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| Produção orgânica de leite como alternativa para a produção familiar | ||||
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Luiz
Januário Magalhães Aroeira E-mail: laroeira@cnpgl.embrapa.br Trabalho publicado em 20/12/02 |
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| 1. Introdução: | ||||
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Segundo
a FAO (Food Agriculture
Organization), órgão da ONU (Organização das Nações Unidas),
define-se como agricultura orgânica, a produção holística de um
sistema de manejo, que promove e estimula a saúde do agrosistema,
incluindo a biodiversidade, ciclos biológicos e a atividade biológica
do solo. O
sistema enfatiza ainda, práticas de manejo em preferencia ao uso de
insumos externos à propriedade, levando-se em conta à adaptação dos
sistemas às condições regionais. Soma-se a esse pressuposto, o uso,
sempre que possível, de praticas agronômicas, métodos mecânicos e
biológicos, em detrimento do uso de materiais sintéticos para realização
das funções de um determinado sistema.
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| 2. Antecedentes: | ||||
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A
agricultura mundial foi impulsionada significativamente nos anos 60 e 70
com a chamada "Revolução Verde", em que as práticas de
mecanização, correção e fertilização do solo, assim como a utilização
de agrotóxicos contra pragas e doenças, impulsionaram a produção
mundial de alimentos para patamares nunca antes experimentados. A
inserção dos animais aos sistemas agrícolas que, antigamente, era
definida pela disponibilidade de alimentos e pelo clima, passou, na
produção intensiva, a ser feita a partir do manejo das instalações e
o nicho alimentar, substituído pela ração industrialmente formulada
(Kathounian, 1998 e Moura, 2000). Ainda
nos anos 70, reflexos negativos destas práticas, como a erosão e a
contaminação de solos e mananciais
começaram a ser notados e, já nos anos 80, práticas menos agressivas
ao ambiente passaram a ser experimentadas e adotadas
(Neves, 2001). A
necessidade de se mudar os paradigmas de desenvolvimento foram
evidenciados no evento RIO-92 (Conferência das Nações Unidas para o
Meio Ambiente e Desenvolvimento), na qual ficou reconhecida a importância
de se caminhar para a sustentabilidade no desenvolvimento das nações,
a partir do comprometimento com a Agenda 21. Os
novos anseios que envolviam a produção de alimentos despertaram o
mundo para sistemas de produção mais conservacionistas, e a palavra
ecologia ganhou significado especial. Surgem, então, os sistemas
alternativos com propostas ambiciosas para a produção de alimentos em
harmonia com o meio ambiente. Em comum, todas apresentam forte preocupação
com os destinos inseparáveis do homem e do meio ambiente, sendo a
agricultura orgânica a mais conhecida desse segmento. A
agricultura orgânica apresenta-se como um mercado inovador, inclusive
para o agricultor familiar, em decorrência da baixa dependência por
insumos externos, pelo aumento de valor agregado ao produto com conseqüente
aumento de renda para o agricultor e por propiciar a conservação dos
recursos naturais. |
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| 3. Agricultura Familiar | ||||
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Não
existe praticamente consenso quanto à classificação e caracterização
da agricultura familiar. Contudo, alguns atributospoderão ser descritos
para caracterizar este tipo de exploração. O primeiro seria a relação
terra versus trabalho, onde enfatiza que a atividade familiar utiliza
basicamente os recursos da terra pelos membros da família e que
permanecem no lar para satisfazer as demandasda exploração. O segundo se
refere ao acesso limitado aos recursos da terra e capital, onde as áreas
dos agricultores se encontram nas faixas baixas de posse da terra e também,
predominantemente, em área com recursos naturais degradados ou com menos
potencial de cultivo (solo e água). E finalmente o terceiro atributo que
se refere à relação de subordinação com os mercados, onde diz que em
maior ou menor grau, todos os produtores familiares estão integrados ao
mercado através da venda de excedente da produção própria, venda da
força de trabalho, compra de artigos de consumo, insumos e bens de
capital Cavalcante (2001). Segundo
o autor, (Cavalcante, 2001), atualmente os estudos da agricultura na América
Latina, atuam com diferentes concepções teóricas e em geral admitem a
agricultura familiar como uma forma permanente de produção, diferente da
