|
A partir daí, os
animais domésticos passaram a ter as chamadas "enfermidades
da civilização", que são males que provém de cruzamentos
genéticos equivocados, alimentação cada vez mais artificial,
atividade reprodutiva com influência de produtos químicos e,
principalmente, instalações totalmente inadequadas. Diversas
doenças começaram a surgir e consequentemente constatou-se que
os modelos produziram mais problemas que resultados. Além disto,
podemos também constatar os impactos causados por este modelo de
intensificação no meio ambiente: como exemplo, temos a
contaminação dos recursos hídricos, que também atinge os
próprios animais quando estes passam a consumir uma água de má
qualidade.
Em resumo, podemos
concluir que os sistemas produzidos nos últimos anos não
consideraram um fator básico para um desenvolvimento racional das
criações animais: o bem estar dos animais. Atualmente, pesquisas
vem comprovando que o fator "bem estar animal " é
determinante na viabilidade técnica e econômica dos sistemas de
produção animal. A partir desta premissa básica é que
poderemos definir os modelos mais adequados para a nossa
realidade, evitando novos equívocos como foi a implantação de
sistemas super intensivos . |
|
Segundo as diretrizes
da Associação de Certificação "Instituto Biodinâmico"
( IBD ) para a criação animal e produtos de origem animal "
Em toda a criação, deverá considerar-se as necessidades do
animal em relação a espaço, movimentação, aeração,
proteção contra o excesso de luz solar direta, acesso á água e
forragem , comportamento próprio da espécie, para evitar o
estresse. Para manejo semi-confinado de bovinos, caprinos, ovinos
e suínos deve ser garantido um mínimo de 1 m2 de espaço para
cada 100b Kg de peso vivo. Para aves o espaço mínimo garantido
deve ser de 5 aves por m2, com acesso a luz solar direta e
forragem. " . Enfim, as normas de produção animal levam
em consideração o bem estar animal em primeiro lugar para
posteriormente podermos esperar um resultado produtivo compatível
com a capacidade de produção de cada espécie e cada raça.
A partir deste
princípio, é necessário a análise dos impactos da produção
animal sobre o meio ambiente, primeiramente deve considerar o
impacto sobre a paisagem natural. Também é necessário se
objetivar o menor impacto possível ao solo, a flora, a fauna e
principalmente aos recursos hídricos ( rios, fontes de água,
represas, lagos , etc. ). Um bom exemplo a ser citado é em
relação aos impactos causados pelo modelo de formação de
pastagens e seu manejo intensivo: este modelo gerou a curto prazo
diversos impactos como processos desertificação, aparecimentos
de erosões, queimadas indiscriminadas, aparecimento de novas
pragas e outros. Todos estes impactos contribuem para concluirmos
que o maior prejudicado é o ser humano e sua saúde , ou seja
além de todos os malefícios ao meio ambiente que interferem na
qualidade de vida humana, o alimento produzido por estes sistemas
é de péssima qualidade.
A respeito dos riscos
para a saúde humana originados pelo modelo convencional de
pecuária, a Revista Brasileira Agropecuária alerta : "A
pessoa humana é afetada de diversas formas pelos sistemas de
produção animal, seja na ingestão de água e alimentos
contaminados, no trabalho de aplicação de agrotóxicos ou na
exposição a ambientes insalubres. Foram constatados resíduos de
medicamentos veterinários e agrotóxicos no leite de vacas e
mulheres, com reflexos em crianças que deles se alimentaram.
Câncer e leucemia em humanos têm sido associados ao uso de
produtos químicos em animais ".
Diante destas
comprovações feitas pela comunidade científica, devemos
realmente rever os princípios básicos dos modelos de produção
animal e desenvolver novos modelos com pilares sustentáveis e que
permitam um mínimo de segurança alimentar e sanitária ao ser
humano.
Fonte: Agrosuisse
Ltda.; 2001.
Revista Agropecuária Brasileira – Ano I – n 09
Diretrizes – IBD – edição 2000.
Produção Orgânica – Carne Bovina – Manual n 258 – Centro
de Produções Técnicas. |