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Estudos
do IAPAR, durante 8 anos, comparando diferentes tipos de
adubação mostraram que o uso exclusivo de leucena como adubo
verde aplicada ao solo como fonte de nutrientes, proporcionou
ganhos consideráveis de produção. Em relação à área não
adubada – que representa a produtividade média do pequeno
cafeicultor (4-5 sacas/hectare), o aumento foi de 340%. Os dados
do IAPAR (CHAVES, 2000a), mostraram que o adubo verde adicionou o
equivalente a 130 kg/ha de nitrogênio para o cafeeiro, o que
resultou em um aumento de produtividade superior a média
brasileira que não passa de 12 sacas/ha. Ainda vale lembrar que o
nitrogênio é o nutriente mais exigido pela cultura e o mais
caro. Por isso, a adubação verde contribui para tornar o
agricultor orgânico mais independente.
Alguns critérios
devem ser observados para escolha dos adubos verdes a serem
utilizados, como: tipo de crescimento, característica da
cobertura e ciclo vegetativo do adubo verde. Plantas de
crescimento rasteiro (não trepadoras), cobertura densa e ciclo
curto a mediano podem facilitar o manejo e são mais desejáveis
na produção orgânica. Veja na tabela 1, algumas
sugestões para utilização dos adubos verdes. |
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Segundo as
pesquisas do IAPAR o ideal é plantar simultaneamente nas linhas de
café, adubo verde de ciclo curto (p. ex. mucuna anã, crotalaria
breviflora) com adubo verde de ciclo longo (p. ex. mucuna preta,
amendoim cavalo, guandu) invertendo-se a posição das espécies no ano
seguinte. Outra experiência que vem sendo utilizada na Estância
Filgueira, no município de Dois Córregos - SP, combina o plantio de
dois ciclos de leguminosas (o primeiro, no início das águas e o
segundo, entre janeiro e fevereiro), associado com húmus de minhoca na
linha que não recebe adubo verde. Assim, depois da roçada, a linha que
estava com adubação verde irá receber o húmus de minhoca e
vice-versa.
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Algumas
rochas minerais moídas fornecem vários elementos simultaneamente, como
é o caso pó de rocha MB4, que vem sendo utilizado com bons resultados
na lavoura cafeeira orgânica. No tocante aos microelementos,
tem-se procedido a sua utilização na forma quelatizada, por meio de
fermentação da matéria-prima em solução de água, esterco e
aditivos energéticos. Formulações caseiras como os biofertilizantes supermagro
e biogel têm mostrado bons resultados, por fortalecerem o
equilíbrio da planta.
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| PRAGAS
E DOENÇAS: planta equilibrada tem defesa própria |
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É interessante
observar como um cafezal bem equilibrado nutricionalmente,
apresenta uma defesa própria contra o ataque de pragas e
doenças, o que reforça a idéia de que o princípio básico é a
prevenção. Outro ponto importante é alimentar o solo e
fortalecer a fertilidade do sistema com matéria orgânica,
mantendo o solo sempre coberto, o que reduz a necessidade de
controles. No manejo orgânico é possível conviver com algumas
doenças, desde que em níveis que não provoquem danos
econômicos. Todavia, no caso de um ataque de doenças fúngicas
como ferrugem (Hemileia vastatrix) e
cercosporiose (Cercospora coffeicola), por
exemplo, o uso de sulfato de cobre – permitido em agricultura
orgânica, tem apresentado resultados satisfatórios, quando
combinado com uma boa adubação orgânica. Para combater a broca
(Hypotenemus hampeii) a melhor saída também é a
prevenção, não deixando grão no pé após a colheita. O bicho
mineiro (Perileucoptera coffeella), que come as folhas
do cafeeiro, pode ser controlado se a planta estiver bem
equilibrada, porém o uso de inimigos naturais (crisopídeos e
vespas), repelentes ou extratos de vegetais inseticidas também
apresentam bons resultados.
Estudo realizado por
REYDON et.al. (1999), mostrou que o custo de produção
para controle de pragas e doenças usando um tratamento
alternativo (a base de extrato de composto enriquecido com
microorganismos, chamado de EPN-II e calda bordaleza) foi cerca de
60% menor do que o tratamento convencional normalmente utilizado.
