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Marcus
Andreas Weichert Engenheiro agrônomo, diretor da consultoria de agronegócios Andreas CPA (www.andreascpa.com.br) e coordenador de análise de mercados da Secretaria de Agricultura, Abastecimento, Pesca e Desenvolvimento do Interior do Estado do Rio de Janeiro Trabalho publicado em 25/04/03 |
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O
Estado do Rio de Janeiro figura, segundo dados fornecidos pelo Instituto
Biodinâmico e pelo BNDES, como o quarto maior produtor de produtos orgânicos
do país, com 120 produtores certificados. Parece-me que este dado
revela a importância dos agronegócios alternativos para o povo
fluminense. O Rio de Janeiro tem características que não permitem
competitividade agro-econômica com outras regiões do país, se
considerarmos as culturas de exportação, as commodities. O negócio do
Rio de Janeiro são as culturas de alto valor agregado, ou como gosto de
chamar, as especialidades. A agricultura orgânica é uma delas. |
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Temos
assistido ao bombardeio de boas notícias sobre o agronegócio
brasileiro. Vinte bilhões de dólares de superavit comercial ao final
de 2002 não é mesmo para qualquer um. As cadeias produtivas que
proporcionam estes resultados têm como base a tecnologia e recursos
advindos da chamada Revolução Verde. Criada como uma solução para a
eliminação da fome no mundo, a Revolução Verde foi realmente
eficiente no que tange ao incremento da produtividade e conquista de
novas fronteiras agrícolas, redundando em altos volumes de produção.
Mas o excedente produzido não acabou com a fome nem distribuiu riqueza
da forma que se esperava. Pelo contrário, o sistema privilegia aqueles
que tem grandes propriedades com ganhos de escala. |
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A
Revolução Verde, no entanto, não se cansou nem terminou. Tem o seu
devido lugar na economia e deverá continuar a cumprir os seus objetivos. Mas um novo sistema vem se desenvolvendo e considera os
pequenos produtores, excluídos daquele sistema. |
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Este
sistema se adequou ao perfil produtivo do Estado do Rio, onde predomina
a estrutura de produção familiar. O pequeno agricultor, o familiar,
tem algumas peculiaridades interessantes. Sua unidade produtiva não tem
recursos financeiros para adquirir equipamentos e tecnologia. Portanto,
este produtor tem que recorrer aos recursos que a própria natureza lhe
deu e procurar maximizar seus resultados. Planta e tenta colher sem
desrespeitá-la. Se a isto forem considerados mais alguns aspectos técnicos,
temos o que se chama de produção agroecológica, orgânica ou natural.
Não vamos entrar em detalhamentos de conceitos e definições neste
artigo, mas, o produtor orgânico deve ser considerado como tal se ao
processo produtivo ainda considerarmos que sua atividade preenche
valores sociais e ambientais corretos. E isto é de alto valor na ótica
de quem compra os produtos. |
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A
economia do orgânico cresce a uma taxa de 20% ao ano no Brasil, segundo o
USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), movimentando entre
US$ 220 e 300 milhões por ano. O Estado do Paraná tem o maior número de
produtores orgânicos certificados e cadastrados, seguido pelos Estados do
Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro. |
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Em
contato com o Dr. Franz-Josef Feiter, representante do governo alemão
na OMC (Organização Mundial do Comércio), fomos informados que na
Alemanha, país de destaque em produção e consumo orgânico, já
ocorre saturação da oferta em algumas linhas de produtos, levando a
queda de margens. A demanda é caracterizada por um nicho da população.
Isto serve de alerta a aqueles que pensam que a produção orgânica no
Brasil deve se destinar prioritariamente à exportação. |
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O Brasil
“orgânico” se destaca na produção de frutas tropicais, derivados de
banana, fécula de mandioca, castanha-de-caju, feijão azuki, gergelim,
especiarias (canela, cravo-da-índia, pimenta do reino e guaraná), e óleos
essenciais. Em breve exportaremos também carne orgânica e cachaça. Não
podemos esquecer do açúcar orgânico, do palmito, hortaliças, milho e
soja. O sistema orgânico de produção é, porém, naturalmente desenhado
para o pequeno produtor. Nas cidades a demanda atual é maior que a
oferta. O espaço nas gôndolas dos supermercados para esses produtos
cresce a cada dia e a rentabilidade para o produtor e o varejista acima de
interessante. Aliás, este é um tema que devemos alertar. O varejista está
com o olho muito gordo e em muitos casos prejudicando o avanço deste
segmento. |
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Havendo
organização e apoio a grupos de produtores, agroindústrias, associações
de produtores e cooperativas, poderemos desenvolver pólos ou clusters de
produção orgânica em certas regiões de economia de subsistência e de
base familiar. A comercialização é ainda uma etapa crítica do
processo. A produção segue uma técnica elaborada, sistematizada e o
mais importante, certificada por organizações que quando idôneas e
reconhecidas, confirmam o valor extra ao produto. Há de se desenvolver
ainda tecnologias modernas de produção orgânica. Pouca pesquisa tem
sido feita e divulgada. |
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Em
setembro de 2003, o Rio de Janeiro irá sediar a Biofach, conferência
internacional sobre o assunto. Este evento poderá ser um divisor de águas
para o desenvolvimento da agricultura orgânica no Brasil e em especial
para o Rio de Janeiro, trazendo informações, parcerias técnicas e
oportunidades comerciais. |
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| Neste contexto, a Secretaria de Agricultura do Rio estará lançando ainda neste ano um programa exclusivo para o setor, o “Cultivar Orgânico”, que se destina à criação de alternativas que visam o desenvolvimento do segmento no Estado, gerando trabalho, renda e elevando a auto-estima do produtor familiar fluminense. Será mais uma chance do pequeno ser reconhecido como de grande valor, produzindo especialidades. | |||
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