|
Trabalhos |
|
TRANSIÇÃO DO MANEJO DE
LAVOURA CAFEEIRA
DO SISTEMA
CONVENCIONAL PARA O ORGÂNICO |
|
|
|
Drª.
Vanessa Cristina de Almeida Theodoro |
|
E-mail:
organicoffee@gmail.com |
|
|
|
RESUMO |
|
|
|
O contundente processo modernizador da agricultura brasileira gerou
impactos ambientais e transformações sociais em magnitudes tão amplas
que, por si só, justificam estudos voltados para novas tecnologias
emergentes como a agricultura orgânica. Já existe um acervo de
experiências práticas de transição agroecológica bem sucedidas, em
particular para a cultura do cafeeiro (Coffea
arabica
L.), em
pequenas propriedades na região sul de Minas Gerais que inspiraram essa
pesquisa. Empregou-se o delineamento látice balanceado 4x4 com cinco
repetições em esquema fatorial 3x2x2 mais quatro tratamentos adicionais.
Foram utilizadas três fontes de matéria orgânica (farelo de mamona,
esterco bovino e cama de aviário), com e sem palha de café fermentada,
com e sem a adubação verde com feijão-guandu (Cajanus
cajan
L.) nas
entrelinhas do cafeeiro e pulverizações com o biofertilizante supermagro.
O manejo convencional constou da aplicação de sulfato de amônio e o
cloreto de potássio e de adubação foliar convencional. O manejo orgânico
adotado é eficiente no fornecimento de N, P, K, S, Ca, Mg, Mn, B, Zn, Cu
e Fe ao cafeeiro em produção. O farelo de mamona promove um menor
acúmulo de açúcares solúveis totais na folha, o que possivelmente
concorre para um aumento da resistência da planta ao ataque do bicho
mineiro (Leucoptera coffeella).
Os tratamentos de manejo orgânico apresentam produtividade similar à
testemunha convencional, devido à existência de reservas de nutrientes
no solo. Não há diferença na biomassa microbiana, em função dos manejos
orgânico e convencional, entretanto nos tratamentos de manejo orgânico é
maior a diversidade biológica das populações de fungos micorrízicos
arbusculares. |
|
|
|
|
CAPÍTULO
INTRODUÇÃO GERAL
No Brasil atual, as instituições públicas que não
assumirem o desafio do desenvolvimento rural sustentável a partir de um
enfoque participativo e agroecológico, que privilegia a
multifuncionalidade da agricultura, a produção local e familiar, a
biodiversidade e a preservação dos recursos naturais, continuarão no
imobilismo conservador e perderão a oportunidade de se transformarem em
instituições dinâmicas impulsionadoras de uma nova realidade.
Entretanto, toda transformação institucional é fruto da transformação
interna de seu pessoal e da vontade política da liderança intelectual
que propiciam as mudanças necessárias.
O contundente processo modernizador da
agricultura brasileira gerou impactos ambientais e transformações
sociais em magnitudes tão amplas que, por si só, justificam a análise
crítica de todo o modelo de desenvolvimento do setor agrícola e estudos
voltados para novas tecnologias emergentes como a agricultura orgânica.
Esse mercado específico tem experimentado um crescimento vertiginoso,
apresentando, no final da década de 1990, um crescimento estimado em 20%
a 30% ao ano, tanto em países desenvolvidos como em desenvolvimento (ITC/UNCTAD/OMT,
1999). No Brasil, em 2005, representou apenas 0,23% da produção agrícola
de todo o país, enquanto que nos países desenvolvidos, o índice atinge
26,0% (Willer & Yussefi, 2005). Assim, fica claro que existe espaço para
o crescimento desse ramo do agronegócio, podendo a área a ser convertida
para a produção orgânica no Brasil, chegar a 1% ou 2% na próxima década,
com o incentivo, principalmente, aos pequenos produtores.
Nas últimas três décadas, tem-se constatado que
as commodities agrícolas tradicionais, como o
café (Coffea arabica L.), requerem escalas de
produção para compensar a queda estrutural de preços, bem como os custos
crescentes de produção, que resultam na redução das margens de lucro.
Esse fato pode resultar em um desequilíbrio sócio-ambiental de largas
proporções em mais de cinqüenta países em desenvolvimento que produzem
café, realidade que já vem sendo constatada principalmente no Brasil, em
especial na região Sul de Minas Gerais, onde aproximadamente 80% dos
produtores são familiares.
Existe um acervo de experiências práticas de
transição agroecológica bem sucedidas, em particular para a cultura do
cafeeiro, em pequenas propriedades na região Sul de Minas Gerais, que
inspiraram essa pesquisa. O principal gargalo consiste em validá-las
cientificamente, após a realização de estudos a campo que confrontem o
manejo convencional versus o orgânico, de modo que forneçam a segurança
necessária nessa nova tecnologia, a um número significativo de
cafeicultores, nas várias regiões produtoras do país. Muitas vezes, tudo
o que se necessita é que as instituições de ensino, pesquisa e extensão
sirvam de facilitadoras para que se formem as redes de intercâmbio de
agricultor a agricultor, para que, assim, fluam o conhecimento gerado e
a troca de experiências.
O termo transição, em sua acepção semântica, pode
designar simplesmente a ação e o efeito de passar de um modo de ser ou
estar a outro distinto – e que sempre há de provocar conseqüências e
efeitos, previsíveis ou não, na nova situação que se estabelece.
Portanto, a transição do modelo de agricultura convencional para estilos
de agricultura agroecológica não pode ser entendida como um processo
unilinear, mas sim de múltiplas dimensões: ambiental, social, cultural e
econômica; o que reflete a própria complexidade da noção de
sustentabilidade agrária, como meta a ser alcançada a médio e a longo
prazo. O estado atual de destruição dos recursos naturais já está
comprometendo a satisfação das necessidades de gerações futuras e
torna-se urgente evitar qualquer degradação, sendo a cafeicultura
orgânica uma opção para a otimização da eficiência no uso dos já
escassos recursos naturais.
É de fundamental importância que políticas
públicas focalizem-se na difusão da cafeicultura orgânica, especialmente
destinadas a agricultores familiares, na medida em que são mais
demandantes desse apoio e apresentam maior aptidão à adoção das técnicas
agroecológicas. Contudo, a mudança política não é suficiente, sendo
necessária, ademais, a transformação institucional, de maneira que
existam mecanismos para os agricultores de acesso ao crédito e à terra,
aos mercados, à informação e capacitação, à tecnologia apropriada e a
outros recursos produtivos.
Nesse contexto, o instrumento necessário para que
se possa converter e ou superar a agricultura/cafeicultura baseada nos
insumos químicos sintéticos e subordinada a setores agroindustriais, é a
educação, aliada ao conhecimento e, principalmente, à consciência
ambiental, que marcam a nova lógica do desenvolvimento rural neste
início de século.
Esse estudo multidisciplinar é integrante de um
projeto aprovado no edital Projeto de Apoio ao Desenvolvimento de
Tecnologias Agropecuárias para o Brasil – PRODETAB Edital 02/001,
coordenado pela EMBRAPA/Café, no qual trabalharam juntas, em diversas
linhas de pesquisa, a UFLA (Departamentos de Agricultura, Solos,
Entomologia e Fisiologia) a EPAMIG e a EMATER-MG, Lavras. A principal
finalidade desse estudo foi verificar a viabilidade técnico-ambiental do
primeiro ano de conversão de lavouras cafeeiras do sistema de produção
convencional para o orgânico. |
|
|
|
REFERENCIAL TEÓRICO
O paradigma da revolução verde (riscos ambientais,
mitos e alternativas)
A monocultura implicou na simplificação da
biodiversidade, dando, como resultado final, um ecossistema artificial
que requer constante intervenção humana por meio do uso de insumos agroquímicos, os quais, além de melhorar os rendimentos temporariamente,
dão como resultado elevados custos ambientais e sociais não desejados (Altieri,
2002). Conscientes de tais impactos, muitos cientistas agrícolas
chegaram ao consenso de que a agricultura moderna enfrenta, atualmente,
uma severa crise ecológica (Pinheiro et al.,
1985; Chaboussou,
1987; Primavesi, 1988; Ehlers, 1996; Nicholls & Altieri, 1997, Gliessman,
2000; Khatounian, 2001; Capra, 2002; Assis, 2005; Neves, 2005).
Um sintoma da crise ambiental que afeta a
agricultura é a perda anual de rendimentos devido a pragas em muitos
cultivos (na maioria dos casos atinge 30%, em média), apesar do aumento
substancial no uso de agrotóxicos (cerca de 500 milhões de kg de
ingrediente ativo em todo o mundo) (Altieri, 2002). Boa parte dos
agrotóxicos aplicados no campo é perdida; estima-se que cerca de 90% dos
produtos aplicados não atingem o alvo, sendo dissipados para o ambiente
e tendo como ponto final reservatórios de água e, principalmente, o
solo. As perdas se devem, de forma geral, à aplicação inadequada, tanto
em relação à tecnologia quanto ao momento de aplicação, em alguns casos,
porque a aplicação foi feita para dar proteção contra uma praga ou
patógeno que não estão presentes na área. Isso ocorre porque ainda são
realizadas pulverizações baseadas em calendários e não na ocorrência do
problema (Ghini & Bettiol, 2000). Alguns agrotóxicos apresentam, ainda,
problemas de persistência no ambiente (Bottino Netto, 2001),
bioacumulação (Carson, 1962) ou toxicidade para organismos aquáticos,
abelhas e fauna silvestre e doméstica (Trivelato & Wesseling, 1992). O
uso de agrotóxicos e fertilizantes já é a segunda causa de contaminação
da água no País, só perdendo para o despejo de esgoto doméstico, o
grande problema ambiental brasileiro. Uma pesquisa do IBGE mostra que,
do total de 5.281 municípios que têm atividade agrícola, 1.134 (21,5%)
informaram ter o solo contaminado por agrotóxicos e fertilizantes.
Proibido por lei federal (no 9.974 de 31 de maio de 2002), o descarte irregular de embalagens
vazias de agrotóxicos (geralmente em vazadouros a céu aberto) é apontado
como principal causa de contaminação. Mas, a pesquisa também mostra que,
dos 5.281 municípios com atividade agrícola, 35,8% incentivam a promoção
e a prática da agricultura orgânica (Estadão, 2005).
Nota-se que as plantas cultivadas, que crescem
como monoculturas geneticamente homogêneas, não possuem os mecanismos
ecológicos de defesa necessários para tolerar o impacto das populações
epidêmicas de pragas (Altieri, 1994), tornando-se dependentes dos
agroquímicos. Outro reflexo do desequilíbrio biológico dos
agroecossistemas é o aparecimento de pragas e agentes de doenças, além
da própria intensificação da resistência dos parasitas (Akiba et al.,
1999) e plantas daninhas aos princípios químicos empregados.
Segundo Salvatori et al. (2002), o número de
parasitas habituais do solo passou de 3 para 20, desde 1972, somente na
lavoura de soja. A resistência de plantas daninhas aos herbicidas foi
pela primeira vez relatada no final da década de 1960, associada à
aplicação intensiva de herbicidas pertencentes ao grupo químico das
triazinas, tendo o número local com plantas daninhas resistentes aos
herbicidas aumentado rapidamente nos últimos anos (Christoffoleti,
2003). Os registros apontam, atualmente, a existência de 304 biótipos
resistentes em 270.000 locais do mundo, distribuídos entre 182 espécies
(109 dicotiledôneas e 73 monocotiledôneas) (Weed Science, 2006). Na
cultura do cafeeiro, em especial, o uso generalizado do glifosate
induziu à seleção de espécies tolerantes e ou resistentes como as
trapoerabas (Commelina diffusa,
C. benghalensis) e algumas espécies da família Rubiaceae (poaia-do-campo, Richardia brasiliensis
e vassourinha, Borreria
capitata) (Oliveira et al., 1979; Miguel, 1981). Globalmente,
a conscientização ecológica já detectada em grande parte da população e,
principalmente, entre produtores rurais, técnicos ligados às ciências
agrárias e consumidores, indica uma evolução, não no sentido do
banimento coletivo dos agroquímicos, mas sim uma exclusão gradual à
medida que soluções alternativas venham se apresentando. |
|
|
|
Agricultura orgânica (contexto, desafios e cenários)
De acordo com a definição do Codex Alimentarius
(2006): “A agricultura
orgânica é um sistema de gerenciamento total da produção agrícola com
vistas a promover e realçar a saúde do meio ambiente, preservar a
biodiversidade, os ciclos e as atividades biológicas do solo. Nesse
sentido, a agricultura orgânica enfatiza o uso de práticas de manejo em
oposição ao uso de elementos estranhos ao meio rural. Isso abrange,
sempre que possível, a administração de conhecimentos agronômicos,
biológicos e até mesmo mecânicos. Exclui a adoção de substâncias
químicas ou outros materiais sintéticos que desempenhem no solo funções
estranhas às desempenhadas pelo ecossistema.”