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O
MATO COMO UM AMIGO
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Passar a conviver com o mato, talvez seja mais
um empecilho cultural do que técnico e econômico. Culturalmente,
o mato é associado com sujeira e o produtor que não deixa a
lavoura no limpo é considerado "relaxado". Tecnicamente
o mato quando manejado corretamente pode ser útil no controle da
erosão, na conservação e umidade do solo, na formação de
matéria orgânica, como refúgio para inimigos naturais e no
controle das próprias invasoras por suas propriedades
alelopáticas. Economicamente, evita gastos desnecessários com
capinas e diminui o custo final de produção. Por isso, o manejo
do cafeeiro orgânico pode ser realizado apenas por meio de
roçadas (foto abaixo). |
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Detalhe
do
manejo do mato
e adubo verde
em lavoura
de café orgânico |
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COLHEITA:
diversificação varietal reduz custos
e melhora qualidade do produto |
| O ponto
ideal para uma colheita de alta qualidade é quando a maior parte
dos frutos estão no estado "cereja", com um mínimo de
frutos verdes na planta. Como a maturação ocorre de forma
desuniforme, normalmente se colhe o café no "pano",
fazendo a colheita seletiva dos frutos maduros. Porém, na
prática muitas vezes existe dificuldade para seguir este processo
em função da disponibilidade de mão-de-obra, lavador/descascador
e condições de clima.Neste sentido, a alternativa seria um bom
planejamento na escolha das variedades. Como já comentamos não
há receitas na escolha da variedade, porém estudos do IAPAR
recomendam a diversificação varietal por precocidade de
maturação dos frutos na propriedade cafeeira visando reduzir o
custo da colheita e o risco de perda de qualidade do café como
mostra a tabela abaixo |
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TABELA
– EXEMPLO DE ÉPOCA DE MATURAÇÃO DE CULTIVARES DE CAFÉ NO PARANÁ
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GRUPO
DE MATURAÇÃO |
ÉPOCA
PROVÁVEL DE MATURAÇÃO |
EXEMPLO
DE CULTIVAR |
|
Precoce |
Maio |
Icatu
Precoce |
|
Semi-precoce |
Junho |
Iapar-59 |
|
Semi
tardia |
Julho |
Tupi |
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Tardia |
Agosto |
Catuai |
Fonte:
Adaptado de IAPAR (SERA & GUERREIRO, 2000)
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Segundo os trabalhos de SERA & GUERREIRO
(2000) do IAPAR, este procedimento economiza cerca de 25% nos
custos com a colheita do café, distribuindo a disputa por
mão-de-obra e economizando na necessidade da infra-estrutura de
processamento e secagem de café. |
| CAPACITAÇÃO:
aprendendo a produzir |
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Para
quem pretende fazer a conversão ou iniciar uma lavoura de café
orgânico o primeiro passo é buscar informações e fazer um bom
planejamento. Um bom começo é visitar experiências de sucesso.
Alguns endereços de produtores e empresas que já estão produzindo
organicamente podem ser conseguidos nos sites das duas principais
certificadoras nacionais (Instituto Biodinâmico – IBD / www.ibd.com.br)
e Associação de Agricultura Orgânica – AAO / www.aao.org.br
). A AAO têm promovido cursos regulares sobre técnicas de
produção de café orgânico (organica@uol.com.br).
Outra
referência interessante para quem quiser se filiar e discutir o
assunto é a Associação de Cafeicultura Orgânica do Brasil (ACOB),
cujo contato pode ser realizado através do e-mail (spedini@axnet.com.br).
Para
quem desejar informações dos trabalhos do IAPAR, escreva para iapar@pr.gov.br
solicitando prospectos sobre o "Modelo IAPAR" de café
adensado. |
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REFERÊNCIAS
CITADAS
BASSO, A
.D. Sombreamento do cafeeiro: experimento, necessidade e resultados.
Boletim Agro-ecológico. Ano III, N. 11, Maio, 1999. p.
15-16.
CHAVES, J.C.D. Benefícios da adubação verde na lavoura cafeeira.
Folder IAPAR, Londrina, 2000a.CHAVES, J.C.D. Modelo para
utilização de adubos verdes na cafeicultura. Folder IAPAR,
Londrina, 2000b.
FAHL, J.I. "Sem sombra de dúvida...". Agroecologia
Hoje. Abril-maio, 2000. p. 19-20.
PEDINI, S. A produção de café orgânico. Boletim
Agro-ecológico. Ano II, N. 09, Novembro, 1998. p. 7-8.
REYDON, B.P.; FIGUEIREDO,F.E.R..; ASSIS,R.L. Aspectos
fitossanitários e econômicos de produção orgânica de café. In:
AMBROSANO, E. (Coord.). Agricultura Ecológica. Guaíba:
Agropecuária, 1999. p. 363-367.
SERA, T. Modelo de cultivares no "Modelo IAPAR" de café
adensado. Folder IAPAR, Londrina, 2000.
SERA, T. ; GUERREIRO, A. Colheita escalonada varietal no
"Modelo IAPAR". Folder IAPAR, Londrina, 2000. |
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