Produtos da Cooperagrepa (MATO GROSSO) sobretudo castanha-do-brasil e guaraná, fizeram grande sucesso comercial na BioFach-América Latina 2004

Os 400 pequenos agricultores da Cooperativa de Agricultores Ecológicos do Portal da Amazônia (Cooperagrepa), que integram o Projeto do Território Portal da Amazônia - Por Uma Vida Rural Sustentável, implementado pelo Sebrae (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) em Mato Grosso e Governo do Estado,  produzem diversos produtos, alimentos típicos da floresta Amazônica.

Produtos como castanha-do-brasil, pupunha e guaraná,
à outros produtos como mandioca, mel, açúcar mascavo, melado, café e frutas, além de suinos, caprinos e ovinos, leite e derivados,frango, arroz, legumes e verduras, utilizados na merenda escolar de 25 mil alunos da rede pública de ensino e creches dos 09 municípios.

Estes produtos são utilizados na merenda escolar de 25 mil alunos da rede pública de ensino e creches dos 09 municípios localizados da região ao Norte de Mato Grosso, uma área de 60 mil quilômetros quadrados, habitada por 166 mil pessoas

Castanheira

Frango orgânico

A merenda orgânica é servida duas vezes por semana e são consumidas 2,5 toneladas de frango, arroz, farinha, melado, verduras e legumes.

Os pequenos agricultores produzem alimentos in natura e já começam o beneficiamento de alguns visando aumentar o valor agregado. Segundo o presidente da Cooperagrepa, Domingos Jari Vargas, 25 projetos de agroindústrias já foram encaminhados para financiamento do Banco do Brasil. Essas agroindústrias vão permitir o processamento de cana-de-açúcar, panificação, hortaliças em conservas e embaladas a vácuo, palmito de pupunha, guaraná em pó, além do abate e processamento de frango, suínos, caprinos, ovinos e rã, e produção de iogurte e queijo.

 

A certificação dos produtos deve estar concluída ainda neste mês de setembro. Dos 400 agricultores que integram a Cooperagrepa, 50 famílias já têm produtos com selo da Ecocert do Brasil, organismo internacional - com sede na França - de controle e certificação de agricultura orgânica.

Segundo a técnica Dalila Jabar, responsável pelo projeto Vida Rural Sustentável, o Sebrae está tomando todas as providências necessárias sobre as questões sanitárias, de certificação, processos tecnológicos e embalagem. "Nós chegamos à conclusão de que o grande obstáculo que seria mercado não existe, visto que o Brasil produz apenas 2% da demanda de produtos orgânicos. O grande desafio é manter a produção com quantidade e qualidade para atender os novos mercados". Dalila enfatiza ainda a necessidade de se quebrar o paradigma de que produto orgânico tem que ser muito caro. "Os próprios pequenos agricultores estão integrados nesse movimento e quando houver um aumento de produção, ou seja, maior oferta, os preços tendem a cair no mercado interno", acredita.

 

Os produtos da Cooperagrepa, sobretudo castanha-do-brasil e guaraná, fizeram grande sucesso comercial na BioFach-América Latina 2004, ocorrida de 8 a 10 de setembro, no Rio de Janeiro. Domingos conta que, durante o evento, foram feitos contatos comerciais com mais de 20 empresas do Brasil e do exterior. Entre as brasileiras, v> ários supermercados, empórios e lojas especializadas em produtos finos e orgânicos, como o supermercado Zona Sul (Rio) e o empório Santa Luzia (São Paulo). Importadores da Holanda, Alemanha, Japão e Coréia também fizeram contatos e um importador holandês fez um pedido de 20 toneladas de castanha-do-brasil. "Precisamos agora definir detalhes burocráticos e o melhor porto para enviar a mercadoria", afirma.

Castanha do brasil

 

Em fevereiro de 2005, a Cooperagrepa vai participar da BioFach na Alemanha. Para a jornalista Marta Torezam, da Unidade de Marketing e Comercialização do Sebrae em Mato Grosso, a participação neste evento vai abrir novas perspectivas de mercado para os pequenos produtores.

O guaraná e a castanha são os produtos mais procurados pelo mercado externo. Domingos afirma que têm capacidade de produção para atender novos pedidos. Este ano, serão produzidas 24 toneladas de castanha-do-brasil, mas podem ampliar a produção. Quanto ao guaraná, serão colhidas e beneficiadas 14 toneladas. No mercado interno, o açúcar mascavo também é muito procurado. A produção de cana-de-açúcar neste ano é de 207 toneladas.

 

Horta orgânica

Para Domingos, atingir outros mercados nacionais e internacionais é muito significativo  para  os pequenos produtores e vai representar uma alavanca na vida dessas famílias. Para se ter uma idéia de como as vendas estão incrementando a economia do grupo, só com um dia de venda dos produtos para a merenda escolar, os agricultores conseguem um aumento médio de 15% no rendimento. Nesta primeira fase, cada prefeitura paga R$ 0,13 por refeição, o que propicia um acréscimo de um salário mínimo para cada uma das 110 cada famílias envolvidas no abastecimento da merenda.E não é só no aspecto econômico que os pequenos produtores estão tendo avanços. "É uma mudança de comportamento dos agricultores", explica Domingos, acrescentando que eles começaram a consumir os produtos orgânicos e a participar de negociações junto a novos compradores, o que constitui num importante aprendizado.

 
Lançado em novembro de 2003, o Projeto o Projeto do Território Portal da Amazônia - Por Uma Vida Rural Sustentável pretende envolver 1.000 famílias de agricultores familiares - média de 100 famílias por município - do Território Portal da Amazônia, que engloba os municípios Alta Floresta, Carlinda, Guarantã do Norte, Marcelândia, Matupá, Nova Guarita, Nova Santa Helena, Novo Mundo, Peixoto de Azevedo e Terra Nova do Norte (todos localizados no norte de Mato Grosso, já na área da Floresta Amazônica). Sua meta é, além de estimular a produção de alimentos orgânicos de qualidade e sadios (sem a utilização de agrotóxicos),  contribuir para a permanência do pequeno agricultor na região, apoiando ações de associativismo ou cooperativismo em toda a cadeia produtiva.
 
Fotos:SEBRAE-MT
 


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