-prima em solução de água, esterco e aditivos energéticos, conhecidos como biofertilizantes (p. ex. supermagro, biogel etc). |
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De
uma maneira geral, os métodos empregados para o manejo
de pragas e doenças no sistema orgânico de batata
podem ser sintetizados em três grandes pontos: 1) aumento da
resistência das plantas (manejo adequado, espécies adaptadas e
biofertilizantes); 2) controle biológico e uso de feromônios; 3)
repelentes e tratamentos curativos à base de produtos naturais. O
controle de insetos com hábitos subterrâneos pode causar danos em
lavouras de batata, ao perfurar, escarificar e abrir galerias nos tubérculos,
depreciando-os comercialmente. O
seu controle torna-se mais complexo nas lavouras conduzidas em sistema orgânico,
nas quais os produtores não tendo a opção do uso de agroquímicos,
necessitam adotar outras medidas de controle, no sentido de tentar reduzir
os prejuízos diretos e indiretos provocados por este grupo de pragas. De
acordo com BRISOLLA et. al. (2002), dentre as pragas de maior
importância para a cultura da batata encontram-se as larvas de solo como
a larva alfinete (Diabrotica speciosa), que causa danos na superfície do tubérculo e
cujo adulto, um pequeno coleóptero, danifica a parte aérea, porém de
menor relevância. A larva arame (Conoderus
spp.) também causa danos nos tubérculos, normalmente em nível maior
que a larva alfinete, sendo que sua forma adulta (Coleóptero) não causa
danos à cultura. Os “Corós”, escaravelhos e/ou besouros de diversas
espécies, atacam a cultura na sua fase larval, destacando-se as espécies:
Euteola humilis, Diloboderus
abderus, Phytalus sanctipauli e Phyllophaga cuyabana, todos
Coleópteros. A “Pulga do fumo” (Epitrix
fasciatus), um pequeno besouro (Coleópteoro), mais comum em lavouras
orgânicas e atualmente nas convencionais, causa danos no tubérculo na
sua fase larval e quando adultos na parte aérea. De forma geral, a larva
arame e a larva alfinete são
as que causam maior dano ao tubérculo, seja pelo seu consumo
depreciando-o e/ou por estar presentes desde a instalação da cultura. Nas
lavouras orgânicas tem-se observado uma incidência de pragas maior nos
primeiros anos (DAROLT,2002). Neste caso, como medidas curativas
utilizam-se preparados como o extrato de Nim, o ácido pirolenhoso, a
calda de fumo, além de medidas preventivas como a rotação de culturas,
época de semeadura com base na biologia e ecologia dos insetos, culturas
armadilha e a instalação de lavouras próximas a áreas de mata, o que
potencializa o controle por inimigos naturais, além de medidas de
controle antes e após o plantio, conforme citado por BRISOLLA
et al. (2002) e NAZARENO et. al. (2001).
De
modo geral, a experiência prática tem mostrado que é possível conviver
com as pragas dentro de um ambiente “orgânico” equilibrado, onde as
pragas são controladas
naturalmente, inviabilizando sua permanência e/ou reduzindo suas populações. Atualmente,
o principal entrave técnico para a produção da batata orgânica é o controle
de doenças. Segundo LOPES & BUSO (1997) mais de uma centena de
doenças causadas por fungos, bactérias, vírus e nematóides foram
registradas na cultura da
batata, muitas delas tão devastadoras que se não adequadamente
controladas, causam perda total da produção. As principais doenças da
batata são transmitidas por meio de batatas-semente infectadas. Por isso,
torna-se necessário implementar um conjunto de medidas preventivas de
controle antes e após o plantio, conforme citadas por NAZARENO et. al.
