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Esta área tem 500.000m2
, 50 hectares, dos quais 350.000 m2
são de Mata Atlântica; estamos em um vale, mata de um
lado e pedra do outro.Temos uma área plana de 5 hectares e
aproximadamente 2
hectares de morro onde também conseguimos plantar sem irrigação,
o que torna o problema um pouco mais difícil. Não sabíamos o que
fazer com este terreno.Começamos a buscar uma
atividade para a área. Não sabíamos se a terra era apta para
criação de rãs, cavalos, cogumelos, não tínhamos a menor idéia
do que fazer. Chamamos então a “Agrosuisse” para
fazer um estudo de viabilidade econômica.
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| Por
que a Agrosuisse?
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| Dick
– Porque eu conhecia o Werner Eisler, um dos donos, ainda no tempo
que eu trabalhava no mercado financeiro. Alguns amigos me sugeriram
que o procurasse. O Werner veio aqui
com o Fábio Ramos. No estudo de
viabilidade econômica que fizeram,
sugeriram então o cultivo de hortaliças devido à área
plana. Registre-se que eu não tinha a menor idéia do que era olericultura, não sabia o que era transplante, não sabia o
que era muda, não sabia nada disso. A idéia era que o plantio de folhas, tubérculos, hortaliças
poderia ser um negócio interessante e que poderíamos fazer
entregas em domicílio pois tínhamos
uma área pequena e um
mercado consumidor próximo. Tudo isso fazia sentido mas não estava
nos interessando. Só quando eles começaram a falar de agricultura
orgânica, que a idéia começou a despertar nosso interesse.
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O terreno que nós compramos já tinha sido cultivado por um
francês, que usara muita pesticida, mas a terra estava parada há
uns 7 anos; disseram que já havia saído muito produto daqui.
Naquela época nós nem sabíamos o que era recuperar a terra,
mas ficamos animados com a perspectiva de produzir hortaliças
de uma forma mais saudável.
Angela
– Esses foram os primórdios; houve muita experimentação,
muita perda, muito laboratório até que em junho de 91 a
gente decidiu fazer nossa primeira entrega. Como é que poderíamos
tocar o projeto para frente ? Nenhum de nós tinha experiência em
agricultura.Foi
então que pedimos ao Fábio
Ramos, da Agrosuisse, que nos encontrasse uma pessoa que pudesse
ficar encarregada da parte técnica. Foi quando encontramos a Maria
Claudia Arueira, que está conosco até hoje e é o alicerce
técnico de nossa produção .
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| Quando
foi tomada esta decisão? Como foi o início desta caminhada
orgânica? |
| Angela
– Deve ter sido em meados de 90.
Estávamos muito
no começo, era tudo muito difícil ainda, e nós dissemos “ou vai
ou racha” . E fomos em frente. Começamos a plantar feijão, oferecendo para os amigos, ainda de uma maneira
muito amadora, algumas
hortaliças, até que fizemos nossa primeira entrega domiciliar
em junho de 91. Naquela
ocasião era tudo muito rústico e muito simples. Tínhamos que
gerar alguma receita para poder pagar as despesas do Sítio,
e quem fazia a entrega
das nossas cestas em domicilio era o
nosso caseiro.
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No lugar dos caminhões de hoje usávamos uma
pick-up pequena coberta por uma lona branca e eu descia com ele. Eu
estava diretamente envolvida na montagem das cestas. Cuidava da
colheita e das operações de limpar, lavar, amarrar, pesar e
naquela época não tinha nem balança
direito, era o começo do começo. Muitos anos desci a serra de madrugada, ia
tomar café lá no Brazão, subia na boléia do carro, para ensinar ao nosso caseiro os
endereços de nossos clientes no Rio.
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Dick
- Durante anos nós iniciávamos a montagem no
domingo. Era feita segunda-feira o dia todo,
até 10, 11 horas da noite, levantávamos às
3 horas da manhã para terminar a montagem, colocando os
molhos de folhosas que tinham ficado em baldes com água
nas caixas, para que chegassem bem viçosas na casa do
cliente.
