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| 1. Histórico do mercado ambiental mundial | ||||||||
| A atividade humana vem influindo no meio ambiente desde a Antiguidade. Nas últimas décadas, arqueólogos encontraram cada vez mais indícios de que diversas cidades da mesoamérica pré-colombiana foram abandonadas, devido à exaustão dos recursos hídricos, provocada pelo desflorestamento da região. Hoje, sabe-se que grande parte das regiões costeiras do Mar Egeu foram cobertas por pinheiros e carvalhos, cortados para construção de embarcações para a frota da antiga Grécia. A destruição dos ambientes naturais ocorre ao longo de toda a história, passando pelo avanço da fronteira agrícola durante a Idade Média européia, pela extração de madeiras na América e especiarias na Ásia, até a ocupação e fixação humana em regiões pantanosas devido às guerras, como no caso de Veneza. | ||||||||
| Com o desenvolvimento da máquina a vapor no final do século XVIII, com aplicações na indústria têxtil, na mineração e no transporte em geral e utilizando-se do carvão mineral como principal fonte energética, o impacto ao meio ambiente passou a aumentar exponencialmente. Iniciada na cidade de Manchester, e a princípio restrita à Inglaterra, a mecanização das atividades industriais e de transporte rapidamente se estendeu ao continente europeu. Em poucos anos a França e a Alemanha passam a dominar e desenvolver diversas tecnologias, baseadas na utilização do carvão mineral, bastante abundante e de fácil extração na região. | ||||||||
| Associada a industrialização, ocorre o fenômeno da migração de grandes massas humanas do campo para a cidade. Procurando melhores oportunidades de vida, milhares de camponeses e trabalhadores sem especialização deixam o campo e as pequenas cidades, para migrar para as cidades maiores, onde esperavam encontrar trabalho nas industrias. A vida na cidade era, todavia, pior do que a que deixaram para trás no campo. Charles Dickens, escritor inglês que melhor retratou estes aspectos da sociedade inglesa durante o século XIX, descreve a vida destes operários; homens, mulheres e crianças, submetidos a jornadas de trabalho de até 16 horas, ganhando salários baixíssimos e vivendo em péssimas condições de higiene e conforto. O acúmulo de indústrias, moradias – na realidade imensos cortiços – e de outras atividades em um pequeno espaço, queimando carvão para diversos fins (acionamento de máquinas, aquecimento, cozimento de alimentos), gerava muita fumaça, provocando diversas doenças respiratórias. Este, porém, não era o único problema ambiental urbano à época; havia a contaminação da água, já que inexistiam sistemas de coleta e tratamento de esgotos. O economista Barrington Moore Jr., em seu livro “Aspectos morais do crescimento econômico” relata que surtos de cólera mataram centenas de pessoas na década de 60 do século XIX, em Londres. Isto fez com que a prefeitura se convencesse da necessidade de construir um sistema de coleta e tratamento desses resíduos. “A partir daí, as famílias puderam instalar banheiros em suas residências e diminuíram os casos de cólera”, relata o autor. No decorrer da segunda metade do século XIX e início do século XX, todas as grandes aglomerações urbanas da Europa Ocidental passaram a coletar e a tratar os esgotos domésticos. Surtos de cólera, como, por exemplo, os ocorridos nos últimos anos do século XIX na cidade de Hamburgo, tornaram-se cada vez mais raros. | ||||||||
| Com o desenvolvimento tecnológico, o século XX trazia novos problemas ambientas: a poluição provocada pelas emissões atmosféricas, resíduos e efluentes industriais. Na publicação “Meio Ambiente Acidentes, Lições e Soluções”, escrita pelos engenheiros Cyro E. do Valle e Henrique Lage, são listados, entre outros fatos, alguns dos principais acidentes ambientais ocorridos no século XX: | ||||||||
1914 / 1918 – Gases tóxicos na guerra que matam cerca de 100.000 pessoas1928 – Acidente com gás fosgênio mata dez pessoas e fere 150 em Hamburgo1930 – Uma ocorrência de smog próximo a Liége causa cem vítimas fatais1932 – Indústria química em Minamata (Japão) passa a lançar mercúrio no mar1951 – Indústria do estado de Ohio lança 200 t de poeira radioativa na atmosfera1952 –
