2003 - Ano Internacional da Água Doce
22 de março – Dia Internacional da Água

Em 2003, celebra-se o Ano Internacional da Água Doce. Lançado oficialmente no dia 12 de dezembro de 2002, em um Conferência das Nações Unidas em NY, o Ano tem o objetivo de aumentar a consciência sobre a importância  da proteção e gerenciamento da água doce.

Em mensagem emitida durante a cerimônia, o Diretor Geral da Unesco, o Sr. Koichiro Matsuura afirma que “a água pode ser um agente de paz  invés de gerar conflitos, e a UNESCO está buscando as formas que irão permitir a esse século ser  um dos séculos “da paz por água” invés de “guerra por água”.  Desenvolvendo–se princípios e métodos eficientes e éticos para o gerenciamento desse recurso, ao mesmo tempo que respeitamos ecossistemas relacionados, moveremos um passo a mais para alcançarmos o objetivo do desenvolvimento sustentável”. Segundo o Secretário Geral da ONU, Kofi Annan, “mais de um bilhão de pessoas no mundo carecem de água potável”. Anaan instou todos os Estados membros do sistema da ONU e a todos os atores que intervem no ciclo da gestão dos recursos hídricos (Ongs, meios de comunicação, setor privado, instituições educativas e simples cidadãos) a “aproveitarem o Ano Internacional da Água Doce”  para estimularem a conscientização sobre a água potável e a promoverem ações em nível nacional, regional e internacional”. No dia 22 de março de cada ano, celebra-se também  o Dia Mundial da Água, que nesse ano terá como tema “Água para o Futuro”.     
    

A água potável foi declarada pelo Comitê das Nações Unidas para os Direitos Econômicos , Culturais e Sociais como um direito humano, por considerar que “a água é fundamental para a água e a saúde. O direito humano à água é indispensável para levar uma vida saudável, com dignidade humana. É um pré-requisito para a concretização dos outros Direitos Humanos”.

Entretanto, no momento em que a população mundial atinge a marca de 6 bilhões de pessoas, o planeta ruma na direção de uma escassez crônica de água. Se mantidos os atuais padrões de crescimento, a previsão é de que  a população global chegue a 8 bilhões, em 2025, aumentando drasticamente a demanda e agravando os conflitos ocasionados pela escassez. 

Atualmente, o ser humano utiliza 54% da água doce acessível dos rios, lagos e aqüíferos; se continuar aumentando a sua utilização no ritmo atual, dentro de 25 anos a humanidade absorverá 90% da água doce disponível no planeta, deixando apenas 10% para as outras espécies.

Estatísticas da ONU revelam que aproximadamente 1 bilhão de pessoas não tem acesso a água tratada e cerca de 1,7 bilhão não tem sistema de esgoto. A falta de água limpa causa a morte de 4 milhões de crianças por ano, de doenças como a cólera e a malária. Uma pesquisa realizada pelas Nações Unidas fez uma projeção da oferta e da demanda de água até 2025. O estudo destaca 17 paises com absoluta insuficiência de água, locais que não terão água suficiente para manter o nível de produção agrícola e nem satisfazer suas necessidades industriais e domésticas. 