Foi
muito trabalho
acompanhar esse processo todo e chegarmos até aqui.
Angela
– Claudia e eu descíamos de madrugada para terminarmos a montagem
das cestas. Porque como todo começo, a equipe era
pequena, dificuldades novas todos os dias,
novas descobertas também, busca de como é que se
faz, encontrar a solução
para os problemas que iam surgindo. Eram notas fiscais preenchidas
até de madrugada, tudo a mão
assim como todos os controles; tudo que é hoje automatizado era feito a
mão. Foi uma trabalheira imensa, mas eu acho que tudo isso fazia
parte do começo e fez com
que nós vivêssemos cada parte do nosso negócio. Quando
você vai colocando as coisas em pé,
você vai aumentando devargazinho o seu projeto. Nunca houve
propaganda direta. A
nossa propaganda era de
boca a boca É um
trabalho que sempre foi feito com muito cuidado, porque achamos que
para fazer um trabalho temos que fazer direito. O controle de
qualidade colocado na prática é difícil. Vemos como sendo de
muita responsabilidade a escolha de produtos para o nosso cliente.
Ele confia e entrega para nós a escolha do que ele está comprando
sem ver. Por isso, sempre fomos muito exigentes com a qualidade de
nosso serviço. Os produtos são, por exemplo, selecionados um a um,
separados por tamanho.
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| Quando
vocês entraram no Supermercado? |
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Dick
- Um dia aparece a Jovelina Fonseca na nossa vida. Não tínhamos
estufa nessa época, não tínhamos câmara refrigerada, não tínhamos
equipe e o galpão era muito simples. Em 91, a nossa casa ficou
pronta . Demos uma melhorada no galpão, embora continuasse muito
simples. Reformamos também a casa da Maria Cláudia. Esta volta
toda é para chegar em 97, quando apareceu no Sitio a Jovelina Fonseca que, junto com a Cristina
Ribeiro, bateram na porta do Jaime Xavier, diretor dos Supermercados
Zona Sul.
Em
97, a Jovelina teve o
grande mérito de ser a primeira fornecedora de produtos orgânicos
no Zona Sul. Foi com o
Jaime Xavier com quem ela falou inicialmente. Ele apostou nela e
apostou nos orgânicos. Achava que orgânico não era só modismo,
mas um produto que vinha para ficar.A Jovelina e a Cristina tinham
iniciado o trabalho, que era muito parecido com a nossa entrega em
domicílio, muito rústico, com estrutura pequena. E estavam começando
a sentir que não dava para continuar a entrega nas lojas. A
Jovelina queria que o
Sitio do Moinho continuasse aquele trabalho.
Angela
- Esse momento foi um
divisor de águas para o Sítio. Até então fazíamos uma coisa
muito artesanal. Para você entregar para lojas, é necessário
ter volume de produção, rapidez, eficiência, e para isso você teria que ter um galpão apropriado.
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Angela
Thompson sempre acompanhou todas as etapas
da
comercialização dos produtos do Sítio do Moinho,
desde a
produção até a entrega. |
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Dick
- Naquele momento, agosto de 97, começamos a fazer a entrega como teste, numa filial do Zona
Sul, filial 8, uma filial grande de Ipanema. Nós entregávamos 200 unidades de
produtos por dia, três vezes por semana, segunda, quarta e sexta. Não
sei precisar exatamente, mas alguns meses depois nós estávamos já
em todas as filiais entregando 6 vezes por dia.
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| Dois anos depois vocês estavam em três cadeias de
supermercados?
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| Angela
- Nós entramos em outubro de 97 para o
Zona Sul. Entramos
no Extra em 1999, logo depois entramos para outras lojas:
Pão de Açúcar, Carrefour, Sendas. Recebemos a proposta de
fornecimento para diversas lojas. Naquela época a achávamos que
a produção poderia aumentar de acordo com a demanda. Nos esforçamos
muito, mas esse crescimento de produção não é imediato e não é
tão simples. Hoje estamos em 30 lojas e não pretendemos entrar em
outras para que possamos continuar
executando um
bom serviço.
