O fenômeno da "vaca
louca", ainda não totalmente explicado e confirmado pela
ciência é provavelmente o caso mais espetacular de manifestação
patológica, devido ao manejo agropecuário empregado atualmente,
que se choca frontalmente com a natureza do animal herbívoro
ruminante.
Há até o momento três hipóteses a respeito da causa do
sintoma da vaca louca.
1-A primeira diz respeito a um produtor orgânico da
Grã-Bretanha que alertou que estes sintomas se assemelham a
sintomas de contaminação de inseticidas organofosforados. No
ínício dos anos 90, quando começaram a aparecer os primeiros
sintomas da vaca louca, estudos foram feitos onde os focos de
aparecimento da doença, quando colocados em um mapa e justapostos
sobre o mapa de regiões mais contaminadas por fosforados, batiam,
combinavam. A contaminação do meio ambiente estaria tanta, que
através da água e pasto o animal estaria se contaminando, somado
aos organofosforados que na época ainda eram usados no combate a
ecto parasitas do gado. Esta hipótese ainda hoje é defendida por
algumas pessoas.
2-A segunda diz respeito à contaminação através de príons,
proteínas especiais que em uma forma deformada de príons atuariam
a nível cerebral lavando o animal a adoecer e ter seu cérebro se
desestruturando e perdendo as suas funções.
3-A terceira diz respeito à hipótese lançada por Rudolf
Steiner há 77, de que ao consumir a ração fabricada em parte com
carcaças de animais, estes ruminantes estariam, por uma questão de
estrutura natural do organismo, estariam se acumulando com uratos
que atacam por sua vez o cérebro, processo semelhante às doenças
que ocorrem em humanos, que com excesso de nitrogênio no sangue, o
humano fica louco, demente, fora dos padrões normais de
consciência.
A Antroposofia (cujo fundador foi Rudolf Steiner, 1861-1924)
entende os animais como nossos "irmãos" que por uma
razão ou outra, no seu desenvolvimento, ficaram para trás, presos
nas estruturas físico-anímicas desenvolvidas ao extremo e
desviadas do desenvolvimento humano como por exemplo a vaca, que é
o ser mais desenvolvido e perfeito para a transformação de massa
herbácea em proteína animal, ou seja, a digestão metabólica. A
vaca apresenta o mais incrível, perfeito, eficiente e admirável
sistema de ruminação, fermentação e produção de proteína
animal a partir das plantas herbáceas, que são nada mais nada
menos do que acumuladoras de energia solar em forma de substância
material - amido, açúcar e celulose.
As técnicas de produção animal empregadas especialmente aos
ruminantes, de enriquecimento da sua ração diária com proteínas
de carcaças de outros animais, vai frontalmente contra a aptidão
desenvolvida ao longo da evolução dos bovinos gerando
desequilíbrios e resíduos fermentativos para o qual estes animais
não estão preparados. Estes resíduos afetam por sua vez, via
corrente sanguínea, o seu sistema neurosensorial. O animal não
consegue eliminar as altas doses de compostos nitrogenados,
amino-ácidos, pró-proteínas e por que não príons, formados ou
que sobram na fermentação destas carcaças, diferentemente das
aves que, ao ingerir restos de animais, eliminam estas substâncias
pelos seus excrementos concentrados e ricos em nitrogênio, mais que
o dobro em concentração se comparados aos excrementos dos
ruminantes.
Isto tudo já havia sido previsto por Rudolf Steiner em 1923, no
seu ciclo de palestras "Saúde e Doença!", em que o
sintoma foi descrito exatamente:
"Agora pensem, que o bovino imagina uma vez, a dizer: isto
me é muito monótono, que eu tenha que perambular e me dedicar a
morder estas plantas. Isto pode ser feito para mim por outro animal.