(2001). Vale
lembrar que a produção de
batata-semente de origem orgânica
ainda não existe em escala comercial no Brasil. Dessa forma, os materiais
utilizados são provenientes do sistema convencional o que pode ser um
entrave técnico para o futuro da bataticultura orgânica. De outro lado,
pode ser considerado como uma boa oportunidade de mercado para os
produtores/fornecedores de insumos da cadeia produtiva orgânica. Em
relação a doenças importantes no sistema orgânico pode-se
destacar duas: a requeima (Phytophthora infestans) e a pinta preta
(Alternaria solani), ambas causadas por fungos. Segundo
SOUZA et
al.
(2003),
a requeima da batata tem
sido o principal fator limitante ao desenvolvimento da cultura em sistemas
orgânicos de produção, visto que reduz a área foliar e o ciclo
vegetativo, comprometendo a produtividade de tubérculos. Além
de tratamentos preventivos, utilizam-se métodos curativos à base
de caldas como bordaleza, sulfocálcica e biofertilizantes. O
manejo de invasoras não chega
ser considerado problema para produção de batata orgânica, pois o
controle é realizado no momento da amontoa. Segundo HAYASHI &
STONTEMBORG (2001) antecipar este tipo de manejo evita perdas por competição
com ervas e lesões nos tubérculos, o que pode ser uma porta de entrada
de bactérias. Ademais, procura-se seguir um conjunto de medidas
preventivas. Assim, recomenda-se o uso de práticas que evitem a
ressemeadura de invasoras, o uso de plantas com efeito alelopático, o
plantio em época adequada (antecipado para ganhar a concorrência com as
invasoras), além do controle mecânico em época e condições de solo
adequadas. Voltando
a tabela 1 pode-se observar que a batata orgânica é usualmente
produzida, em pequenas propriedades, utilizando-se basicamente de mão-de-obra
familiar. Em função da própria filosofia da produção orgânica de
alimentos, a batata não é a única ou principal cultura das propriedades
fazendo parte de um sistema mais complexo de rotação, sempre consorciada
com outras culturas e muitas vezes com produção pecuária de pequeno
porte. Sendo caracterizada por pequenas propriedades, com diversidade de
produtos e sem a prática da monocultura, as áreas cultivadas com batata
orgânica raramente ultrapassam dois hectares. Segundo
PEREIRA et al. (2002), para que se encontre produto no mercado
durante todo o ano, a batata orgânica é cultivada de maneira parcelada
dentro da propriedade a fim de dispor do produto ao longo do período,
para comercialização nas feiras de produtores orgânicos. Para
finalizar a análise da tabela 1 pode-se observar que a produtividade média
do sistema orgânico foi de baixa eficiência física (206 sacas/hectare)
quando comparado ao convencional (400 sacas/hectare). Contudo, este tipo
de avaliação deve ser ponderado, pois exige incorporar a questão dos
impactos ambientais devidos ao uso desses insumos, o que obriga a
considerar os custos sociais que o seu uso provoca e que a rigor são
custos econômicos assumidos pela sociedade, chamados de externalidades e
não computados nos custos diretos.
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| ANÁLISE ECONÔMICA COMPARADA DA PRODUÇÃO DE BATATA ORGÂNICA E CONVENCIONAL | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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A
análise econômica foi realizada a partir da composição dos custos variáveis
dos dois sistemas de produção considerados. As tabelas 2 e 3 apresentam
uma síntese dos resultados. Os indicadores físicos e econômicos, as
quantidades de insumos e de trabalho aplicadas, bem como os custos destes
para os dois sistemas podem ser observados nas tabelas A.1 e A.3 em anexo.
