PECUÁRIA
ORGÂNICA:
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Moacir
Roberto Darolt Trabalho publicado em 02/02/2001 |
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falamos de animais, normalmente esquecemos do solo. Todavia, na produção
orgânica - que privilegia a criação extensiva – um dos princípios básicos
é reconhecer o solo como fonte de vida. A qualidade e o equilíbrio da fertilidade
do solo (manutenção de níveis de matéria orgânica, promoção da
atividade biológica, reciclagem de nutrientes e intervenção controlada
sem destruição do recurso natural) são essenciais para a
sustentabilidade da propriedade. Assim, na produção orgânica, a saúde
animal também está ligada à saúde do solo. Outro
ponto básico é a diversificação da propriedade, que pode ser
alcançada com um manejo que utilize o policultivo, pastagens, sistemas
agroflorestais, rotações de culturas, cultivos de cobertura, cultivo mínimo,
uso de composto e esterco, adubação verde, quebra-ventos e áreas de
reserva de mato. Este tipo de manejo potencializa a reciclagem de
nutrientes, melhora o microclima local, diminui patógenos e
insetos-praga, elimina determinados contaminantes e conserva e melhora a
fertilidade do solo e a qualidade da água. É evidente, que as
particularidades de cada sistema vão influenciar nestes resultados. |
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NOTA:
A título de esclarecimento, os procedimentos “recomendados”
referem-se a práticas e produtos plenamente aceitos em agricultura orgânica,
podendo ser utilizados sem restrições. O uso “restrito”
relaciona-se a práticas e produtos que não são plenamente compatíveis
com os princípios da agricultura orgânica, devendo ser limitados a
usos específicos, como no caso do período de conversão. Os
procedimentos “proibidos” referem-se a práticas e produtos não
permitidos nos programas de certificação. O uso dessas práticas ou
substâncias constitui transgressão grave, que pode resultar em
cancelamento do contrato e do uso do selo oficial de garantia. |
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De
acordo com os princípios da agricultura orgânica a atividade animal
deve estar, tanto quanto possível, integrada à produção vegetal,
visando à otimização da reciclagem dos nutrientes (dejetos animais,
biomassa vegetal), uma menor dependência de insumos externos (rações,
volumosos) e a potencialização de todos os benefícios diretos e
indiretos advindos dessa integração. Portanto, como comentamos, é
importante que a criação seja planejada de forma a se integrar nas
demais atividades da propriedade. Na prática, a
produção animal ainda está pouco integrada à produção vegetal. No
que diz respeito à alimentação
dos animais, as normas recomendam a produção própria dos
alimentos orgânicos (volumosos e concentrados) por meio da formação e
manejo das pastagens, capineiras, silagem e feno. Neste aspecto, é
importante que a maior parte da alimentação seja orgânica e venha de
dentro da propriedade. Além dos bovinos, a alimentação de outros
animais, deve ser complementada com material verde fresco (hortaliças,
rami, guandu, gramíneas e outros). Inicialmente, os animais deverão
ser alimentados com no mínimo 50% de produtos orgânicos. Com o passar
do tempo serão toleradas percentagens de no máximo 20% de alimentação
de origem não orgânica. Em
relação ao tratamento veterinário, o objetivo principal das práticas
de criação orgânicas é a prevenção de doenças. Saúde não é
apenas ausência de doença, mas habilidade de resistir a infecções,
ataques de parasitas e perturbações metabólicas. Desta forma, o
tratamento veterinário é considerado um complemento e nunca um
substituto às práticas de manejo. O princípio da prevenção sempre
vem em primeiro lugar e, quando é preciso intervir, o importante é
procurar as causas e não somente combater os efeitos. Por isso, é
importante a busca de métodos naturais para tratamento veterinário. O
tratamento homeopático já vem sendo utilizado com bons resultados e
diminuição de custos. Em
relação ao manejo do rebanho, as instalações (galpões, estábulos,
galinheiros e outros) devem ser adequadas ao conforto e saúde dos
animais, o acesso a água, alimentos e pastagens também deve ser
facilitado. Além disso, as instalações devem possuir um espaço
adequado à movimentação e o número de animais por área não deve
afetar os padrões de comportamento. De forma geral, sugere-se que o
regime de criação seja de preferência extensivo ou semi-extensivo,
com abrigos. Em
síntese, a qualidade de vida do animal tem profunda relação
com a possibilidade do animal adoecer. Assim, um animal que é confinado
com grande concentração de indivíduos, espaço limitado para locomoção,
sem possibilidade de expressar seus modos naturais de comportamento,
fica profundamente perturbado, sujeito a manifestações de estresse e
sistema imunológico. Como qualquer indivíduo nessas condições, os
animais ficam mais propensos a doenças. Segundo
os criadores que mantivemos contato no estudo citado anteriormente, para
o produtor que está iniciando na pecuária orgânica o principal
entrave está relacionado à dificuldade
de cumprir todas as normas exigidas pela certificadora, mostradas
resumidamente no quadro 1. Além disso, existe o problema da
comercialização de produtos animais orgânicos pela falta de uma
legislação adequada aos alimentos orgânicos de origem animal. Para
finalizar, cabe destacar que ainda existe um grande trabalho de pesquisa
e desenvolvimento a ser realizado para que os consumidores possam
desfrutar de derivados de produtos animais orgânicos em quantidade,
qualidade, diversidade e regularidade. De qualquer forma, existem muitas
oportunidades e quem sair na frente terá um bom mercado para explorar. |
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