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RELATÓRIO
TÉCNICO- CIENTÍFICO DE VIAGEM 29
de Julho a 14 de Agosto de 2002 |
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Projeto
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FRANCISCO LUIZ ARAÚJO CÂMARA Sob os auspícios da ABC – Agência Brasileira de Cooperação, Ministério das Relações Exteriores do Brasil, e da Faculdade de Ciências Agronômicas, UNESP, Campus de Botucatu |
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| 1. RESUMO | ||||||||||||||||||||||
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No
período de 29/07 a 14/08 foram executadas atividades de concretização
do referido projeto, em Georgetown, Guiana.
Na primeira semana, com visitas ao campo e orientação em
laboratório, foram coletadas amostras de formigas cortadeiras (Atta
sp.) incluíndo soldados, ovos e fungo de formigueiros em dois locais.
Em seguida, foram preparados compostos homeopáticos, denominados “nosódios”,
os quais, juntamente com dois outros produtos levados do Brasil (Intercuf,
à base de rotenona, e Fator FF, também homeopático), foram aplicados
nos locais mencionados, para posterior avaliação de seus efeitos no
controle de formigas. Na segunda semana foi ministrado, nas dependências
da Embaixada Brasileira em Georgetown, um curso teórico de Agroecologia,
com ênfase no controle de formigas cortadeiras.
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| 2. CRONOGRAMA | ||||||||||||||||||||||
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| 3. CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES | ||||||||||||||||||||||
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Este
Projeto, cuja origem está embasada em demanda do Ministério da Pesca,
Agricultura e Pecuária da Guiana, iniciou-se em Janeiro do corrente
ano, com visita de uma semana à Guiana, ocasião na qual houve
oportunidade de se proceder a um levantamento da ocorrência e dos danos
causados por formigas cortadeiras, na denominada Hinterland, macrorregião
do país. Após a visita, foi elaborada uma proposta de atividades, a
partir da qual seriam aplicados
procedimentos com vistas à solução do problema constatado. Estes
procedimentos incluem uma estadia de duas semanas na Guiana, por parte
de técnico brasileiro, para:
Este
Relatório atende aos dois primeiros itens, mencionados acima, e
objetiva retratar as atividades constantes desta parte do Projeto, de
modo a esclarecer os principais pontos relacionados às metas propostas,
bem como facilitar e estimular o bom andamento das fases subseqüentes.
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| 4. DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES | ||||||||||||||||||||||
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4.1
Relacionadas às fases de campo e laboratório |
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Após
as preliminares e necessárias reuniões de protocolo e de programação
das atividades, com representantes do Ministério da Agricultura, já
aos 30/07, dia da chegada em Georgetown, determinou-se o cronograma para
todo o período (item 2), o qual foi integral e fielmente cumprido. Os primeiros quatro dias foram dedicados à coleta das amostras
(Figura 1) de material biológico (formigas, ovos e fungo), utilizados
para elaboração do nosódio (medicamento homeopático), e à preparação
em si, em laboratório (Figura 2).
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Os locais amostrados foram
Mocha Arcadia e Unit Lancaster (Mahaica), ambos pertencentes à Região
4 de Georgetown, distantes aproximadamente 20 e 30 km, respectivamente,
da Capital, e onde há ocorrência de formigas cortadeiras em intensa
atividade (Figura 3), com danos severos ao cultivo de fruteiras e de
hortaliças.
