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Sistema de criação orgânica de aves (Parte I I)

No ranking do setor avícola, o Brasil figura como o 20 maior exportador de frangos do mundo e como o 30 maior produtor, mas a participação brasileira no mercado de ovos ainda é pequena. Em comparação a média mundial, até o consumo interno é baixo, ficando em torno de 90 ovos per capita. Isso porque nunca existiu uma campanha esclarecedora sobre o valor nutricional do produto  que continua sob a efígie do alto teor calórico. Faltou uma estruturação voltada ao marketing, e, exatamente por esta razão, o potencial de evolução da avicultura de postura é superior à de corte.

A avicultura de corte já está muito bem  estruturada e modernizada; a avicultura de postura, não. Em 2001, o Brasil exportou cerca de 907 mil toneladas de carne de frango, o equivalente a US$900 milhões, e a previsão para este ano está na faixa de US$1,3 bilhão. Diante deste montante, não é difícil imaginar o que a cadeia produtiva do ovo ainda está para gerar. Falta infra-estrutura, mas não é uma situação duradoura. Sendo assim, o futuro avicultor deve analisar a hipótese cuidadosamente,  porque não se trata apenas de uma cadeira produtiva em ascensão, o sistema de criação dentro do padrão orgânica também tende a  ampliar.

O investimento para a implantação de um sistema de produção de frangos de corte ou de uma granja de postura não é tão barato. Aviários rústicos equipados para 5 mil frangos custam cerca de R$8mil; aviários rústicos equipados para 5 mil poedeiras custam R$10mil, mais ou menos; os mais modernos, com equipamentos automáticos para 100 mil poedeiras ficam em torno de R$300 mil. É claro  que as condições da propriedade podem amenizar, e muito, os custos de implantação do sistema. Também pode-se começar modestamente, com um número reduzido de aves.

No caso de produtores familiares, é desejável a formação de associações ou cooperativas, a fim de facilitar a colocação do produto orgânico no mercado. Para se formar uma associação, bastam duas pessoas, para uma cooperativa são necessárias pelo menos 20 interessados. A cooperativa precisa de um capital social para facilitar os financiamentos juntos às instituições financeiras, o que não é necessário numa associação. Na cooperativa, os dirigentes são remunerados de acordo com o valor definido em assembléia, ao passo que na associação, eles só recebem o reembolso das despesas do cargo. Na cooperativa as sobras podem ser divididas, entre os associados e na associação, o que sobra é reinvestido na própria entidade.

Consideradas as diferenças, caberá aos produtores optar pela forma de estabelecerem oficialmente uma parceria. O importante, neste caso, é evitar a dependência de fornecedores e compradores, o que dificulta a permanência de produtores isolados no mercado, devido a falta de poderes de barganha,  político e de recursos financeiros. Trabalhar associativamente, portanto, facilita a ordenação das atividades, definindo o quê, quando e quanto  cada grupo irá produzir, como o produto orgânico chegará ao mercado e para quem será vendido. Além disso, a associação também permite obter economias nas compras de insumos, de tecnologia e transporte dos produtos até os pontos de venda fortalecendo a imagem dos orgânicos como um todo no promissor mercado de alimentos de qualidade diferenciada.

 

Fontes: Agrosuisse Ltda.
             Revista Escala Rural, ano 03, n.19.

 

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