agricultura empresarial. Para alguns a persistência da forma de produção
da agricultura familiar é resíduo tradicional pré-capitalista,
condenado a desaparecer com o transcurso da modernização das estruturas
econômicas dominantes e com a globalização dos mercados. A agricultura
familiar, portanto, convive e interage com as estruturas sócio-econômicas
maiores, com tipos de agentes, modificando suas condutas e padrões
produtivos e as novas restrições ao potencial que ela representa. Contudo,
é de reconhecimento geral no meio agrícola, a importância da pequena
propriedade rural para o desenvolvimento da economia brasileira. É
inquestionável que ela atua como geradora de grande número de produtos
para o mercado interno e para a exportação. Também é notório que a
pequena propriedade rural funciona como um elo de emprego a baixo custo
social e como fator de correção das distorções de equilíbrio social. Segundo estimativas da FAO, em 1995, existiam no Brasil um total de 5.801.809 estabelecimentos familiares. É sugerido também que os estabelecimentos agropecuários com menos de cem hectares, cuja área total corresponde aproximadamente a 23% do total dos estabelecimentos existentes, são responsáveis por uma significativa participação na produção agropecuária do País, sendo: 89% na produção de mandioca, 80% do feijão, 69% do milho, 67% do algodão, 48% da soja, 39% do arroz e 27% da produção do rebanho bovino. Pelos números apresentados fica evidenciado a importância do pequeno produtor rural no contexto do desenvolvimento sócio-econômico do País. Sendo assim, é plenamente justificável que se adote políticasamplas e permanentes para esta classe de produtor, associada à intensificação de suas organizações, o que aceleraria o seu processo de modernização tecnológica, refletindo diretamente no aumento da produção agropecuária. As políticas voltadas ao pequeno produtor ainda poderiamperfeitamente contribuir para o aumento de renda e melhoria de vida no campo, além de contribuir para a solução de vários graves problemas sociais urbanos.
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| 4. Agricultura Orgânica e Agricultura Familiar | ||||
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Em
função de suas particularidades, como tamanho, diversidade de produção,
baixa utilização de insumos, acesso restrito a financiamentos agrícolas,
a agricultura familiar é o segmento diretamente beneficiado das
tecnologias geradas para a agricultura orgânica. O aumento da renda traz
um impacto social direto e imediato em nível de propriedade. A manutenção
do produtor na propriedade decorrente do aumento de sua renda traz um
impacto social de médio e longo prazo na diminuição de custos de
infra-estrutura urbana. A produção orgânica, em geral, demanda maior mão
de obra, afetando positivamente a geração de empregos, fixando o homem
no campo e, consequentemente, com impacto social importante (Carvalho,
2001). Além
do mais, segundo a Revista Arco (2001), no crescente mercado de produtos
orgânicos nacionais (incrementos de 30% ao ano) está inserida a produção
dos agricultores familiares, distribuídos em 4, 1 milhões de
estabelecimentos em todo o país. Deste total, mais de quatro mil são
projetos de assentamento da reforma agrária, onde vivem cerca de 600 mil
famílias assentadas pelo Programa Nacional de Reforma Agrária,
coordenado pelo Ministério do desenvolvimento Agrário (MDA). Todo
agricultor assentado recebe financiamento para se manter e produzir na
terra, por meio de programas de reforma agrária
e da agricultura familiar. Os financiamentos, geralmente, são
voltados a projetos de produção orgânica, porque oferecem maior
garantia de qualidade e rentabilidade e seu processo produtivo não
prejudica o ambiente. A
produção orgânica dos agricultores familiares é ainda é pequena, mas
ajuda a incrementar o montante exportado pelo Brasil. Os orgânicos
brasileiros movimentam U$ 120 milhões por ano. Os maiores importadores são
Europa, Japão e estados Unidos. (Revista Arco, 2001).
Desde
1992, durante 9ª Conferência Técnica Científica da IFOAM (International
Federation Organic Agriculture Movement),
em São Paulo, que a questão de justiça social vem sendo abordada como
necessária à inclusão nos padrões/normas técnicas da agricultura orgânica.
Em 1996, um capítulo sobre justiça social foi incorporado aos padrões básicos
da IFOAM. Segundo o texto, justiça social significa não violar os
direitos dos trabalhadores rurais e dos
pequenos produtores (Fonseca, 2002). Todas
as considerações sociais devem estar envolvidas na agricultura orgânica
(os custos sociais da poluição, o maior potencial em gerar empregos etc).