O número limitado de pesquisas sobre os
benefícios gerados pela adoção do sistema de agricultura orgânica
registra efeitos positivos para o meio ambiente (Drinkwater et al.,
1998; Reganold et al.,
2001). Mader et al.
(2002) estudaram, durante 21 anos, o desempenho agronômico e ecológico
dos sistemas biodinâmico x orgânico x convencional, na Suíça. O
experimento foi instalado de 1978 até 1998 e apresentou resultados muito
consistentes e elucidativos, como, por exemplo: a respeito da
produtividade dos sistemas orgânicos que tende a ser 20% menor, no
entanto, o consumo de energia por hectare é 50% maior nas
plantações convencionais que dependem do uso de fertilizantes e
pesticidas. Sistemas biodinâmicos e orgânicos conservam mais a
fertilidade do solo, apresentando maior estabilidade de agregados e alta
biodiversidade da fauna do solo, além de uma maior atividade microbiana.
Os autores concluíram que, mesmo produzindo menos, a agricultura
orgânica é mais eficiente e menos agressiva ao meio ambiente.
Entretanto, a falta de um entendimento holístico
dos princípios da agricultura orgânica induziram Altieri & Nicholls
(2003) a questionar as bases do movimento orgânico contemporâneo,
criticando a produção orgânica geralmente praticada em grandes áreas,
voltada, exclusivamente, para a alta produção e lucratividade,
características do modelo de agricultura convencional a qual,
tradicionalmente, se opunha. À medida que o terceiro mundo entra no
mercado orgânico, a produção se destina, principalmente, à exportação,
com pequena contribuição para a seguridade alimentar destes países mais
pobres. Os produtos orgânicos estão sendo comercializados
internacionalmente como mercadoria (commodities)
e sua distribuição está sendo feita pelas mesmas corporações
multinacionais que dominam o mercado convencional.
É importante enfatizar que somente uma minoria de
produtores orgânicos que controlam áreas grandes e com capital
financeiro disponível segue o modelo de substituição de insumos.
Agricultores que seguem este regime ficam atrelados a um processo que os
mantêm dependentes dos fornecedores de insumos orgânicos. Além da
dependência, o uso intensivo de insumos externos (orgânicos e
biológicos) pode gerar, por exemplo, a resistência de insetos devido ao
uso continuado de pulverização com Bt (Bacillus thuringiensis),
contaminação do solo e da água com sulfato de cobre e eliminação de
insetos benéficos com rotenona e outros inseticidas biológicos não
seletivos. É possível que alguns dos problemas citados pudessem ter sido
minimizados se o movimento orgânico não tivesse desconsiderado dois
fatores importantes: limitação do tamanho da propriedade a ser
certificada e desenvolvimento de padrões de certificação solidária,
flexível e com padrões sociais (Altieri & Nicholls, 2003).
Os principais entraves ao desenvolvimento da
agricultura orgânica no Brasil foram detectados por Darolt (2000) e são,
em ordem descrescente, a falta de crédito específico, as dificuldades
para a comercialização da produção e, por último, a falta de experiência
e de informações técnicas. Foram levantadas também algumas condições
para que a agricultura orgânica seja bem-sucedida, como o incentivo
financeiro aos produtores em conversão (experiências de prefeituras que
apóiam a agricultura orgânica têm oferecido condições satisfatórias para
alavancar o sistema); o diálogo com os consumidores; a informação
eficiente aos produtores e consumidores (nos países como Suíça, Alemanha
e EUA, onde existem institutos de pesquisa em agricultura orgânica, a
evolução é nitidamente maior); o acesso e a disponibilidade de produtos
orgânicos (maior gama de opções de pontos de venda, como venda direta,
cooperativas, lojas de produtos naturais, redes de supermercado, etc.);
o marketing e a proteção legal (criação de uma logomarca nacional para o
produto orgânico, com o intuito de aumentar as vendas no nosso país); a
pesquisa fundamental, aplicada e em sistemas de produção; a criação de
métodos alternativos de certificação (certificação participativa) e o
associativismo. Theodoro & Guimarães (2003) concluíram que a agricultura
orgânica veio para ficar como uma espécie de desafio da sustentabilidade.
Torna-se, assim, necessário estudar as vantagens que o sistema orgânico
pode proporcionar a produtores e consumidores, como a menor dependência
de insumos externos à propriedade, a redução dos custos de produção e
uma menor degradação do solo. De outro lado, o fornecimento de alimentos
com menor índice de toxicidade, a melhoria da saúde do consumidor e a
manutenção do equilíbrio ambiental são benefícios a serem capturados
pela sociedade em geral. |
|
|
|
Área de produção e mercado mundial de produtos
orgânicos
De acordo com a Federação Internacional dos
Movimentos de Agricultura Orgânica (IFOAM), o sistema orgânico já é
praticado em 110 países, sendo observada uma rápida expansão, sobretudo
na Europa, EUA, Japão, Austrália e América do Sul (Willer & Yussefi,
2005).
Na falta de estatísticas oficiais, a Foundation Ecology &
Agriculture da
Alemanha e o Research
Institute of Organic Agriculture da Suíça, a cada ano, coletam
informações em todo o mundo e, em 2004, estimaram a área orgânica
mundial em 24 milhões de hectares que somados aos mais de 10,7 milhões
de hectares de extrativismo certificado de produtos alimentares
totalizaram uma área de 34,7 milhões de hectares em todo o mundo (Yussefi,
2004). Em 2005, a área mundial passou para 26 milhões de hectares
manejados organicamente em, aproximadamente, 558.449 propriedades e para
14,5 milhões de hectares de extrativismo certificado, totalizando uma
área de 40,5 milhões de hectares (aumento de 16,72%). Esses dados
apontam a conversão de uma área de 5,8 milhões de hectares em todo o
planeta para o manejo orgânico, durante o período de um ano (Willer &
Yussefi, 2005).
A maior parte destas áreas está localizada na
Austrália (11,3 milhões de hectares), Argentina (2,8 milhões de
hectares) e Itália (um pouco mais que 1,0 milhão de hectares). A Oceania
tem, aproximadamente, 43% da área orgânica do mundo, seguida pela Europa
(23,8%) e América Latina (23,5%). É importante destacar que os países
que têm o maior percentual de área sob manejo orgânico em relação à área
total destinada à agricultura computam a área de pastagem. Assim, por
exemplo, em países como Austrália e Argentina, mais de 90% da área de
produção orgânica correspondem a áreas de pastagem (Willer & Yussefi,
2005).
O maior número de propriedades orgânicas
encontra-se na América Latina (34,0%), Europa (29,9%) e África (21,1%).
Numa análise comparativa entre o tamanho de área manejada sob o
sistema orgânico e o número de propriedades orgânicas, é possível
perceber a América Latina que, com 23,5% da área sob manejo orgânico,
possui o maior número de propriedades (34,0% do total); enquanto a
Oceania possui a maior área (42,9% do total) e o menor número de
produtores (0,4%). Os países que apresentam uma maior percentagem de
área sob manejo orgânico em relação à área total de agricultura são a
Áustria (maior percentual entre os países da União Européia – 26,4%), a
Suíça (10,27%), a Finlândia (7,22%) e a Itália (6,86%).
No Brasil, a consolidação dos dados sobre
agricultura orgânica carece de precisão, sendo a maioria das estimativas
baseadas nas informações das certificadoras. Segundo uma destas
estimativas, realizada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES), a área com manejo orgânico no país, em 2002, era de
275,60 mil hectares, com a existência de 7.063 produtores certificados
ou em processo de certificação que movimentam US$ 300 milhões ao ano.
Esse estudo aponta a existência de 419 produtores de café legitimamente
orgânicos (5,93%), envolvendo uma área plantada de 13.005,00 ha (4,82%
do total) (Ormond et al.,
2002). A maior parte (80%) da produção orgânica brasileira
encontra-se nos estados do sul e sudeste. Em torno de 85% da produção
orgânica brasileira é exportada, sobretudo para a Europa, Estados Unidos
e Japão. Os restantes 15% são distribuídos no mercado interno (Darolt,
2002). Dados recentes apontam um crescimento vertiginoso da área com
manejo orgânico no Brasil, passando, em 2005, para 803,18 mil hectares
(a quinta maior área certificada do mundo), com 14.003 propriedades
certificadas (Willer & Yussefi, 2005).
|
|
|
|
A transição para a cafeicultura orgânica
Transição ou conversão são termos usualmente
utilizados para denominar o processo de mudança do sistema de produção
convencional para orgânico, os quais, além de questões técnicas e
educativas que a mudança tecnológica per si pressupõe,
envolvem também questões normativas e de mercado, na medida em que está
intimamente ligada ao processo de certificação (Feiden et al., 2002). O
processo de certificação da produção de café orgânico, isto é, o
processo de legitimação da produção, foi descrito em detalhes por
Theodoro (2002) e Theodoro (2003).
Segundo as normas brasileiras (BRASIL, 1999),
para que o produto receba a denominação de orgânico, ele deverá ser
proveniente de um sistema em que tenham sido aplicados os princípios
estabelecidos pelas normas orgânicas, por um período mínimo para a
produção vegetal de culturas anuais, com olerícolas e cereais, de doze
meses sob manejo orgânico. No caso de culturas perenes, a propriedade
deverá cumprir um período de conversão de dezoito meses em manejo
orgânico. Para atender à legislação do mercado internacional, o prazo é
mais dilatado, sendo 24 meses para culturas anuais e um período de
conversão de 36 meses para culturas perenes. Entretanto, Darolt (2002)
adverte que os períodos de conversão citados poderão ser ampliados pela
certificadora em função do uso anterior e da situação ecológica da
propriedade.
Para Khatounian (1999), o período de conversão
não deve ser entendido apenas como uma quarentena para a eliminação de
resíduos de agrotóxicos, mas como um período necessário para a
reorganização, a sedimentação e a maturação dos novos conhecimentos. É
um reaprendizado da agronomia como ecologia aplicada à produção
agrícola, que exige a reorganização dos fatos agronômicos sob um marco
conceitual diferente (Khatounian, 2001).
Vivan (1998) questionou a mudança de paradigma da
agricultura convencional para a agroecologia, ressaltando não trata-se
mais de apenas substituir o insumo externo por um menos danoso ao
ecossistema e à saúde humana, ou de criar um eficiente organismo rural
padrão. Trata-se de assumir alguns pontos fundamentais para a geração de
tecnologias, como:
a) compreensão dos componentes da sucessão natural de
espécies em cada ecossistema e de como este processo utiliza de modo
ótimo os recursos no tempo e no espaço;
b) compreensão dos mecanismos de evolução interativa
entre as comunidades vivas e o meio físico, criando as condições básicas
para o desenvolvimento da vida (otimização de radiação, umidade e
nutrientes);
c)conhecimento dos ciclos e padrões que refletem essas
interações e como neles integrar as ações e interesses humanos, buscando
otimizar nossa intervenção nos ambientes, e
d) fazer deste processo a matriz de um desenvolvimento
tecnológico adaptado à escala humana, o que implica no reconhecimento da
importância das particularidades de culturas e etnias e sua bagagem de
interação com os ecossistemas.