Em laboratório do Food and Drug Department, Ministry of Health, foi efetuada
maceração das amostras com subsequentes diluições e dinamização
das soluções homeopáticas (Figura 4). As
diluições utilizadas foram de C.1 a C.30, o que significa, uma
diluição centesimal até 30 diluições centesimais, todas dinamizadas
(ou potencializadas) segundo as normas homeopáticas. |
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Do
dia 05/08 em diante, por cinco dias consecutivos e numa frequência de
duas vezes ao dia, as diluições
C.18 e C.30 foram aplicadas nos olheiros, caminhos e
espécies vegetais atacadas nos dois locais que deram origem às
amostras. Também
constituiu parte das observações de campo, a aplicação de dois
outros produtos modernamente utilizados no controle ecológico de
formigas no Brasil: a)
Intercuf, produto em pó, à base rotenona extraída de Lonchocarpus
nicou, plovilhado nos olheiros uma única vez; b) Fator FF, homeopático
comercial do Laboratório Arenales, veiculado em “pellets” de
laranja, na forma de iscas, aplicado próximo aos olheiros para serem
levados ao interior dos ninhos pelas próprias formigas. Todas as atividades referidas até aqui foram acompanhadas e
tiveram a participação de dois técnicos do Ministério da Agricultura
(além da nossa), que auxiliaram nas explicações sobre tais
procedimentos nos momentos pertinentes do curso teórico que veio a
seguir. No último dia de
trabalho (12/08) todo o grupo do curso teórico (27 pessoas) foi aos
locais das Unidades de Observação (Figura 5) para avaliar as possíveis
interferências dos vários produtos na atividade e no comportamento das
formigas. Tal avaliação mostrou que, de modo geral, ocorreu redução
da atividade das formigas, caracterizada pela diminuição do seu número
e tamanho, e pelo fato de não estarem mais cortando folhas, além de
seu comportamento menos agressivo quando perturbadas por interferências
externas.
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| 4.2. Relacionadas ao Curso de Agroecologia | ||||||||||||||||||||||
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As atividades do curso
ocorreram na sede da Embaixada do Brasil em Georgetown, de 06 a 09 de agosto
(Figura 6), segundo a programação didática mostrada abaixo. Além disso,
foram repassados conhecimentos e informações sobre três temas adicionais,
quais sejam: a)
Coleta de amostras, preparo e aplicação de nosódios para controle
de formigas cortadeiras; b)
Certificação de produtos orgânicos; c)
Alimentos produzidos a partir de plantas transgênicas: vantagens e
desvantagens.
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| PROGRAMA DO CURSO DE AGROECOLOGIA | ||||||||||||||||||||||
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Segunda
Parte -
Um pouco de história Terceira
Parte -
Conceitos básicos sobre o mundo vivo Quarta
Parte -
O conceito de fertilidade do sistema Quinta
Parte -
Estruturação da propriedade Sexta
Parte -
Conceitos sobre nutrição humana Sétima
Parte -
A abordagem sistêmica na conversão Oitava
Parte -
Explicações necessárias O curso foi acompanhado por 24 técnicos do Ministério da Pesca,
Agricultura e Pecuária, 2 técnicos do NARI e 1 técnico da University of
Guyana, num total de 27 participantes, listados a seguir
(Figuras 5 e 6). PARTICIPANTES
DO CURSO DE AGROECOLOGIA 1.
Ministry of Fisheries, Crops and Livestock 2.
National Agriculture Research Institute 3.
University of Guyana Deve-se ressaltar o profundo interesse dos convidados em todos os
temas apresentados, bem como sua intensa participação interativa nas
discussões geradas durante as aulas.
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5. ENCERRAMENTO DAS ATIVIDADES |
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No
dia 12/08, no período da tarde, foi
convocada uma reunião no Ministério da Agricultura da Guiana, para a
cerimônia de encerramento das atividades desta fase do Projeto. Na
oportunidade, contou-se com as presenças de S. Excias, o Ministro da
Agricultura, o Dr. Satyadeow Sawh, o Secretário Permanente do
Ministério, Dr. Bowhan Balkarran, o Embaixador do Brasil na
Guiana, Dr. Nei do Prado Dieguez, o Senior Agricultural Officer
of Hinterland Development do Ministério da Agricultura, Dr. John
Woolford, todos os técnicos mencionados no ítem 4.2, e diversos
representantes da mídia (TVs, rádios e jornais locais). Vale
mencionar as reiteradas manifestações de agradecimento, na ocasião,
“pela oportunidade que os guianenses tiveram de contar com uma
capacitação de alto nível, propiciada de fato” pela nossa pessoa,
e “com o patrocínio da ABC – Agencia Brasileira de Cooperação,
do Ministério das Relações Exteriores do Brasil”.
