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A
utilização intensiva de uma mecanização inadequada, do uso
indiscriminado de agrotóxicos, corretivos e adubos químicos solúveis,
somados ao monocultivo e a falta de práticas adequadas de combate à erosão,
conduziram a grande maioria dos solos das lavouras a um processo de
degradação de suas capacidades produtivas.
Processo
caracterizado, entre outras coisas, pela formação de uma camada
subsuperficial compactada, perda do horizonte A e, por conseqüência, uma
redução da matéria orgânica e da atividade biológica do solo,
tornando estas lavouras cada vez mais exigentes em insumos e em geral
menos produtivas.
Os
problemas de distúrbios nutricionais, raros outrora, avolumam-se
retratando o desequilíbrio e a lenta degradação dos solos e do
ambiente. Somado a isto uma série de outras conseqüências ecológicas,
energéticas, econômicas e sociais negativas e de poluição, que
certamente levarão a insustentabilidade deste modelo produtivo
convencional.
A
agricultura convencional é sintomática. Sempre repõe o que falta ou
combate o sintoma. E vê cada fator de produção isoladamente, sem
conseguir o domínio das inter-relações existentes, nem das relações
causa-efeito. Tenta-se atingir padrões ideais só que estes nunca se
repetem. O modelo de agricultura convencional não preservou e, ao contrário,
por vezes reduziu a capacidade produtiva dos solos.
Também
não foi adequado à realidade cultural da maioria dos agricultores, os
quais são vistos como mais um item de produção. Então, no atual estágio
é mais fácil abandonar este modelo do que tentar corrigi-lo,
promovendo-se uma transição gradual e segura do sistema convencional
para um alternativo. Porém, agora com níveis de conhecimento e consciência
mais elevados.
Historicamente,
o aprendizado a respeito de conceitos ecológicos nas ciências agronômicas
foi mais pela dor do que pelo amor. Na agricultura ecológica procurou-se
ter uma visão holística, ou seja, uma visão de todo o sistema
produtivo. Não há padrão ideal para seguir. Procura-se produzir com uma
maior eficiência energética. Em vez da produtividade máxima,
busca-se a produtividade ótima em cada sistema.
Observa-se
que a agricultura convencional visa a máxima racionalidade econômica
apenas e está baseada em tecnologias de produtos. Diferentemente, a
agricultura ecológica se baseia em tecnologias de processos, onde se
controlam mais as causas dos problemas e menos os sintomas, tendo-se a
natureza como um modelo perfeito.
Com
o progresso da ecologia determinou-se que na natureza há predominância
de mais interações positivas entre os organismos vivos do que negativas.
As interações negativas predominam na agricultura convencional. Enquanto
que nos métodos alternativos de agricultura busca-se conhecer e
incrementar interações positivas que beneficiem a produção.
A
agroecologia é centrada no ser humano e sua base de sustentação é a
fertilidade do solo. Na prática de uma agricultura agroecológica
aplicam-se mais fundamentos do que fórmulas. O conhecimento autóctone
(nativo) também é valorizado, pois se aplicam princípios universais
adequados às condições locais. Daí a sua adequação à realidade
cultural do meio rural, onde a produção deve fundamentar-se mais em
conhecimento e trabalho e menos no capital.
Para reverter
conscientemente um processo de longo período de destruição é preciso
adotar-se um modelo de agricultura que seja regenerativo; que possa
devolver e manter a capacidade produtiva do solo. A verdadeira fertilidade
é resultado da interação entre aspectos químicos, físicos e biológicos,
sendo que a intensa atividade biológica no solo determinará melhorias
duradouras em suas qualidades químicas e físicas.
Fonte:
Miguel A. Altieri;
Agroecologia Bases científicas para uma agricultura sustentable, 1999.
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