Com as recentes tendências ecológicas na
agricultura, tanto o manejo agroflorestal quanto o manejo orgânico do
cafeeiro constituem-se em tecnologias importantes para a recuperação dos
solos degradados, que, durante muitos anos, foram submetidos ao manejo
intensivo desta cultura (Alfaro- Villatoro et al., 2004). Por isso, é
premente a necessidade de estudos sobre sistemas agroflorestais (SAF)
com o cafeeiro, visando atender à demanda de cafeicultores convencionais
que estão migrando para o sistema de produção de café orgânico, cujo
mercado é altamente exigente em relação à qualidade de bebida (Theodoro
et al., 2002; Malta et al., 2003) e diversificação das culturas (Moguel
& Toledo, 1999; Soto-Pinto et al., 2000; Peters et al., 2003; Van der
Vossen, 2005).
No sul do México, em um estudo realizado por
Moguel & Toledo (1999), em plantações de café, foram reconhecidos cinco
tipos de sistemas de produção de café, distinguidos em concordância com
o nível de manejo, a composição vegetativa e a estrutura dos extratos (SMBS,
2006). Os sistemas são:
a) sistema
rústico: o café é plantado substituindo plantas que crescem no
extrato baixo das florestas temperadas ou tropicais. Esse sistema
corresponde a uma agricultura de subsistência e é adotado por grupos
indígenas com práticas mínimas de manejo, sem uso de fertilizantes e
agroquímicos e, como conseqüência apresenta baixo rendimento;
b)
policultura tradicional: realizamse práticas agronômicas para
manejo de café e manipulação da floresta, mediante a eliminação de
árvores nativas e introdução de outras espécies. Estes sistemas são
conhecidos como “coffee garden”;
c)
policultura comercial: observa-se a exploração comercial de
algumas das espécies utilizadas no sombreamento, como produtos
alimentícios, madeiras, frutíferas, medicinais e ornamentais. Nestes
sistemas, a floresta original pode ter sido removida completamente e
predominam espécies para sombra com ou sem utilidade comercial,
especialmente leguminosas combinadas com espécies para extração de
madeira, látex, espécies frutíferas, como bananeiras, cítricos etc.;
d)
monocultura consorciada com sombra:
este sistema é caracterizado por uma plantação bem manejada
agronomicamente, no qual o café é plantado em um espaçamento definido,
sob um único extrato de sombra, com uma ou duas espécies arbóreas
introduzidas especialmente para este propósito, e e) monocultura sem sombra: não apresenta nenhuma
cobertura arbórea, os cafeeiros crescem expostos ao sol pleno.
Representam um sistema totalmente agrícola, com alto ingresso de
fertilizantes e pesticidas, uso de maquinaria e trabalho especializado.
Embora produza os maiores rendimentos, este sistema está associado aos
impactos negativos da agricultura intensiva, causando diminuição à
diversidade biológica e, em longo prazo, provocando a depauperação do
solo.
Para avaliar a viabilidade financeira de investir
na certificação ecológica de plantações de café já estabelecidas, Gobbi
(2000) efetuou uma análise de custo-benefício sobre quatro diferentes
sistemas agroflorestais e uma plantação de café cultivado a pleno sol.
Em todos os casos, o autor encontrou uma relação custo-benefício
aceitável, com menor risco para a policultura tradicional, uma vez
que este sistema privilegia a introdução das árvores nas lavouras
cafeeiras. Além disso, os benefícios da certificação são obtidos a
partir do segundo ano.
Em agroecossistemas da América Central de café
arábica, o café orgânico sombreado produz de 20% a 30% a menos que o
café convencional sombreado e, em relação ao café convencional não
sombreado, apresenta uma produção 40% menor. O ágio recebido pelo café
orgânico é insuficiente para compensar a queda de produção e seu custo
de produção é ligeiramente mais alto devido aos custos da certificação e
inspeções de acordo com a
International Federation of Organic Agriculture Movements (IFOAM). A renda líquida de
fazendas de café orgânico é de 25% a 50% menor do que em fazendas
convencionais, entretanto, ainda são muito lucrativas quando os preços
do café estão altos (Van der Vossen, 2005).
Um novo critério de certificação é caracterizado pelo “Comércio Justo” ( Fair
Trade), estabelecendo
normas especiais para um comércio sustentável, principalmente em
pequenas propriedades organizadas. As normas mais importantes são:
a) uma parte fixa do preço final é utilizada para
programas sociais dentro da comunidade ou cooperativa de trabalhadores;
b) as relações de comércio são estabelecidas visando sua manutenção em
longo prazo e
c) parte da receita é destinada diretamente aos
produtores, de forma a torná-los mais independentes, sem necessitar da
ajuda de créditos oferecidos por bancos que cobram, em geral, altas
taxas de juros (Carvalho, 2002).
Uma análise da produção de café
orgânico foi realizada por Van der Vossen (2005), elucidando vários
pontos críticos de todo o processo de produção e da filosofia da
agricultura orgânica. O autor questiona esse sistema como sendo bastante
complexo, apresentando um processo de certificação caro, ficando
evidente que os produtores que praticam as rígidas regras da produção de
café orgânico podem até compartilhar das mesmas preocupações ambientais
de consumidores conscientes, mas sua grande maioria é motivada
primeiramente pelos benefícios econômicos advindos do ágil
recebido. Não obstante, existe uma injustiça considerável entre as
extremas normas para se produzir “orgânicos”, exigidas pelo consumidor
urbano do mundo industrializado e a modesta recompensa recebida pelo
grande esforço dos produtores de café orgânico. Assis & Romeiro (2004)
analisaram os fatores econômicos e políticos que condicionam a evolução
dos sistemas orgânicos de produção de café no Brasil, por meio de estudo
de caso com agricultores ligados à Associação de Cafeicultura Orgânica
do Brasil (ACOB), em Machado, MG. A estratégia de conversão a ser
adotada está condicionada à realização de uma análise dos pontos fortes
e fracos da propriedade, bem como da definição de aptidões, da
experiência do agricultor, do tipo de mão-de-obra utilizada e do
mercado.
Nesse sentido, dois parâmetros são fundamentais:
a forma de organização social da produção e o padrão tecnológico da
unidade de produção no início do processo de conversão, os quais irão
determinar, além da estratégia a ser adotada, a velocidade com que se
processará a conversão e a inserção no mercado.
É importante salientar que a produtividade após o
período de conversão de todas as lavouras de agricultores empresariais e
familiares apresentou valores compatíveis e até superiores às lavouras
sob manejo convencional. Em relação ao ágio obtido no mercado de
produtos orgânicos, esse apresenta uma variação entre 20% e 70% (média
de 33%) e verifica-se que somente os empresários capitalistas conseguem
obter ágio superior a 40%, situando-se os agricultores familiares na
faixa de 20% a 40%. Isso reflete a dificuldade que a produção familiar
de café orgânico encontra para se inserir nesse mercado altamente
seletivo (Assis & Romeiro,2004). |
|
|
|
Bases científicas do manejo orgânico em solos
tropicais
A base científica para as várias correntes de
pensamento que caracterizam a “agricultura alternativa” em contraposição
à agricultura convencional baseada nos princípios da “revolução verde”,
tem sido buscada por meio da agroecologia, ciência em construção, que
apresenta uma série de princípios e metodologias para estudar, analisar,
dirigir, desenhar e avaliar agroecossistemas (Altieri, 1987). A
agroecologia surge como conseqüência de uma busca de suporte teórico
para as diferentes correntes de agricultura não industrial e, como
resposta aos críticos destes movimentos, que os colocavam como uma
tentativa retrógrada de volta ao passado na agricultura (Assis, 2005).
Essa ciência resgata os conhecimentos
tradicionais desprezados pela agricultura industrial, procurando
utilizar o que há de mais avançado em ciência e tecnologia para criar
agro ecossistemas sustentáveis e de alta produtividade,que apresentem
características mais semelhantes quanto sejam possíveis às dos
ecossistemas naturais (Gliessman, 2000). |
|
Teoria da trofobiose
A compreensão da natureza somente é possível num
enfoque holístico observando ciclos, trabalhando com sistemas e
respeitando as inter-relações e proporções. Tudo é interdependente. Com
o enfoque temático-analítico que vem predominando na agricultura,
perdeu-se a visão geral do sistema e, assim, aumentaram os problemas
relacionados com a proteção das plantas, devido ao manejo inadequado dos
solos, da natureza e do próprio controle desses problemas (Ghini &
Bettiol, 2000). O surgimento de doenças iatrogênicas (as que ocorrem por
causa do uso de agrotóxicos) é um exemplo de problemas que podem ocorrer
devido à visão reducionista do sistema. Vários aspectos do surgimento de
pragas e doenças em decorrência do uso de agrotóxicos são discutidos por
Chaboussou (1987). Por exemplo, após a utilização de diversos
insecitidas, como DDT, Carbaryl e numerosos fosforados, ocorrem
proliferações de populações de ácaros vermelhos (Panonychus
ulmi Koch) e ácaros
amarelos (Eotetranychus
carpini vitis, Dosse)
(Chaboussou, 1969); pulgões (Smirnova, 1965; Michel, 1966) e cochonilhas
após a utilização de fosforados ou clorados (Kozlova & Kurdyukov, 1964).
O uso de um clorado em tratamento de solo (Luckmann, 1960) e de um
fosforado (Savesco & Iacol, 1958) também induziram aumentos na população
de lepidópteros.
Esses fenômenos foram constatados envolvendo
ácaros, pulgões e cochonilhas porque estes insetos mantêm-se sobre a
planta durante toda a duração de seu ciclo evolutivo e,
conseqüentemente, sua multiplicação não poderia passar despercebida. O
mesmo não ocorre com certas ordens de insetos, como os lepidópteros, por
exemplo, submetidos à metamorfoses que exigem o abandono do vegetal (Chaboussou,
1987). Alves et al. (2001) citaram que a maior parte dos insetos e dos
ácaros fitófagos depende de substâncias solúveis existentes na seiva das
plantas ou no suco celular, tais como aminoácidos livres e açúcares
redutores, pois estes não são capazes de desdobrar proteínas em
aminoácidos. Foi a partir da relação entre o estado nutricional da
planta e sua resistência às doenças que Dufrenoy (1936) postulou que
toda circunstância desfavorável ao crescimento celular tende a provocar
um acúmulo de compostos solúveis não utilizados, como açúcares e
aminoácidos, diminuindo a resistência da planta ao ataque de pragas e
doenças.
A partir disso, Francis Chaboussou formulou, em
1967, a teoria da trofobiose (a origem do termo provém do grego: “ trofo”
(alimento) e “biose”
(existência de vida),
ao afirmar que “a
planta, ou mais precisamente o órgão vegetal, será atacado somente
quando seu estado bioquímico, determinado pela natureza e pelo teor de
substâncias nutritivas solúveis, corresponder às exigências tróficas da
praga ou do patógeno em questão” (Chaboussou, 1969; 1972; 1980;
1985).
Assim, toda planta estará vulnerável ao ataque de
insetos, ácaros, fungos e doenças de modo geral, no momento em que em
seu sistema metabólico estiverem presentes excessos de aminoácidos
livres e açúcares redutores (proteólise). Toda ação ou interferência no
metabolismo da planta de origem genética, fisiológica, climática e de
manejo cultural, que estimulem a proteossíntese, geram resistência
entomológica e fitopatológica no organismo vegetal. Em condições
climáticas ótimas e de suprimento de nutrientes, estabelece-se uma
condição de equilíbrio metabólico na planta que acaba induzindo a um
equilíbrio biológico no ambiente. Seca prolongada, frio intenso, vento,
desequilíbrio nutricional (deficiência ou excesso de nutrientes),
compactação do solo e, principalmente, uso de agrotóxicos provocam
estresse metabólico no organismo vegetal. Isso gera um desequilíbrio
proteolítico, resultando em um excesso de aminoácidos e vulnerabilizando
as plantas às pragas e doenças (D’andrea, 2001). Assim, a explicação
para o aumento de pragas ou para os desequilíbrios biológicos nos
agroecossistemas pode estar associada ao estado dominante de proteólise
nos tecidos das plantas (Alves et al., 2001).