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Dick
– Como eu estava dizendo, em dois anos, passamos a entrega de 600
unidades por semana para
25.000 unidades semanais.
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| Quando
aconteceu esta passagem? |
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Dick
- Entre 97 e 99. Diante
desta demanda, tivemos
que reconhecer a
necessidade de nos
estruturarmos melhor . Fizemos um investimento no Sítio do Moinho.
Melhoramos o galpão,
o fornecimento de eletricidade, trocando o transformador de
15 para 75kva. Tivemos
que colocar um gerador porque aqui tinha muita falta de
eletricidade; passamos
a ter duas câmaras frias, uma câmara fria de despacho, uma câmara
fria de recebimento de mercadoria,
modernizamos todos os equipamentos de empacotamento. O produto que entra no Sítio do Moinho
vai para uma câmara fria umidificada para dar uma proteção
maior ao produto ,dando-lhe assim
uma vida mais longa na
prateleira, graças à forma
com o qual foi tratado. Por isso compramos caminhões refrigerados;
nós chegamos a ter até cinco caminhões para fazer a entrega no Rio de
Janeiro. Hoje, nós trabalhamos com três caminhões refrigerados e
duas kombis no Rio.
Angela
– Tão importante quanto a estruturação de logística, foi criar
um logotipo e uma embalagem que pudesse preservar a integridade do
produto orgânico nas lojas e evitasse a mistura com os produtos
convencionais. Foi também a experiência nas lojas que nos fez
providenciar códigos de barra na embalagem assim com
a necessidade de supervisão dos produtos nas lojas.
É
importante ressaltar que, nesse momento, sentimos a necessidade de
legitimar o nosso trabalho, buscando a certificação. Por
praticarmos agricultura orgânica já há 8 anos, o Selo do IBD (RJ
004) nos foi dado 6 meses depois, após alguns ajustes. Tornamo-nos
também associados da Abio. Alguns anos depois, fomos os primeiros a
implantar um processo de rastreabilidade
de nossos produtos.
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| Dick
- Hoje eu acho que a nossa marca já tem uma identificação, uma
associação com o nome Sítio do Moinho, o colorido
da embalagem amarela, que dá um destaque muito forte na
prateleira.Quando o consumidor procura um produto Sítio do Moinho,
ele busca aquela embalagem, procura a “marca da cestinha”, e a
cor amarela.
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| E o conhecimento, o estudo? |
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Dick
- A Angela, a Maria Claudia, assim como os nossos técnicos estão
sempre se atualizando fazendo cursos como o de Agricultura Orgânica
e Biodinâmica em Botucatu, como vários outros.
Angela
- A essa altura nós já tínhamos lido muito, estudado muito, e
fomos ganhando conhecimento através da prática e principalmente
através do intercâmbio com pessoas que dominam
essa parte técnica, já que nenhum de nós dois vinha dessa
área. Tivemos também no inicio do projeto, a assessoria do Nasser,
consultor do mercado orgânico, sediado em Itapemirim, no Espírito
Santo.
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O
Sítio do Moinho investe com
especial carinho na entrega em domicílio. Como vocês fazem isto?
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Dick
- Nós temos um diferencial na forma com a qual
tratamos as nossas entregas em domicílio. Hoje nós temos
competição de fornecedores de São Paulo aqui no Rio, vendendo nos
supermercados, mas o nosso serviço e a forma com a qual nós
o fazemos na entrega do produto
é o que faz a diferença.
A
mesma coisa acontece em relação ao cliente domiciliar.
A qualidade do produto que chega na residência das pessoas
é o que mais nos preocupa. Tem que ser cada vez melhor. Além de
uma estrutura de pessoal e de processos que seja eficiente e
correta, nós queremos
melhorar mais, tanto que estamos pensando em importar produtos
orgânicos. O diferencial que damos ao cliente é o envolvimento que
nós temos com ele. São pessoas com quem nós dialogamos e que
mantemos um bom relacionamento . Existe um denominador comum entre a
horta e a residência das pessoas A Angela é que deve falar sobre isso, pois é ela que
tem um contato permanente com essas pessoas.
