| Embora
minoria, uma tradição intelectual brasileira, que
remonta ao final do século XVIII início do século
XIX, formada por estudantes brasileiros na
Universidade de Coimbra, começou a reproduzir
escritos e memórias onde se condenava o tratamento
predatório dado ao meio natural no Brasil. Esta
tradição original de crítica ecológica
brasileira encontrou sua formulação mais ampla e
consistente nos escritos de José Bonifácio de
Andrada e Silva, influenciou uma linhagem posterior
de intelectuais que garantiram a sua continuidade ao
longo do período monárquico. |
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Em
torno de D. Pedro II existia um grupo de
intelectuais e naturalistas que dirigiam as grandes
associações culturais do império, como o
Instituto Geográfico Brasileiro e o Museu Nacional.
Além deles, políticos e fazendeiros da corte
brasileira, na província do Rio de Janeiro, capital
da monarquia, estavam preocupados com as questões
ecológicas. |
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Dois
pilares permitem entender a ecologia política do
Brasil setecentista e oitocentista, e perceber a
identificação por ela estabelecida entre a
modernização tecnológica e a superação do
desastre ecológico. A modernização que se queria
estava mais ligada com o progresso do mundo rural do
que uma opção pelo mundo urbano e industrial,
chegando alguns a perceberem o mundo urbano como uma
variante indesejável da modernidade européia. A
vocação agrícola do país era vista como uma
vantagem comparativa em termos civilizatórios,
desde que a paisagem rural fosse racionalizada e
modernizada (capacitação da mão de obra e o uso
de máquinas). |
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Em
linhas gerais, desta forma, a aposta histórica de
autores da época como o barão do café Francisco
de Lacerda Werneck, de Vassouras-RJ, o intelectual
com entrada na corte Guilherme Capanema, o
empresário e engenheiro agrônomo Caetano da Rocha
Pacova, o fazendeiro Luiz Corrêa de Azevedo do
município de Cantagalo-RJ, o colaborador da Revista
Agrícola Nicolau Moreira, eram extremamente
ecológicas.
Todas
as propostas passavam pela superação do trabalho
servil, da derrubada, da queimada, da lavoura
extensiva e da grande propriedade, em favor de uma
ordem rural calcada no trabalho livre, na lavoura
intensiva e na pequena propriedade. Uma aposta
histórica que, guardadas as grandes diferenças de
contexto, não perdeu totalmente a sua atualidade,
continuando a ser, ainda nos dias de hoje, um
desafio necessário para a democratização da
sociedade brasileira. |