Diante dessa constatação, verifica-se a grande
importância de realização de estudos mais aprofundados sobre os efeitos
da nutrição vegetal na suscetibilidade/resistência das plantas às pragas
e doenças, pois ainda são incipientes as evidências científicas que
confirmem a veracidade da teoria da trofobiose, principalmente em
manejos tropicais. É conhecido que a fertilização de plantas apresenta
efeitos positivos e negativos na incidência de pragas e doenças (Bortolli
& Maia, 1994), enquanto Chaboussou (1987) e Primavesi (1988) ressaltaram
a importância do equilíbrio nutricional para evitar doenças e pragas. As
plantas produzidas em ambientes com excesso de agroquímicos
apresentam-se desequilibradas nutricionalmente e vulneráveis ao ataque
de doenças e pragas (Altieri & Nicholls, 1999).
Archer et al. (1982) comprovaram que o aumento
dos níveis de N em sorgo proporciona aumento na incidência de pulgões.
Tem sido observado, em culturas como o arroz e a aveia, que, com o
aumento da concentração de N solúvel na seiva das plantas, ocorre
aumento do ataque de Sogatella
furcifera e Sitobion
avenae (Marschner,
1995). A redução do teor de K nas folhas de arroz e citros aumenta o
ataque de S. furcifera
(Marschner, 1995) e
das cochonilhas
Lepidosaphes beckii e Saissetia oleae
(Chaboussou, 1987),
provavelmente em função da elevação da concentração de aminoácidos
livres (Marschner, 1995).
A população de Orthezia praelonga em pomar de tangerina cv. Ponkan
apresentou maior incidência nos tratamentos que receberam adubação
nitrogenada e potássica (30,91%), enquanto que, em plantas que receberam
somente adubação nitrogenada, verificou-se um grau de infestação de
13,50%. Isso demonstra uma maior tendência dos insetos por plantas
quando os adubos são aplicados simultaneamente (Pinto et al.,
1998; Azeredo et al.,
2004). Bortolli & Maia (1994) relataram que embora a maioria dos
trabalhos aponte para o efeito positivo do N no desenvolvimento de
pragas, há resultados que indicam o contrário (Leite et al., 1999), bem
como o efeito não significativo (Gonçalves et al., 2003).
Em relação à
cultura do cafeeiro existe uma grande lacuna a respeito da trofobiose e
trabalhos são praticamente inexistentes. É consenso entre a comunidade
científica que a incidência da cercosporiose, cujo agente causal é o
fungo Cercospora coffeicola
Berk & Cook, apresenta
alta correlação com o estado nutricional das plantas e fatores
climáticos. Além das condições climáticas, como umidade relativa alta,
temperaturas amenas, excesso de insolação e déficit hídrico, qualquer condição que
leve a planta a um estado nutricional deficiente ou desequilibrado
favorece a doença (Carvalho & Chaulfoun, 2000). A ocorrência da doença e
a suscetibilidade/resistência do cafeeiro cultivado nas várias regiões
produtoras do Brasil podem ser explicadas pela teoria da trofobiose em
trabalhos futuros, que visem elucidar a influência da nutrição mineral
com fontes altamente solúveis e o uso de agrotóxicos x manejo orgânico
do solo preconizado pela agricultura orgânica x condições climáticas na
proteossíntese e proteólise do sistema metabólico dos cafeeiros.
Na agricultura orgânica, os processos empregados
no controle das pragas e doenças baseiam-se no equilíbrio nutricional
(trofobiose), pelo melhor equilíbrio energético e metabólico do vegetal
(Pinheiro & Barreto, 1996).
O emprego de produtos que contenham
microrganismos e seus metabólitos vem sendo amplamente difundido. Além
de poder funcionar como indutores de resistência, podem atuar como
promotores de crescimento (equilíbrio nutricional) e como protetores da
planta, a exemplo dos entomopatógenos e fermentados microbianos (biofertilizantes
líquidos). Este último pode atuar como repelente ou fagodeterrente
(inibidores de alimentação) ou afetando o desenvolvimento e a reprodução
das pragas. No entanto, faltam comprovações científicas a respeito dos
efeitos do uso de biofertilizantes em diferentes cultivos, apesar de ser
uma prática largamente difundida e utilizada na agricultura familiar e,
principalmente, em lavouras cafeeiras (Alves et al.,
2001).
Os biofertilizantes são compostos bioativos,
resíduo final da fermentação de compostos orgânicos, que contêm células
vivas ou latentes de microrganismos (bactérias, leveduras, algas e
fungos filamentosos) e por seus metabólitos, além de quelatos
organo-minerais. Também podem ser definidos como sendo compostos
biodinâmicos e biologicamente ativos, produzidos em biodigestores por
meio de fermentação aeróbica e ou anaeróbica da matéria orgânica. Esses
compostos são ricos em enzimas, antibióticos, vitaminas, toxinas,
fenóis, ésteres e ácidos, inclusive de ação fitohormonal. Não existe
fórmula padrão para a produção de biofertilizantes. No Brasil, a fórmula
mais conhecida é o supermagro, que está sendo utilizado em culturas como
as de maçã, pêssego, uva, tomate, batata, hortaliças em geral e no
cafeeiro (Alves et al.,
2001). |
|
Rochagem
O solo é o produto da ação integrada do clima e da
biosfera, ao longo do tempo, influenciada por sua posição topográfica
sobre uma rocha matriz. Esta rocha matriz é a fornecedora dos
constituintes minerais que perfazem 46% da fase sólida do solo. A
textura e a estrutura da rocha influenciam na velocidade do processo de
formação do solo, enquanto que as composições mineralógica e química
determinam a disponibilidade de nutrientes inorgânicos nos solos.
Entretanto, como os nutrientes só podem ser assimilados pelas plantas
quando estão na forma solúvel, o intemperismo é uma etapa fundamental
nessa transferência. Diante do exposto, o conhecimento da mineralogia e
da geoquímica das rochas facilita o entendimento sobre os processos
naturais que determinam a ocorrência de solos férteis e pobres, além de
ser uma ferramenta importante na escolha adequada das rochas a serem
trituradas para aplicação no solo, visando à recomposição da sua
fertilidade (Santos & Miedema, 2003).
A rochagem tem como princípio básico a
restituição ao solo de uma fração de minerais intemperizáveis que possa
atuar como se fosse a fração silte de um solo jovem (reserva de
nutrientes). Entretanto, o pleno aproveitamento destes minerais somente
será possível com alta atividade biológica. Assim, em clima tropical e
subtropical, a aplicação de farinha de rocha está atrelada ao manejo
orgânico do solo e terá como parceiros a compostagem, a adubação verde,
o mato roçado ou a cobertura morta. Nesse sentido, merece destaque o
manejo do mato pela constante roçada de pomares e cafezais (Osterroht,
2003). |
|
Atividade microbiana
Nos sistemas agrícolas, a biota do solo é
fortemente influenciada pelas práticas empregadas, como rotação de
culturas, adubação, irrigação e sistemas de preparo do terreno e de
proteção de plantas. Esta mesma biota, por outro lado, governa
processos, como decomposição, mineralização e humificação da matéria
orgânica, mobilização e imobilização de nutrientes, fixação biológica de
nitrogênio atmosférico, agregação e estruturação e conseqüente
conservação do solo, e a regulação de pragas e doenças (Assis, 2005).
O manejo do solo com práticas que não agridam a
biota e favoreçam a ciclagem de nutrientes é fundamental para a obtenção
de plantas saudáveis, tais como: redução da mecanização do solo (plantio
direto ou cultivo mínimo), uso preferencial de adubos verdes, plantas de
cobertura, estercos e compostos (Primavesi, 1988; Altieri, 1991; Monegat,
1991; Patriquin et al., 1993, Altieri, 1994; Vandermeer, 1995; Matson et
al., 1997; Yepsen Jr. 1997; Altieri &
Nicholls, 1999). As demais práticas de manejo de agroecossistemas em
sistema convencional, tais como a aplicação de agrotóxicos, e a
mecanização excessiva do solo com máquinas, têm efeito direto e indireto
no empobrecimento da microbiota do solo responsável pela ciclagem de
nutrientes (Matson et al., 1997; Altieri & Nicholls, 1999). Os
organismos formam a chamada matéria orgânica viva do solo.
Quanto maior a biomassa de um solo, maior o seu
potencial de estoque de nutrientes por meio do acúmulo destes nas
células microbianas. Os nutrientes são liberados conforme degradação das
células, devido à morte ou à predação por outros organismos (Coutinho et
al., 2003).
A biomassa microbiana, que apresenta um
importante papel na ciclagem de nutrientes e agregação do solo, foi
similar em solos manejados organicamente e convencionalmente. Fatores
determinantes do resultado da biomassa microbiana são o tipo e a
quantidade de material orgânico que regularmente entra no
ecossistema. Aparentemente, a baixa entrada de matéria orgânica na
agricultura convencional é suplementada pelas grandes quantidades de exsudatos das raízes e resíduos de colheita (raízes e palhas)
incorporados ao solo, provenientes de uma maior produtividade (Shannon
et al., 2002).
Bettiol et al. (2002), em sistemas de cultivo
orgânico e convencional para as culturas do tomateiro (Lycopersicum
esculentum) e do milho (Zea
mays), registraram uma maior atividade microbiana avaliada
pela evolução de CO2,
mantendo-se superior no sistema orgânico, tendo, em determinadas
avaliações, sido o dobro da evolução verificada no sistema convencional.
No cafeeiro, foram registrados resultados significativos para biomassa
microbiana em relação aos dois tipos de manejo, somente em relação à
época chuvosa, que apresentou maiores valores (Theodoro et al., 2003c).
Os fungos micorrízicos arbusculares (FMA) formam
associações mutualísticas com a maioria das plantas e, sendo simbiontes
obrigatórios, ocorrem de maneira generalizada nos ecossistemas. Eles
aumentam a absorção de nutrientes pouco móveis no solo, como o fósforo
por exemplo (Marschner & Dell, 1994), e a tolerância das plantas a
doenças radiculares (Munyanziza et al.,
1997), melhoram a estrutura do solo e aumentam a diversidade
e a produtividade vegetal (Heijden et al., 1998).
A simbiose micorrízica torna-se muito importante
para o cafeeiro, pois este apresenta elevada dependência dos fungos
micorrízicos arbusculares na fase de mudas em viveiros. Existem indícios
de que, por meio do manejo adotado em lavouras já instaladas, é possível
aumentar a diversidade de espécies e o potencial de inóculo natural do
solo, diminuindo os efeitos negativos do monocultivo contínuo sobre a
diversidade de espécies (Theodoro et al., 2003a).
O manejo apropriado desta simbiose pode reduzir a
utilização de fertilizantes e agrotóxicos, sendo sugeridas por Moreira &
Siqueira (2002) algumas práticas de manejo, como:
a) fazer rotação de culturas e consórcios que
incluam espécies de plantas multiplicadoras de propágulos;
b) reduzir as aplicações de adubos solúveis ao mínimo
necessário;
c) priorizar fontes nãosolúveis de fósforo (a
micorrização é inibida por fosfato na solução no solo) e
d) reduzir ao mínimo a aplicação de agrotóxicos,
principalmente os fungicidas. |
|
Tecnologias de produção orgânica aplicadas à
cafeicultura
Adubação orgânica
Um novo
conceito de fertilidade proposto por Khatounian (2001) chama a atenção
para a sucessão da rocha nua até a floresta, e estabelece fertilidade
como “a capacidade de um
ecossistema gerar vida de forma sustentável, medida usualmente em termos
de produção de biomassa”.
