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Trabalho publicado em 02/08/02 A Agrícola Fraiburgo, empresa produtora de maçãs, localizada em Santa Catarina/Fraiburgo, produz por ano aproximadamente 50 mil toneladas de maçã. Além da produção própria, a Empresa comercializa frutas adquiridas de produtores e fruta produzida por pomicultores fomentados pela Agrícola, representando um volume adicional de cerca de 15 mil toneladas. A
Empresa mantém um departamento de pesquisa, onde, além das atividades
cotidianas (análise de dados, apoio aos sistemas de gestão) viabiliza a
implantação de novos sistemas de produção (Produção Integrada de Maçãs-PIM
e Produção Orgânica de Maçãs-POM), desenvolve ferramentas para estes
sistemas como o Controle Biológico de Ácaros por Neoseiulus
californicus, figura 1, e Controle Biológico de Lagartas por Trichogramma
pretiosum,
figura 2. |
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A
produção orgânica na Agrícola Fraiburgo ainda está em fase
experimental. O projeto conta com a consultoria do Dr. Geraldo Deffune.
Neste momento várias ferramentas estão sendo desenvolvidas e vão do
desenvolvimento de máquinas para reaproveitamento de ramos de poda
(evitando assim a necessidade de queima deste material, que agora é
direcionado para compostagem) até preparados biodinâmicos. Por tratar-se
de uma cultura perene, a produção só e obtida no mínimo 2 anos a
partir implantação. O projeto iniciado em 2000 (implantação) conta
hoje com 6 ha de maçãs da variedade "Catarina" polinizada por
"Fred Hough", figuras 3 e 4, variedades resistentes a
"Sarna", principal patógeno da cultura. |
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Foi conduzido também um experimento em uma parcela de 2,5 ha de "Fuji" polinizada por "Mel Rose" e "Gala", onde o objetivo é a conversão de um pomar adulto, conduzido em Sistema Produção Integrada de Maçãs, para o sistema de Produção Orgânica de Maçãs. As
observações iniciais foram bastante interessantes, ou seja, a adaptação
de cultivares ao método orgânico demonstrou eficiência para a
"Sarna", porém, com tendência a aumentar os problemas com
"Podridões de Verão". Na cultivar "Gala" houve
problemas com "Mancha Foliar" Identificando assim a demanda de
trabalhos visando estes problemas. Quanto às pragas, o uso de Bacillus
thuringiensis para lagartas, Neem para mosca das frutas (Anastrefa
fraterculus) e o controle biológico de ácaros (já com eficiência
comprovada, como será exposto a seguir) demonstram não serem as pragas o
maior entrave para a produção orgânica. Vale ressaltar que, neste
ciclo, não houve problemas com lagartas na região de Água Doce (município
onde está implantado o projeto) e mosca das frutas, devido à aproximação das áreas em PIM
(que reduz a pressão da praga), o que deve ter interferido nos
resultados. Para a safra 2003/2004 a Empresa deverá iniciar o processo de certificação. Vencidas as etapas necessárias, o objetivo é converter os demais 203 ha de maçã da área de água Doce ( a Empresa possui 1300 ha distribuídos em Santa Catarina e Rio Grande do Sul ). Não
só a produção orgânica, como também o controle biológico de pragas
vem se demonstrando um investimento acertado. Em 1997 iniciamos em
Fraiburgo um processo que visa o combate ao ácaro vermelho europeu, com
um outro ácaro predador– Panonychus
ulmi. O ácaro vermelho provoca danos à cultura da maçã quando, ao se alimentar dos aminoácidos livres contidos nas folhas, compete com os frutos por nutrientes e, em função do extravasamento e oxidação do conteúdo celular, impede a planta de realizar, parcialmente, a fotossíntese. O impacto desta tecnologia pode ser mensurado pela drástica redução no uso de acaricidas, passando de 2,6 aplicações ao ano para menos de 0,1, ou seja, menos de 15 ha a cada 100 receberam acaricidas nesta safra, figura 5. |
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A
redução ainda está distante do que desejamos, mas é, sem sombra de dúvida,
um importante passo para a conversão. Para que possamos ter uma idéia do
beneficio ao ambiente desta redução de agroquímicos, cita-se o ocorrido
com o Trichogramma
pretiosum, um himenóptero parasita de ovos de uma série de
pragas, que é extremamente sensível aos produtos químicos. Até o ano
de 2000 não havia nenhuma publicação científica relatando a sua ocorrência
em pomares comerciais de maçã, com a tecnologia anterior (controle biológico
de ácaros - CBA) sendo aplicada, hoje em mais de 950 ha da Empresa, foi
constatado a presença de ovos de Lagarta enroladeira (Bonagota
cranaodes) parasitados por T.pretiosum.
O fato foi publicado pelo Dr. Lino Monteiro (colaborador/pesquisador
responsável pela implantação do método de CBA no Brasil). Atualmente, em função das observações
realizadas sobre o T.pretiosum,
a Agrícola Fraiburgo assinou um convênio com a Universidade Federal do
Paraná. Este convênio tem por objetivo desenvolver a tecnologia necessária
para a utilização do T. pretiosum em pomares comerciais de maçã, para o controle da
lagarta enroladeira e a grafolita (Grafolita
molesta). Estas duas pragas ocasionam danos irreversíveis na
fruta, fazendo com que uma fruta tipo extra, seja direcionada para fruta
industrial, uma perda de aproximadamente 90% no valor de venda do fruto. A
estrutura, hoje, produz cerca de um milhão e meio de adultos de
tricograma/dia, quantia, a priori, suficiente para 5 ha de pomares de maçã/dia. Os
primeiros resultados demonstram ser possível a sua criação, na região
de Fraiburgo, mais fria que as demais regiões no país
que trabalham com este parasita. Implantado a menos de um ano, os
testes de campo demonstram que o parasita continua seu ciclo, parasitando
ovos das pragas supracitadas. Futuramente a Empresa deve iniciar a criação de parasitóides
para o controle da mosca das frutas. Informações
adicionais, podem ser obtidas no site da agrícola Fraiburgo - www.agricolafraiburgo.com.br.
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