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Dia 30 de junho de 2005 ocorreu a
solenidade de Assinatura de Contrato de Concessão de Verbas com o
Banco Mundial / GEF - Global Enviroment Facility para execução do
Projeto de Gerenciamento Integrado de Agroecossistemas em
Microbacias Hidrográficas do Norte e Noroeste Fluminense / RIO
RURAL.. Presentes na ocasião estavam a Governadora Rosinha Garotinho,
o Secretário Anthony Garotinho e o Secretário de
Agricultura Christino Áureo.
Alvaro representou o Banco Mundial e declarou-se muito satisfeito
com Projeto. |
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Nelson Teixeira
Alves Filho e Alvaro Soler no dia
da assinatura do contrato, no Palácio Guanabara |
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Nelson Teixeira
Alves Filho –
Superintendente de Microbacias Hidrográficas da Secretaria de Estado
de Agricultura, Abastecimento, Pesca e Desenvolvimento do Interior
do Estado do Rio de Janeiro – SMH/SEAAPI e Helga Restum Hissa
– Coordenadora SMH/SEAAPI, em entrevista ao Planeta Orgânico,
explicam a importância das microbacias para o desenvolvimento
sustentável e os desafios dos programas das microbacias atualmente.
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O que é uma microbacia? |
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Do ponto
de vista físico é uma unidade geográfica delimitada por uma
rede de drenagem (córregos) que deságua em um rio principal.
Se ficarmos adstritos somente ao aspecto geográfico, a
microbacia não se diferencia da definição de bacia
hidrográfica, podendo até ser classificada como uma pequena
bacia. A questão é que a microbacia está associada à
realização de programas de desenvolvimento sustentável, tendo
como beneficiários diretos comunidades rurais. Esta unidade
geográfica consubstanciou tais programas, inicialmente
idealizados por técnicos da extensão rural publica do Paraná,
nos idos de 1978. Um dos fatores motivadores foi a dificuldade
de se planejar a intervenção em bacias hidrográficas, com toda
a sua complexidade e infinitas variáveis sócio-economicas e
ambientais. Assim, os programas de microbacias nasceram se
contrapondo ao gigantismo da bacia, já naquela época
preocupados em solucionar a crescente degradação das terras e
a conservação dos rios, principais fontes de insumos no meio
rural.
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Como está o
Programa de Microbacias no Brasil ? |
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Dentre as
diversas conceituações para uma microbacia, a que melhor
expressa o momento atual dos Programas de Microbacias em curso
no Brasil é a citada por Tito Ryff em 1995, que assim a
define: “Unidade natural de planejamento agrícola e ambiental,
adequada à implantação de novos padrões de desenvolvimento
rural, que representa uma etapa no processo de aproximações
sucessivas rumo ao ideal de um desenvolvimento rural
sustentável”. Com esta definição, Ryff abrange vários aspectos
relevantes a respeito da metodologia de microbacias que
merecem ser destacados.
O primeiro
diz respeito ao planejamento, sendo as microbacias
reconhecidas como unidades de planejamento, intervenção e
monitoramento, onde se conseguem reduzir as variáveis
ambientais, sociais e econômicas, permitindo um trabalho mais
factível e eficiente. Não estamos falando aqui de uma
minimização de foco que leve a uma política estrábica, mas sim
de um equilíbrio entre o gigantismo de uma bacia hidrográfica
e a dimensão individualizada e reduzida de uma propriedade
rural. |
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Por que vocês consideram que a microbacia apresenta
uma mudança de paradigma? |
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A microbacia se
apresenta como uma mudança de paradigma, a partir de uma compreensão
mais sistêmica por parte dos agricultores e dos técnicos do ambiente
em que vivem e gerenciam.
O seguinte é a
ênfase dada à problemática ambiental nos trabalhos em microbacias,
com a realização de diversas praticas de conservação de solo e água,
que tem gerado melhores condições de vida no ambiente rural. Se a
microbacia já está consagrada como uma unidade de trabalho do setor
agrícola, o seu reconhecimento como instrumento ambiental assume um
grau de importância fundamental na ampliação das possibilidades de
sua adoção também por atores e financiadores não-agricolas.
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O último aspecto
diz respeito à visão de compreender o trabalho em microbacia como
uma etapa de um processo que visa alcançar o desenvolvimento rural
sustentável. Processo este que deve ser realimentado constantemente
com a incorporação de novas tecnologias sustentáveis e sem perder as
oportunidades de projetos mais macro, como aqueles com foco em
bacias ou territórios.
Podemos afirmar
que a microbacia é o arrumar da casa comunitária rural para receber,
de forma sustentável, visitas dos planos de bacia, planos regionais,
planos territoriais, cadeias produtivas, etc. Conhecendo a
limitação ambiental de sua área, o agricultor pode interferir e
articular a interface com macroplanos de forma mais sustentável. |
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Qual a experiência acumulada desses programas? |
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Os programas de
microbacias vêm evoluindo nesses mais de vinte anos de atuação nas
áreas de conservação de solo e água e associativismo rural,
aperfeiçoando-se e adequando-se as necessidades dos próprios
agricultores e da sociedade em geral. Nas reuniões de avaliação e
troca de experiência entre os projetos em curso no pais, os acertos
e os erros servem de referencia para a correção de rumo ou
aprimoramento das atividades dos projetos.
