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PO
- Vocês tem hoje um diagnóstico da área de produção em
Portugal e quais seriam os principais produtos nessas áreas de
produção agrícola ? |
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JC
-Os últimos dados estatísticos que temos são do ano passado: no
fim do ano de 2000, tínhamos 800 agricultores numa área de
50.000 hectares. Em termos de área representam 1,3% da área de
agricultura. Dessa área, a maior é de olival para a produção
de azeite; também temos olival para a produção de azeitona de
mesa, mas a maioria realmente é para azeite. Depois temos também
uma área razoável ( isso é um mau exemplo), de cereais, cultura
de grãos. Mas aí há uma distorção grande, muitos desses
produtores de cereais estão na agricultura biológica por causa
dos subsídios que eles recebem e não por uma expectativa de
mercado.Então o que estão fazendo? Estão deixando que os
animais comam os cereais ... e ainda por cima como agravante é
que em Portugal não se podia fazer carne biológica pois até o
ano passado, não havia legislação. Agora que passou a existir
legislação no país para a área biológica vamos estar em
condições de produzir carne, leite e ovos . |
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PO
- Falando em pecuária, o que você pode nos dizer da produção
de carne biológica leite e queijos |
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JC
- Como
não havia legislação, a qual só entrou em vigor para gado de
corte em 2001, não havia nem carne, nem leite, nem queijos, nem
mel. Depois da legislação, está havendo um grande interesse,
principalmente para na parte da carne, porque nós temos sistemas
muito próximos da agricultura biológica. Principalmente no sul
de Portugal, no centro e no interior onde o gado tem grandes
pastos. Pode-se dizer que estes animais já estão próximos da
pecuária biológica. |
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| PO
– E em relação ao controle sanitário vocês estão tendo
alguma informação ou atividade da homeopatia veterinária, da
fitoterapia veterinária? |
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J C
–Pelo fato desta área de pecuária estar atrasada em
Portugal nós não temos praticamente pessoas que dominem o
processo de pecuária biológica, de homeopatia, de fitoterapia e
etc. Havia uma pessoa , que fundou a Agrobio, mas depois foi para
o Canadá .Sabemos que ele está voltando para Portugal ,o que
será muito bom , pois além de ser agrônomo é um excelente
técnico e sabe muito de terapias alternativas .Já o convidamos
para vir fazer uns cursos na área biológica e esperamos que a
partir do ano que vem ele esteja conosco. Será uma pessoa que
irá dinamizar, ensinar outros técnicos nessas áreas, porque
esse conhecimento de fitoterapia, homeopatia para tratar os
animais nós não temos. |
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PO
- Pediria que você falasse agora um pouco do mercado, qual é a
postura do consumidor português e qual é a postura do mercado
português para os produtos biológicos. |
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JC
- Como eu
disse a pouco em termos de sensibilização dos consumidores
portugueses, o nível é baixo, está abaixo da média, ...
principalmente por causa desses escândalos alimentares, das vacas
loucas, das questões dos hormônios que injetam nos animais, dos
antibióticos, etc.; etc ... No entanto, apesar desta percentagem
baixa . Agora tem mais procura , a procura é para suprir a oferta
na área dos hortifruti, como há mais procura do que
disponibilidade de produtos, muitas vezes acabamos importando
esses produtos:como as maçãs da França, às vezes da Alemanha
ou da Bélgica. Nesses setores a demanda é superior à oferta. |
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PO
– Vocês acham que o preço do produto biológico tem que ser
mais caro ? E vai ser um preço capaz de competir com o do produto
convencional ? O que você pensa sobre isso ? |
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JC
– Acho
que ao menos nessa fase o preço dos produtos biológicos tem que
ser mais caro, primeiro devido ao custo de produção, não digo
em todas as culturas, mas na maioria das culturas é mais alto.
