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É
uma amarga ironia que conforme os países em desenvolvimento
estejam se esforçando para reduzir a fome, algumas vezes
enfrentam um problema que decorre do consumo excessivo de
alimentos: a obesidade. A obesidade acarreta uma maior
freqüência de doenças crônicas tais como diabetes, doenças do
coração e câncer. E se algumas pessoas pobres estão com
excesso de peso isto não significa que estejam bem alimentadas. A
obesidade, freqüentemente, encobre deficiências do consumo de
vitaminas e minerais. |
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"Consideramos
a obesidade um problema importante que necessita ser tratado,
juntamente com o problema da subalimentação", explica
Prakash Shetty, Chefe do Serviço de Planejamento, Estimativa e
Avaliação da Nutrição, da FAO. Apenas
há alguns anos era difícil encontrar uma afirmação desta
natureza. Os especialistas tinham dúvidas em despertar atenções
sobre a obesidade, enquanto havia tantas vidas comprometidas pela
fome. De um total de 850 milhões de pessoas que padecem pela fome
no mundo, 780 milhões se encontram nos países em
desenvolvimento. Mas os dados alarmantes apresentados em 2001 pelo
Worldwatch Institute colocaram na berlinda a forma tradicional de
se pensar essa questão: pela primeira vez, o número de pessoas
superalimentadas no mundo compete com as subalimentadas. O mais
triste é que os países em desenvolvimento estão engrossando a
fila dos países que sofrem com o problema da obesidade. |
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Pirâmide
alimentar proposta pela Harvard University |
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Um
estudo realizado em 1999 pelas Nações Unidas descobriu que o
problema da obesidade está presente em todas as regiões em
desenvolvimento, aumentando aceleradamente também nos países
donde existe fome em estado permanente. Na China, por exemplo, o
número de pessoas com sobrepeso passou de menos de 10% para 15%
em apenas três anos. No Brasil e na Colômbia a porcentagem de
obesos fica ao redor dos 40%, nível compatível com o de diversos
países europeus. Incluindo a parte da África que se encontra
abaixo do deserto do Saara, onde vive a maior parte das pessoas
atingidas pela fome, a obesidade está aumentando, sobretudo na
população feminina que vive nas cidades. Em todas as regiões a
obesidade parece crescer conforme aumenta o nível de renda. |
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Três
problemas, uma solução: uma boa nutrição |
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A
obesidade no mundo em desenvolvimento não é uma surpresa para a
FAO: "Já sabíamos que o mundo produzia alimentos
suficientes para todos. Infelizmente, porém, os alimentos nem
sempre chegam a quem deles mais necessita", afirma Bárbara
Burlingame, Funcionária Superior do Grupo de Estimativa e
Avaliação das Repercussões da Nutrição, da FAO. A fome é uma
conseqüência, a obesidade, outra. |
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Além
disso, praticamente todas as pessoas que padecem de fome e muitos
dos que têm sobrepeso sofrem debilidades físicas por outro tipo
de má nutrição: a falta de vitaminas e minerais (a chamada
"fome oculta"), conhecida no meio científico como
deficiência de micronutrientes. "Costumava-se pensar que se
as pessoas obtinham suficiente energia da sua alimentação, os
micronutrientes viriam em acréscimo, afirma a Dra. Burlingame,
"mas as pessoas cada vez mais ingerem alimentos de má
qualidade, que enchem o estômago mas deixam o organismo sem os
micronutrientes necessários." |
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Se
a informação sobre a obesidade nos países em desenvolvimento é
limitada, os estudos preliminares indicam que algumas das mesmas
deficiências de micronutrientes das quais padecem as pessoas
subalimentadas, estão presentes também nos organismos de pessoas
com excesso de peso. Um dos problemas mais comuns é a anemia, por
falta de ferro e a deficiência de vitamina A, causa freqüente de
cegueira entre crianças com menos de cinco anos de idade. |
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A
FAO recomenda um criterioso planejamento da nutrição para
orientar tanto a qualidade quanto a quantidade. "Uma de
nossas missões mais importantes é promover uma alimentação
diversificada, que contenha os alimentos tradicionais, em geral
bem equilibrados e muito nutritivos", explica Dr. Shetty. |
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