| O
que acontece na colheita? |
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Quando frutas e hortaliças são colhidas pelo
homem, elas continuam vivas e suas transformações químicas
naturais não param de acontecer. Porém, separadas da planta mãe
ou do solo, elas são forçadas a utilizar suas reservas de
substrato ou de compostos orgânicos ricos em energia, como
açúcares e amido, a fim de respirar e assim produzir a energia
necessária para manterem-se vivas.
De todos os processos metabólicos que ocorrem
nas hortaliças e nas frutas, após a colheita, a respiração é o
mais importante e pode ser afetado por fatores próprios da planta
(internos) ou do ambiente (externos). |
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Analisando as partes responsáveis
pelo processo respiratório, como descritas mais acima, podemos
concluir que:
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O consumo de composto rico em energia
acarreta na perda de peso seco, valor nutritivo e aroma.
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O consumo de oxigênio do ar ajuda a dar
continuidade a respiração e, desta forma, manter a textura e o
sabor das plantas. Este fator é controlável, ou seja, reduzindo-se
o teor de oxigênio de maneira que a planta continue respirando em
nível mínimo, pode-se conservá-la por mais tempo. Porém, na
ausência do oxigênio atmosférico, a produção de energia
necessária para a vida não cessa, sendo fornecida pelo que
chamamos de fermentação. Conseqüência desse processo é a
produção de alcóois e gás carbônico que alteram o sabor e
causam colapso dos tecidos, levando à deterioração total das
frutas e hortaliças.
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A produção de gás carbônico no
ambiente onde se encontram as frutas ou hortaliças colhidas pode
elevar a concentração do mesmo no interior da planta. Quando em
quantidades superiores ao necessário para a fotossíntese, pode
chegar a níveis tóxicos, alterando o metabolismo e produzindo
álcool e toxinas. Quando controlado, a concentração de gás
carbônico atmosférico ajuda a reduzir a taxa de respiração e
contribui para a melhor conservação das plantas.
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A produção de água durante a
respiração tem pouca influência na conservação.
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A produção de energia é utilizada, em
parte, pela planta, para sua manutenção. Outra parte, porém, é
liberada para o ambiente em forma de calor. Desta forma,
justifica-se a utilização de baixas temperaturas para reduzir a
velocidade respiratória, aumentando a conservação dos produtos.
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| Produtos
climatéricos e não-climatéricos |
| Cada espécie cultivada
possui uma taxa respiratória característica, diferente da de outras
espécies. Em geral, a intensidade de respiração de produtos
imaturos é alta, diminuindo com o tempo, com o crescimento e a
frutificação das plantas. Ao início da fase de maturação, a taxa
respiratória volta a aumentar em algumas espécies. A perecibilidade
e o envelhecimento das hortaliças e frutas são proporcionais ao tipo
e à intensidade de respiração de cada espécie. Daí surge a
classificação de produtos climatéricos e não-climatéricos. |
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Produtos climatéricos
são aqueles que, logo após o início da maturação, apresentam
rápido aumento na intensidade respiratória, ou seja, as reações
relacionadas com o amadurecimento e envelhecimento ocorrem rapidamente
e com grande demanda de energia, responsável pela alta taxa
respiratória.
Exemplos de frutas e hortaliças climatéricas são
a banana, goiaba, manga, mamão, caqui, melancia e tomate.
A fim de retardar a maturação e o envelhecimento
e aumentar o período de conservação, frutas e hortaliças
climatéricas costumam ser colhidas ainda verdes, à partir do momento
em que atingem o ponto de maturação. Em seguida são armazenadas em
condições controladas. |
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Banana,
manga e tomate são
produtos climatéricas |
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Uva,
laranja e abacaxi são
produtos não-climatéricos |
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Produtos não-climatéricos
são aqueles que necessitam de longo período para completar o
processo de amadurecimento, mais lento nesses produtos. A energia
fornecida se mantém em constante declínio durante todo processo de
envelhecimento.
Exemplos de frutas e hortaliças não-climatéricas
são a laranja, tangerina, uva, berinjela, pimenta, alface,
couve-flor, o pepino, limão e o abacaxi.
Produtos não-climatéricos são deixados na planta
até atingirem seu estágio ótimo de amadurecimento, quando são
colhidos. |
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| Fatores
internos (relativos à planta) de conservação pós-colheita |
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O principal fator de influência, intrínseco da
planta, fruta ou hortaliça, é a respiração. Além da espécie
de produto e do tipo de tecido (jovem ou velho),
mencionados acima, existem outros fatores capazes de influenciar a
intensidade de respiração de uma fruta ou hortaliça. Assim,
produtos com maior conteúdo de água em sua composição
respiram mais e se conservam por menos tempo.
A produção de etileno, um hormônio de
maturação e envelhecimento de vegetais, ocorre naturalmente durante
a fase de amadurecimento dos frutos, principalmente dos climatéricos.
O gás etileno também é utilizado pelo homem quando se deseja
estimular o amadurecimento de frutos como a banana, o mamão, entre
outros.
Outro processo natural que se pode observar em
produtos de todas as idades é a transpiração. Frutas e
hortaliças possuem de 85 a 95% de água em seus tecidos e
aproximadamente 100% em seus espaços intercelulares. Como no meio
ambiente a umidade relativa atinge o valor de cerca de 80%, a água
passa da maior concentração nas plantas para a menor concentração
no meio ambiente. Isso se dá através da transpiração, a qual,
quando em excesso, pode modificar a aparência dos produtos
tornando-os enrugados e opacos. Nesse caso, a textura apresenta-se
mole, flácida e murcha, e o peso pode diminuir em até 10% do peso
inicial. Quanto maior a superfície exposta do produto, maior é a sua
taxa de transpiração. Pêlos retardam a perda de água e baixas
temperaturas fazem com que estômatos (pequenas aberturas na
superfície de algumas hortaliças) se fechem, diminuindo a
transpiração. Após a colheita, porém, se abertos, os estômatos
não conseguem mais se fechar.
Desta forma pode-se concluir que fatores como
aumento da temperatura ambiente ou da ventilação de ar não-saturado
de umidade, provocam maior transpiração.
Por ser um processo físico, o controle da
transpiração em frutas e hortaliças é considerado relativamente
fácil, se respeitadas as condições. |
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| Fatores
externos (ou ambientais) de conservação pós-colheita |
| Temperatura |
| Luz |
| Umidade relativa do ar.... |
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