Fichas de Plantas Tropicais: valores nutritivo e terapêutico

FICHA NO 1-  BERTALHA

Introdução

A bertalha (Basella rubra L.) pertencente à família da baseláceas, é cultivada por suas folhas carnosas, muito consumidas no Rio de Janeiro. Por sua utilização na Índia, chama-se também de espinafre indiano.

Apresenta um longo período de produção de folhas, atravessando todo o verão. Esse fato, ao lado da rusticidade, a toma um recurso alimentar importante, rico em vitamina A, na época em que outras fontes dessa vitamina escasseiam.

As folhas refogadas ou cozidas em sopas não apresentam sabor pronunciado, lembrando o caruru-do-Pará, o ora-pro-nóbis ou o espinafre.

Paiva (1979) recomenda não se consumirem mais de 500 g/ dia, devido ao teor considerável de ácido oxálico, como ocorre com espinafre. Contudo, isso parece não ser problema em nosso meio, Lima vez que a quantidade de hortaliças folhosas usualmente consumida está muito abaixo desse limite.

SOLOS E ADUBAÇÃO
Não é exigente quanto ao tipo de solo, mas, para uma boa produção, exige adubação com esterco de curral bem curtido ou produto equivalente.
CLIMA

É planta típica de clima quente, com luz e água abundantes. Nas condições de Londrina, Paraná, não tem exigido irrigação suplementar para sustentar uma produção satisfatória. Apesar disso, em caso de veranicos longos, reduz-se sensivelmente seu crescimento.

É destruída pela geada.Como muitas espécies tropicais, sofre indução floral por dias curtos (Messiaen, 1975), o que desaconselha semeaduras tardias para a produção de folhas

VARIEDADES
No IAPAR, foram estudadas duas introduções (IAPAR PPP- 1013 e IAPAR PPP-1053), que se mostraram idênticas em fenologia e morfologia. Ambas são fortemente trepadoras, com folhas e hastes totalmente verdes e florescimento outonal. Não obstante, Messiaen (1975) registro três tipos botânicos: Brasella rubra - com hastes, pecíolos e nervuras vermelhas; B. rubra var, alba - toda verde e B. rubra var. cordifolia, - com grandes folhas em forma de coração. Menciona-se também variabilidade quanto ao hábito de crescimento e reação ao fotoperíodo. Paiva (1979) cita uma introdução da Guiana Francesa, de crescimento determinado e floração precoce nas condições de Manaus. Messiaen (1975) menciona um tipo verde, proveniente de uma empresa de sementes dos Estados Unidos, de florescimento muito precoce em dias curtos.
Contudo, os tipos usualmente encontrados no Brasil não parecem apresentar diferenças importantes quanto a esses parâmetros: são em regra, verdes, trepadores e de florescimento tardio. As considerações sobre o cultivo que seguem, pressupõem este tipo de botânico.
INSTALAÇÃO E CONDUÇÃO DA CULTURA

No IAPAR, a multiplicação tem ocorrido por sementes, embora também seja possível o enraizamento de estacas. Paiva (1979) sugere o tratamento das sementes com água a 75°C, deixando-se o material no líquido durante as 24 horas seguintes. Esse procedimento visa a abrandar o envoltório das sementes, muito lignificado, facilitando seu rompimento pelo embrião. Na cultura tutorada, semeia-se normalmente de outubro a dezembro, em solo preparado e adubado, em linhas distanciadas de 1 m com uma cova a cada 0,7 m, 4-6 sementes por cova, Quando as plantas atingirem cerca de 10cm de altura, raleia-se para 3 plantas por cova. Para culturas não tutoradas, Paiva (1979) e Messiaen (1975) propõem espaçamentos menores e colheitas freqüentes, de modo que as plantas se apóiem untas nas outras. Este método permite maior produção, mas pressupõe disponibilidade de mão-de-obra para os cortes, Neste caso, os cortes devem ser feitos antes que as hastes alcancem o comprimento de 50-60 cm, para evitar seu tombamento.

Nas hortas domésticas, no entanto, pode ser mais interessante a condução tutorada, uma vez que normalmente o rendimento da mão-de-obra tem prioridade sobre a produção biológica. Como tutores aproveitam-se cercas, galhadas secas e estruturas semelhantes.
Capina-se como usual para hortaliças.
Em caso de estiagens severas, é necessário irrigar.

COLHEITA

Colhem-se folhas isoladamente ou os 40-50 cm terminais das hastes.

PRAGAS E DOENÇAS
Exceto nematóides de galha, aos quais a bertalha é muito suscetível, não têm sido constatadas ocorrências de importância. Nas condições de Londrina, plantas atacadas por nematóides não se desenvolvem, ficando as raízes profundamente deformadas pelas galhos. Paiva (1979), em Manaus, e Messiaen (1975), em Guadalupe, também relatam a suscetibilidade a Meloidogyne.

Em Manaus, relata-se no período mais chuvoso o ataque da joaninha Epilachna paenulata Gern (Coccinellidae). que provoca perfurações nas folhas, e sério comprometimento pelo fungo Alternaria sp. (Paiva, 1979). Messiaen (1975) registro suscetibilidade a Rhizoctonia solani Kuhn. e cita Cercospora basellae e Acrothecium basellae Alvarez García na folhagem. Refere-se também a manchas, de 2 a 4 cm de diâmetro, secas, com bordos vermelhos, nas folhas de plantas velhas. Acredita que sejam de origem fisiológica. Menciona ainda danos às folhas por pequenos coleópteros do tipo Altise, semelhantes aos de Epilachna sp.

Em julho de 1987, na Estação Experimental do TAPAR em Londrina, houve ataque generalizado de manchas foliares e secamento do eixo da inflorescência. Das lesões se isolaram Alternaria e Cercospora (folhas) e Altenaria, Fusarioum e Phomopsis (eixos). Acredita-se que essa ocorrência esteja ligada ao frio, que nesse ano ocorreu precocemente. 
A despeito dos problemas mencionados, as doenças não têm sido limitantes à bertalha nas condições de Londrina. Seu registro tem o sentido de orientar a identificação de eventuais ocorrências.
PRODUÇÃO E CONSERVAÇÃO DE MATERIAL PROPAGATIVO
No outono as plantas produzem frutos negros arredondados com o, 5 a 1,0 cm de diâmetro. Os frutos maduros devem ser colhidos, secos, e acondicionados em embalagem hermética, mantida em local fresco e seco.
PREPARO DO PRODUTO
Emprega-se refogado, em sopas e alimentos infantis, da mesma forma que o espinafre.

Ficha da próxima semana: CARURU


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