É importante
ressaltar que as práticas de conservação implementadas pelos
Programas como plantio direto, cultivo mínimo, reflorestamento,
adubação verde, compostagem, adubação orgânica,rotação de culturas,plantio em nível,
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terraceamento,
cordões vegetados, dentre outras, são exigidas como condição de
efetividade para que o projeto atue junto às comunidades, trazendo
associados todos os benefícios previstos em contrapartida à adoção de
tais práticas pelos agricultores.
São eles: conservação de estradas vicinais, saneamento rural, tratamento
de resíduos sólidos e efluentes, pesquisa agrícola e extensão
rural. Dessa forma, os impactos dos programas têm culminado
invariavelmente na melhoria das condições de vida do meio rural e no
engajamento dos agricultores na mudança de conduta em direção ao manejo
sustentável de recursos naturais.
Existem
diversos estudos comprovando os efeitos benéficos dos Programas de
Microbacias para a sociedade em geral, destacando-se os resultados
do Monitoramento de Água e o de Adequação de Estradas, ambos
realizados em Santa Catarina, que surtiram impactos diretos na
redução dos custos no tratamento de água e na manutenção de estradas
vicinais. |
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Quais os principais desafios dos programas de
microbacias atualmente? |
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Até hoje, os
programas de microbacia vêm funcionando com recursos de captação
externa, através do Banco Mundial, o que de uma certa forma garante
continuidade aos projetos, ao mesmo tempo em que os mantêm blindados
quanto às famosas mudanças de governo.
Os Programas são
executados em sua grande maioria pelos Estados, com algumas
experiências isoladas municipais. O surpreendente é que, apesar de
serem programas exitosos e independentes financeiramente, não
recebem a atenção devida do Governo Federal. A rede informal de
Microbacias organizou um seminário em Brasília no ano de 2000, em
que estiveram presentes três ministros, de Meio Ambiente (MMA), da
Agricultura (MAPA) e o de Desenvolvimento Agrário (MDA).
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O objetivo
foi disseminar e discutir os trabalhos e resultados dos Programas.
Todos elogiaram as iniciativas, mas apoio concreto que é bom, nada.
Vale ressaltar que não foi um evento objetivando captar recursos,
mas sim integrar esforços, demonstrando que o trabalho em microbacia
pode servir como catalizador para integração de políticas publicas
de apoio ao meio rural.
Entretanto, o
MAPA alega que tais Programas são de competência do MDA pois seus
beneficiários são agricultores familiares. O MDA, por sua vez, alega
que o foco dos programas não é a terra, e sim ambiental, e o MMA
argumenta que os Programas são, na verdade, projetos agrícolas.
Durma-se com tamanha confusão! |
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Como é a aceitação dos Programas de Microbacias? |
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Os
Programas de Microbacia ainda enfrentam preconceitos por ter
uma marca bastante chapa branca. É necessário trabalharmos no
sentido de demonstrar que a microbacia pode ser utilizada por outros
atores não agrícolas, como uma metodologia eficiente para promover o
desenvolvimento sustentável no meio rural. Os Programas podem e
devem se integrar a outros atores importantes, como os Comitês de
Bacias, como, por exemplo, o Comitê da Bacia do São João, no RJ, as
iniciativas das Ongs locais, etc. |
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Qual a mudança de paradigma dos programas em resposta
a esses desafios? |
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O Projeto RIO RURAL-GEF, que o Programa de Microbacias do Rio de
Janeiro vem desenvolvendo, pode ser considerado um marco para os
Programas de Microbacia, pois pela primeira vez um programa
coordenado pela agricultura conseguiu acessar um fundo ambiental, no
caso o Global Environment Facility –GEF. Isto, para demonstrar que
as ações realizadas pelos agricultores, com apoio dos programas, têm
impactos positivos sobre as questões ambientais que afligem o
planeta, como a conservação da biodiversidade de importância global,
a mitigação das mudanças climáticas, a poluição e o desaparecimento
dos rios e a degradação de terras. |
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Ao demonstrar os
benefícios e serviços ambientais prestados pela mudança de conduta
dos agricultores, o RIO RURAL GEF buscará identificar fontes de
apoio financeiro em outros fundos ambientais e realizar arranjos
financeiros para que os Créditos Oficiais de apoio a agricultura
possam internalizar as práticas conservacionistas preconizadas como
forma de contrapartida dos agricultores beneficiados.
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Dessa forma,
estaremos introduzindo nos Programas a preocupação com a
sustentabilidade financeira das práticas conservacionistas,
utilizando para isto o aprimoramento dos instrumentos de apoio
financeiro em curso, como o rebate ambiental dos créditos rurais, o
acesso aos recursos pela cobrança da água, dos créditos de carbono,
etc. Em outras palavras, os Programas de Microbacias poderão
funcionar como o elo de diálogo entre a agricultura familiar e as
questões globais como biodiversidade, água e carbono. |
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