COMÉRCIO
JUSTO -1

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Agricultura Orgânica & Comércio Justo
Dois conceitos baseados no mesmo princípio holístico

Curta história dos dois movimentos

A Agricultura Orgânica foi iniciada na Europa há 75 anos, através do movimento Demeter com o intuito de trazer, através das forças da natureza, um equilíbrio natural na agricultura assim como em todo o cosmo. A principal função da agricultura orgânica é servir ao homem no desenvolvimento de um sistema mais sustentável de agricultura. Para tal, tem como ponto de partida uma terra saudável e viva, que serve como base para a saúde de plantas e animais, de forma a produzir um alimento de qualidade sem levar à destruição do meio-ambiente. O conceito, porém, não se restringe somente à produção. Outras etapas como o processamento e a comercialização dos produtos também devem seguir as normas fixadas pela legislação mundial. A agricultura orgânica tem grande preocupação para com a justiça social e o não-uso de produtos geneticamente modificados (PGM).

O movimento de Comércio Justo começou há 25 anos, como uma forma de conceito educativo, utilizando métodos alternativos de comércio para mostrar ao público europeu as injustiças e o desequilíbrio social causados pelo comércio internacional. Naquela época, as condições de comércio ("terms of trade" = relação entre o preço da matéria-prima e o bem processado) começavam a desenvolver-se mais e mais a favor dos países industrializados. Devido a isso formou-se o movimento de Comércio Justo que, estabelecendo critérios especiais para um comércio sustentável principalmente em pequenas propriedades, se opõe a um desenvolvimento injusto do setor. As normas mais importantes são:

  1. Uma parte fixa da receita (do preço final) é utilizada para programas sociais dentro da comunidade ou cooperativa de trabalhadores;

  2. As relações de comércio são estabelecidas visando a manutenção no longo prazo;

  3. Parte da receita é destinada diretamente aos produtores de forma a torná-los mais independentes, sem necessitar a ajuda de créditos dados por bancos que cobram, em geral, altas taxas de juros.

Semelhanças...

Ambos os conceitos consideram o bem estar do ser humano como prioridade principal: permitir o desenvolvimento sustentável de todos os agentes envolvidos no processo. Tanto a agricultura orgânica como o comércio justo incluem esta aproximação holística em seus padrões e critérios.

Da perspectiva dos produtores, os dois conceitos deveriam ou poderiam se unir, porque usam questionários semelhantes na inspeção, podendo nesse caso economizar forças e trabalho desnecessários.

Na percepção dos consumidores em supermercados, lojas orgânicas e lojas que seguem os princípios do comércio justo, um produto certificado por um dos conceitos automaticamente inclui o outro conceito. Em realidade, porém, nem todos os produtos orgânicos cumprem os critérios do comércio justo. Por outro lado menos de 50% dos alimentos comercializados pelo sistema de comércio justo são certificados como orgânicos.

Diferenças...

Os dois movimentos possuem focos de padrões e critérios bastante distintos: o comércio justo é mais direcionado ao processo em si, enquanto que a agricultura orgânica se sustenta no método de produção. O comércio justo inicia-se normalmente em cooperativas com baixíssimos níveis de justiça social, abrindo caminhos para possíveis soluções ao longo do desenvolvimento da cooperativa ou organização em questão. Nesse caso, a justiça social é um objetivo a ser alcançado durante todo processo. Já na agricultura orgânica, os padrões devem ser alcançados e as normas são cumpridas obtendo-se a justiça social antes mesmo do processo de certificação, mantendo-os durante todo tempo.

Os padrões básicos da IFOAM são desenvolvidos por 600 sócios de mais de 100 países. Eles são aplicados mundialmente e seguem um sistema de inspeção, certificação e credenciamento. No Comércio Justo, os critérios são desenvolvidos para as relações de comércio entre os hemisférios norte e sul, e/ou sul e sul, não podendo ser aplicados para o setor norte-norte. Até então, a prática de certificação ainda é inexistente.

Principais atores no campo do Comércio Justo

FLO (Organização Internacional de Labelling) é uma organização "guarda-chuva" para TransFair e Max Havellar, as quais apoiam cooperativas de produtores de café, chá, cacau, açúcar, banana e outros produtos, a maioria qualificada como "commoditie".

IFAT (Federação Internacional de Comércio Alternativo) iniciou seu trabalho com associações de produtores de artesanato e comerciantes. Atualmente também apoia produtores de alimentos e atacadistas.

A rede européia de "Lojas do Terceiro Mundo" é outra organização "guarda-chuva" para as lojas de comércio justo, definindo uma identidade significativamente diferente das lojas convencionais.

EFTA (Federação Européia de Comércio Alternativo) é considerada como rede primogênita do Comércio Justo na Europa. Ocupa-se com a troca de informações e o cooperativismo entre os sócios, a nível de União Européia.

As quatro organizações acima mencionadas deram início a uma plataforma de coordenação e cooperação mútua.

Perspectiva e Conclusão

Considerando-se as perspectivas de produtores e a percepção dos consumidores como mencionado acima, conclui-se que a cooperação entre os dois movimentos deve ser intensificada. Apesar de já existirem alguns programas de trabalho mútuo, é necessário que os efeitos de sinergia que surgem devido as semelhanças existentes em ambos os conceitos sejam melhor aproveitados.

Fonte IFOAM: Texto de Thomas Cierpka, Diretor Executivo


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