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SEMENTES KOKOPELLI |
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Responsavel
Kokopelli Brasil |
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O Canto do Milho |
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Para os Índios Hopis, povo que vive nas regiões áridas do Arizona e do Novo México (“hopi” na língua deles significa “pacífico”), um personagem mitológico de nome Kokopelli está associado à fertilidade e à germinação. Os outros povos Indígenas o conhecem como o “tocador corcunda de flauta”. Sua silhueta única foi pintada, durante os séculos, em numerosas pedras e cerâmicas das duas Américas. Para muitos, a corcunda de suas costas é um saco de sementes que ele semeia a todos os ventos. Quanto à sua flauta, ela é a fonte do espírito insuflado em cada semente. Face às forças de destruição que se desencadeiam nesse momento no planeta, o símbolo de Kokopelli representa a esperança de uma Terra novamente fértil e de Sementes portadoras de Vida. A cabeça de Kokopelli é coberta de antenas cósmicas que lhe permitem captar o canto das estrelas a fim de insuflá-lo às Sementes de Vida, Sementes de Estrelas, que fecundam a Terra-Mãe. Vamos
ouvir a história de John Kimney, etnobotânico, que era então hóspede
de David Monongye, chefe religioso e antigo da tribo dos Hopis. “Era
o mês julho, há muitos anos atrás, e eu estava convidado durante
quatro semanas a Third Mesa, no país Hopi. Fazia três semanas que não
havia chovido e as terras sufocavam sob o calor tórrido.
Era o meio do dia e meu hospedador estava dormindo tranqüilamente
no frescor de sua casa de pedra. Eu
não podia ficar no lugar. Eu
fechei docemente a porta mosquiteiro atrás de mim e entrei no calor da
kisnovi, a praça do vilarejo. Eu
procurava, com o olhar, a revelar algum movimento qualquer, mas tudo
estava tão calmo quanto à meia noite.
Somente um cão se mexeu para nada perder da pouca sombra do meio
dia. Todo o resto do
vilarejo parecia respeitar o ritual da sesta profunda que Tawa, o
Pai-Sol, lhes impunha quotidianamente.
“Só os cães loucos e os Ingleses ao sol de meio-dia”
murmurei-me num tom sonhador. Eu
nem sabia aonde ia descendo a borda da “mesa”, num caminho que tinha
sido, há muito tempo, como roído nas rochas macias, em dias mais
frescos. Quando
eu cheguei embaixo da falésia, eu vi um lagarto que fugia rapidamente
num caminho poeirento. Eu o segui, como se essa criatura me guiasse.
Depois de uma grande caminhada de mais ou menos 15 minutos, o caminho
bifurcou de repente em direção ao norte, em volta de um monte de
entulhos. Antes que eu
pudesse ver do outro lado das rochas, eu ouvi bem baixinho, uma voz que
cantava. Eu diminuí meu passo e arrisquei um olhar.
Havia na minha frente uma extensão de milho, a mais vasta que já
me havia sido permitido contemplar nessa região. Ela era tão grande
que não parecia poder ser Hopi. Eu ainda não via ninguém, mas o canto
se tornou mais claro. Eu
adivinhei que era a voz doce e poderosa de um velho.
Mas onde estava ele? Eu esperei ainda alguns minutos, ouvindo
esse campo de milho que cantava. E então, de repente, dos tufos verdes
de milho, emergiu uma cabeça branca que, entre as fileiras, se movia
lentamente sem parar de cantar. De
repente eu tomei consciência do que meus olhos viam.
Esse campo de milho, no meio do verão, era magnífico e
luxuriante. Havia mais ou menos, uma dúzia de espigas que amadureciam
em cada tufo e uma avaliação rápida me indicou que havia, sem dúvida,
1200 tufos de plantios de milho. O solo estava seco e pergaminhado após a longa seca e, entretanto, o milho não mostrava muitos sinais de secura, ao contrário da maior parte dos outros campos que eu já tinha podido observar ao redor do vilarejo. As reclamações que eu tinha ouvido da parte dos fazendeiros que viviam perto da casa onde eu morava tinham me feito pensar que todo o milho murchava de sede. Entretanto, esse campo parecia acabar de ter sido bento pela chuva! Eu
voltava tranqüilamente ao longo do caminho que levava ao vilarejo, sem
ter sido visto pelo velho. Meu hospedador estava acordado e me perguntou
onde eu tinha ido. Quando
eu o expliquei o que havia visto e ouvido, o interesse que ele
testemunhava pelo objeto de minhas errâncias se transformou em sorriso
divertido. “Eu vejo que você encontrou o campo de Titus” disse ele dando um pequeno riso abafado. “Mas por que esse campo é tão resplandecente? Ele possui uma fonte de água secreta?” Avô
se contentou de rir. “Claro
que não. Mas ele possui Navoti”. “O que é isso?” perguntei
pensando que talvez existisse um fertilizante secreto acessível somente
a algumas clãs. “Ele possui a Via Hopi” me explicou Avô, após uma pausa pensativa. “Ele conhece os velhos cantos que refrescam suas ‘crianças milho’. Ele recita suas orações corretamente durante a semeadura. E o que é mais importante de tudo, ele sabe que não se deve se preocupar, pois a angústia, tanto quanto a seca, prejudica as plantas. Mais do que angustiar, o que tornaria suas crianças nervosas, ele vai até elas no calor do dia e canta antigos cantos que são, para suas crianças, fonte de coragem”. “Mas
Avô, os outros homens com certeza percebem a diferença de seu milho.
