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O
que é melhor curar? A febre ou a doença que a provoca? Responder a
essa pergunta significa optar pelo tratamento do efeito (a febre) ou da
causa (doença) de um determinado problema. Assim como no corpo humano
habita uma série de microorganismos que coexistem pacificamente conosco,
na lavoura esses organismos também se encontram no solo, nas plantas e
nos organismos dos animais. Só quando o corpo e a agricultura se tornam
fracos e desequilibrados em seu metabolismo, é que esses organismos
oportunistas atacam, tornando-se um problema. Isso significa que a
origem do problema não é a existência desses organismos, mas o
desequilíbrio presente ou no corpo humano ou no ambiente agrícola.
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Na
agricultura convencional, as práticas de campo se direcionam para o
efeito do desequilíbrio ecológico existente. Este desequilíbrio
gera a reprodução exagerada de insetos, fungos, ácaros e
bactérias, que acabam se tornando "pragas e doenças" das
lavouras e das criações de animais. Aplicam-se agrotóxicos nas
culturas, injetam-se antibióticos e outros remédios nos animais
buscando exterminar esses organismos. Contudo, o desequilíbrio quer
seja no metabolismo de plantas e animais, quer seja na
constituição físico-química e biológica do solo permanece. E
permanecendo a causa, os efeitos (pragas e doenças) cedo ou tarde
reaparecerão, exigindo maiores frequências de aplicação ou
maiores doses de agrotóxicos num verdadeiro "círculo
vicioso". |
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Na
agricultura orgânica, por sua vez, trabalha-se no sentido de
estabelecer o equilíbrio ecológico em todo o sistema. Parte-se
da melhoria das condições do solo, que é a base da boa
nutrição das plantas que, bem nutridas, não adoecerão com
facilidade, podendo resistir melhor a algum ataque eventual de
um organismo prejudicial. Cabe destacar o termo
"eventual" porque num sistema equilibrado, não é
comum a reprodução exagerada de organismos prejudiciais, visto
que existem no ambiente inimigos naturais, que naturalmente
irão controlar a população de pragas e doenças.
Desta forma, partindo da prevenção e do ataque às causas
geradoras de desequilíbrio metabólico em plantas e animais, os
métodos agroecológicos de manejo de tais organismos se tornam
bem sucedidos à medida em que encaram uma propriedade do mesmo
modo que um médico deveria olhar para uma pessoa: como um
"organismo", uma individualidade única e repleta de
interações dinâmicas e em constante mudança. |
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| Diferença
entre o Manejo Integrado de Pragas (MIP) e os Métodos
Agroecológicos |
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| O
Manejo Integrado de Pragas (conhecido como MIP), constitui um
plano de medidas voltadas para diminuir o uso de agrotóxicos na
produção convencional, buscando otimizar o uso desses produtos
no sistema. O princípio da agricultura convencional de atacar
apenas os efeitos, permanece à medida em que todas as práticas
se voltam para o controle de pragas e doenças e não para o
equilíbrio ecológico do sistema. Contudo, existe uma
preocupação em se utilizar agrotóxicos apenas quando a
população desses organismos atingir um nível de dano econômico
(em que as perdas de produção gerem prejuízos econômicos
significativos), diminuindo a contaminação do ambiente com tais
produtos. |
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| Já
os métodos agroecológicos buscam aplicar o princípio da
prevenção, fortalecendo o solo e as plantas através da
promoção do equilíbrio ecológico em todo o ambiente.Seguindo
essa lógica, o controle agroecológico de insetos, fungos,
ácaros, bactérias e viroses é realizado com medidas preventivas
tais como: |
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Plantio
em épocas corretas e com variedades adaptadas ao clima e ao solo
da região. |
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Consorciação
de culturas |
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Fazer
uso da adubação orgânica. |
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Rotação
de culturas e adubação verde. |
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Cobertura
morta e plantio direto. |
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Plantio
de variedades e espécies resistentes às pragas e doenças. |
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Consorciação
de culturas e manejo seletivo do mato. |
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Evitar
erosão do solo. |
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Fazer
uso de adubos minerais pouco solúveis admitidos pela Instrução
Normativa. |
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Uso de
plantas que atuem como "quebra ventos" ou como
"faixas protetoras". |
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Nutrição
equilibrada das plantas com macronutrientes e micronutrientes. |
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Conservação
dos fragmentos florestais existentes na região. |
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| Entretanto,
cabe ressaltar que algumas das estratégias usadas no Manejo
Integrado de Pragas, que visa a diminuição do uso de
agrotóxicos nas lavouras, podem ser adotadas pelos produtores
orgânicos. Vejamos, a seguir, tais estratégias com mais
detalhes: |
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Estratégias
para o Manejo Agroecológico de Pragas e Doenças |
1
- Reconhecimento das pragas-chave da cultura:
Consiste em identificar qual o organismo que causa maior dano à
cultura. Por exemplo, no caso do algodão, o bicudo constitui o
inseto mais importante no elenco de organismos que prejudicam a
cultura. Na cultura da banana os principais organismos são
fungos, responsáveis pelo "Mal de Sigatoka" e pelo
"Mal do Panamá"
Conhecer a praga-chave de cada cultura ajudará o agricultor a
adotar práticas que incentivem a reprodução de seus principais
inimigos naturais, ou que criem condições ambientais
desfavoráveis à multiplicação do organismo indesejável |

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2 - Reconhecimento
dos inimigos naturais da cultura:
Diversos insetos, fungos e bactérias podem atuar beneficamente
como agentes de controle biológico das principais pragas e
doenças e, o que é melhor, de forma gratuita na medida em que
ocorrem naturalmente no ambiente. Conhecer as principais espécies
e favorecê-las através de diversas práticas (manejo do mato
nativo, adubação orgânica, preservação de fragmentos
florestais, entre outros), é uma estratégia fundamental para o
sucesso do controle de pragas e doenças na agricultura
agroecológica. |
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3 - Amostragem da
população dos organismos prejudiciais:
Monitorar a presença das pragas através da contagem de ovos,
largas e organismos adultos (no caso de insetos), ou da vistoria
das plantas (% de dano em caso de doenças fúngicas ou
bacterianas), é uma atividade obrigatória para que o produtor
saiba quando agir e o faça de modo a promover o equilíbrio
ecológico de todo o sistema de produção. |
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Leite de
vaca cru controla doença da abobrinha |
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Literatura Consultada:
"Introdução à Agricultura Orgânica: Normas e Técnicas de
Cultivo", Sílvio Roberto Penteado, Campinas: Editora Grafilmagem,
2000.
"Manual de Alternativas Ecológicas para Prevenção e Controle da
Pragas e Doenças", Ines Claudete Burg & Paulo Henrique Mayer
(organizadores), Paraná: Assessoar, 1999. 7a edição.
"Cultivo Orgânico de Hortaliças: Sistema de Produção",
Luiz Jacimar de Sousa, Viçosa: Centro de Produções Técnicas, 1999. |
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