Assim a fertilidade deixa de ser um atributo apenas do solo, passando
para a esfera do ecossistema. O foco se amplia da camada superficial do
solo para todo o perfil no qual as plantas se desenvolvem, indo desde as
raízes mais profundas até o topo das plantas.
Enquanto fertilidade natural é obra da natureza,
acumulada pelo ecossistema original, a fertilidade dos agroecossistemas
é uma criação humana, melhorada ou desgastada pelas mãos do agricultor (Khatounian,
2001).
Uma concepção errônea e simplista dos princípios
de uma agricultura verdadeiramente ecológica é o enfoque único na
eliminação do uso de agrotóxicos e da adubação mineral altamente
solúvel. A agricultura ecológica e orgânica desenvolve um caminho para
incrementar a produtividade do sistema “solo-planta-animal”, por meio da
compreensão profunda das relações do mesmo. Enquanto, na agricultura
convencional, se entende a adubação como reposição de nutrientes, na
agricultura orgânica é o fortalecimento da organização vital do
organismo solo-planta (Scheller, 2003), respeitando as leis da
fertilidade (lei da restituição, lei do máximo e do mínimo e lei dos
rendimentos não proporcionais). Nesse sistema, sulfato de potássio e
fosfato de rocha não são empregados para a reposição de
nutrientes, mas sim para estimular processos biológicos (Scheller,
2003).
Nos últimos anos, tem aumentado o número de
pesquisas que visam buscar critérios para avaliação da fertilidade e
diagnose nutricional das plantas em sistemas orgânicos de produção de
café (Ricci et al., 2002; Theodoro et al,. 2003b, 2003c; Partelli et
al., 2005).
Em trabalhos realizados em sistemas orgânicos,
certos estercos têm sido utilizados como fonte de nutrientes para as
plantas, principalmente o bovino e a cama de aviário. Entretanto,
estudos demonstraram a necessidade de utilização de grandes quantidades
desses materiais (Almeida, 1991; Oliveira, 2001), o que limita sua
aplicação em virtude do reduzido número de criações conduzidas de acordo
com os preceitos da agricultura orgânica. Araújo (2004), trabalhando em
casa de vegetação obteve resultados para o melhor desenvolvimento do
cafeeiro em formação, quando foi utilizado composto orgânico com a
dosagem de 6,4 a 7,0 kg cova-1 associado ao biofertilizante “supermagro” nas concentrações de
14,45% a 16,83%. Guimarães et al. (1999) recomendam a adubação de covas
de cafeeiros com 3,0 a 5,0 kg (ou 7,0 a 15,0 L cova-1)
de esterco de curral, 1,0 a 2,0 kg (ou 1,5 a 3,0 L cova-1)
de esterco de galinha, 0,5 a 1,0 kg (1,0 a 2,0 L cova-1)
de torta de mamona ou 1,0 a 2,0 kg (5,0 a 10,0 L cova-1)
de palha de café.
O manejo do café orgânico registrou maior
alteração nas características químicas do solo em relação ao
convencional, apresentando incrementos no pH e nos valores de Ca, Mg, K,
P, Zn, B, CTC do solo, SB, V% e diminuição do Al trocável (Theodoro et
al., 2003b). Não é
conhecida nenhuma evidência de que os processos fundamentais de ciclagem
de nutrientes em manejo orgânico do solo sejam significativamente
diferentes dos mesmos em solos manejados convencionalmente (Stockdale et
al., 2002).
A cidade de Finca Irlanda localizada no sul do
México, no estado de Chiapas, é considerada uma das primeiras regiões do
mundo a produzir café orgânico certificado, desde 1960, em 270,00 ha de
lavouras cafeeiras moderamente sombreadas, apresentando 3.300 plantas ha-1.
A lavoura produz, anualmente, uma média de 1.500 t de café cereja, que,
após processadas rendem aproximadamente 250 t (0,93 t ha-1 ou 15,5 sacas de 60 kg ha-1)
de café beneficiado. O composto é preparado a partir de uma mistura de
resíduos do fruto do café (40%), resíduos de podas (10%), esterco bovino
(20%), galhos de cana-de-açúcar (10%), casco e chifre de animais e
farinha de peixe (5%), calcário dolomítico (5%), rocha fosfatada (5%) e
algumas argilas. Anualmente é produzida uma quantidade de 1.000 t de
composto para aplicação nas lavouras cafeeiras, na quantidade de 3,7 t
ha-1 ou 1,1 kg planta-1.
Essas 3,7 t ha-1 de
composto podem fornecer, aproximadamente, de 60 a 75 kg de N, 8 a 10 kg
de P e 75 a 85 kg de K ha-1 ano-1. As lavouras
cafeeiras orgânicas sombreadas apresentam uma produção média de 0,93 t
de café beneficiado ha-1
ano-1 (15,5 sacas de 60
kg) que requer uma entrada de 78 kg de N, 2 kg de P e 75 kg de K,
visando manter o balanço nutricional requerido para sustentar um patamar
médio de produção. Em Finca Irlanda, são encontrados níveis médios de
nutrientes devido à utilização, no processo de compostagem, de 50% de
resíduos do próprio cafeeiro (casca, pergaminho, palha e podas)
produzidos dentro do organismo agrícola e a outra metade é oriunda de
fontes externas de matéria orgânica (Van der Vossen, 2005). Kamala Bai
et al. (2000) relataram os resultados de aplicações anuais de,
aproximadamente, 5,0 t ha-1 de composto, na qualidade do solo e na produção de 43,00 ha de
café arábica sombreado, produzido organicamente no sul da Índia.
O composto foi preparado com resíduo de biogás
(feito com esterco bovino e casca de café), esterco de carneiro e de
galinha e fosfato de rocha. A calagem para corrigir o pH do solo é feita
a cada 4 a 5 anos. A média de produção em nove anos (de 1989 a
1998) foi de 1,18 t ha-1
de café beneficiado (19,67 sacas de 60 kg), em comparação a 1,32 t ha-1 (22 sacas de 60 kg) antes da conversão para a produção orgânica
em 1989. A contribuição desse composto foi de 104 kg de N, 5 kg de P e
101 kg de K, no fornecimento de nutrientes. O solo estava em ótimas
condições, apresentando um pH de 6,1; um teor de matéria orgânica de
5,9% na camada superficial (0-20 cm) e os outros nutrientes estavam em
níveis adequados de acordo com as exigências do cafeeiro.
Nos resultados obtidos por Moreira (2003) na
busca de parâmetros que permitam a caracterização dos sistemas de café
orgânico sombreado e a pleno sol, mostraram uma tendência de
superioridade do sistema sombreado, principalmente quanto às maiores
concentrações de K encontradas nos grãos, folhas e solo, que podem ter
propiciado uma melhor qualidade do café deste sistema.
|
|
Adubação verde
A adubação verde para a agricultura orgânica ou
cobertura verde do solo abrange a utilização de plantas, não só as
leguminosas, como também as gramíneas que formam a vegetação espontânea
do agroecossistema, espécies florestais caducifólias naturais e ou
introduzidas e outras espécies que funcionem em sistemas de rotação,
sucessão ou consorciação com as culturas, para a formação de biomassa
vegetal deixada na superfície do solo, visando à melhoria das
características químicas, físicas e biológicas do mesmo.
Apenas a ciclagem de nutrientes, na qual se
inclui a fixação biológica de nitrogênio tem valor anual estimado em 17
trilhões de dólares (Constanza et al., 1997). O uso de adubos verdes,
além de enriquecer o solo pela ciclagem de nutrientes por meio da
fixação biológica, melhora a estrutura, incorpora matéria orgânica,
reduz a erosão, aumenta a capacidade de retenção de água e diminui a
incidência de invasoras. Adicionalmente, a adubação verde contribui para
a proteção das culturas, por estimular populações de espécies
antagonistas aos fitoparasitas, além de poder servir como alimento para
abelhas e como forragem para os animais de criação (Neves, 2005).
Dentre outros benefícios, pode-se citar também a
formação de ácidos orgânicos que aumentam a solubilização de minerais e
intermediam o bombeamento de nutrientes de camadas mais profundas do
solo, disponibilizando-os para espécies de plantas com sistema radicular
superficial (González, 1980). A adubação verde vem se constituindo um
excelente aporte de nitrogênio, matéria orgânica e de outros nutrientes
ao sistema, além de proporcionar ao produtor orgânico uma menor
dependência no uso de estercos e compostos.
No cafeeiro, o nitrogênio (N) é considerado
adequado quando o teor nas folhas estiver entre 2,6% a 3,0% (Guimarães
et al., 1999). Para
atingir tais teores, o cafeeiro exige aplicações de doses de N que
variam de 175 a 400 kg ha-1 ano-1, para
produzir entre 20 e 60 sacas ha-1.
Considerando-se que a concentração de N nas fontes orgânicas disponíveis
é baixa, as doses exigidas tornam-se elevadas, onerando os custos com
transporte e mão-de-obra para sua aplicação. Por esta razão, o N pode
ser considerado o nutriente mais limitante na cafeicultura orgânica (Ricci
et al., 2002).
Apesar dessa aparente limitação do manejo
orgânico do solo no fornecimento de N a agroecossistemas de café
orgânico, Theodoro et al. (2003c) realizaram um levantamento do estado
nutricional de agroecossistemas certificados de café orgânico no estado
de Minas Gerais e relataram a eficiência desse sistema no fornecimento
de N às plantas, via compostos orgânicos, adubação verde, roçada de
plantas espontâneas e cobertura vegetal permanente do solo.
A capacidade de penetração no solo das raízes de
leguminosas em profundidades não atingidas pelas culturas em geral tem
sido verificada, sendo que as raízes chegam, em média, a uma
profundidade de 20 a 30 cm. Em experimento de campo conduzido em solo
Podzólico (horizonte B textural com elevada densidade), o feijão-guandu
foi a leguminosa com a maior capacidade de penetração de raízes (2,0 m)
(Alvarenga, 1993). Ricci et al. (2002) avaliaram o efeito da adubação
verde no estado nutricional e produtividade do café orgânico, utilizando
o feijão-guandu (Cajanus cajan
L.) plantado nas entrelinhas do cafeeiro (“Catuaí Amarelo” H-
2077-2-5-86), sob espaçamentos diferentes (2,0 x 1,0 m consorciado uma
linha de guandú; 2,8 x 1,0 m consorciado com duas linhas de guandu e 3,6
x 1,0 m consorciado com 3 linhas de guandu) e não consorciado (2,8 x 1,0
m). O guandu permaneceu na área experimental durante 26 meses, tendo,
após a colheita do café, sido cortado e deixado sobre o solo. A maior
produtividade foi observada no tratamento mais adensado, apresentando
10,59 sacas de café (saca de 60 kg de café beneficiado) e no tratamento
a pleno sol (2,8 x 1,0 m), com 12,01 sacas.
A adubação verde com guandu aumentou
significativamente o teor de N na parte aérea dos cafeeiros,
proporcionando teores acima do nível crítico estabelecido para o
cafeeiro. |
|
|
|
Manejo ecológico de pragas (MEP)
O manejo ecológico de pragas (MEP) tem como
finalidade o manejo de agroecossistemas de forma compatível com a
natureza, incorporando as informações ecológicas básicas ao manejo
integrado de pragas (MIP). Na verdade, o MIP tem sido usado sem que se
tenha conhecimento pleno das interações ecológicas envolvidas no
agroecossistema e, assim, utiliza-se de medidas terapêuticas de
controle, sem saber, realmente, quais são os motivos que levaram
determinados insetos a atingir o status de praga e como agem os agentes
limitantes do crescimento populacional desses insetos (Venzon et al.,
2001).