Eu vou comer então este animal! Então o bovino começaria a comer
outro bovino. Mas ele pode produzir ele mesmo esta carne! Ele tem a
força em si para isto. O que acontece portanto quando em vez de
vegetais ele se alimenta de carne? Ele deixa de utilizar as forças
dentro dele, que servem para produzir a carne. Se vocês imaginarem
uma fábrica em algum lugar, que através desta algo deva ser
produzido, e ela produz nada, mas a fábrica inteira e posta em
movimento, pensem vocês, que força é perdida, desperdiçada! Se
perde uma força enorme. Mas, meus senhores, a força, que se perde
no corpo animal não se perde simplesmente. O animal se entope todo
desta força, esta força faz algo diferente nele do que de plantas
se produzir carne. Esta força está nele e permanece lá. Ela faz
algo diferente nele. E isto, o que a força faz é produzir muito
urato. Em vez de se produzir carne, se produz substâncias nocivas.
O bovino iria portanto, ao começar a ingerir carne, se encher de
substâncias nocivas. As saber, de uratos e de sais de uréia.
Mas os uratos também tem seus vícios. Os vícios especiais dos
uratos são que eles tem uma fraqueza pelo cérebro e pelo sistema
neuro- sensorial. O resultado disso seria que quando o bovino
comeria carne diretamente, a ponto de se formarem grandes
quantidades de uratos, estes iriam ao cérebro e o bovino ficaria
louco. Se nós alimentássemos o bovino com pombas, nós teríamos
um rebanho maluco, mesmo sendo as pombas tão mansas, as vacas
ficariam loucas."
A palestra se desenrola então em uma comparação dos
temperamentos adquiridos dos animais que comem carne como o leão e
os que comem somente vegetais como as vacas. Os temperamentos mudam
de acordo com a constituição animal e de acordo com a dieta. Carne
leva a temperamentos mais agressivos. Vegetais a temperamentos mais
moderados!
Segue ainda a dizer que humanos que se alimentam de carne acabam
com o tempo acumulando as toxinas através do acúmulo de uratos.
Estes têm que ser eliminados depois pelo organismo por bem, ou por
mal através de doenças que surgem perturbando os processos do
açúcar no organismo, conduzindo o organismo a formas de diabetes.
O processo de geração da doença com estes conhecimentos
descritos acima ainda está mais ou menos esclarecido. O desenrolar
da cadeia de contaminação e determinação de quais os organismos
sujeitos a esta doença ainda está por acontecer. Por enquanto, há
várias hipóteses que deverão ser comprovadas cientificamente.
São as vacas que estão loucas ou serão os homens que,
dirigidos por estratégias de produção agropecuária
exacerbadamente mecanicistas e ambiciosas, ignorantes da verdadeira
função e das necessidades dos seres vivos, impõem dietas aos
ruminantes, incompatíveis com a sua natureza?
A agricultura biodinâmica, que surgiu do impulso da Antroposofia,
sempre condenou o uso de carcaças animais como ração para
ruminantes. Esperamos que com esta "adoecida", a
agricultura mundial dê a guinada definitiva na direção de uma
agricultura natural respeitadora das naturezas do planeta e humana,
que estão integradas e são dependentes uma da outra.
A questão das doenças degenerativas do sistema cerebral e neuro-
sensorial em humanos ultrapassa hoje qualquer limite de compreensão
científica. Estatísticas mostram que em países desenvolvidos, se
a pessoa tem 85 anos ela tem 50 % de chance de estar com alguma
doença degenerativa cerebral, Parkinson, Alzheimer ou câncer.
As hipóteses mais recentes em relação à atuação dos
radicais livres que estariam degradando, envelhecendo o organismo
humano precocemente, leva hoje a camada mais esclarecida da
população a consumir vitaminas, sais e substâncias
neutralizadoras dos radicais livres, buscando harmonizar a função
celular e a função do organismo como um todo.
Substâncias ingeridas que perturbam as sinapses, teminais das
células nervosas do organismo, onde ocorrem transmissão de
informações, acabam levando também à degeneração das células
nervosas como um todo. A eliminação de substâncias nocivas como
cigarro, álcool, e agentes químicos com radicais livres, como
estabilizantes e aditivos químicos e a adição à dieta de
alimentos harmonizadores destas ligações sinápticas como as
proteínas vegetais derivados da soja, iogurtes e plantas parecem
ser hoje recomendáveis e se aliam às fórmulas modernas adotadas
em todo o mundo por populações com índices de longevidade
saudável.