| Este
método mais antigo e tradicional de seleção dirigida envolve,
ao mesmo tempo, o organismo da planta e a seleção a campo.
Apesar de ser um processo relativamente lento e mais variável em
seus resultados, tem a vantagem de ser mais semelhante à
seleção natural na forma como ocorre em ecossitemas naturais.
Características envolvendo adaptação às condições locais
são retidas, juntamente com outros aspectos mais diretamente
desejáveis de rendimento e desempenho, mantendo-se também a
variabilidade genética. |
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| Desta
forma, as variedades crioulas atendem a um dos princípios
básicos da Agroecologia que é o de desenvolver plantas adaptadas
às condições locais da propriedade, capazes de toleram
variações ambientais e ataque de organismos prejudiciais. Outro
aspecto importante consiste na maior autonomia do agricultor, que
pode coletar as sementes destas variedades e replantá-las no ano
seguinte, adquirindo maior independência do mercado de insumos e
gerando um material que com toda sua variabilidade genética se
torna cada vez mais vigoroso e adaptado ao seu tipo de solo e
clima. |
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| Variedade
de milho batizada de "Sol da Manhã" |
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| Um
exemplo brasileiro do potencial dessa prática, foi desenvolvido no
Rio de Janeiro. A Embrapa –Agrobiologia, em parceria com
agricultores assentados, obteve uma variedade de milho batizada de
"Sol da Manhã", capaz de produzir cerca de 4 toneladas
por hectare (a média nacional é de 2t /ha) sem a necessidade de
adubos sintéticos ou agrotóxicos e num solo àcido (desfavorável
à cultura). Perfeitamente adaptada às condições locais a
variedade produzida sob manejo agroecológico se tornou um opção
lucrativa para os agricultores pela boa produtividade e pela
economia ao não exigir os insumos tradicionais do manejo
convencional (adubos altamente solúveis e agrotóxicos). |
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Contudo,
a produção de sementes de variedades voltadas à agricultura
orgânica ainda é uma atividade muito pouco desenvolvida no
Brasil, forçando muitos produtores agroecológicos a adquirirem
sementes de plantas cultivadas em manejo convencional. Isso
significa que, embora tais sementes não tenham recebido
"banhos" de agrotóxicos (como ocorre com sementes
tratadas para plantio convencional) elas vieram de plantas que
foram cultivadas em sistema convencional, ou seja, que receberam
fertilizantes altamente solúveis e agrotóxicos. Além disto,
grande parte destas sementes são híbridos ou variedades obtidas
por outros métodos de melhoramento que não a seleção massal
apresentando, portanto, pouca variabilidade genética e maior
suscetibilidade ao ataque de insetos prejudiciais e doenças,
exigindo do agricultor um trabalho maior para equilibrar a saúde
dessas plantas. |
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| A
Instrução Normativa n0 007 de 17/05/ 1999,
quando o mercado de sementes agroecológicas não oferece este
material, autoriza o uso de sementes vindas de sistemas
convencionais, desde que estas passem pela inspeção de uma
entidade certificadora e que não sejam transgênicas.Atualmente,
no Brasil quem produz e vende sementes agroecológicas são a
Cooperativa Regional dos Agricultores Assentados Ltda. (Cooperal)
de Bagé, Rio Grande do Sul e a empresa paulista "Sakama"
que vende sementes produzidas na Europa. |
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| Para
quem deseja coletar e armazenar sementes de variedades crioulas
que existem em sua região e multiplicá-las para as futuras
gerações, podem seguir as dicas de Jude e Michel Fanton, autores
do livro Seed Saver’s Handbook (Manual do Coletor de
Sementes), que sugerem alguns grupos de sementes para coletar e
armazenar para futuros plantios: |
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a)Sementes
antigas de muitas gerações: São
sementes que foram conservadas através das gerações pelo mundo
afora, passando dos avós para os filhos, dos vizinhos para outros
vizinhos e assim por diante. Os índios norte-americanos da tribo
"Hopi" guardaram sementes de milho por muitas
gerações. A espécie é mais forte, resistente a pestes e mais
saborosa que os híbridos. Estas sementes só existem hoje devido
ao cuidado que as gerações anteriores tiveram com elas. |
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Índios
norte-
americanos
guardaram sementes de milho por muitas gerações |
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| b)Sementes
de variedades locais: São sementes de plantas cultivadas por
muitos anos em uma determinada região. Conversar com as famílias
mais antigas do local é uma forma de obter informações dos
possíveis locais onde encontrar estas sementes. |
| c)Sementes
de variedades que não estão mais disponíveis comercialmente: Sementes
de variedades tradicionais que antes eram vendidas por alguma
empresa e deixaram de serem lucrativas. Um boa estratégia é
contactar agricultores familiares do local e feirantes sobre a
possibilidade de conseguir sementes desse tipo, inclusive
variedades exóticas ao paladar. |
| d)Sementes
de variedades imigrantes: Estas sementes fazem parte daquele
grupo trazido pelos imigrantes e colonizadores, os pioneiros da
região, que trouxeram sua gastronomia. Asiáticos e europeus
trouxeram as variedades adaptadas ao clima de origem e sabor de
suas culturas, que posteriormente se aclimataram em nosso país.
Procurar lojas especializadas e feiras étnicas é uma forma de se
tentar obter esse material. |
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Colonizadores
trouxeram
sua gastronomia |
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| e)Sementes
históricas: São sementes que possuem um significado
histórico na região em que eram multiplicadas e plantadas.
Geralmente, estão associadas a um alimento preparado para um
determinado evento. Estas sementes são muito apropriadas para se
usar em práticas de educação ambiental. |
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| Por
fim, vale acrescentar que o principal acervo para se coletar e
armazenar estas sementes no Brasil é o próprio povo. Iniciativas
como a do "Clube da Semente" www.clubedasemente.org.br
no Brasil, existem para demostrar a importância de se coletar
sementes de variedades com risco de extinção e assegurar a
existência de várias espécies vegetais. Espécies que poderão
constituir a base de uma agricultura agroecológica que conserve a
biodiversidade num sistema de produção de alimentos em harmonia
com o ser humano.
Fornecedores de
sementes orgânicas certificadas:
Sementes Sakama (certificado pelo IBD): www.sementesakama.com.br
- sementes de hortaliças
Arlindo Getúlio Golfetto (certificado pelo IBD): fazendabionego@terra.com.br
- sementes de crotalária e soja
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Fontes:
Livro "Agroecologia", Stephen R. Gliessman, Editora da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2000.
Revista "Permacultura – Brasil", ano 1, n0
01, primavera de 1998.
Boletim "Agroecológico", ano 3, n0 12,
julho de 1999.
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