Os mesmos autores citaram, como estratégia de MEP,
a manutenção da vegetação natural adjacentes às lavouras
cafeeiras, ou, quando possível, dentro deles. A conservação de mata
nativa próxima a áreas de cultivo contribui para a conservação e o
aumento de vespas predadoras que nidificam nesta vegetação (Reis et al.,
1984; Gravena, 1992; Reis et al.,
2002). Outras estratégias para culturas perenes são a
manutenção e o aumento da camada de folhas mortas que cobre o solo,
visando ao fornecimento de locais para os inimigos naturais abrigarem-se
durante a entressafra ou quando as condições ambientais são adversas (Venzon
et al., 2001). Uma
tática no manejo do bicho-mineiro (Leucoptera
coffeella) pode ser o fornecimento de alimentação suplementar
aos inimigos naturais (Ecole, 2003).
A manipulação da diversidade de plantas pode
ocorrer tanto dentro da área de plantio como em toda a extensão da
propriedade, por meio do manejo de plantas daninhas, de faixas de
vegetação, de cobertura verde (forrageiras e leguminosas), do consórcio
de culturas, da mistura de variedades, de quebraventos e sistemas
agroflorestais (Amaral et al.,
2003).
O aumento da diversidade de plantas associadas ao
cafeeiro orgânico provocou aumento na taxa de predação de minas do
bicho-mineiro do cafeeiro por vespas predadoras. No entanto, em sistema
de café orgânico parcialmente sombreado, com a introdução de banana na
linha de plantio, foi observado um decréscimo na predação de minas,
possivelmente devido à maior dificuldade das vespas em localizar a praga
(Amaral, 2003).
Alguns estudos sobre métodos de controle e
produtos de uso permitido para MEP na cafeicultura orgânica vêm sendo
conduzidos, como a utilização de armadilhas para a captura de fêmeas
adultas da broca-do-café, que empregam álcool etílico para atrair os
insetos, cuja eficiência pode ser melhorada com a adição de óleo de café
(Villacorta et al., 2001). O fungo Metharizium
anisopliae é também um promissor agente de controle da
broca-do-café. Segundo Leucuona et al. (1986), este fungo causou a
mortalidade de 60% da praga, quando aplicado diretamente sobre os
insetos ou indiretamente, nos grãos e nas folhas na concentração de 1,5
x 108 conídios mL-1.
Estudos sobre a multiplicação massal e a eficiência do controle
biológico da broca-do-café, utilizando o fungo Beauveria bassiana, vêm sendo desenvolvidos, mas já são encontrados no mercado produtos
comerciais com cepas do fungo (Amaral et al.,
2003).
Dipieri et al. (2003) verificaram redução
significativa da quantidade de frutos broqueados quando estes foram
tratados com emulsão de óleo de nim (Azadirachta
indica) e com extratos aquosos da semente e das folhas de nim,
em relação aos frutos tratados com água. Em sistemas orgânicos, tem-se
como método preventivo o controle cultural por meio da realização de uma
colheita bem feita dos frutos, que se constitui em um dos métodos mais
eficientes para o controle da broca-do-café (Reis et al.,
2002).
Em experimentos realizados na EPAMIG/CTZM,
verificou-se o efeito positivo do óleo de nim (Azadirachta
indica) na redução no número de minas de Leucoptera coffeella
formadas, no tamanho das
minas, no número de pupas formadas e na emergência de adultos (Rosado et
al., 2003). Em plantas de cafeeiro tratadas com extrato de nim, foi
observada redução na postura e na sobrevivência de ovos de L. coffeella (Martinez et al.,
2001).
Outros extratos de plantas também têm apresentado
resultados promissores no controle de pragas do cafeeiro, como os
extratos de folhas de chagas (ou sete-chagas), Tropaeolium majus e o de mentrasto (Ageratum
conyzoides) (Amaral
et al., 2003) apresentaram efeito
inseticida sobre o bicho-mineiro, L. coffeella e a broca-docafé, H. hampei. |
|
RESUMO DAS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
AKIBA , F.; CARMO, M.G.F. do; RIBEIRO, R. de L.D. As
doenças infecciosas das lavouras dentro de uma visão agroecológica. Ação Ambiental,
Viçosa, v.5, p.30-33,1999.
ALFARO-VILLATORO, M.A. et al .
Produção de café
em sistema agroflorestal. Seropédica: Embrapa Agrobiologia,
2004. 36p. (Documentos, 187).
ALMEIDA, D.L.
Contribuição da adubação
orgânica para a fertilidade do solo. 1991. 192p. Tese (Doutorado em
Ciência do Solo)-Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro,
Seropédica, RJ.
ALTIERI, M.A. Agricultura alternativa nos EUA; avanços e
perspectivas. In: SEMINÁRIO DE PESQUISA EM AGRICULTURA ALTERNATIVA,
1984, Londrina.
Anais... Londrina:
Fundação Instituto Agronômico do Paraná, IAPAR, 1987. p.117-151.
ALTIERI, M.A. How best can we use biodiversity in
agroecossystems?
Outlook on Agriculture,
v.20, n.1, p.15-23, 1991.
ALTIERI, M.A.
Biodiversity and pest
management in agroecosystems.
New York: Haworth, 1994.
ALTIERI, M.
Biotecnologia agrícola:
mitos, riscos ambientais e alternativas. Porto Alegre: EMATER-RS, 2002.
54p.
ALTIERI, M.A.; NICHOLLS, C.I. Ecologically based pest
management: a key pathway to achieving agroecosystem health. In:
NICHOLLS, C.I.; GARCIA,
M.A.; ALTIERI, M.A. Curso de agroecologia, Worshop sobre
agroecologia e desenvolvimento sustentável. Campinas: UNICAMP, 1999.
v.2, n.6.
ALTIERI, M.A.; NICHOLLS, C.I. Agroecologia: resgatando a
agricultura orgânica a partir de um modelo industrial de produção e
distribuição .
Ciência & Ambiente. v.27,
p.141-152, jul./dez. 2003.
ALVARENGA, R.C.
Potencialidades de adubos
verdes para a conservação e recuperação de solos. 1993. 112p. Tese
(Doutorado)-Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, MG.
ALVES, S.B. et al. Trofobiose e microorganismos na
proteção de plantas.
Biotecnologia Ciência & Desenvolvimento,
n.21, p.16-19, jul./ago. 2001.
AMARAL, D.S.S.L.
Estratégias de manejo
ecológico de pragas na cafeicultura orgânica. 2003. Dissertação (Mestrado em
Fitopatologia)- Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, MG.
AMARAL, D.S.S.L.; VENZON, M; PALLINI, A. Manejo de
pragas na cafeicultura orgânica. In: ZAMBOLIM, L. (Ed.). Produção integrada de café.
Viçosa: UFV/DFP, 2003. p.67-86.
ARAÚJO, J.B.S. Composto orgânico e
biofertilizante na nutrição do cafeeiro em formação no sistema orgânico.
2004. 79p. Dissertação (Mestrado em Fitotecnia)-Universidade Federal de
Lavras, Lavras, MG.
ARCHER, T.L. et al. Nitrogen fertilizer influence on
green-bug (Hom., Aphididae) dynamics and damage to sorghum. Journal Economic Entomology,
v.75, p.695-698, 1982.
ASSIS, R.L. Agricultura orgânica e
agroecologia: questões
conceituais e processo de conversão. Seropédica: Embrapa Agrobiologia,
2005. 35p. (Documentos, 196).
ASSIS, R.L. de; ROMEIRO, A.R. Análise do processo de
conversão de sistemas de produção de café convencional para orgânico: um
estudo de caso. Cadernos de Ciência & Tecnologia,
Brasília, v.21, n.1, p.143-168, jan./abr. 2004.
AZEREDO, E.H.de; LIMA, E.; CASSINO, P.C.R. Impacto dos
nutrientes N e K e de açúcares solúveis sobre populações de Diabrotica speciosa (Germar) (Coleóptera,
Chrysomelidae) e Agrotis
ipsilon (Hüfnagel)
(Lepidóptera,
Noctuidae) na cultura da batata, Solanum tuberosum L. (Solanaceae). Revista Brasileira de
Entomologia, v.48, n.1,
p.105-113, mar. 2004.
BETTIOL, W. et al. Soil organisms in organic and
conventional cropping systems. Scientia Agricola,
v.59, n.3, p.565-572, jul./set. 2002.
BORTOLLI, S.A.; MAIA, I.G. Influência da aplicação de
fertilizantes na ocorrência de pragas. In: SÁ, M.E.; BUZZETI, S. (Coord.). Importância da
adubação na qualidade dos produtos agrícolas. São Paulo: Ícone, 1994. p.53-
63.
BOTTINO NETTO, L. Persistência de herbicidas
em solos com cafeeiros (C.
arabica L.). 2001. 97p. Tese
(Doutorado em Fitotecnia)-Universidade Federal de Lavras, Lavras, MG.
BRASIL. Instrução Normativa N.007 de 17 de maio de 1999.
Estabelece normas para produção de produtos orgânicos vegetais e
animais. Diário
Oficial da União,
Brasília, n.94, Seção 1, p. 11, 19 maio 1999.
CAPRA, F. As conexões ocultas: ciência para uma vida
sustentável. São Paulo: Cultrix, 2002. 296p.
CARSON, R. Silent spring.
Boston: Houghton Mifflin, 1962. 368p.
CARVALHO, Y.M.C. de. Agricultura orgânica e o comércio
justo. Cadernos de
Ciência & Tecnologia,
Brasília, v.19, n.2, p. 205-234, maio/ago. 2002.
CARVALHO, V.L. de; CHAULFOUN, S.M. Doenças do cafeeiro:
diagnose e controle. Belo Horizonte: EPAMIG, 2000. 44p. (Boletim
Técnico, 58).
CHABOUSSOU, F.
Recherches sur lês fact de
pulutation dês acariens
phytophages de la vigne à la suit dês traitments
pesticides du fenillage.
1969. 238p. Thèse Faculte de Sciences, Paris.
CHABOUSSOU, F. La trophobiose el la protection de la
plante.
Revue des
Question Scientifiques,
v.143, n.1, p.27-47, 1972.
CHABOUSSOU, F.
Les plantes malades des
pesticides. Paris: Débard,
1980. 265p.
CHABOUSSOU, F.
Santé des cultures, une
revolution agronomique.
Paris: Flammarion, 1985. 296p.
CHABOUSSOU, F.
Plantas doentes pelo uso de
agrotóxicos: a teoria da
trofobiose. Tradução de Maria José Guazzelli. Porto Alegre: L&PM. 1987.
256p.
CHRISTOFFOLETI, P.J.
Aspectos da resistência de
plantas daninhas a herbicidas. Londrina: Associação Brasileira
de Ação a Resistência de Plantas aos Herbicidas (HRAC-BR), 2003. 90p.
CODEX ALIMENTARIUS. Alimentos produzidos
organicamente. Disponível em: <http://www.codexalimentarius.net/web/archives.jsp?year=01>.
Acesso em: 20 jan. 2006.
CONSTANZA, R. et al. The value of the world’s ecosystem
services and natural capital. Nature,
n.387, p.253-260, 1997.
COUTINHO, H.L.C. da. et al. Ecologia e biodiversidade do
solo no contexto da agroecologia. Informe Agropecuário,
Belo Horizonte, v.24, n.220, p.45-54, 2003.
D’ANDREA, P.A. Processo cíclico de nutrição vegetal,
rochas moídas, biofertilizantes e fertiprotetores. In: ENCONTRO
BIOMASSA: ADUBOS ORGÂNICOS E MANEJO DA BIOMASSA, 1., 2001, Jaboticabal. Anais... Jaboticabal: Agroecológica,
2001. p. 15-22.
DAROLT, M.R. As dimensões da
sustentabilidade: um
estudo da agricultura orgânica na região metropolitana de Curitiba-PR.
2000. 310p. Tese (Doutorado em Meio Ambiente e
Desenvolvimento)-Universidade Federal do Paraná, Curitiba.
DAROLT, M.R. Agricultura orgânica:
inventando o futuro. Londrina: IAPAR, 2002. 250p.
DIPIERI, R.A. et al. Efeito repelente do óleo, extrato
de sementes e folhas de nim,
Azadirachta indica A.