Mercúrio lançado ao mar em Minamata começa a fazer vítimas fatais
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A lista apresentada
pelos autores é bastante extensa, mostrando que os impactos provocados
pelas indústrias – ainda sem efetivo controle ambiental de suas atividades
– foram bastante danosos. A mobilização da sociedade, criando uma
estrutura legal para regulamentar as atividades industriais, ainda não
havia ocorrido. Após a Segunda Grande Guerra diversas regiões do globo, notadamente os Estados Unidos, a Europa e o Japão (estes dois últimos com recursos do Plano Marshall) apresentam um crescimento de suas atividades econômicas, sem precedentes. Aumenta a atividade industrial e com ela o fluxo mundial de matérias primas, fontes energéticas (principalmente petróleo) e produtos acabados. Paralelamente, inicia-se a “Revolução Verde” na agricultura, baseada na mecanização das atividades e no uso maciço de fertilizantes e agrotóxicos, a fim de aumentar as safras agrícolas. Neste contexto, o meio ambiente recebe cargas cumulativas de resíduos e efluentes, já que a maioria dos países não dispunham de leis ambientais abrangentes e específicas. No entanto, fatos novos começam a mudar este panorama. Em 1962 a bióloga norte-americana Rachel Carson publica o livro Primavera Silenciosa, que analisa o efeito dos inseticidas no meio ambiente. Pouco depois, em 1968, é criado o Clube de Roma, formado por cientistas dedicados a estudar a degradação da natureza, provocada pelas diversas atividades humanas. O Clube de Roma fez, baseado em estudo da época, diversas previsões catastrofistas, que não acabaram se concretizando. Todavia, parte de suas atividades serviu de alerta para muitos governos e instituições, sobre os rumos que o sistema de produção estava tomando. No aspecto social, surgem nos Estados Unidos e na Europa diversos movimentos, com diferentes orientações ideológicas, que colocam em questão o sistema econômico e a organização social vigente, ambos baseados em grande parte no chamado American way of life (modo de vida americano), cuja grande ênfase estava no aumento do consumo e da produção. Alguns anos depois, muitos remanescentes destes grupos vieram a constituir as primeiras ONG's (Organizações Não-Governamentais) atuando no setor ambiental, como a Greenpeace e a Worldwatch Institute, entre outras. |
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| A década das grandes mudanças no setor ambiental foi a de 1970. Além da realização de diversas convenções internacionais, que iriam estabelecer as bases para a regulamentação de diversas atividades (transporte marítimo de produtos perigosos, proteção às espécies ameaçadas, entre outras), foram criados órgãos ambientais e estabelecidas legislações sobre resíduos, nos países industrializados. A legislação e as normas técnicas ambientais destes países tornam-se cada vez mais restritivas, forçando a indústria a implementar procedimentos que reduzissem a geração de resíduos, efluentes e emissões, passando assim a um melhor aproveitamento dos seus recursos. O responsible care iniciado pela indústria química, é um exemplo de tais iniciativas. Na Alemanha, por exemplo, a partir da década de 1970, a água de refrigeração empregada pela indústria passou a ser utilizada pelo menos por três vezes, antes de ser descartada. A indústria química deste mesmo país reduziu suas necessidades de energia por unidade produzida em um terço (conforme From Ideas to Action – Business and Sustainable Development, Jan-Olaf Wollums e Ulrich Goluke). | ||||||||
