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Grãos |
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Na produção de grãos (arroz, soja,
feijão, milho) como de quaisquer outros produtos
alimentícios no sistema orgânico, o trabalho se inicia com um criterioso
manejo do solo. Na visão agroecológica, o solo é importante não apenas
porque fornece nutrientes às plantas e lhes serve de suporte mas, também
porque abriga muitas vidas representadas em fauna e flora capazes de
favorecer a saúde e o desenvolvimento das plantas de um modo mais
equilibrado e pleno. Daí nasce a concepção de tratar o solo como um
"organismo vivo e complexo", que ao interagir com outros
elementos como o ar, a água e a matéria orgânica, proporcionarão às
culturas além de uma alimentação balanceada, o reforço às suas
defesas naturais contra doenças e ataques de insetos.
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| Outro
aspecto importante reside no melhoramento genético. A agricultura
orgânica incentiva o resgate de plantas chamadas de
"variedades" porque, colhendo os grãos e armazenando-os,
estes podem ser replantados todos os anos pelo agricultor; além de as
varidedades serem naturalmente mais adaptadas ao clima e solos locais.
Mais resistentes à doenças e ao ataque de insetos, as
"variedades" diminuem os custos do produtor orgânico com
adubações e controle sanitários alternativos, trazendo uma economia
em tempo e dinheiro bastante significativa. |
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Plantação
orgânica de milho |
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Assim, além do resgate
de plantas mais adaptadas aos solos e clima de cada região, e do manejo
integral da estrutura e fertilidade do solo, uma estratégia válida para o
sistema orgânico de grãos, consiste na adição de plantas agrícolas
(café, frutíferas)ou florestais (palmito, seringueira, madeiras de lei,
etc.). Tais plantas, chamadas "perenes" porque têm um ciclo de vida
maior que dois anos, são inseridas no sistema a fim de se evitar que extensas
áreas de terra sejam ocupadas por uma única cultura, como ocorre com a
monocultura de grãos na agricultura convencional. Desta forma, a produção
de grãos no sistema orgânico, ao não admitir a monocultura, também não
apresenta os problemas ecológicos que provêm dela, como a erosão e o
aumento no ataque de pragas e doenças. Na agricultura orgânica, o manejo de
espécies distintas de plantas é sempre realizado para promover o equilíbrio
ecológico e o vigor biológico do conjunto.
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O que
importa é ajustar tal conjunto de acordo com as necessidades do
produtor e da comunidade locais, as condições ecológicas regionais
e com o potencial de comercialização das espécies. Pois, sem
considerar as dimensões social e econômica do sistema, o aspecto
ambiental, mesmo que tecnicamente bem conduzido, terá poucas chances
de permanecer no longo prazo. |
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Por fim, no que diz respeito
ao processamento dos grãos produzidos no sistema orgânico, este é
realizado de modo a preservar ao máximo as qualidades nutricionais e
biológicas originalmente presentes nos grãos colhidos no campo. Por
exemplo, o trigo passa por moinhos de pedra que conservam o gérmem do grão
e, por conseqüência, as vitaminas A e E, assim como os lipídeos
(gorduras) orginais do mesmo.
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| Já o arroz é integral, o que significa que
dele não é retirada a casca que contém proteínas, vitamina B12
e fibras. Tais exemplos demonstram o que é regra geral dentro da produção
orgânica: que o alimento reflete no prato a qualidade com que foi produzido
no campo.
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