Depois há o custo que tem que se pagar pela certificação,
depois, devido ao fato de não haver muitos produtores, e
portanto, de os circuitos de distribuição não estarem
organizados, leva a um aumento do custo de subsídios. Isso
significa que o preço tem que chegar obrigatoriamente ao público
mais caro. A produtividade também é um pouco mais baixa. Por
isso o preço tem que ser sempre mais caro para os produtos
biológicos. Atualmente, em Portugal, às vezes há produtos que
são demasiado caros;por exemplo, alguns itens que são importados
e chegam aqui muito caros devido também à ineficiência do setor
de distribuição. Outro problema atual é vendermos poucos
produtos, a pouca produção chega ao consumidor muito caro. Mas,
sobre isso, sobre o preço, eu às vezes costumo dizer o seguinte:
não são os produtos biológicos que são demasiado caros, são
os produtos convencionais que são demasiados baratos, na
produção desses produtos não se está contabilizando os custos
ambientais que esses produtos causaram na sua produção. |
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PO
– Por que entre Brasil e Portugal não existem parcerias
comerciais como, por exemplo, com Alemanha e a França? Portugal
talvez possa ser um parceiro comercial nesta área com o Brasil e
isso não está acontecendo. Apenas ocorrem parcerias e negócios
com a França e a Alemanha, qual sua opinião a respeito? |
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JC
- Tem a ver com o desenvolvimento da agricultura biológica na
Alemanha, na Holanda e na Bélgica: nestes países a agricultura
biológica avançou há muito mais tempo, os consumidores
começaram a se interessar por produtos biológicos há muito mais
tempo; começaram a se interessar pelos produtos europeus, mas
também por outros produtos, produtos tropicais como café, cacau,
etc... pois eles tinham essa necessidade. O que se passa de fato,
em termos europeus é que os holandeses são os grandes
importadores de todo o mundo e que acabam por distribuir para os
outros países da comunidade européia, os holandeses compram tudo
... |
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PO-
Como é a estrutura interna da Agrobio hoje, quantas pessoas são
envolvidas? Vocês tem este escritório e tem mais unidades? Como
vocês estão organizados ? |
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JC
- Nós
só temos esta sede aqui em Lisboa, somos uma associação em
nível nacional, e em termos de recursos humanos esta associação
teve alguns problemas no passado... Entretanto, atualmente em
termos de técnicos temos poucos, mas estamos atualmente
trabalhando muito. ... Estamos agora numa época de viragem (
transição), a partir do ano que vem esperamos de fato dinamizar
o trabalho juntos, o que tem sido nestes últimos tempos a grande
falha da Agrobio... Agora estamos a fazer um trabalho de
lançamento ... da instituição, temos atualmente dois técnicos:
eu e o Alexandre, eu não estou a fazer, infelizmente muito
trabalho técnico, mas sim os de caráter político, burocrático
e administrativo. Temos também um técnico mais ligado com
educação ambiental em escolas, que é um trabalho que nós
também temos feito de sensibilização dos miúdos (crianças)
nas escolas (da compostagem, por exemplo) . No entanto, a partir
do ano que vem vamos requisitar vários técnicos para dar apoio
aos agricultores porque agora, a partir do ano que vem, os
agricultores que eram beneficiados para a agricultura biológica,
são obrigados a se inscreverem numa associação ... e portanto
nós vamos ter mais técnicos trabalhando no campo. |
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PO
- O Planeta Orgânico se coloca a disposição para qualquer tipo
de intercâmbio.
As possibilidades são um link com o Planeta, ou se quiserem
publicar trabalhos científicos ou divulgar eventos. |
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JC-
Quero dar
os parabéns para este site, porque eu acho que é extremamente
importante trabalharmos todos em conjunto para promoção deste
tipo de agricultura que obviamente é importantíssima para o
ambiente. Nós somos consumidores e portanto, é fundamental
contribuirmos para um desenvolvimento cada vez mais sustentável.
Portanto, estamos disponíveis de fato para colaborar dentro das
nossas possibilidades com o Planeta Orgânico, em ter que enviar
alguma informação no site, portanto vamos vendo o que se pode
fazer mais. Nós temos 600 assinantes, e tenho a certeza que
terão interesse no Planeta Orgânico. |
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Clique
aqui para a Entrevista com Rui Manuel Tadeu, Engenheiro Agrônomo, ex
presidente da Associação Portuguesa de Agricultura Biológica e
proprietário da Produtos Terra Sã – DouroFigo, Ltda.
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