Juss, sobre a broca do café Hypothenemus hampei
(Ferrari) (Coleóptera: Scolytidae). In: SIMPÓSIO DE
PESQUISA DOS CAFÉS DO BRASIL, 3., 2003, Porto Seguro, 2003. Anais... Brasília: Embrapa Café, 2003.
p.337)
DRINKWATER, L.E.; WAGONER, P.; SARRANTONIO, M.
Legume-based cropping systems have reduced carbon and nitrogen losses. Nature, v.396, p.262-265, 1998.
DUFRENOY, J. Le traitement du sol, desinfection,
amendement, fumure, em vue de combatte chez les plantes agricoles de granbnde
culture les affections parasitaires et les maladies de carence. Ann. Agron. Suisse,
p. 680-728, 1936.
ECOLE, C.C. Dinâmica populacional de Leucoptera coffeella
e de seus inimigos
naturais em lavouras adensadas de cafeeiro orgânico e convencional. 2003. 101p. Tese
(Doutorado em Entomologia Agrícola)- Universidade Federal de Lavras,
Lavras, MG.
EHLERS, E. Agricultura sustentável:
origens e perspectivas de um novo paradigma. São Paulo: Livros da Terra,
1996. 178p.
ESTADÃO, São Paulo, Agrotóxico é a segunda causa de
contaminação da água no País. Maio 2005.
FEIDEN, A. et al. Processo de conversão de sistemas de
produção convencionais para sistemas de produção orgânicos. Cadernos de Ciência &
Tecnologia, Brasília,
v.19, p.179-204, 2002.
GHINI, R.; BETTIOL, W. Proteção de plantas na
agricultura sustentável. Cadernos de Ciência & Tecnologia,
Brasília, v.17, n.1, p.61-70, jan./abr. 2000.
GLIESSMAN, S.R. Agroecologia:
processos ecológicos em agricultura sustentável. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio
Grande do Sul, 2000. 653p.
GOBBY, J.A. Is biodiversity-friendly coffee financially
viable? An analysis of five different coffee production systems in western in
El Salvador.
Ecological
Economics,
Amsterdam, v.33, p.267-281, 2000. GONÇALVES, P.A.S. de.; SOUSA E SILVA, C.R. Impacto da
adubação orgânica sobre a incidência de tripés e cebola. Hortic. bras.,
v. 21, n. 3, jul.-set. 2003.
GONZÁLEZ, L.E. Efecto de la asociación de
laurel (C. alliodora
–Ruiz Pav.
- Oken) sobre producción de café (C.
arabica L.) com
y sin sombra de poro
( Erythrina
poeppigiana –
Walpers – O.F. Cook).
1980. 110p. Dissertação (Mestrado)- CATIE. Costa Rica.
GRAVENA, S. Controle biológico no manejo integrado de
pragas. Pesquisa Agropecuária Brasileira ,
v.27, p.281-299, 1992.
GUIMARÃES, P.T.G. et al. Cafeeiro. In: RIBEIRO, A.C.;
GUIMARÃES, P.T.G.; ALVAREZ, V.V.H. (Ed.) Recomendações para o uso de
Corretivos e Fertilizantes em Minas Gerais (5ª aproximação).
Viçosa, MG:CFSEMG/UFV, 1999. p.289-302.
HEIJDEN, M.G.A. et al. Mycorrhizal fungal diversity
determines plant biodiversity, ecosystem variability and productivity. Nature,
v.396, p.69- 72,1998.
ITC/UNCTAD/OMT. Organic food and beverages:
world supply and major European markets.
Genebra: ITC, 1999. 271p.
KAMALA BAI, S. et al. A case study on organic coffee
farming. In: INTERNATIONAL SCIENTIFIC SYMPOSIUM ON COFFEE, 2000,
Bangalore. Proceeding… Bangalore, India: CBI-CCRJ,
2000. p.148-152.
KHATOUNIAN, C.A. Estratégias de conversão para a
agricultura orgânica. In: SIMPÓSIO DE AGRICULTURA ECOLÓGICA, 2.; ENCONTRO DE
AGRICULTURA ORGÂNICA, 1.,1999, São Paulo. Trabalhos apresentados...
Guaíba: Livraria e Editora Agropecuária, 1999. p.57-71. Editado por E.
Ambrosano, E.
KHATOUNIAN, C.A. A reconstrução ecológica da
agricultura. Botucatu:
Agroecológica, 2001. 348p.
KOZLOVA, E.N.; KURDYUKOV. The effect of organophosphorus
insecticides on the development on Comstock’s mealybug. “Trudy vsee
Inst. zahsch”. Rev.
Appl. Ent., Leningrado,
20pt. p.21-24/320, 1964.
LEITE, G.L.D. et al. Efeito de tricomas, aleloquímicos e
nutrientes na resistência de Lycopersicon hirsutum
à traça-do-tomateiro. Pesquisa
Agropecuária Brasileira,
v.34, n.11, p.2059-2064, nov. 1999.
LEUCUONA, R.E. et al. Patogenicidade de Metarhizium anisopliae
(Metsch.)
Sorok, à broca-do-café, Hypothenemus hampei (Ferrari,
1827) (Coleóptera: Scolytidae). Anais da Sociedade
Entomológica do Brasil,
v.15, p.21-27, 1986.
LUCKMANN, W.H. Increase of European corn borer following
soil application of large amounts of dieldrin. Journal Econ. Ent. t.59, n.4, p.582-584, 1960. |
|
|
|
CAPÍTULO 2
DESEMPENHO DO MANEJO ORGÂNICO NOS ATRIBUTOS QUÍMICOS E
MICROBIOLÓGICOS DO SOLO, NA NUTRIÇÃO E NA PRODUTIVIDADE DO CAFEEIRO
RESUMO
O experimento foi instalado em uma lavoura
cafeeira anteriormente cultivada de forma convencional há seis anos, a
qual foi submetida ao processo de transição para o sistema orgânico.
Durante o primeiro ano de transição agroecológica avaliaram-se os
efeitos dos manejos orgânico e convencional sobre os teores de macro e
micronutrientes dos cafeeiros (C.
arabica L.), nos
atributos químicos (0-20 cm) e microbiológicos do solo e na
produtividade. Empregou-se o delineamento látice balanceado 4x4 com
cinco repetições em esquema fatorial 3x2x2 mais quatro tratamentos
adicionais. Foram utilizadas três fontes de matéria orgânica (farelo de
mamona, esterco bovino e cama de aviário), com e sem palha de café
fermentada, com e sem a adubação verde com feijão-guandu (Cajanus
cajan L.) nas
entrelinhas do cafeeiro e pulverizações com o biofertilizante supermagro.
O manejo convencional constou da aplicação de sulfato de amônio e o
cloreto de potássio e de adubação foliar convencional.
O manejo orgânico adotado é eficiente no
fornecimento de N, P, K, S, Ca, Mg, Mn, B, Zn, Cu e Fe ao cafeeiro em
produção. As melhores fontes de N para o cafeeiro são o farelo de mamona
e a cama de aviário, enquanto que o esterco bovino apresenta maior
eficiência no fornecimento de P. Os tratamentos de manejo orgânico
apresentam produtividade similar à da testemunha convencional, devido à
existência de reservas de nutrientes no solo. Não há diferença na
biomassa microbiana, em função dos manejos orgânico e convencional,
entretanto nos tratamentos de manejo orgânico é maior a diversidade
biológica das populações de fungos micorrízicos arbusculares. |
|
|
|
INTRODUÇÃO
O crescente interesse pela conversão dos sistemas
de café convencional para agroecossistemas orgânicos nos modelos de
agricultura familiar e empresarial surge como uma motivação de
compradores e consumidores preocupados com a degradação ambiental
causada pela agricultura industrial, e, como incentivo à valorização
social do trabalhador rural. Assim, para os produtores tradicionais,
constitui-se numa alternativa para diversificar e tornar mais
sustentável a produção de café, mediante a disponibilização de
tecnologias validadas pela ciência.
Dois pontos extremamente favoráveis para a
conversão de sistemas de produção de café convencional para a
cafeicultura orgânica, especialmente voltada para pequenos produtores,
são a mão-de-obra familiar e as possibilidades de organização das
comunidades na forma de associações e cooperativas. A prática dos
princípios da agroecologia em pequenas propriedades demanda menor
quantidade de insumos orgânicos, cuja maior parte pode ser gerada dentro
do organismo agrícola. Além disso, a agricultura familiar apresenta
aptidão para se conseguir um café de alta qualidade a partir de um
processamento pós-colheita adequado, agregando valor por meio da
certificação orgânica e do comércio justo (fair trade).
Como toda mudança de paradigma, a conversão de
lavouras cafeeiras convencionais está sendo realizada gradativamente, ao
longo das últimas décadas no Brasil e no mundo. Ainda existem muitos
pontos a serem elucidados, como a concepção, por parte de alguns
produtores e cientistas, de que o manejo orgânico do solo não consegue
suprir as necessidades nutricionais dos cafeeiros, afetando
drasticamente a produtividade. Assim, fica implícita a idéia de que, por
meio de estudos envolvendo a atividade microbiana do solo, trofobiose e
biodiversidade vegetal por meio, por exemplo, da adoção da adubação
verde nas entrelinhas dos agroecossistemas cafeeiros, estes podem ser
manipulados para se alcançar uma produtividade sustentável, com menos
insumos externos e impactos negativos ambientais e sociais.
Diante disso, foram avaliados após o primeiro ano
de transição agroecológica da lavoura cafeeira, os efeitos do manejo
orgânico na qualidade do solo, por meio da avaliação da fertilidade na
camada superficial, da quantificação da biomassa microbiana e da
identificação de fungos micorrízicos arbusculares presentes no sistema
radicular dos cafeeiros.
O estado nutricional dos cafeeiros foi
relacionado à produtividade da lavoura, com o objetivo de analisar a
eficiência no fornecimento de nutrientes dos tratamentos de manejo
orgânico em comparação à testemunha convencional. |
|
|
|
MATERIAL E MÉTODOS
Descrição da área de estudo
O trabalho foi desenvolvido no município de
Lavras, MG, cujo clima é Cwa, na classificação de Köppen, com médias
anuais para precipitação de 1.530 mm e temperatura de 19,4º C (Brasil,
1992).
A área de estudo localizada na Fazenda Baunilha, constituiu-se de um
talhão de café implantado num Latossolo Vermelho distroférrico, ocupado
com cafeeiros com idade de 6 anos, espaçamento 4,0 x 0,7 m (4.167
plantas ha-1) e
cultivar Catuaí Amarelo (IAC H2077-2-5-86) em uma área de 2,02 ha. A
área das parcelas orgânicas foi de 1,61 ha (80 parcelas) e a testemunha
(20 parcelas convencionais em uma área de 0,41 ha) estava localizada
dentro do mesmo talhão, apresentando a mesma cultivar e espaçamento,
isolada por uma barreira vegetal de 20,0 m (constituída por 5 linhas de
cafeeiros). Cada parcela continha 84 plantas, sendo 16 plantas úteis e
68 plantas de bordadura.
A lavoura convencional recebeu adubações químicas com formulados NPK
desde a sua implantação, de acordo com análises de solo e foliar,
interpretadas segundo Guimarães et al. (1999). A palha de café
proveniente da propriedade era aplicada todo ano e o controle de plantas
espontâneas era realizado pelo método integrado (roçada mecânica e
aplicação de herbicida sistêmico). A propriedade apresenta histórico de
utilização de agrotóxicos para o controle de pragas e doenças em anos de
alta ocorrência.
Descrição dos tratamentos
Este estudo avaliou o uso de insumos
permitidos e ou tolerados pelas normas da agricultura orgânica (Brasil,
1999), durante o primeiro ano de conversão da lavoura convencional para
o sistema orgânico.