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Ângela
– Temos uma preocupação muito grande com a qualidade dos
produtos e na seleção do que chega na casa do cliente. Para isso,
você precisa ter uma boa equipe, que partilhe esse cuidado e essa
preocupação. Mas não é apenas isso. Os outros setores envolvidos
como a captação de pedidos, a montagem propriamente dita,
a cobrança, a
entrega, e todos os funcionários envolvidos nesse processo, todos
esses setores têm que
trabalhar integrados. O que adiantaria um bom produto entregue por
um funcionário mal educado, ou que leve tanto tempo para ser
entregue que chega murcho, ou se a fatura está incorreta? Como
nossas cestas são personalizadas, o volume de trabalho é grande e
muito minucioso.
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Os
erros, às vezes acontecem, mas o importante é identifica-lo, saber
porque aconteceu, corrigi-lo e aprender com ele para que não ocorra
novamente.
O
cuidado tem que ser permanente.
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| Você acha importante ter seu produto no
supermercado porque ele fixa a marca para o consumidor? |
Angela
– Sim, ele fixa a marca. O supermercado é o segmento de venda que
atinge um maior número de pessoas e hoje tem uma clientela
específica de orgânicos dentro das lojas.
Dick
– Se não fosse o supermercado a produção orgânica jamais teria tido a cobertura de mídia de televisão, de revistas e
de jornais. O supermercado dá uma visibilidade enorme ao orgânico.
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Angela
– Hoje, quando já aprendemos a trabalhar com a entrega em domicílio, nós temos a oportunidade de ter um cliente mais
consciente, pois quem opta por
orgânico está acreditando em saúde. O cliente domiciliar é mais
fácil de ser trabalhado. O Sítio do Moinho continua presente no supermercado
porque tem também um trabalho muito cuidadoso com este
cliente em termos de qualidade de produto, que é a
premissa básica. Todo produto tem que ser da melhor qualidade.
Hortaliças estão sujeitas a problemas de clima, umidade,
etc. As vezes, temos problemas com os produtos entregues nas lojas,
mas o importante é estar sempre atento para corrigi-los. Não é
por acaso que temos uma equipe de supervisores que corre as lojas todos os
dias, além de promotores fixos em algumas delas.
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| É por isso que vocês
conseguem fidelizar os clientes... |
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Angela
– É verdade, nós temos uma clientela domiciliar muito fiel; alguns deles estão conosco
há 12 anos. Quando falamos com um cliente por telefone temos
muito mais oportunidade de mostrar a ele o que o produto orgânico
significa e ele vai atrás de um produto que seja saudável,
bem escolhido, bonito e
que seja entregue em casa com conforto.Com
o crescimento do mercado, com uma variedade muito maior de produtos
disponíveis para entrega, nós procuramos sempre selecionar os
produtos que entram para a nossa lista semanal, com muito critério,
pois eles precisam ser certificados. Os poucos produtos que nós
temos que não são orgânicos, como molhos de saladas artesanais,
são citados na
nossa lista domiciliar como produtos não orgânicos. Estamos
com a possibilidade de trazer produtos
de fora, e chegamos agora naquele momento que temos que nos
reestruturar novamente para podermos crescer.
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| O
Sítio do Moinho tem planos de aumentar seu leque de oferta porque percebeu o
interesse do consumidor? |
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Angela
– Sem dúvida. E uma vez que você está recebendo em sua residência,
quanto maior a variedade, melhor.
Podendo receber também um arroz integral de boa qualidade,
um açúcar mascavo, um suco, um laticínio, esta oferta
variada ficará muito mais interessante para o cliente. Pela mesma taxa
de entrega ele recebe muito mais produtos em casa. Diante
disto estamos pensando em oferecer também uma linha de produtos
importados. O Sítio do Moinho está se tornando um
importador. A entrega em domicílio vai acoplada à entrega aos
outros clientes, ou
seja, restaurantes e
supermercados. Estamos fortalecendo esta estrutura em domicílio,
para que possamos dar uma expressão maior a este segmento de
clientes com os quais trabalhamos.O
Sítio do Moinho hoje virou um ponto de referência da
agricultura orgânica no estado. A Universidade Rural
do Rio de Janeiro tem mandado vários estudantes da
disciplina Agricultura Orgânica. Universidades, escolas,
estudantes, agrônomos, estagiários, normalmente procuram o Sítio
como um ponto de referência por causa da expressão que o Sítio
alcançou em termos de produção orgânica.