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Na
tabela 2 observa-se que na lavoura de batata convencional, os gastos
com insumos (fertilizantes, inseticidas e fungicidas) representam a
maior parte dos custos variáveis de produção (75,4%). No caso do
sistema orgânico, verificou-se tendência percentual similar,
representando cerca de 70% do custo total. Contudo, em termos monetários,
no sistema convencional gastou-se significativamente mais (81%) com
insumos que no orgânico (R$ 2.396,33 a mais por hectare). Esse
diferencial econômico que onera o sistema convencional permitiu alcançar
maior produtividade física (94% a mais) quando comparado ao orgânico. Analisando
os gastos com insumos no sistema orgânico, percebe-se que a compra
de batata-semente representa mais da metade (53,30%) dos custos totais. A
produção deste insumo é uma boa oportunidade para produtores que
queiram se especializar neste tipo de serviço o que pode baratear ainda
mais os custos de produção e aumentar a eficiência produtiva. Vale
lembrar que num futuro próximo, como já ocorre na Europa, a produção
de sementes de origem orgânica será uma exigência das certificadoras. O
custo maior do item serviços
no sistema convencional, deve-se ao maior gasto com a colheita (maior
volume a colher) e com as pulverizações. Nas tabelas A.2 e A.4 anexas,
observa-se que o tempo gasto em serviços no sistema orgânico foi maior
(35 horas/ha) quando comparado ao sistema de batata convencional (19,5
horas de trabalho/ha). O
estudo confirma que nos sistemas orgânicos o uso de mão-de-obra o
tende a ser maior a necessidade do trabalho aplicado à produção –
preparação de insumos na propriedade, aplicação dos insumos, práticas
culturais, colheita e armazenamento mais meticulosos –, fato que torna a
gestão mais complexa e, em alguns casos, onera mais os custos monetários.
Por ser esse um fator relevante na comparação entre sistemas de produção
convencionais e orgânicos, apresenta-se em anexo as tabelas de composição
da mão-de-obra para os dois sistemas. Os resultados evidenciaram que no
sistema orgânico o uso de mão-de-obra (5%) e serviços (29%) foi
ligeiramente superior ao convencional (3,8% e 24%, respectivamente). A
tabela 3 apresenta um resumo complementar dos principais indicadores econômicos
para a análise comparativa dos sistemas em estudo.
No
anexo pode-se observar a composição detalhada dos custos dos insumos e
dos serviços.
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Como
visto, o diferencial dos dois sistemas é dado pelo uso intensivo de
insumos industriais e pela produtividade da batata. A produtividade mais
elevada do sistema convencional compensa os custos mais elevados e o menor
preço recebido pelo produto, o que permitiu obter renda bruta
pouco diferente, entre os dois sistemas (Tabela 3). Contudo,
o custo de produção de R$ 2.889,39 a mais por hectare no sistema
convencional redundou em renda líquida significativamente menor – menos
R$ 2.021,89/ha que no orgânico. O fato é relevante tanto pela diminuição
real da renda líquida, quanto pelo potencial de risco próprio da
atividade, sempre afeta a condições ambientais e de mercado bastante
adversas. Analisando
a viabilidade econômica – para os dois sistemas – podemos
dizer que isso ocorrerá desde que haja a possibilidade de venda dessa
batata a um preço razoável, o que não é assegurado em uma série anual
mais ou menos longa, destacadamente para
a batata convencional. Observe-se que, nas condições deste estudo, a
batata orgânica foi vendida a R$ 63,75/sc, 82 % a mais que a
convencional. É preciso destacar que para haver benefício custo favorável,
a batata orgânica não pode ser vendida a menos de R$ 25,00/sc (R$ 20,50
referente aos custos variáveis mais R$ 4,50 estimados - 20% a mais
para os custos fixos), nas condições dadas. Nesse aspecto, para a
batata convencional a “margem de manobra” é um pouco maior, pois o
limite de preço de venda ficaria em torno dos R$ 21,00/sc. Finalmente,
é preciso analisar a relação Benefício Custo (B/C) que avalia a
razão entre o valor presente dos benefícios e o valor presente dos
custos. Neste caso, notou-se superioridade para o sistema orgânico (B/C =
3,11) em comparação com o sistema convencional (B/C = 2,03). Os
resultados mostraram que do ponto de vista da viabilidade econômica e
adequação ambiental, o sistema de produção de batata orgânica foi o
mais eficiente.