| Por outro lado, o gradual desenvolvimento da performance ambiental dos países desenvolvidos, acaba conduzindo à visão de que ”são os países ricos que estão mais preocupados com os efeitos da continuidade das agressões ao meio ambiente, criando um numero maior de leis de proteção ambiental do que nos países pobres. Os países ricos reclamam de estarem em desvantagem com relação aos menores custos de produção em países menos favorecidos, onde as leis ambientais são pouco rígidas ou nem mesmo existem (conforme O Marketing das Nações, Philip Kotler e outros)".A melhoria da legislação e do controle ambiental, associados ao aumento da conscientização dos consumidores, propiciou condições favoráveis para o surgimento de uma indústria ambiental nos países desenvolvidos, ainda na década de 1970. Na Europa, a Alemanha foi o país que mais rapidamente se destacou neste mercado. Dispondo de uma legislação bastante elaborada e de capitais públicos e privados, suficientes para executar os investimentos ambientais, a economia do país permitiu que se formasse todo um setor ambiental, constituído em grande parte pelo Mittelstand, as empresas de porte médio, que foram as grandes impulsionadoras da recuperação econômica alemã do pós-guerra | ||||||||
| O mercado ambiental mundial movimenta atualmente cerca de U$ 550 bilhões por ano, em serviços e equipamentos. Os países que lideram este mercado são os Estados Unidos, a Alemanha e o Japão, cada um detendo cerca de 20% do mercado mundial. Outros atores importantes neste mercado são a França, Inglaterra e a Itália. A exemplo do que ocorre na Alemanha, o mercado mundial de meio ambiente é dominado pelas pequenas e médias empresas, atuando em seus nichos de mercado, com alto nível de especialização, já que o segmento é bastante diversificado em termo de atividades e requer soluções altamente técnicas. A exceção a esta regra é o mercado de saneamento básico (tratamento de água e esgoto doméstico) onde, devido à privatização dos serviços em alguns países, aliados aos valores de investimento envolvidos, atuam os grandes grupos econômicos do setor, principalmente de origem francesa (como a Cie. Suez e a Cie. Générale des Eaux). | ||||||||
| 2. Histórico do mercado ambiental brasileiro | ||||||||
| No Brasil, as primeiras indústrias surgiram no final do século XIX, com o aparecimento de tecelagens e metalúrgicas. Durante o início do século XX o numero de indústrias cresceu, principalmente no Rio de Janeiro e São Paulo. Ao final dos anos 1930 o país já possuía um parque industrial capaz de atender as necessidades básicas do mercado consumidor interno. A industrialização inicia-se efetivamente, porém, a partir da década de 1950, quando o país já dispõe de uma pequena indústria de base, estruturada de modo a sustentar o crescimento de outros setores. A começar pela indústria automobilística e seus fornecedores, seguiu-se toda uma cadeia produtiva de metalurgia, produção de maquinas e equipamentos. Aliado a estes setores, ocorre a expansão da infra-estrutura (transportes e geração de energia) e a construção das primeiras refinarias, base do desenvolvimento da indústria petroquímica na década seguinte. Ainda durante este período, o governo de Juscelino Kubitschek institui o plano de metas, cujos principais objetivos eram: combate ao subdesenvolvimento via industrialização, diversificação da estrutura produtiva, reforma agrária, distribuição de renda, planejamento econômico e reforma administrativa fiscal. Concede-se às multinacionais prazos de isenção fiscal, terrenos, infra-estrutura, crédito oficial. Muitas delas se instalam com menos de 20% de investimento efetivo de capitais. Ocorre assim forte fluxo de capitais, sobretudo dos EUA, da Alemanha, do Japão e da França. O PIB (Produto Interno Bruto) cresce em média 7% ao ano, contra 5,2% no período 1945-1955. A produção industrial aumenta 80% em 1955-61, a siderurgia 100%, a indústria mecânica 125%, a elétrica e de comunicações 300% e o recordista setor de transportes cresce 600% (conforme Atlas Histórico IstoÉ Brasil 2003). | ||||||||
| Paralelamente ao processo de industrialização também ocorrem grandes mudanças no campo, a partir da década de 1960. A incorporação de uma maior extensão de terras agricultáveis, através da expansão da fronteira agrícola em Estados como Paraná, Goiás e Mato Grosso, provoca uma demanda maior por equipamentos e insumos agrícolas, iniciando o processo de mecanização do campo. Este fato, aliado à grande oferta de empregos nos centros urbanos, inicia um processo de êxodo rural que se estenderá por cerca de duas décadas (1960-1980) e que deslocará cerca de 30 milhões de pessoas do campo para as cidades. No início dos anos 1950 aproximadamente 