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| 6. CONCLUSÕES | ||||||||||||||||||||||
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A
demanda original deste Projeto consistiu da necessidade de se elaborar um
programa de controle ecológico das chamadas Acoushi ants, formigas
cortadeiras, cujos danos às espécies vegetais, principalmente mandioca,
ultrapassam os limites toleráveis de convivência. Conforme
proposto nas metas do Projeto, esta fase tinha como objetivo capacitar os técnicos
locais, agentes de Extensão, quanto à habilidade para solucionar os
problemas referidos. Neste sentido, e utilizando técnicas convencionais de
ensino, e não convencionais de agricultura (mas comuns na Agroecologia),
deixamos várias alternativas de controle das formigas, sendo basicamente:
a) Sistema Agroecológico de manejo de plantas e de animais; b) Homeopatia
no controle das formigas, com utilização de nosódios elaborados a partir
de material biológico (formigas, seus ovos e fungo). É de conhecimento geral que os sistemas agroecológicos atuam a
longo prazo na direção do equilíbrio ambiental, resultando na
sustentabilidade de todos os processos envolvidos na sua composição.
Assim, utilizando seus preceitos na condução do meio agrícola, em consonância
com o ambiental, espera-se que as formigas, como um dos componentes do
sistema, também entrem em equilíbrio com os demais componentes, e não
causem danos significativos. Entretanto, como já existe, no momento, uma outra realidade na qual
se constata um desequilíbrio, cujas origens se desconhece, decidiu-se
introduzir uma medida emergencial natural, ecológica, sem efeitos
colaterais e inócua para quaisquer outros organismos, que é o uso da
homeopatia. Conforme relatado pelos próprios agentes de Extensão do MFC&L,
em cinco dias de uso do nosódio ocorreu uma profunda alteração no
comportamento das formigas, com significativa redução/paralização de
suas atividades, o que, além de confirmar mais uma vez a eficácia deste
tipo de tratamento, traduz-se como uma alternativa concreta de controle ecológico
de formigas cortadeiras (e com certeza, aplicável também a outras
pragas e doenças de plantas). Outro ponto que merece destaque, é que ao final do curso de
Agroecologia, os representantes mais graduados do Ministério da Agricultura
decidiram propor ao Ministro, um Programa Nacional de Agricultura Orgânica,
a ser implementado nas áreas de Ensino, Pesquisa e Extensão Rural. Conclui-se que esta fase do Projeto atendeu plenamente aos seus
objetivos e metas, e especialmente, a um desejo pessoal expresso pelo
Ministro da Agricultura da Guiana, por ocasião da primeira visita em
Janeiro, quando solicitou que concretizássemos um “controle ecológico
das formigas, mas não sua erradicação”, já que, assim como quaisquer
outros organismos em interação com as lavouras, também elas desempenham
uma função de nos alertar sobre um eventual desequilíbrio ambiental.
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| 7. CONSIDERAÇÕES FINAIS | ||||||||||||||||||||||
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Apesar
da nossa limitação em termos da língua inglesa, da qual temos
conhecimentos apenas razoáveis, consideramos que esta fase do Projeto
“Designing effective Acoushi ant control system for organic farming in
the Hinterland regions of Guyana”, apresenta grandes méritos. Em primeiro lugar, pelo que aprendemos durante as diversas e
peculiares interações com todas as pessoas que, direta ou
indiretamente, estiveram envolvidas nas atividades descritas. A seguir, pela oportunidade de utilizarmos no futuro, tantas
novas e interessantes experiências no nosso trabalho diário como
professor universitário, experiências que, certamente, nos darão estímulos
e embasamento técnico-científico para propiciar melhores e mais
realistas conhecimentos aos alunos. Ainda como benefícios decorrentes do projeto, e seguramente, não
menos importantes que os anteriores, assinalamos, com prazer e sem falsa
modéstia, o bom nível e a qualidade das informações técnicas que
pudemos repassar aos técnicos guianenses. Diga-se, de passagem, pessoas
que nos receberam com humildade, galhardia, ansiedade e cortesia,
fazendo-nos sentir como em casa, valorizando nosso trabalho, exigindo
correção e seriedade, sem faltar com o carinho e o coleguismo.
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