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O
pesquisador francês Gilles Marechal, diretor da Federação Regional
dos Centros de Iniciativas para Valorizar a Agricultura e o Mundo
Rural (Civam), que já dirigiu projetos de circuitos curtos de
especialização na França, Áustria, Reino Unido, Holanda,
Hungria,Polônia, Itália, Espanha, Japão e Cuba, fez palestra na
Superintendência Federal de Agricultura no Rio, durante as
comemorações da V Semana dos Alimentos Orgânicos.
Segundo Marechal, que também dirigiu o livro “Circuit Court
Alimentaire”, o sistema surgiu há 25 anos a partir de movimentos
em países como o prodotti tipici (produto típico), na Itália e
teikei, no Japão, e se disseminou por diversas regiões europeias.
O pesquisador citou como exemplo a região da Bretanha, no Oeste da
França, onde havia uma grande concentração de propriedades rurais
voltadas para a criação de animais, e que respondia por 55% de
toda a produção de suínos, 40% de frangos e 30% do leite do país,
até que enfrentou uma grave crise de abastecimento de água. Na
busca por estratégias para se renovar as redes tradicionais de
produção surgiram as primeiras iniciativas locais. |
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De
acordo com o pesquisador, há quatro anos eram apenas 23 núcleos de
venda diretas dos produtores aos consumidores, hoje somam mais de 120,
que resultaram em sistemas alimentícios sustentáveis que já respondem
por 30% do comércio na região e cerca de 20% da economia agrícola na
França. Conforme detalhou, cada produtor utiliza pelo menos três
formas diferentes de vender, mas há diversos meios de aproximação e
que se desenvolvem na medida em que a demanda cresce. Além de venderem
diretamente nas propriedades, nas feiras, nas estradas, os
agricultores compõem também cestas de multiprodutos que tanto podem
ser encomendadas pela internet com entrega em domicílio ou para
restaurantes, quanto podem ser dispostas em lojas de vendas coletivas
ou de algum produtor que individualmente compra e vende produtos dos
outros.
- Esse
sistema exige uma mudança nas relações sócio-econômicas, já que requer
proximidade geográfica e apenas um único intermediário. Os circuitos
curtos alimentícios resultam em aproveitamento da produção local,
gerando empregos e renda para pequenos agricultores. Reduz o impacto
ambiental porque exige menos gasto energético com transporte e permite
que se obtenha o preço justo para a mercadoria. Não se pode produzir
de tudo em um único local, mas a organização proporciona diversidade
da oferta, com um produtor podendo ser também fornecedor de insumo ao
outro. Do ponto de vista individual, é uma questão de cidadania, do
coletivo, de justiça social - afirma.
Marechal diz que, especialmente os europeus, têm demonstrado
preferência por produtos ligados a um determinado território, de
qualidade diferenciada, sãos, com sabor, e que dêem prazer, uma vez
que permitem também relações mais humanizadas. A seu ver, o movimento
é ainda uma forma de compensação aos consumidores urbanos em relação à
desumanização da vida moderna, à uniformização dos modos de vida e de
consumo e aos problemas ambientais. Sobre a possibilidade de se adotar
os sistemas de circuitos curtos alimentares em regiões
predominantemente urbanas como o Estado do Rio de Janeiro, Marechal
considerou não só totalmente possível, como parte da solução para
problemas como geração de empregoe divisão de renda. A principal
dificuldade para a adoção do sistema no Brasil apontada pelo
especialista é extensão territorial. Na França, um país 15 vezes menor
que o Brasil há 36 mil municípios, aqui são pouco mais de 5 mil. Mas
há muitas vantagens também é só uma questão de informação,
planejamento e organização. Algumas das possibilidades de se iniciar o
desenvolvimento dos sistemas locais são as Indicações Geográficas e os
produtos de orgânicos - citou.
Fonte: MAPA |