Para a Assembléia Geral da IFOAM em 2002, há sugestão de inclusão de 3
padrões mínimos a serem observados nas unidades produtoras orgânicas
(liberdade dos operários se associarem em cooperativas, não discriminação
entre operários, fornecimento de oportunidades de educação a crianças
empregadas pelas unidades orgânicas). Segundo Fonseca (2000) o objetivo é de desenvolver uma agricultura ecologicamente equilibrada, socialmente justa e economicamente viável. As definições surgidas transmitem a visão de um sistema produtivo de alimentos que garanta ao mesmo tempo: (a) a manutenção a longo prazo dos recursos naturais e da produtividade agrícola; (b) o mínimo de impactos adversos ao ambiente; (c) o retorno adequado aos agricultores e trabalhadores rurais; (d) a otimização da produção com mínimo uso de insumos externos; (e) a satisfação das necessidades humanas, de alimentos e de renda, e atendimento das necessidades das famílias e das comunidades rurais (Almeida et al., 1996). Acrescente-se a isso, os benefícios que a sociedade urbana e o ambiente urbano receberão, direta ou indiretamente (menor migração para a cidade, menores gastos com saúde por acesso a alimentos saudáveis, contribuição para o combate à violência devido à geração de maior número de empregos etc. |
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| 5. Produção Animal | ||||
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A
produção animal sob sistema orgânico certificado ainda é pouco
difundida no País, mas já existem criações de cabras e vacas
leiteiras, produção de bovinos de corte, bem como a produção de ovos e
mel, embora em pequena escala, sendo a maioria comercializada na venda
direta ao consumidor, ou nos canais tradicionais (abatedores, matadouros e
frigoríficos), sem a qualificação (selo, prêmio) orgânica (Fonseca,
2000). O
chamado “boi verde” carece de definição mais específica do que
seja, pois a produção de carne orgânica deve obedecer a certos critérios
bem específicos, estabelecidos por normas. A produção de leite é
pequena, sendo mais para consumo próprio, de familiares e vizinhos, na
sua forma líquida, ou industrializado artesanalmente como queijo, vendido
diretamente em cestas a domicílio ou em feiras específicas. Algumas
iniciativas de maiores volumes acontecem no Rio Grande do Sul, São Paulo
e Minas Gerais. Os
maiores problemas dizem respeito à produção de forragem e grãos para a
alimentação animal face ao pequeno tamanho das propriedades, à escassez
de rações orgânicas para suplementar na seca, à baixa fertilidade do
solo nas áreas de pastagens, ao pouco uso da prática da adubação verde
e ao clima desfavorável em determinada época do ano, em certas regiões
que limitam as produtividades de sistemas orgânicos de origem animal,
muito comum a quaisquer pequenos sistemas agropecuários convencionais
intensivos. O combate às doenças e pragas (ecto e endoparasitas) dos
animais vem tendo sucesso com o uso da homeopatia. As
mudanças no nível de produtividade e na genética dos animais
preconizadas na revolução verde também foram enormes, contribuindo para
o aparecimento de muitas doenças que implicam no uso intensivo de
medicamentos e condições artificiais de criação, tornando os animais
verdadeiras máquinas de produção. Sofrem primeiro os animais, depois o
homem por estar sendo impelido a consumir alimentos de qualidade duvidosa
quanto a função de gerar/manter a saúde humana. Os problemas de ordem
de segurança alimentar, como o mal da vaca louca, invocam a importância
do uso da rastreabilidade como forma de garantir uma qualidade superior ao
consumidor. Os
alimentos orgânicos de origem animal são comercializados em pequena
escala (feiras, lojas e cestas à domicílio) face às exigências de
legislação sanitária para ser industrializado em pequenas plantas, e
posteriormente serem colocados num grande canal varejista. As legislações
estaduais e municipais vêm facilitando as ações de pequenos
agricultores e agroindústrias de pequeno porte, tanto para os alimentos
de origem vegetal quanto animal (Fonseca, 2000).