70% da população brasileira ainda vivia no campo e 30% nas cidades. Apenas trinta anos depois, esta proporção havia se invertido. É preciso não subestimar o impacto que estas migrações causaram nas grandes metrópoles brasileiras, já que os investimentos na expansão da infra-estrutura não foram suficientes para atender a crescente demanda por serviços públicos, vindo a provocar o colapso da qualidade de vida nas grandes regiões metropolitanas.Durante este período da história do país, chamado de “milagre econômico”, a questão da degradação ambiental não era discutida. O governo da época – a ditadura militar – estava mais interessado em aumentar a produção industrial e na ocupação de terras virgens (como no caso da construção da rodovia Transamazônica), do que na proteção dos recursos naturais. Em conseqüência desta orientação, inexistia praticamente uma legislação ambiental, não haviam órgãos de controle ambiental e a ação de ONG's era fortemente cerceada. A opinião pública não tinha acesso a informações e desta forma desconhecia a degradação ambiental em andamento. | ||||||||
| Aproveitando a completa ausência de controle ambiental, o setor privado – nacional e estrangeiro – também não realizava quaisquer investimentos para atenuar o impacto de suas atividades industriais. O setor público, principalmente os governos estaduais e municipais, sempre priorizaram o fornecimento de água potável, já que tais investimentos eram imediatamente percebidos pela população, geravam receita e tinham um custo de instalação menor do que o tratamento de esgotos domésticos. Quanto aos resíduos domésticos ou indústrias, não havia legislação específica ou diretrizes técnicas, e desta maneira eram destinados a valas ou “lixões”, sem qualquer tipo de proteção do solo. No final da década de 1970, a situação econômica mundial e do Brasil sofrem uma grande mudança. Os capitais de investimento, ainda bastante fartos no mercado mundial antes da segunda crise do petróleo (1979), tornaram-se escassos. Os países redirecionam seus investimentos, há uma retração geral dos mercados e a economia brasileira deixa de crescer nos níveis médios de 5% ao ano, registrados durante os últimos 15 anos (1964-1979). No quadro político interno tem início o processo de redemocratização, que culmina com as eleições presidenciais em 1989. Com relação ao meio ambiente, em meados da década de 1970 já se esboça um maior controle, através da criação de leis mais específicas e do surgimento dos órgãos de controle ambiental. Esta preocupação, mesmo que ainda incipiente, culmina na Constituinte em 1988, quando é votada a nova Constituição do Brasil, contendo diversos artigos versando especificamente sobre a proteção ao meio ambiente. | ||||||||
| A abertura da economia brasileira no início da década de 1990 também trouxe benefícios ambientais. As empresas brasileiras tiveram que melhorar sua produtividade para poder enfrentar a concorrência dos produtos importados. O aumento da produtividade também implicava um melhor uso das energias e insumos, reduzindo, desta forma, os resíduos perdidos na produção. Empresas exportadoras também foram pressionadas por seus compradores estrangeiros a implementar sistemas de produção mais limpos, já que os consumidores dos países ricos preferiam produtos fabricados por processos ambientalmente corretos. Com mais informações disponíveis, os consumidores e a opinião publica brasileiros passaram a exigir melhores produtos e condições de vida, com qualidade ambiental. O numero de ONG's também aumenta rapidamente, atuando em diversos segmentos, desde programas sociais que envolvem iniciativas de reciclagem de materiais, ações populares exigindo o tratamento do esgoto doméstico, até movimentos por moradias e reforma agrária. Os conceitos de “desenvolvimento sustentável” e “tecnologias limpas” – discutidos durante o Encontro Internacional sobre Meio Ambiente realizado no Rio de Janeiro em 1992 (ECO 92) – passaram a ser gradualmente incorporados às estratégias das grandes empresas brasileiras e estrangeiras e a muitos setores do governo federal. | ||||||||
| 3. O mercado ambiental brasileiro | ||||||||