Por que eles não aprendem suas canções e por que não as cantam aos
seus milhos?” Meu
velho mestre Hopi suspirou. “Isso não serviria de nada. Navoti não vive mais na semente dos outros”. No
final desse mês importante eu passei pela “mesa”, e fui embora de
carro em direção do norte, bordejando o vale de Rio Grande, para
encontrar Taos, a cidade onde eu morava.
Durante minha passagem através de cada um dos dezenove Pueblos,
eu senti como se alguma coisa me chamasse.
Eu percebi, talvez pela primeira vez, o quão pouco as antigas
culturas eram praticadas, mesmo a luzerna. Eu
senti como se fossem as sementes que me chamassem. Eu tomei consciência
que a fonte do poder que eu sentia estava presa nos alpendres, nas
caixas de café e nos baldes recolocados em cantos escuros, ela estava
também nos velhos tapetes de milho trançado. As
sementes que me chamavam eram as velhas sementes, colhidas antes da
vinda dos supermercados, antes da vinda dos pequenos sachês de alumínio
que se abrem nas prateleiras das butiques no início de cada primavera. Eram
as sementes das quais Avô tinha me falado, as que possuíam ainda o
Navoti das eras passadas. Depois
de alguns cinqüenta anos, sua vitalidade estava intacta. O clima seco
dos altos planaltos tinha favorecido a conservação de um antigo poder
que viva na época em que os homens cantavam para suas plantas.
Agora era para mim que as sementes enviavam seus cantos, na
esperança de serem ouvidas antes de se perderem para sempre no
esquecimento.” Extraído
da obra publicada por Seed Savers Exchange “The First Ten Years”
1986. |
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Jardins Kokopelli em todo o Planeta |
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Duas Séries de Semente Kokopelli |
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Nós
propomos duas séries de sementes: - uma série “butique” apresentando todas as espécies de plantas hortenses com uma diversidade selecionada no seio de cada espécie: 150 variedades de tomates, 100 variedades de abóboras, 100 variedades de pimentas, etc... Os sachês dessa série estão disponíveis pelo preço unitário, em euros, de 2,50 (e 2,20 para os aderentes da Associação) (tarifas válidas a partir de 1º de dezembro de 2002). As
sementes da série “butique” são produzidas por produtores
profissionais controlados por um organismo de certificação de
Agricultura Biológica ou por Nature et Progrès. - uma série “coleção” reunindo centenas, mesmo milhares, de variedades muito pouco cultivadas, muito pouco conhecidas e às vezes até literalmente em vias de extinção. Os sachês dessa série estão disponíveis gratuitamente para todos os aderentes “ativos” e “benfeitores” da Associação Kokopelli, assim como todos os membros de apoio muito implicados na produção de sementes a serviço da associação. As
sementes da série “coleção” serão produzidas, a meio termo,
pelos aderentes mesmos com práticas que nós desejamos agro-ecológicas.
Em um primeiro tempo, a rede de produtores de sementes orgânicas
de Kokopelli também se implicará nessa série a fim de iniciar a dinâmica. A
lista completa de variedades disponíveis na série “butique” estará
disponível nos salões, na sede da Associação Kokopelli em Ales e
também no nosso site Internet. |
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Adote uma Semente! |
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A
Associação Kokopelli propõe a todos os seus aderentes de apadrinhar
uma variedade. Eles podem
escolher uma espécie (um tomate, uma couve, uma alface, etc) e em
seguida eles se verão atribuir, pela associação, uma variedade
particular (por exemplo, o tomate “Black Zebra”
ou a couve “de Noel ardoisé”, etc). Os
padrinhos e madrinhas estão convidados a conservar, ao fio dos anos,
essa variedade em seus jardins e a reproduzir as sementes.
A cepa dessa variedade lhes será enviada pela associação. Milhares de variedades de tomates, pimentas, abóboras, alfaces, couves estão à procura de um “refúgio”. Adote uma semente! Juntos, vamos criar milhares de jardins “Kokopelli” que sejam cada um o refúgio regenerador de pelo menos uma variedade hortense! |
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Sementes sem Fronteiras |
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Durante
esses dois últimos anos, foram 150.000 sachês de sementes distribuídas
gratuitamente por Kokopelli nas comunidades vilarejas dos países
pobres. Além disso, desde
1999, numerosos aderentes nos enviam sementes produzidas em seus jardins
familiais e essas sementes foram dadas em 2002 no Senegal, no Marrocos,
no Afeganistão e no Brasil. A Associação Kokopelli recebe numerosos pedidos de sementes de todo o planeta. A segurança alimentar no Terceiro Mundo passa pelo desenvolvimento do jardim familiar e não há jardim possível sem sementes. Nós lançamos um apelo urgente a todas as boas vontades para produzir sementes, nos jardins familiais, em benefício da África e de outros países pobres, em outros continentes. Nós desejamos é claro, que todas essas sementes sejam tão puras quanto possível e nós convidamos os voluntários, para essa dinâmica “Sementes sem Fronteiras”, a consultar a obra de Dominique “Sementes de Kokopelli” para qualquer especificidade quanto às distâncias de isolamento e outras técnicas permitindo evitar as polinizações cruzadas. O desenvolvimento do jardim familiar, e as autonomias sementeiras, constitui uma das bases fundamentais da revolução à vir: a melhor maneira de lutar contra as multinacionais, é não precisar delas!
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