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À medida que os seres humanos tornaram-se melhores
na arte de alterar, manejar e controlar o ambiente no qual ocorriam as
plantas úteis, começaram a fazer seleção não intencional de
características úteis específicas. Isso iniciou o processo de domesticação.
Conforme a domesticação progrediu, a seleção se tornou mais
intencional, com os agricultores primitivos escolhendo sementes das
plantas com rendimentos mais elevados e mais previsíveis. Ao longo do
processo de domesticação o efeito do meio ambiente foi perdendo a
importância e a seleção dirigida pelo homem assumiu um papel maior.
Por fim, as espécies agrícolas alcançaram um ponto em que sua
constituição genética foi alterada a tal ponto que não poderiam mais
viver sem a intervenção do homem O exemplo clássico é do milho, no
qual todas as sementes germinam de uma só vez na espiga, impedindo que
qualquer uma das pequenas plantas se desenvolva. A espécie, portanto,
só sobrevive se for plantado pelos agricultores que separam os grãos
da espiga e os deposita no solo. Atualmente, as espécies domesticadas dependem dos
seres humanos tanto quanto estes dependem das plantas e animais que
domesticaram para sobreviverem. A seguir, veremos de que forma ocorre a
domesticação das espécies vegetais na agricultura convencional.
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| 2) Sementes na Agricultura
Convencional |
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As
plantas cultivadas atuais foram submetidas a muitas pressões de
seleção, nas quais foram privilegiados os seguintes aspectos: a
otimização do rendimento, o gosto e aparência atraentes, uniformidade
genética, resposta rápida à aplicação de água e fertilizantes,
facilidade de colheita e processamento e vida mais longa na prateleira
dos pontos de venda. Esse processo alterou muito, entre outras coisas, a
distribuição do carbono na planta. As espécies modificadas tendem a
armazenar a maior parte da energia nos grãos, nos frutos e em outras
partes comestíveis, comparativamente às espécies naturais originais,
que distribuiam mais uniformemente a energia em todas as suas partes.
Consequentemente, menos energia é utilizada pelas plantas domesticadas
para uso em características ou comportamentos que lhe confiram resistência
ambiental – a capacidade de resistir a estresses, ameaças ou
fatores limitantes do ambiente. Muitas dessas características que
permitiam às plantas se defenderem de condições ambientais adversas
já se perderam durante o processo de seleção induzida pelo ser
humano. |
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Por ter
se priorizado o fator produtividade em detrimento de todos as outras
características das plantas, atualmente, as principais variedades
cultivadas exigem insumos externos na forma de fertilizantes
sintéticos, agrotóxicos (incluindo os herbicidas) e irrigação, para
terem o desempenho planejado. Contudo, a lógica que orienta o uso
desses insumos externos, além de aumentar a dependência financeira do
agricultor, constitui a principal causa dos impactos ambientais que a
agricultura convencional gera.
Além disso, é importante ressaltar que a grande maioria das áreas
cultiváveis no mundo hoje são semeadas com variedades de sementes
híbridas. Tecnicamente, híbridos são o cruzamento de duas variedades
diferentes, resultando numa planta com traços de ambas variedades.
Plantas híbridas geralmente são maiores e produzem sementes ou frutos
maiores, ou têm alguma característica desejável não possuída por
nenhum dos pais. Esta resposta, conhecida como vigor híbrido é
uma de suas vantagens. Outra é a uniformidade genética: plantas de
mesma altura, com grãos e frutos uniformes, com mesma época de
maturação e colheita facilitando os tratos culturais. A grande
desvantagem ecológica dos híbridos é que as sementes produzidas por
estas plantas não podem ser replantadas pelo agricultor, porque a
recombinação de genes no cruzamento não irá gerar plantas com o
mesmo vigor e características desejáveis dos pais. Ou seja, a cada ano
os agricultores são obrigados a comprar sementes híbridas das empresas
produtoras de sementes, que não por acaso também dominam o mercado de
agrotóxicos ou de fertilizantes. |
| Em
culturas de tubérculos ou com outros mecanismos de reprodução
assexuada como a batata e a banana, uma vez que um híbrido é
produzido com um conjunto de características desejáveis, ele é,
então propagado assexuadamente como um clone. Este método
de propagar híbridos sem sementes apesar de amplamente usado, só
pode ser desenvolvido por laboratórios especializados que vendem
esta muda a um preço relativamente caro para a maioria dos
produtores rurais dos países em desenvolvimento. |
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| Seja qual for o meio de reproduzir as plantas
gera-se, na agricultura convencional, um verdadeiro "círculo
vicioso" de dependência econômica: os agricultores ao comprarem
sementes ou mudas de plantas híbridas necessitam adquirir também todo
um "pacote tecnológico" da indústria de insumos que inclui
produtos como fertilizantes sintéticos e agrotóxicos para que as
culturas expressem todo seu potencial. |
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Sementes na Agricultura Agroecológica.
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