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Dick
– A Universidade Rural do Rio de Janeiro acabou de mandar dois
estagiários que passaram uma semana aqui e esta já é a 4ª ou 5ª
vez que eles mandam estudantes para fazerem estágio no
Sítio do Moinho.
Angela
– É importante também dizer que o que vocês viram aqui hoje é
apenas uma parte da produção pois nós temos mais outras 3 áreas
arrendadas. Nestas áreas existe uma variedade muito grande de
culturas sendo cultivadas.
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Dick
– Quero ressaltar este trabalho que fazemos com as escolas. O
conceito orgânico se insere nas disciplinas de educação
ambiental, ciências, alimento limpo, ensinados nas escolas.
Angela
– Temos recebido aqui grupos de alunos, para aulas práticas sobre
meio ambiente, reciclagem, produto limpo, agricultura saudável.
É um trabalho que gostaríamos de estar incrementando, pois
nós acreditamos que se você consegue educar uma criança, você
está educando um consumidor de amanhã, com uma percepção mais
clara sobre os danos que os agrotóxicos fazem à saúde, ao meio
ambiente e ao agricultor. Da mesma forma que a gente percebe hoje um
interesse muito grande
de jovens mães que procuram
produtos orgânicos para a sopa de seus bebês. São consumidoras
muito diferentes de 5 anos atrás quando senhoras eram as
consumidoras. Hoje mudou muito pois os jovens estão muito ligados.
O leque de consumidoras é maior.
Dick
– Nós já recebemos escolas públicas, a Universidade de Viçosa,
uma escola de Jacarepaguá, escola de Itaipava, escolas de ensino médio
do Rio, grupos de 3ª idade, famílias trazendo crianças para
conhecerem uma horta orgânica. Isto tudo faz parte da nossa
responsabilidade.
Angela
– Essa responsabilidade nós sentimos também em relação aos
nossos funcionários. Estamos desenvolvendo a implantação de um
projeto onde os reuniremos para aulas sobre agricultura orgânica,
reciclagem, separação de lixo, aproveitamento de cascas e talos de
vegetais, ou outros assuntos que possam ser de interesse deles,
acreditando que eles possam levar um pouco disso para suas próprias
vidas. Os rios de nossa região são altamente poluídos, com a
triste tradição de
inundações na época das águas, pelo fato de serem depósitos de
lixo e de esgoto. A coleta de plástico gera renda para muita gente
e evita tantas latinhas e Pets jogados no lixo, por falta de consciência.
Gostaríamos
também de achar uma solução para alguns de nossos funcionários
que não sabem ler ou escrever, através da contratação de uma
professora. Hoje,
o conceito orgânico
vai muito além da produção. Nós o levamos para nossa vida, através
de práticas que envolvem escolhas mais conscientes, e que implicam
em menos desperdício e mais
aproveitamento.
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| PO
– O Sítio do Moinho vai estar presente na Biofach,
patrocinando seus produtos para o jantar orgânico e estará também
na rodada de negócios da AL Invest. Estas ações mostram como vocês estão
atentos ao mercado. Vocês foram pioneiros no mercado orgânico?
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Angela
– Fomos os primeiros sim, de
uma maneira mais profissionalizada, nos supermercados.
Como estamos planejando trazer vários produtos de fora,
dentro deste espírito de crescimento estamos participando da
Biofach como patrocinadores e principalmente nos inscrevendo na
rodada de negócios onde estaremos dialogando com produtores,
compradores ou firmas de produtos orgânicos que vem da Europa, e
que estão interessados em estabelecer parcerias com produtores
sul-americanos. Aí estaremos buscando alguma forma de crescimento. |
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| PO
- A Ana Maria Primavesi esteve no Sítio do Moinho, escolhido
como local para uma aula prática. Conte-nos sobre esta
experiência.