O experimento foi instalado em agosto de 2004 e
se encontra no segundo ano agrícola de condução. Neste trabalho foram
utilizados os dados do primeiro ano de conversão (de agosto de 2004 a
dezembro de 2005). O delineamento usado foi o látice balanceado 4x4, com
cinco repetições. Dos dezesseis tratamentos (Tabela 1), doze
caracterizam um fatorial 3x2x2, que corresponde a três fontes de matéria
orgânica (esterco bovino, cama de aviário e farelo de mamona) aplicadas
superficialmente na projeção da copa do cafeeiro, com ou sem compostagem
laminar feita com a aplicação de palha de café (2,0 L planta-1) sobre as
fontes de matéria orgânica e com ou sem adubo verde (Cajanus cajan
L.) nas entrelinhas (Figura 1). Os quatro tratamentos adicionais
avaliaram o uso do esterco bovino + moinha de carvão + sulfato duplo de
potássio e magnésio; a rochagem utilizando a farinha de rocha Itafértil
na dose de 2,08 t ha-1 (500 g planta-1) + farelo de mamona + palha de
café; o uso da palha de café fermentada (20,0 L planta-1) e do adubo
verde feijão-guandu (Cajanus cajan L.) plantado nas entrelinhas
do cafeeiro como únicas fontes de adubação. Todos os tratamentos de
manejo orgânico receberam, como fonte de adubação foliar, o
biofertilizante supermagro e, nas parcelas convencionais, foi aplicada
adubação foliar convencional com Niphokam (Quimifol) (10% N; 8,0% P2O5
solúvel em CNA + água; 8,0% K2O; 0,5% Mg, 1,0% Ca; 2,0% S, 1,0% Zn; 0,5%
B; 0,1% Fe; 0,1% Mo; 0,2% Cu e 0,5% Mn ) na dose de 1,0L 400L-1 calda-1
ha-1.
O cálculo da quantidade de adubos orgânicos foi
feito de acordo com Furtini Neto et al. (2001), conhecendo-se o teor de
nutrientes no fertilizante orgânico sólido com base na matéria seca e o
índice de conversão da forma orgânica para a forma mineral (50%). Foi
calculada a quantidade de fertilizante orgânico sólido a ser aplicada
para atender à demanda de 170 kg ha-1 de N (de acordo com IBD, 2006)
para culturas perenes, respeitando-se o número máximo de animais
permitidos na fazenda por hectare, referente à deposição de |
|
|
|
TABELA 1. Detalhamento dos tratamentos que caracterizam o
manejo orgânico e convencional do cafeeiro. UFLA, Lavras, MG, 2006.
|
|
|
|
Tratamentos de manejo
orgânico
Descrição
|
1. Esterco bovino (EB) + palha de café (PC) |
(EB) 8,5 kg planta-1;
(PC) 2,0 L planta |
| 2. Cama de aviário (CA)
+ palha de café (PC) |
(CA) 4,2 kg planta-1;
(PC) 2,0 L planta-1 |
|
3. Farelo de mamona (FM) + palha de café (PC) |
(FM) 2,0 kg planta-1;
(PC) 2,0 L planta-1 |
|
4. Esterco bovino |
(EB) 8,5 kg planta-1 |
| 5. Cama de aviário |
(CA) 4,2 kg planta-1 |
|
6. Farelo de mamona |
(FM) 2,0 kg planta-1;
(PC) 2,0 L planta-1 |
| 7. EB + PC + adubação
verde (AV) |
(EB) 8,5 kg planta-1;
(PC) 2,0 L planta-1 e (AV) feijão-guandu (Cajanus cajan
L.) |
|
8. CA + PC + AV |
(CA) 4,2 kg planta-1;
(PC) 2,0 L planta-1 e (AV) feijão-guandu (Cajanus cajan
L.) |
|
9. FM + PC + AV |
(FM) 2,0 kg planta-1;
(PC) 2,0 L planta-1 e (AV) feijão-guandu (Cajanus cajan
L.) |
|
10. EB + AV |
(EB) 8,5 kg planta-1;
(AV) feijão-guandu
(Cajanus cajan L.) |
|
11. CA + AV |
(CA) 4,2 kg planta-1;
(AV) feijão-guandu
(Cajanus cajan L.) |
|
12. FM + AV |
(FM) 2,0 kg planta-1;
(AV) feijão-guandu
(Cajanus cajan L.) |
|
13. EB + PC + moinha de carvão (MC) + sulfato duplo de
K e Mg (SKMg) |
(EB) 8,5 kg planta-1;
(PC) 2,0 L planta-1;
(MC) 500 g planta-1;
(SKMg) 110 g planta-1 |
|
14. FM + PC + farinha de rocha (FR) |
(FM) 2,0 kg planta-1;
(PC) 2,0 L planta-1 e(FR) 500 g planta |
|
15. PC |
(PC) 20 L planta-1 |
|
16. AV (AV) feijão-guandu (Cajanus cajan L.) |
(AV) feijão-guandu (Cajanus cajan L.) Adubação
foliar biofertilizante supermagro a 5% (3 aplicações a partir de
dezembro de 2004) |
|
Controle de plantas daninhas |
roçada mecânica, enxada |
|
|
|
|
Testemunha Convencional |
Descrição |
|
A dubação química em quatro parcelamentos (de novembro
de 2004 a fevereiro de 2005) 300 kg N – sulfato de amônio (20% N) e
150 kg K2O
– cloreto de potássio (58% K2O)
Adubação foliar
Controle de plantas daninhas |
300 kg N – sulfato de amônio (20% N) e150 kg K2O
– cloreto de potássio (58% K2O)
Niphokam (Quimifol) (3 aplicações a partir de dezembro de 2004)
roçada mecânica,
Glyphosat |
|
|
|
|
FIGURA 1. Croqui representativo do delineamento
látice balanceado 4x4 com cinco repetições, composto por dezesseis
tratamentos que caracterizam o fatorial 3x2x2 mais quatro tratamentos
adicionais, testados na área experimental localizada na Fazenda
Baunilha. Lavras, MG. |
|

|
|
|
dejetos, de acordo com a área total útil da propriedade.
O esterco bovino foi comprado de pequenos produtores rurais e a cama de
aviário de um aviário localizado no município de Lavras, MG. Somente o
farelo de mamona foi adquirido de uma empresa de São Paulo. A moinha de
carvão foi conseguida na UFLA, junto ao Departamento de Ciências
Florestais e a palha de café utilizada foi proveniente do Setor de
Cafeicultura da UFLA e da área experimental. Os complementos minerais
utilizados, como, por exemplo, para fornecimento de K (sulfato duplo de
K e Mg) e a farinha de rocha, foram submetidos ao processo de
compostagem laminar e os macro e os micronutrientes (biofertilizante
supermagro) passaram pelo processo de fermentação até atingir a sua
estabilização biológica sob anaerobiose. Como a quantidade de N
fornecida pelo uso de adubos orgânicos provenientes de fora da
propriedade não deve ser maior que a aplicada com o uso dos adubos
orgânicos produzidos dentro da propriedade, foi testado o adubo verde (C.
cajan L.) nas entrelinhas do cafeeiro.
De acordo com a fórmula abaixo (Furtini Neto et
al., 2001), as quantidades utilizadas dos adubos orgânicos foram:
8,5 kg de esterco bovino planta-1 totalizando 34,9 t ha-1 (35% umidade;
C = 1,5% N; A = 170 kg ha-1 de N); 2,0 kg de farelo de mamona planta-1
totalizando 8,5 t ha-1 (20% umidade; C = 5%; A = 170 kg ha-1 de N) e 4,2
kg planta-1 de cama de aviário, totalizando 17,4 t ha-1 (30% umidade; C
=2,8%; A = 170 kg ha-1 de N).
|
|
|
|
 |
|
|
|
Em que:
X = quantidade do fertilizante orgânico sólido
aplicado ou a aplicar (kg ha-1)
A = quantidade do nutriente aplicado ou
a aplicar (kg ha-1)
B = teor de matéria seca do fertilizante (%) C
= teor do nutriente na matéria seca (%)
D = índice de conversão para o N (50%)
A palha de café fermentada foi aplicada
superficialmente na projeção da copa do cafeeiro na dose de 2,0 L
planta-1 (Guimarães et al., 1999) nos tratamentos 1, 2, 3, 7, 8, 9, 13 e
14 e em todas as parcelas convencionais, após a aplicação dos adubos
orgânicos (esterco bovino, cama de aviário e farelo de mamona). Esse
processo é chamado compostagem laminar, pois seu objetivo é a formação
de uma lâmina constituída de um adubo orgânico colocado superficialmente
sobre o solo (local de adubação) e, posteriormente, aplica-se um resíduo
vegetal sobre ele, para que o processo de compostagem ocorra em
condições de campo. Pode-se definir compostagem laminar como a
compostagem feita diretamente no local de plantio, onde incorporam-se
adubos orgânicos juntamente com resíduos vegetais e ou material verde
existente no local (adubos verdes ou plantas espontâneas). A grande
vantagem desse processo é que não é necessária a montagem das medas, que
são obrigatórias na compostagem tradicional.
Os teores de macro e micronutrientes dos
diferentes insumos utilizados na adubação orgânica estão listados na
Tabela 2.
O sulfato de potássio e magnésio (SUL-PO-MAG: 22%
K2O, 18% MgO ou 11% Mg e 22% S), que era anteriormente comercializado no
Brasil como Kmag, é o mineral langbeinita, produto natural que não passa
por processos químicos de preparo e nem de extração (Borges & Souza,
2005) certificado pelo IBD. Esse produto foi testado como um aporte
adicional de K para o pequeno produtor, com o objetivo de avaliar seu
desempenho na produtividade da lavoura e nas propriedades químicas e
microbiológicas do solo. Como o teor de K do solo antes da implantação
do experimento era médio (133,6 mg dm-3), de acordo com Guimarães et al.
(1999) foi utilizada a dose de 100 kg.ha-1 de K2O (110 g planta-1). A
moinha de carvão foi utilizada na dose empírica de 2,0 t ha-1 (500 g
planta-1). |
|
|
|
TABELA 2. Teores de nutrientes dos diferentes insumos
utilizados. UFLA, Lavras, MG, 2006. |
|
|

|
|
|
|
A formulação do biofertilizante utilizada foi a
do supermagro adaptado à cafeicultura orgânica, de acordo com Pedini
(2000), com uma diluição de 5%.
Foram realizadas três pulverizações tratorizadas
mensais (dezembro de 2004 a fevereiro de 2005). O referido
biofertilizante foi preparado em uma caixa d’água de 1000 litros na
quantidade de 600 litros. Foram utilizados para cada 200 litros os
seguintes ingredientes: 40 kg de esterco verde e 1,0 kg de
micronutrientes (sais café adicionados seis vezes a cada cinco dias)
fornecidos pela Quimifol na forma farelada de nutrientes quelatizados
contendo 10,0% Zn; 3,0% B; 5,0% Mg; 0,1% Mo e 7,0% S; 50 gramas de
sulfato de Cu; 1,0 L de leite; 1,0 L de melaço; 2 potinhos de Yakult
(produto comercial à base de leite fermentado composto por leite
desnatado fermentado por Lactobacillus, utilizado com o objetivo de
incrementar a atividade microbiana); 0,5 kg de calcário e 400 g de
farinha de osso. Esses materiais foram fermentados anaerobicamente
durante 30 dias, até atingir a sua estabilização biológica, sendo
aplicados posteriormente nas parcelas orgânicas.
A adubação verde foi feita em janeiro de 2005 e, de acordo com análise de
solo coletado nas entrelinhas dos cafeeiros (vinte pontos no talhão
inteiro perfizeram a análise composta) antes da instalação do
experimento, o pH apresentou acidez média (5,9), não havendo indicação
de calagem.
O plantio do adubo verde feijão-guandu (C.
cajan L.) nas parcelas orgânicas (tratamentos 7, 8, 9, 10, 11, 12 e 16)
foi feito com matracas nas entrelinhas dos cafeeiros em quatro linhas
com espaçamento de 50,0 cm e na densidade de dez sementes por metro
linear (utilizando-se 50% do espaço livre do café, de acordo com o
espaçamento) segundo Chaves & Calegari (2001). O guandú permaneceu na
| |