| O mercado ambiental brasileiro movimentou cerca de U$ 2,9 bilhões em 2002, referentes à prestação de serviços e venda de equipamentos, incluindo os setores público e privado. Estes valores só se referem a projetos novos e não incluem obras de manutenção, difíceis de serem estimadas, já que não existem estatísticas sobre este setor no Brasil. Aproximadamente 30% deste valor (US$ 900 milhões) foram importados, dos quais cerca de 15% da Alemanha (US$ 135 milhões). Os maiores fornecedores de tecnologia ambiental ao Brasil foram a França, os Estados Unidos, a Alemanha, a Itália e a Espanha. Especialistas do setor estimam que o mercado ambiental brasileiro deverá crescer cerca de 4% ao ano, durante os próximos 5 anos. | ||||||||
| A indústria ambiental brasileira surgiu durante os anos de 1950, como resposta a demanda que se iniciava no setor publico (prefeituras) e privado, principalmente na área de tratamento de água e efluentes. Os poucos fabricantes de equipamento que existiam no mercado ainda não estavam especializados e forneciam equipamentos para processos industriais, assim como para o tratamento de água e efluentes. A demanda existente no mercado ainda era muito pequena e deste modo não existia a especialização. Equipamentos não disponíveis eram importados ou fabricados por empresas já atuando no setor, dependendo do volume da demanda. O desenvolvimento desta indústria ocorreu em grande parte devido às necessidades específicas cada vez mais crescentes da indústria, apesar de o setor publico sempre ter sido o maior comprador de equipamentos neste segmento. O mercado da indústria de saneamento tomou impulso a partir da década de 1970, quando o governo federal instituiu o PLANASA (Plano Nacional de Saneamento), criando as companhias estaduais de saneamento. Estas companhias receberam as concessões das prefeituras, para assumir os serviços de tratamento de água e de esgoto das cidades. Deste modo, as companhias estaduais de saneamento acabaram por centralizar estes serviços, tornando-se importantes interlocutores para as empresas privadas, fabricantes de equipamentos e consultorias fornecedoras de serviços especializados. Atualmente existem 27 companhias estaduais de saneamento, atendendo cerca de 3.800 municípios. Os 1.700 municípios restantes possuem serviços de tratamento de água e esgotos autônomos. | ||||||||
| O mercado de serviços e equipamentos para tratamento de água e efluentes domésticos e industriais foi estimado pelo Departamento de Meio Ambiente da Câmara Brasil-Alemanha em US$ 1,52 bilhões em 2001, dos quais cerca de US$ 228 milhões (aproximadamente 15%) foram importados. A previsão de crescimento deste mercado é de cerca de 4% ao ano, durante os próximos 5 anos. O desenvolvimento deste setor depende em grande parte de recursos públicos, já que iniciativas dos governos federais, estaduais e municipais são responsáveis por quase 70% do volume de investimentos deste mercado. A demanda do mercado é suprida por fabricantes estabelecidos no Brasil; empresas de capital nacional ou multinacional. Como o mercado de equipamentos de saneamento estava fechado às importações até 1990, desenvolveu-se internamente uma forte base industrial, capaz de suprir a maior parte das demandas de equipamentos e serviços do setor. Existem nichos de mercado, como instrumentação de controle e monitoramento, análise e automatização, que ainda não são supridos pela indústria nacional em sua totalidade. Estas tecnologias são supridas por importações, realizadas através de representantes brasileiros de fabricantes estrangeiros. | ||||||||