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Angela
– A Ana Maria Primavesi veio a Itaipava como uma das professoras
de um curso de Agricultura Natural promovido pela Fundação Mokiti
Okada. Participamos do curso como alunos e uma das aulas
práticas foi realizada no
Sítio do Moinho. Tivemos muita satisfação em ter a Ana
Maria Primavesi aqui, quando ela constatou tudo que havia de bom e, ao mesmo tempo fez algumas observações que para nós
foram muito produtivas em termos do que poderia ser melhorado.
É
importante passarmos para todos os nossos clientes este sentimento
que nós trabalhamos com uma preocupação muito grande com a
qualidade de produto, e com o bom atendimento a todos eles. Nós
damos um atendimento específico a cada cliente.
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| PO
– Principalmente que vocês permitem aos clientes que eles
escolham os produtos. É uma cesta “sob medida”. |
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Angela
– Seja o cliente domiciliar,
seja um chefe de setor de supermercado a quem visitamos
todos os dias para ver se os produtos estão bem
apresentados, enfim para que seja um relacionamento estável. Em
relação aos restaurantes temos o mesmo cuidado. Nossa funcionária
fala diariamente com eles. Esta “amarração” é que dá muita
segurança para o cliente.
Nosso comparecimento às lojas consegue despertar um sentimento
de respeito pelo serviço. Dick e eu entramos tanto em um departamento comercial para negociar
como também já
entramos nas lojas
em feriado, para ver nossos produtos na ara de venda. Já
nos viram muitas vezes trabalhando com faca, com perfex, com
camiseta do Sítio. Este sentimento é que estamos levando o projeto
com seriedade. Nós nos entregamos de corpo e alma ao nosso
trabalho. Nós
procuramos trabalhar com a maior transparência, com a melhor correção
possível, que é a forma que você tem de obter respeito do seu
cliente.
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Dick
- Temos muito orgulho do que fazemos. Acreditamos na filosofia básica
da agricultura orgânica. Foi este o principio que nos levou a nos
interessarmos por este projeto e em nenhum momento nos arrependemos
de ter tomado essa decisão. Estamos convictos de que o nosso
envolvimento nesse projeto, está nos permitindo adicionar um quinhão
acentuado na vida mais saudável de todos que compartilham de nosso
serviço. É isto mais do qualquer coisa que nos dá uma grande
satisfação de estarmos envolvidos nesse universo orgânico.
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Esta
seriedade, esta honestidade que encaramos o trabalho, a forma
operacional que o Sítio do Moinho tem, vem de muita
perseverança; esta ética faz parte do conceito orgânico; você
trata seu trabalhador de uma forma correta, seu produto de uma forma
correta. No cultivo, na colheita e na pós colheita tratamos o
produto nobremente para que este produto chegue muito bem tratado a
casa do cliente. E o que é incrível é que nós começamos
pequeninhos, está crescendo e na realidade o que nós estamos vendo
hoje é que o ponto que nos encontramos ainda é o topo de um
“iceberg”, porque ainda tem muito por vir pela frente.
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| Qual
a perspectiva do mercado orgânico no Brasil?
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Dick
– Tem pessoas que ficam preocupadas porque há muitos falsos orgânicos
em supermercados, pessoas que podem tirar proveito desta onda
que está chegando, mas se você trabalha dentro da filosofia orgânica
com seriedade, o trabalho evolui e muito. O que está fazendo o
mercado orgânico evoluir é a demanda pelo produto honesto. A razão
da demanda tem uma razão de ser. É por ser um produto mais nobre,
saudável, e é a alternativa para os produtos com pesticida, agrotóxico
e que conseqüentemente não são bons para a saúde. A
agricultura orgânica é
o produto em que a
forma de cultivo não danifica a natureza. Ela tem imbuído em seus
princípios o aspecto limpo, positivo e saudável; enfim ”é do
Bem”. Hoje
você tem governos estaduais interessados em tornar a merenda
escolar em merenda orgânica porque eles sabem que isto é para o
bem da saúde da população especialmente a população mais jovem,
porque isto vai permitir com que talvez haja menos despesa com
tratamento de saúde .Acho
que agricultura orgânica está num momento ascendente.