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| 6. Mercado de Leite Orgânico | ||||
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Na
década passada houve um substancial crescimento de produtos orgânicos de
origem animal, tal como a carne e o leite, devido a transformações na
preferencia do consumidor. De maneira geral, os países em desenvolvimento
são os principais produtores, sendo a União Européia e o Estados Unidos
os principais importadores. Entretanto, mesmo nos países onde a
comercialização de produtos orgânicos vem aumentando de maneira
acentuada, sua participação no mercado total de alimentos se situa em 2
a 3%. Neste contexto, de demanda em expansão,
a oportunidade se faz presente nos países em desenvolvimento, a despeito
de que em alguns casos, haja preferencia do consumidor por produtos local
ou regionalmente produzidos. Entretanto,
apesar de constituir um subnicho do mercado que cresce 30% ao ano no País,
o chamado leite orgânico ainda é um produto raro, de insignificante
produção entre os 21 bilhões de litros de leite convencional que deverão
ser produzidos em 2002 (MITTIMAN, 2002). Não
fossem isoladas iniciativas, poder-se-ia dizer que não existe leite orgânico
no Brasil, um a situação bem oposta à dos Estados Unidos, onde o setor
movimenta US$ 3,5 bilhões anualmente. A falta de uma regulamentação
específica do Ministério da Agricultura para o produto (existe a Instrução Normativa número 07, mas refere-se
indistintamente a todos produtos orgânicos) e o desinteresse das empresas
receptoras em processa-lo podem explicar o baixo volume oferecido à
população (MITTIMAN, 2002).
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| 7. Produção Orgânica de Leite, um Enfoque da Embrapa Gado de Leite | ||||
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A
Embrapa Gado de Leite, atendendo aos apelos de uma produção sustentável
e preocupada com os anseios do consumidor por um produto de qualidade,
isento de agrotóxicos e resíduos químicos, sediou um workshop para
discussão do tema produção orgânica de leite. Discutiu-se o estado da
arte da pecuária orgânica de leite no Brasil, as experiências de produção
e as potencialidades do mercado com este tipo de produto. Definiu-se que
as principais demandas de pesquisa estão ligadas às áreas de Manejo e
Alimentação, Sanidade do Rebanho, Qualidade do Leite e Sócio-economia. Foi
elaborado um Projeto, intitulado: Tecnologias para a produção orgânica
de leite, aprovado pelo edital do PRODETAB (Projeto de apoio ao
desenvolvimento de tecnologia agropecuária para o Brasil), para
2001 que contempla a agricultura familiar, apresentando como linha temática
os sistemas de produção orgânica de plantas e animais de interesse econômico,
em base científica. Entende-se
neste projeto que, a produção atual orgânica de leite necessita de
tecnologias que viabilizem a produção de alimentos e os cuidados sanitários
do rebanho. Tecnologias que contribuam para o desenvolvimento sustentável
do sistema podem agregar valor à produção da agricultura familiar. A
pecuária orgânica consiste na exploração de policultivos que estimulam
a biodiversidade, sem deixar de lado a produtividade e a rentabilidade
para o produtor. A
proposta da Embrapa Gado de Leite é composta de cinco subprojetos, que,
com exceção do subprojeto 1, tem suas atividades voltadas para duas
macrorregiões (Cerrado e Mata Atlântica), onde estão localizadas as
principais bacias leiteiras do País. Subprojeto
1. Conhecimento do estado da arte da produção orgânica de leite
como base para o estabelecimento de programas de
transferência de tecnologia. Este tem por objetivo conhecer as
restrições e as potencialidades da cadeia do leite orgânico no Brasil
como base para estabelecer programas de transferência de tecnologias
direcionados às atuais demandas do setor. Para isso serão levantadas
informações junto aos produtores, mercado de insumos, pontos de
comercialização e beneficiamento e junto ao consumidor, com a finalidade
de se conhecer os manejos adotados nas propriedades de explorações orgânicas,
a capacidade de suporte do mercado de insumos, os pontos de
estrangulamento das unidades de beneficiamento e de distribuição e o
perfil dos consumidores. O conhecimento da realidade existente nas
propriedades brasileiras permitirá, além da identificação de
prioridades de novas pesquisas, a busca e a disponibilização de soluções
para os problemas identificados através de estratégias específicas de
transferência de tecnologias de produção.