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| CONSIDERAÇÕES FINAIS |
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Do
ponto de vista técnico, o cultivo orgânico de batata depende,
prioritariamente, da geração de clones com maior grau de rusticidade e
resistência varietal a doenças e pragas para obtenção de melhores
produtividades. Um ponto de estrangulamento técnico para o
desenvolvimento do sistema é a produção de batata-semente orgânica. No
futuro, o uso de sementes de origem orgânica deverá ser uma exigência
das certificadoras. Além disso, este item representa mais da metade do
custo de produção, o que pode ser uma excelente oportunidade de mercado
futuro. De
forma geral, os indicadores técnicos demonstram que a produtividade do
sistema orgânico atinge apenas metade da eficiência física do sistema
convencional. O diferencial de eficiência produtiva somada a baixa escala
de produção, tornam a atividade orgânica pouco representativa para
atender a demanda de mercado. Desta forma, é preciso maior organização
da cadeia produtiva e, sobretudo, investimento na pesquisa de variedades
adaptadas ao sistema orgânico. Os
resultados econômicos do sistema de produção de batata orgânica não
deixam dúvida quanto à sua viabilidade. Ficou demonstrado que a
viabilidade econômica do sistema orgânico está relacionada à venda de
produtos em mercados diferenciados. Assim, os preços recebidos pelo
produtor orgânico são praticamente o dobro do convencional, associado a
menor variação e a maior estabilidade no tempo. Além disso, a demanda
de mercado pela batata orgânica é crescente.
Neste
contexto, assegurado a eficiência econômica e ecológica do sistema orgânico,
resta aperfeiçoar sua eficiência técnica para que atenda aos aspectos
sociais de segurança alimentar. Além disso, é desejável fortalecer a
organização da cadeia produtiva da batata orgânica para aumentar a
representatividade de mercado.
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REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS |
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BRISOLLA,
A .D.; NAZARENO, N.R.X. de; TRATCH, R.; FURIATTI, R.S.; JACCOUD FILHO,
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Londrina: IAPAR, 2002. (IAPAR. Circular, 124). 43 p. DAROLT,
M.R. Agricultura Orgânica: inventando o futuro. Londrina: IAPAR, 2002.
250 p. HAYASHI,
P. & STONTEMBORG, J. Batata Orgânica. Batata Show – A
Revista da Batata, Ano 3, n. 7, p. 24. 2001. LOPES,
C.A . & BUSO, J.A . O cultivo da batata (Solanum tuberosum L.). Embrapa,
Brasília, DF. Instruções Técnicas da Embrapa Hortaliças, 8.
1997. LOPES,
C.A . & REIFSCHNEIDER,F.J.B. Manejo
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Vol. 20, n. 197. 1999. NAZARENO,
N.R.X. de; BRISOLLA, A .D.; TRATCH, R. Manejo integrado das principias
doenças fúngicas e de pragas de solo da cultura da batata – uma visão
holística de controle para o Estado do Paraná. Londrina: IAPAR,
2001. (IAPAR. Circular, 118). 29 p. PEREIRA,
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Faculdade Católica de Administração e Economia FAE/CDE. Curitiba: 2002,
64 p. SEAB/DERAL.
Preços Médios Mensais Recebidos pelos Produtores. http://www.pr.gov.br/seab/deral.
Acesso em 17/10/2003. IAPAR.
Agronegócio do Paraná: perfil e caracterização das demandas das
cadeias produtivas. Londrina: IAPAR, 2000.
(IAPAR, Documento, 24). p.109-114. SOUZA,
J.L. de; VENTURA, J.A .;
COSTA, H. Avaliação de genótipos
de batata (solanum tuberosum) em
cultivo orgânico. www.cnph.embrapa.br/novidade/eventos/organica/trabalhos.html.
Acesso em 14/10/2003.
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| ANEXOS | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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Na
Tabela A.1 apresenta-se a composição dos custos dos insumos[2]
e dos serviços aplicados ao sistema de produção de batata orgânica e
as variáveis para a avaliação
econômica desse sistema. O dados referem-se à média de quatro
propriedades representativas da Região Metropolitana de Curitiba.
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