| O mercado para as tecnologias para gerenciamento de resíduos desenvolveu-se em época posterior ao do das tecnologias de tratamento de água e de efluentes. A maior parte da legislação relacionada com o transporte, manuseio, recuperação e destinação final de resíduos só foi desenvolvida durante a década de 1980. Por outro lado, o transporte e a disposição dos resíduos domésticos são de responsabilidade das prefeituras, que estão em situação deficitária em sua maioria, impossibilitadas de realizarem novos investimentos. Para dar uma destinação correta a seus resíduos, as empresas privadas se utilizam em principalmente da oferta de serviços e equipamentos já existente no mercado nacional. Segundo estimativas do Departamento de Meio Ambiente da Câmara Brasil-Alemanha. O mercado brasileiro de gerenciamento de resíduos – domésticos e industriais – movimentou cerca de US$ 1,14 bilhões em 2001, dos quais cerca de 60% referentes a investimentos privados e aproximadamente 40% gerados pelo setor público. A previsão de crescimento deste mercado é de cerca de 5% ao ano, durante os próximos 5 anos. Tecnologias importadas representaram 25% do mercado (cerca de US$ 287 milhões) e os maiores fornecedores foram a França (25%), os Estados Unidos (20%), a Alemanha (15%) e Canadá (12%). Outros fornecedores importantes foram Espanha, Itália e a Inglaterra.A exemplo do mercado de saneamento, o setor de gerenciamento de resíduos é dominado por empresas brasileiras, principalmente quanto aos equipamentos. Existem algumas empresas de consultoria atuando em associação com empresas estrangeiras, mas sua quantidade ainda é muito diminuta em relação ao potencial do mercado. | ||||||||
| 4. A contribuição alemã | ||||||||
| A contribuição alemã ao setor ambiental brasileiro pode ser dividida em 3 principais segmentos: | ||||||||
| a) A cooperação entre os governos | ||||||||
| b) A cooperação no setor privado | ||||||||
| c) A cooperação acadêmica | ||||||||
| a) A cooperação entre governos | ||||||||
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| Projeto de controle de resíduos de formulações de defensivos agrícolas, em colaboração com a Companhia Estadual de Tecnologia de Saneamento Ambiental (CETESB), a agência de controle ambiental do Estado de São Paulo; | ||||||||
| Projeto de monitoramento ambiental na Baía de Sepetiba e no Médio Paraíba do Sul, em colaboração com a Fundação Estadual de Engenharia de Meio Ambiente (FEEMA), a agência ambiental do Estado do Rio de Janeiro; | ||||||||
| Gerenciamento da qualidade dos recursos hídricos na região de Vitória, atuando com a Secretaria do Estado para Assuntos do Meio Ambiente (SEAMA), do Espírito Santo; | ||||||||
| Projeto de gerenciamento de resíduos no Rio Grande do Sul, projetos de monitoramento da qualidade da água no Paraná e de controle de emissões, em Pernambuco. | ||||||||
| Outro projeto de grande destaque na cooperação entre os dois países é o projeto de cooperação financeira conhecido como Projeto de Preservação da mata Atlântica, iniciado em 1995 entre a Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo e o KfW (Kreditanstalt für Wiederaufbau – banco de fomento da Alemanha) com fundos do BMZ (Ministério Federal da Cooperação Econômica e Desenvolvimento). O banco de fomento KfW também financiou diversos projetos de meio ambiente, principalmente relacionados a saneamento básico e gerenciamento de resíduos, localizados em sua maioria na região Norte/Nordeste. Também foram implementados projetos de cooperação no domínio da pesquisa científica e desenvolvimento tecnológico. Trata-se de 35 diferentes projetos, nas áreas de meio ambiente e abordando os seguintes temas: tratamento de água e esgoto, limpeza do ar e recuperação de solos, saneamento de edificações, aproveitamento de resíduos, reciclagem de efluentes, etc. Dentro do escopo deste projeto foi assinado um acordo de cooperação entre a Petrobrás e vários institutos de pesquisa da Alemanha, visando o desenvolvimento de sub-projetos voltados para necessidades específicas. | ||||||||
| Através do Ministério da Educação Ciência Pesquisa e Tecnologia (BMBF) da Alemanha, foram financiados os seguintes projetos: | ||||||||
| WAVES, que se ocupa da disponibilidade de recursos hídricos, mudança no uso do solo, e monitoramento do clima, sob variações climáticas globais; | ||||||||
| MADAM, que tem como escopo o estudo de um manguezal na região do estuário do Rio Amazonas; | ||||||||
| TEXTIL, concluído em 1998 e envolvendo empresas do setor têxtil no Brasil; | ||||||||
| Couro, cujo objetivo é desenvolver tecnologias limpas para a indústria do couro. | ||||||||