Subprojeto
2. Implementação de um sistema silvipastoril (SSP) para a produção
orgânica de alimentos para bovinos de leite na Região do Cerrado. Neste,
serão enfocadas a interação de espécies arbóreas exóticas
(crescimento rápido) e nativas do Cerrado, leguminosas arbustivas e herbáceas
em pastagens já estabelecidas de Brachiaria
brizantha e a serem estabelecidas com Panicum
maximum. Segundo Cantarutti & Boddey (1997), a baixa fertilidade
dos solos, entre outros aspectos, é o principal fator limitante da
produtividade e sustentabilidade das pastagens tropicais. A baixa
disponibilidade de N compromete a manutenção da produção de forragem.
Estima-se que, no Cerrado, 24 milhões de hectares de pastagens cultivadas
encontram-se em diferentes estádios de degradação (Macedo, 1995). Os
SSP são uma modalidade de agrofloresta que integram na mesma área física
árvores, pastagens e animais. Em alguns, o produto principal é
proveniente das árvores (madeira,
lenha e frutos), em outros, o produto animal (carne, leite, lã) é
prioritário, onde as árvores contribuem, se leguminosas, como fixadoras
de N, com sombra e biomassa para o sistema (Carvalho, 2001). Subprojeto
3. Instalação de um sistema de produção orgânica de leite numa
propriedade particular. A Fazenda Salvaterra, localizada a 15 km de Juiz
de Fora, tem como principal objetivo a introdução da pecuária de leite
na propriedade, associada a sistemas agrícolas e florestais, visando, além
da produção orgânica de leite, à produção de esterco necessário ao
sistemas agroflorestais, formados de café, diferentes espécies frutíferas
e madeiráveis. Pretende-se com isto, buscar um incremento de receita
importante para a propriedade, visto que se localiza próxima aos maiores
mercados consumidores de produtos orgânicos no país, como o Rio de
Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte. Subprojeto
4. Tecnologias de suporte à alimentação de um rebanho de produção
orgânica de leite, em área de influência da Mata Atlântica. Este tem
como objetivo fornecer subsídios para a produção orgânica de
forrageiras de média e de alta produção de matéria seca, enfocando o
policultivo e a sucessão de culturas. A produção de leite de vacas em
pastagens de capim-elefante (Pennisetum purpureum) e em forrageiras do gênero Cynodon,
adubados com nitrogênio, já
é bem estudada na Embrapa Gado de Leite (Deresz et al., 1994, e Alvim et
al., 1997). As pastagens de gramíneas consorciadas com leguminosas poderão
suprir as necessidades de animais, com produção semelhante às obtidas
na Embrapa, usando-se monocultivos (Rodriguez & Cuellar, 1993,
Murgueitio, 2000, Molina et al 2001). Alternativas de suplementação da
dieta de bovinos usando a leguminosa nativa Cratylia
argentea na mistura com cana-de-açúcar foram reportadas por Lascano
(1995). A amoreira (Morus alba) tem sido empregada com a mesma finalidade (Benavides,
1994). No período da seca,
espécies de clima temperado podem também fornecer forragens de boa
qualidade (Xavier et al., 2000). Subprojeto
5. Tecnologias de saúde animal adaptadas a sistema de produção orgânica
de leite. O subprojeto tem por objetivos avaliar o efeito de produtos
naturais no combate ao carrapato e na prevenção e tratamento da mastite
dos bovinos. Para
isso, serão testadas alternativas ao controle químico de carrapatos dos
bovinos usando-se extrato das folhas do Nim (Azadirachta
indica) e nematóides entomopatogênicos (Nematoda:
Rhabditida:Steinernematidae e Heterorhabditidae).
De acordo com Kocan et al. (1998), os nematóides apresentam efeitos
ovicidas, larvicidas e antimuda em determinadas espécies de carrapatos. O
controle da mastite bovina e a cura dos animais infectados constituem um
dos maiores problemas enfrentados pela pecuária leiteira (DeGraves &
Fetrow, 1993). Será estudada a eficiência da adição de um composto
mineral para a alimentação de vacas leiteiras, visando redução da
mastite sub-clínica (Araújo Filho, 2000) . Para se avaliar a eficiência
do tratamento com produtos alternativos (homeopáticos e de moléculas orgânicas
provenientes de extratos vegetais) nas infecções da glândula mamária,
serão inoculados experimentalmente animais com Staphylococcus
aureus e Escherichia coli. Os resultados obtidos serão comparados aqueles observados com
tratamentos convencionais. Serão
monitoradas a qualidade do leite e a saúde da glândula mamária de
rebanhos com produção orgânica e em fase de conversão, em propriedades
identificadas no levantamento no Subprojeto 1.
