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A
estrutura fundiária do estado do Rio de Janeiro sofreu a
influência do processo de imigração e colonização européia no
século XIX, garantindo um espaço significativo para a pequena
propriedade, de caráter familiar. Esta ajudou no estabelecimento de
lavouras voltadas predominantemente ao mercado interno crescente da
população da região metropolitana.
Em
municípios como os de Nova Friburgo e Teresópolis, surgiu um novo
perfil de agricultores, apelidados de "novos rurais".
Estes, muitas vezes detendo uma formação universitária e
provenientes de famílias de posse, foram responsáveis por
disseminar nessas regiões um novo modo de pensar o meio rural,
caracterizado pela preocupação com o mercado consumidor (qualidade
sanitária e biológica dos alimentos, embalagens, mercados
especializados) e pela introdução de um novo modelo de
agricultura: a Agroecologia. As iniciativas desse grupo
distinto de produtores, culmina na fundação da Abio em outubro de
1984, que se torna a primeira associação de produtores orgânicos
do país.
No
mesmo ano, a história da participação das administração
estadual e municipais no incentivo à Agroecologia se inicia,
oficialmente, com a assinatura da Carta de Petrópolis, na qual 21
Secretários de Agricultura comprometeram-se a desenvolver ações
de políticas públicas. Em 1991 foi criada a Câmara Técnica para
o Desenvolvimento da Agricultura Ecológica e, em 1997, entidades
governamentais e não governamentais se unem para criar a "Rede
Agroecologia, Rio", para fomentar a produção, pesquisa e
ensino nessa área. Finalmente, no ano de 1999, um acontecimento
importante para o setor foi a criação da Câmara Setorial de
Agricultura Orgânica no Conselho Estadual de Política Agrícola e
Pesqueira. As principais funções da Câmara são: identificar os
principais problemas e desafios da pesquisa em Agricultura
Orgânica, incentivar a agricultura familiar e fomentar a produção
e o processamento de alimentos orgânicos envolvendo todos os elos
da cadeia produtiva (agricultores, indústrias, distribuidoras,
comércio varejistas).
Em
relação à produção agrícola em si, somente a região serrana
do estado, conhecida como "cinturão verde" responde por
70% da produção interna de verduras, legumes e frutas. Os
produtores orgânicos estão buscando diversificar a produção com
espécies exóticas (variedades sofisticadas de alface e couve,
tomate-cereja) buscando higienizar, e acondicionar os produtos em
embalagens especiais e prontas para o consumo.
Juntas,
as regiões Serrana e Metropolitana do Estado, locais de maior
concentração da produção de hortaliças e que congregam a
maioria dos produtores credenciados na produção orgânica, são
responsáveis pela comercialização de cerca de 390 t de alimentos
orgânicos in natura por ano no Estado, movimentando
aproximadamente R$1.800.000,00. (Pesagro- Rio, 1999). No que diz
respeito à dimensão social da agricultura, já existem iniciativas
de se implementar um novo modelo de agricultura nos assentamentos
rurais, baseado em principíos agroecológicos e que assegure a
reprodução e a capacidade produtiva das famílias dos agricultures.
Entidades
como o Crea-RJ (Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura), o
IEF (Intituto Estadual de Florestas) e UFRRJ ( Universidade Federal
Rural do Rio de Janeiro e a Embrapa, desenvolvem juntamente com o
MST um projeto de Educação Ambiental nos assentamentos no estado.
Projeto que prevê o treinamento em técnicas agroecológicas de
manejo do solo e das lavouras, buscando preservar os fragmentos
florestais e as nascentes dos rios.
Assim,
considerando o passado e o presente do movimento agroecológico no
Rio de Janeiro, pode-se dizer que a da Rede Agroecologia, a Câmara
Setorial de Agricultura Orgânica e mais recentemente o Colegiado
Estadual de Agricultura Orgânica (criado em 2000) estão buscando
unir os esforços das iniciativas pública e privada, no sentido de
estabelecer pólos de desenvolvimento que propaguem a Agroecologia
como um novo conhecimento capaz de aumentar a oferta de alimentos
orgânicos a um baixo custo, incentivando a geração de empregos e
a melhoria de renda no campo (Pesagro, 1998). |