| A Alemanha também é o maior contribuinte no programa PPG-7, criado para promover a proteção da floresta amazônica e da mata atlântica. No início de 2002 o governo alemão transferiu cerca de € 63 milhões ao Ministério do Meio Ambiente do Brasil, destinados ao fundo de financiamento deste projeto. | ||||||||
| Além dos programas federais, ainda existem diversos programas de cooperação entre Estados alemães e brasileiros. O Estado da Baviera, por exemplo, tem um programa de cooperação com a Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, visando apoiar pesquisas e estudos relacionados com o aqüífero do Guarani, localizado no Sudeste do Brasil e englobando outros países da América do Sul. | ||||||||
| b) Cooperação no setor privado | ||||||||
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As cooperações no
setor privado realizam-se em várias frentes, desde a vinda de delegações
técnicas alemãs ao Brasil, até a visita de delegações de empresas
brasileiras à Alemanha. Nesta área destacam-se as atividades do Sindicato
dos Empregadores Privados da Baviera, que anualmente financia a ida de uma
delegação de empresários brasileiros da região Sudeste e outra da região
Nordeste para a Alemanha, visando a troca de experiências e o
estabelecimento de parcerias comerciais. Na área de cooperação privada a Câmara Brasil-Alemanha também tem um papel importante, já que é a única câmara de comércio estabelecida no Brasil a dispor de um Departamento de Meio Ambiente, empenhado a promover a cooperação comercial institucional e acadêmica entre os dois países. Para fomentar este intercâmbio, o departamento já lançou quatro publicações sobre o setor ambiental brasileiro e sobre a atuação dos associados da Câmara Brasil-Alemanha neste setor. Visando promover tecnologias sustentáveis organizou, em colaboração com o Departamento de Feiras da Câmara Brasil-Alemanha, um simpósio internacional sobre energias renováveis. Atenta aos novos temas do mercado ambiental, a Câmara Brasil-Alemanha coordena o Comitê Inter-Câmaras de Comércio de Carbono (CARBONTRADE), que vem discutindo o tema do comércio de carbono e do Protocolo de Kyoto. No mercado ambiental brasileiro atuam diversas empresas de capital alemão, algumas recentemente estabelecidas. Em sua maioria são empresas de consultoria, atuando no setor de gerenciamento de resíduos (domésticos e industriais) e na descontaminação de solos. |
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| c) Cooperação no setor acadêmico | ||||||||
| A cooperação entre a Alemanha e o Brasil no setor acadêmico já ocorre desde 1950, quando o DAAD (Serviço de Intercâmbio Acadêmico Alemão) reabriu seu escritório no Brasil. Os grandes parceiros do DAAD no Brasil são o CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), o CNPq (Conselho Nacional de De4senvolvimento Científico e Tecnológico) e as agencias de financiamento, principalmente do Estado de São Paulo, Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro. O DAAD promove cursos na Alemanha para estudantes em nível de pós-graduação, professores e pesquisadores brasileiros. Somente no ano de 2002 participaram 741 bolsistas brasileiros destes programas, realizando cursos de aperfeiçoamento e pesquisas nas áreas de: ciências naturais e humanas, engenharia, ciências biológicas e agrárias e ciências humanas e sociais. Nos últimos 10 anos, cerca de 6.000 bolsistas brasileiros realizaram seus estudos e pesquisas, nas mais diversas áreas na Alemanha, inclusive na área ambiental. | ||||||||
| 5. Conclusão | ||||||||
| A Alemanha é o país que, sem dúvida, mais tem cooperado com o Brasil em questões ambientais. Por ser o segundo maior investidor no setor industrial brasileiro, a Alemanha tem grande interesse em estreitar os laços de cooperação entre os dois países no setor ambiental. Dentro desta ótica já foram assinados novos acordos de cooperação, como o dos carros movidos a álcool, visando incentivar a fabricação de veículos utilizando este tipo de combustível e, por outro lado, reduzir as emissões globais de CO2. Tomando uma postura de defesa do desenvolvimento sustentável internamente e internacionalmente, a Alemanha sabe que é importante ajudar o Brasil na preservação de seus recursos naturais e sua biodiversidade. | ||||||||
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