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| Você acha que
o orgânico não “decolou”
ainda?
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Dick
– Nós já fizemos muita coisa, levando em conta que nós saímos
do nada. Mas não pense por um segundo que pelo que se vê no
mercado , que já
chegamos ao ápice.
O
orgânico está começando agora.
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| PO-Você acha que a
Biofach no Brasil vai contribuir para o desenvolvimento do setor
orgânico no Brasil?
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Dick
– Sem dúvida. A
Biofach vai ajudar a conscientizar o consumidor brasileiro de uma
realidade, que ele talvez não tenha noção.
Vocês
fizeram seminários pelo Brasil todo, como este de Juiz de Fora.
Havia 70 pessoas na platéia querendo saber um pouco mais sobre orgânico.
O produtor está entendendo que tem que mudar um pouquinho o
conceito da vida dele. Seja de gado, de galinha, seja de laticínio,
seja de carne, porque ele sabe que a demanda está indo para aquela
direção.
Angela
– Muitas vezes o consumidor está querendo uma alimentação saudável
porque ele está querendo introduzir modificações
em sua vida,
mas não sabe muito bem como fazê-lo.
Gostaria
de fazer uma ressalva sobre o excelente trabalho que a BioFach fez
ao longo desses meses, através da organização de tantos seminários
sobre produção orgânica, de divulgação de informação e a
abertura para a
articulação de novas iniciativas.
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| O
trabalho feito com restaurantes, por exemplo, foi inédito. Se os
anos 70 e
80 marcaram uma
época de produção orgânica mais alternativa e em menor
escala, os anos 90 assinalaram
a entrada do orgânico nos supermercados. Esse ano parece ser a vez
dos restaurantes que despertam para uma tendência já observada na
Europa e nos Estados Unidos, de presença, se não só de
ingredientes orgânicos, de pelo menos um prato orgânico no cardápio.
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| O evento Rio Orgânico tem o mérito de divulgar o conceito
entre os restaurantes e esperamos que ao final do evento algumas
casas continuem com orgânicos em seus cardápios. Recebemos
recentemente a visita
de uma churrascaria, que não está participando do Rio Orgânico,
que nos disse que o cliente dele pede orgânicos em sua mesa de
saladas.
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Clique
aqui para conhecer os restaurantes que fazem parte do Rio
Orgânico 2003 |
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| PO
- A falta de informação do
consumidor é um
dos principais gargalos para o crescimento da produção orgânica. |
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Dick
– É verdade.Num jornal que nós assinamos “Acres”
saiu uma notícia que realmente me horrorizou. Houve um
problema com uma criação de galinhas, que por algum motivo pararam
de produzir ovos. Eram milhares de galinhas.Tinham que ser
sacrificadas. A forma
que eles encontraram foi jogar as galinhas vivas dentro de um
triturador. Este processo foi de tal forma criticado que eles estão
sendo processados.Dentro
do conceito orgânico isto jamais aconteceria. O trato do animal é
super cuidadoso.
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Angela
– O consumidor confunde muito os conceitos e precisa de informação.
Cabe a nós ajudar a divulgá-la. Apesar da mídia auxiliar
muito a divulgação, há muito que fazer. O aumento de produção
orgânica precisa estar atrelado à um trabalho de conscientização
do consumidor.
Dick
- Hoje o consumidor exige qualidade, deseja saber como o produto foi feito, e respeita
o produtor ou fabricante que tenha preocupações quanto à preservação
ambiental ou responsabilidade social. Tudo isto está mudando no
mundo. Por isso eu digo
que nós estamos no topo de um iceberg.
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Muita coisa vai acontecer no
futuro. Daqui a dois anos nós vamos estar sentados aqui e vamos ver
que hoje o que temos
hoje é muito pouco em relação ao que vamos ter no futuro em matéria
de produtos orgânicos.
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