| Do
Século XIX à década de 1960. |
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A
agricultura moderna tem sua origem ligada às descobertas do
século XIX, a partir de estudos dos cientistas Saussure
(1797-1845), Boussingault (1802-1887) e Liebig (1803-1873), que
derrubaram a teoria do húmus, segundo a qual as plantas obtinham
seu carbono a partir da matéria-orgânica do solo (De Jesus,
1985). |
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Liebig difundiu a idéia de que o aumento da produção
agrícola seria diretamente proporcional à quantidade de
substâncias químicas incorporadas ao solo. Toda a credibilidade
atribuída às descobertas de Liebig deu-se ao fato de estarem
apoiadas em comprovações científicas. Junto com Jean-Baptite
Boussingault, que estudou a fixação de nitrogênio atmosférico
pelas plantas leguminosas, Liebig é considerado o maior precursor
da "agroquímica" (Ehlers, 1996:22). As descobertas de
todos esses cientistas, segundo Ehlers (1996), marcam o fim de uma
longa data, da Antiguidade até o século XIX, na qual o
conhecimento agronômico era essencialmente empírico. A nova fase
será caracterizada por um período de rápidos progressos
científicos e tecnológicos. |
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Liebig |
Boussingault |
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No
início do século XX, Louis Pasteur (1822-1895), Serge
Winogradsky (1856-1953) e Martinus Beijerinck(1851-1931),
precursores da microbiologia dos solos, dentre outros,
contribuíram com mais fundamentos científicos que fizeram uma
contraposição às teorias de Liebig, ao provarem a importância
da matéria orgânica nos processos produtivos agrícolas (Ehelrs,
1996:24-25).
Contudo,
mesmo com o surgimento de comprovações científicas a respeito
dos equívocos de Liebig, os impactos de suas descobertas haviam
extrapolado o meio científico e ganhado força nos setores
produtivo, industrial e agrícola, abrindo um amplo e promissor
mercado: o de fertilizantes "artificiais" (Frade, 2000:
17).
Na
medida em que certos componentes da produção agrícola passaram
a ser produzidos pelo setor industrial, ampliaram-se as
condições para o abandono dos sistemas de rotação de culturas
e da integração da produção animal à vegetal; que passaram a
ser realizadas separadamente. Tais fatos deram início a uma nova
fase da história da agricultura, que ficou conhecida como
"Segunda Revolução Agrícola". São também parte
desse processo o desenvolvimento de motores de combustão interna
e a seleção e produção de sementes como os outros itens
apropriados pelo setor industrial. Estas inovações foram
responsáveis por sensíveis aumentos nos rendimentos das culturas
(Frade, 2000). |
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A
expansão da revolução verde deu-se rapidamente, quase sempre
apoiada por órgãos governamentais, pela maioria dos engenheiros
agrônomos e pelas empresas, produtoras de insumos ( sementes
híbridas, fertilizantes sintéticos e agrotóxicos); além do
incentivo de organizações mundiais como o Banco Mundial, o Banco
Interamericano de Desenvolvimento (BID), a United States Agency
for International Development(USAID - Agência Norte Americana
para o Desenvolvimento Internacional), a Agência das Nações
Unidas para a Agricultura e a Alimentação(FÃO), dentre outras (
Ehlers, 1996:34). |
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Junto
com as inovações, o "pacote tecnológico" da
revolução verde criou uma estrutura de crédito rural subsidiado
e, paralelamente, uma estrutura de ensino, pesquisa e extensão
rural associadas a esse modelo.
Contudo,
esse modelo de agricultura a partir da década de 60 começava a
dar sinais de sua exaustão: desflorestamento, diminuição da
biodiversidade, erosão e perda da fertilidade dos solos,
contaminação da água, dos animais silvestres e dos agricultores
por agrotóxicos passaram a ser decorrências quase inerentes à
produção agrícola (Ehlers, 1993). |
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Em 1962, Rachel Carson publica o livro Primavera
Silenciosa, no qual a autora questionava o modelo agrícola
convencional e sua crescente dependência do petróleo como matriz
energética. Ao tratar do uso indiscriminado de substâncias
tóxicas na agricultura, em pouco tempo a obra de Carson tornou-se
mais do que um "best seller" nos EUA: foi também um dos
principais alicerces do pensamento ambientalista naquele país e
no restante do mundo ( Ehlers, 1993).
Logo após a publicação de Primavera
Silenciosa, trabalhos como o de Paul Ehrlich, The
Population Bomb (1966) e o de Garret Hardin, Tragedy of the
Commons (1968), reforçaram a teoria malthusiana, relacionando
a degradação ambiental e a degradação dos recursos naturais ao
crescimento populacional.
Na prática, porém, o que se viu nos anos seguintes foi a
continuação do avanço da agricultura convencional,
particularmente nos países em desenvolvimento, com o agravamento
dos danos ambientais. |
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Capa
do livro Silent Spring de Rachel Carson |
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