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Luiz
Januário Magalhães Aroeira Trabalho publicado em 25/04/03 |
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A
inclusão do leite no Programa Fome Zero é uma das formas de garantir
maior estabilidade de preços no setor lácteo. Estima-se que, com o
programa implementado integralmente, o consumo interno sofrerá um
incremento de, aproximadamente, cinco bilhões de litros de leite. O
aumento do consumo interno garantirá preços mais atrativos para a
classe produtiva, incentivando os investimentos para o crescimento da
produtividade. |
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Os
cálculos feitos pelo Ministério da Segurança Alimentar de Combate a
Fome indicam uma demanda de 3 milhões de hectares a mais para produção
de alimentos para atender ao Programa Fome Zero. Entretanto, os baixos
índices técnicos do setor leiteiro, como produtividade aproximada de
1.200 kg/vaca/ano de leite evidenciam que aumentos da produtividade de
apenas 20%, implementando a produtividade atual das 17.500 milhões de
vacas para 1.400 kg/vaca/ano de leite, podem atender às necessidades de
consumo sugeridas pelo Ministério sem acréscimos na área a ser
explorada com a pecuária leiteira. |
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O
baixo potencial produtivo da maioria das pastagens, inclusive nas
principais bacias produtoras de leite do País, constitui uma das
principais limitações na produção de leite do rebanho bovino
brasileiro. A produtividade das pastagens
brasileiras é baixa devido, principalmente, à carência de
nitrogênio, fósforo e potássio, nutrientes que mais limitam a
produção. Outro fator limitante refere-se ao fato de que na maioria das
regiões fisiográficas brasileiras verificam-se duas estações climáticas
bem distintas: a chuvosa, em que a umidade, a temperatura e a luminosidade
são, geralmente, favoráveis ao crescimento das espécies tropicais e a
da seca, em que esses fatores são, quase sempre, adversos. Como conseqüência,
ocorre marcante estacionalidade anual de produção de forragem. |
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Por
outro lado, a produção de leite de vacas em pastagens de
capim-elefante (Pennisetum purpureum) e em forrageiras do gênero
Cynodon, adubados com
nitrogênio, já é bem estudada na Embrapa Gado de Leite. Produções
diárias de leite de 12 a 14 kg/vaca em pastagem de capim-elefante,
manejada em sistema rotativo e adubada com 200 kg de nitrogênio e de K2O/ha/ano,
foram observadas. Esses níveis de produção de leite em pastagens
tropicais parecem estar próximos do limite máximo de produção
obtidos com vacas mestiças com potencial ao redor de 4.500 kg/lactação. |
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Torna-se
evidente que o aumento da produção de leite é imprescindível e urgente
para atender diretamente ao Programa Fome Zero e, indiretamente, à geração
de empregos e a fixação do homem no campo. Porém, deve-se estar atento
para que este aumento da produtividade por meio da intensificação da
exploração não venha a agredir mais o meio ambiente. Existe um
reconhecimento, não só da comunidade técnico-científica como também
dos governos acerca da necessidade de adoção de ações que promovam um
redirecionamento das atividades agropecuárias, a fim de garantir a
conservação dos recursos naturais para as gerações futuras. |
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Há
muitas evidências de que as atividades humanas são causadoras de mudanças
no meio ambiente. Os aumentos nas concentrações atmosféricas de CO2,
NO2 e outros gases-estufa causados por emissão dos solos
depois do desmatamento mostram que a derrubada e a queima das matas nas
áreas tropicais é assunto de importância global. Entretanto, de todos
os problemas ambientais advindos do avanço da agricultura nacional, o
mais importante, sem dúvida, é a erosão hídrica, que vem, a cada
ano, se agravando, comprometendo os recursos naturais e pondo em risco a
produção econômica, além de degradar o seu mais importante recurso:
o solo. |
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Um
tema enfatizado pela agricultura orgânica é a exploração de
policultivos que estimulam a biodiversidade. Em um sistema de produção
orgânico a alimentação do rebanho deve ser equilibrada e suprir todas
as necessidades dos animais. O consórcio de gramíneas e leguminosas na
pastagem é recomendado e é exigida a diversificação de espécies
vegetais. Sugere-se a implantação de sistemas silvipastoris (SSP), nos
quais as árvores e arbustos fixadores de nitrogênio (leguminosas) possam
se associar com pastagens. Nos SSP, além da fixação do carbono na gramínea
e na leguminosa herbácea (caso exista), há acúmulo de carbono na
madeira e nas raízes das árvores. Em geral os SSP têm maior
produtividade primária líquida como conseqüência da sua maior captação
de luz, maior ciclagem de nutrientes e maior eficiência no uso dos
recursos como água. Maior produtividade primária líquida implica maior
imobilização de carbono no sistema. |
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A presença
da leguminosa aumenta a disponibilidade de forragem da pastagem
consorciada, tanto por sua contribuição per se como pela
disponibilização de nitrogênio, estimulando o crescimento da gramínea.
Mesmo com menor área
para crescimento, por causa da presença da leguminosa na pastagem, a B.
decumbens consorciada com o S. guianensis apresentou produção
de MS semelhante à da monocultura, evidenciando que a leguminosa tenha
aumentado a quantidade de nitrogênio no solo, contribuindo para o
crescimento da gramínea. A massa de forragem na
pastagem consorciada foi maior que a do monocultivo. |
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A
produção de leite pode ser incrementada com a introdução de SSP nas
propriedades. Resultados indicam que aumentos de produção podem ser
obtidos usando-se práticas recomendadas num sistema orgânico,
evitando-se o uso de adubos químicos e preservando o meio ambiente. |
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Temos que
estar atentos para não repetirmos os erros cometidos nas décadas
passadas. Nos últimos 50 anos, todos os esforços de pesquisa foram
orientados para desenvolver tecnologias de alto rendimento, fortemente
dependentes de grandes insumos e orientadas, principalmente, para a
maximização da produtividade. Além do aumento da produção e
produtividade, agora é hora de pensar nos aspectos ecológicos envolvidos
na cadeia produtiva do leite. |
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