COMÉRCIO
JUSTO -2

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Uma alternativa viável para pequenos produtores

A principal causa do baixo desenvolvimento econômico de muitos países do hemisfério sul pode ser explicada através das práticas de comércio mundial existentes. Para sobreviver, e em alguns casos até se desenvolver, a maioria destes países depende da exportação de matérias-primas. Enquanto os preços destas matérias-primas decrescem no mercado mundial, os preços dos bens que são importados dos países industrializados aumentam. Além disso, preços em nível de mercado mundial são altamente instáveis. Baixas históricas nos preços do café e do cacau, por exemplo, levaram à falência muitos produtores impossibilitados de cobrirem seus custos de produção. As principais vítimas destas quedas de preço são, em geral, produtores, entre eles em especial os pequenos produtores os quais não possuem o capital para sobreviver durante as épocas de crise. Nos casos onde o acesso direto para o mercado é inexistente, os pequenos produtores dependem de intermediários para a comercialização dos produtos, piorando as conseqüências de preços baixos.

Conscientes desta situação injusta e desigual, as organizações de Comércio Justo procuram caminhos que possam contribuir para a solução destes problemas, partindo das mais básicas necessidades do produtor até o direito do mesmo a uma renda mínima garantida, visando sempre um desenvolvimento agrícola e social equilibrado. As organizações não funcionam com base em doações, mas sim, dando-lhes as ferramentas necessárias para tornarem possível uma vida mais digna e independente.

Princípios básicos

Muitos consumidores de países industrializados estão cientes de que a riqueza mundial é distribuída de forma desigual, e que os produtos oferecidos são em sua maioria muito baratos, não podendo garantir um nível de vida decente aos produtores em países em desenvolvimento. Estes consumidores mais preocupados gostariam de contribuir para a mudança desta situação, porém não sabem como fazê-lo. Durante muitos anos, as Organizações de Comércio Alternativo dedicaram-se pelo contato mais direto entre os produtores de países em desenvolvimento e consumidores de países industrializados, baseando-se sempre no respeito mútuo e na justiça social. As iniciativas de Comércio Justo, surgidas a partir da década de 80, acrescentaram uma nova dimensão ao Comércio Alternativo, levando em consideração os seguintes princípios:

  1. Para que o comércio alternativo seja mais efetivo, é necessário que os consumidores tenham acesso direto aos produtos promovidos. Na prática, isto significa que o comércio alternativo só é uma real alternativa a partir do momento que os produtos estão disponíveis em todos supermercados e lojas de canto de rua, onde o consumidor comum normalmente está fazendo suas compras, e não somente em "Lojas do Terceiro Mundo" (únicas lojas onde, até a alguns anos atrás, os produtos de Comércio Alternativo eram vendidos). De fato, o Comércio Alternativo deveria desenvolver uma forma "normal" de comercialização. As organizações mais recentes de Comércio Justo têm procurado, com bastante êxito, alcançar este objetivo.

  2. É de interesse de todos os setores da sociedade, que os novos modelos de comercialização sejam implantados e que possam diminuir o buraco existente entre ricos e pobres. Modelos estes, que não devem ser desenhados como uma outra forma de caridade, mas com fundamento na troca igual em dignidade. Em geral, os interesses de produtores dos países em desenvolvimento coincidem com os interesses de longo prazo de consumidores, comércio, indústria e governos nestes países. Através da experiência adquirida nos últimos anos, sabe-se que, especialmente no setor da produção de café, existe um grande interesse por parte das comercializadoras, torrefadoras e dos atacadistas e supermercados em convergir interesses.

Para um sucesso duradouro dos objetivos comuns, é de crucial importância que se lute contra todos os preconceitos prevalecentes relacionados ao Comércio Alternativo: O café de pequenos produtores é um excelente café; pequenos produtores podem ser altamente confiáveis em nível de comércio; torrefadoras e comercializadoras de café comercial não são necessariamente exploradores. No Comércio Justo é importante que se dê ênfase à construção de uma imagem pública com foco na qualidade e confiança.

Depois de feita esta análise, tendo definido os príncipios, julgou-se desnecessária a criação de uma instituição própria para as atividades já disponíveis. Enquanto os produtores não estiverem preparados para a verticalização da produção ( o que significa processar o produto dentro da propriedade), cada setor da cadeia existente entre produtores e consumidores deve ser respeitado. Os atores participantes desta cadeia devem agir com uma base comercial razoável, sem excessos quanto às margens de lucro. Desta forma, todos estarão trabalhando para alcançar uma meta comum: vender o maior volume possível proveniente de pequenos produtores a um preço justo. Para garantir a credibilidade junto ao consumidor de que o preço pago pelo produto é um preço mais justo, o qual é retribuído diretamente ao produtor, criou-se um selo específico de Comércio Justo, hoje existente em todos produtos cadastrados por organizações.

Na terceira parte desta série: As organizações


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