Mais da metade dos rios do mundo está totalmente poluída, provocando assoreamento e diminuição do seu volume, sendo que a sua extrema exploração provoca secas cada vez mais drásticas. 
Não são somente os rios que são afetados pelo uso humano; da mesma forma as terras úmidas e pantanosas são ecossistemas  profundamente afetados. Em alguns lugares da Europa, como na Alemanha e na França, cerca de 80% das terras úmidas já desapareceram porque foram drenadas para fins agrícolas,  para expandir as áreas urbanas ou para implementação de áreas industriais.
 Água e agricultura
A produção mundial de alimentos  depende da disponibilidade de água. Atualmente, a irrigação cobre aproximadamente 20% da área agrícola mundial e contribui para 40%  da produção total de alimentos. A agricultura irrigada é responsável por aproximadamente 70% de toda a água doce utilizada no mundo, e mais água será usada no futuro, para atender a demanda crescente de produção de  alimentos. 
Um estudo da FAO de 93 sobre paises em desenvolvimento já indicava que alguns paises com problemas de escassez de água  utilizam seus recursos hídricos  mais rápido do que seus reservatórios e mananciais podem ser renovados.  As perspectivas são sombrias: alguns paises e regiões enfrentarão séria escassez de água e até 2030 e como a utilização da água para irrigação deve aumentar, 1 em cada 5 paises em desenvolvimento estará sofrendo de escassez de água.
Ao mesmo tempo, aumenta a necessidade de água para a agricultura e para uso doméstico nas cidades e áreas industriais em expansão. Portanto, o mundo precisa agir com sabedoria para conservar, preservar e aumentar seus suprimentos de água.
Hoje,  o desafio para a agricultura  irrigada  é contribuir  para a produção e suprimento mundial de alimentos através de uma utilização da água de forma eficiente, clara e integrada.
 Água e saúde
De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, estima-se que aproximadamente, 1 em cada 6 pessoas não tem acesso à água potável. A falta de saneamento básico e de água potável constitui das principais causas de pobreza e da disparidade crescente entre ricos e pobres, salienta também a OMS.
Enquanto outros hábitos variam entre culturas, uma adequada quantidade de água é necessária  para prevenir a morte por desidratação, para reduzir o risco de doenças relacionadas com a água, para promover as necessidades básicas de higiene e ainda para preparação e consumo dos alimentos.
O tema do Dia Mundial da Água este ano – Água para o Futuro – vem de encontro às  preocupações e esforços destinados a melhorar o ambiente para as crianças. Muitas crianças em idade escolar (especialmente meninas), que vivem em paises em desenvolvimento,  sofrem com a falta de água potável e de banheiros nas escolas. Sua falta de aprender fica prejudicada pelas doenças e falta às aulas. Para remediar essa situação, a Unicef está apoiando um programa global de educação sobre “agua, saneamento e higiene nas escolas”, que está sendo implementado em 50 países.
Mas esse programa ainda está longe de resolver o problema. Se mais de 1 bilhão de pessoas no mundo não tem acesso a água potável, mais do dobro ainda não conta com saneamento adequado. Doenças transmitidas pela água matam 6000 crianças diariamente nos paises em desenvolvimento e talvez uma das principais lições aprendidas  a partir da implementação de programas de saúde e saneamento ao redor do mundo seja de que instalações sanitárias por si só não resultam em melhores condições de saúde. O uso correto delas é que de fato reduz doenças e propicia mais saúde às crianças.
A higiene é fator preponderante; as pessoas só conseguirão se proteger de doenças diarréicas e outras infecções se puderem ter acesso à informações e à conscientização que lhes permitam uma modifica modificar seus padrões de higiene e comportamento. Se não puderem promover os conceitos de higiene, os programas  não conseguirão atingir os seus objetivos de melhorar a saúde nas comunidades.
 O Terceiro Fórum Mundial da Água será o grande evento do Ano Internacional da Água Doce, em Kyoto, de 16 a 23 de março desse ano. Seis meses após a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável realizada em Joanesburgo, que reafirmou a Meta de Desenvolvimento do Milênio para água doce e adotou um objetivo complementar relacionado ao saneamento, (ou seja, reduzir à metade, até o ano de 2015, o número de pessoas sem acesso ao saneamento básico), a comunidade internacional reunida em Kyoto, discute como alcançar essas metas.
 Pontos de discussão mais importantes no 3º Fórum Mundial sobre a Água
- Condições para governabilidade
Quem decide como a água vai ser utilizada – pode ser o mais importante tópico do Fórum. Muitos especialistas em água dizem que o mundo sofre de uma crise de governabilidade, mais do que uma crise de água. “Uma boa administração para água” exige sistemas socio-políticos e administrativos efetivos, que usem uma política de manejo integrado da água em um processo amplo e aberto,  onde todos podem participar.

- Fornecimento e Qualidade

Fornecimento e qualidade serão um dos tópicos principais no Fórum.

Especialistas em água  falam que  maior eficiência no uso da água e um  melhor gerenciamento são essenciais, mas custos ambientais e sociais também precisam ser considerados a fim de se obter avanços efetivos.

 - Instalações e Infra estrutura

Isso significa não só a habilidade de  um país em instalar redes de abastecimento de água, mas também a capacidade de gerencia-la de forma efetiva.

- Financiamento
Esse item é fundamental. Especialistas em água  estimam que serão necessários  180 bilhões de dólares para que paises em desenvolvimento possam desenvolver medidas sólidas que lhes garantam o abastecimento de água,  para os próximos 25 anos. Os níveis atuais de investimento atingem apenas 80 bilhões de dólares. O Fórum irá debater como uma maior eficiência, um melhor gerenciamento financeiro, a redução de riscos e a criação de novos modelos,  que aglutinem o poder publico, doações, ONGs e fundos privados,  podem ajudar a atender esse objetivo.

- Participação
O Fórum debaterá como dar a um segmento grande da sociedade, como mulheres e pobres,  a possibilidade de se manifestar ativamente sobre os problemas da água. Algumas regiões, paises e comunidades locais estão percebendo que assuntos relativos à água  deveriam permitir a criação de parcerias entre os interessados  e  as partes envolvidas com o objetivo de viabilizar o gerenciamento da água.

- Monitoramento
Os objetivos de melhores condições para o abastecimento de  água e seu gerenciamento  só serão alcançados com a implantação de um sistema que possibilite acesso às informações tanto da situação presente quanto das melhorias que vão sendo alcançadas.

Fontes:
               - www.unesco.org.br
               - www.educação.te.pt
               - Ecologia e Desenvolvimento – Ano 9 – número  76
               - www.wateryear2003.org
               - Fao – water website

 


Web Design - Programação Visual 2A2 © 2004