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| 7.1. Objetivos Gerais | ||||
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a)
Fornecer soluções tecnológicas que viabilizem a produção orgânica
de leite, enfocando a produção de alimentos e a saúde do rebanho; b)
propiciar a melhoria das condições sócio-econômicas das
comunidades rurais, pela oferta de maior diversidade de produtos
diferenciados; d)
contribuir para o desenvolvimento sustentável da pecuária
leiteira, com o mínimo de impactos negativos ao meio ambiente.
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| 7.2. Objetivos Específicos | ||||
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a)
Caracterizar a produção orgânica de leite no Brasil, levantando
informações junto aos produtores e mercado de consumo; b)
fornecer ao produtor de leite orgânico opções para introdução
de árvores e arbustos em pastagens nos ecossistemas da Mata Atlântica e
do Cerrado; c)
fornecer opções de diversificação da renda para o agricultor
familiar, com explorações, além da produção orgânica de leite, de
madeiras, frutas e grãos; d)
disponibilizar alternativas para a suplementação de bovinos
leiteiros, durante a época seca, a partir da exploração de policultivos;
e)
incrementar a produção e valor nutritivo de pastagens cultivadas,
com o uso de leguminosas fixadoras de N2; f)
desenvolver tratamentos alternativos (biológico e fitoterápico)
para o controle do carrapato; g)
fornecer tecnologias alternativas (fitoterápicas e homeopáticas)
para a prevenção e tratamento das mastites.
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| 7.3. Resultados e Impactos Esperados | ||||
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Os
produtos esperados consistirão em tecnologias a serem disponibilizadas
aos produtores, no que concerne a produção orgânica do leite, a recria
de novilhas, as produções de madeira e de grãos para o consumo humano e
dos animais e de frutos do Cerrado. Na presente proposta, a madeira, os grãos
e os frutos não são o produto prioritário, mas servirão para estimular
a biodiversidade dos sistemas e complementar a renda da propriedade, ou
serem utilizados na própria fazenda. Os impactos esperados com a produção
orgânica do leite nas áreas estudadas por meio de policultivos na
propriedade, pela ordem são: 1.
aumento da renda do produtor com a venda de um produto
diferenciado, atualmente alcançando preços de mercado três vezes
superior ao pago pelo leite convencional; 2.
adoção de práticas que contribuam para a exploração sustentável
das atividades leiteiras, evitando novos processos de degradação; 3.
aumento da diversificação da renda do produtor rural, pela venda
de madeira, grãos e frutos; 4.
diminuição da aquisição de insumos externos o que pode a vir
diminuir os custos de produção; 5.
diminuição dos prejuízos econômicos e ambientais resultantes da
erosão e queda de barreiras de áreas com cobertura vegetal precária; 6.
possibilidade de aumentar a geração de empregos, contribuindo
para a diminuição do êxodo rural; 7.
preservação dos recursos naturais. Espera-se
que os resultados a serem obtidos com o projeto poderão ter repercussão
em outras regiões do País, e em outras áreas tropicais e subtropicais.
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| 8. Conclusão | ||||
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Somos
obrigados a reconhecer que, nos últimos 50 anos, todos os esforços de
pesquisa foram orientados para desenvolver variedades de alto rendimento
fortemente dependentes de grandes aportes de insumos e tecnologias
orientadas, principalmente para a maximização da produtividade, sem
maiores preocupações com os aspectos ecológicos. Portanto,
é de se esperar que um longo caminho esteja por ser percorrido, visando
desenvolver tecnologias produtivas orientadas para alta eficiência no uso
de insumos e apropriadas para a agricultura e pecuária orgânicas.
Faz-se, portanto, cada vez mais necessário propiciar condições para
instalação de sistemas de produção que sejam economicamente viáveis
e estáveis, em que a proteção ambiental, o uso eficiente dos recursos
naturais e a qualidade de vida do homem estejam contemplados, garantindo a
identidade e a qualidade do produto.
|
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| 9. Bibliografia | ||||
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