| Produtos Orgânicos: Um Estudo Exploratório Sobre as Possibilidades do Brasil no Mercado Internacional | ||||||||||||||||||||||||
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Ana
Paula de Oliveira
Souza |
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Resumo A procura por produtos orgânicos tem aumentado 10% ao ano no mercado interno e entre 20 e 30% no mercado externo. A certificação tem sido utilizada como uma estratégia de diferenciação, garantindo ao consumidor que tais produtos foram obtidos sob normas específicas de produção, atuando ainda como um forte elemento coordenador da cadeia e como recurso indispensável à aceitação no mercado externo. Este trabalho pretende refletir sobre o crescimento da demanda de produtos orgânicos no país e no mundo, e como alguns países vêm se preparando para suprir o abastecimento interno e concorrer no mercado internacional, buscando analisar o potencial do Brasil frente a esses mercados. |
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I.
INTRODUÇÃO Este
modelo de produção se adequou muito bem ao desenvolvimento das
industrias à montante e à jusante da agricultura. As indústrias
a montante foram as provedoras dessa verdadeira revolução na
produtividade, abastecendo a agricultura de insumos que passaram a ser
considerados indispensáveis para a produção agrícola. À jusante,
desenvolveram-se as agroindústrias, que abastecem-se das matérias primas geradas
pela agricultura, a preços confortáveis, processando, distribuindo
e agregando valores a esses produtos. No
entanto, tal padrão de produção não é mais unanimidade e o
aumento da produtividade
em detrimento à qualidade do produto gerado, vem sendo amplamente
questionado nos países mais desenvolvidos. Os
produtores se vêem
cada vez mais dependentes de insumos químicos dispendiosos, custos de
produção elevados e preços pouco estimulantes aos seus produtos, e
por outro lado, os consumidores passaram
a ver neste modo de produção, um risco ao meio ambiente e à própria
saúde. As
agroindústrias, ao longo deste processo, acumularam excelentes
resultados econômicos, a competitividade no segmento, porém fez com
que investissem pesadamente em tecnologia para fabricar alimentos que
surpreendam e agradem cada vez mais o consumidor, buscando
satisfaze-lo em inumeráveis aspectos como: variedade, sabor,
praticidade, beleza, quantidade, qualidade, etc, tornando os
consumidores cada vez mais
exigentes, pela ampla possibilidade de escolha que se apresenta nas
prateleiras dos supermercados. Processos
de distribuição altamente eficientes, possibilitando
que qualquer produto chegue a qualquer lugar em tempos mínimos,
também ampliaram as oportunidades de escolha dos consumidores. O
desenvolvimento destas potencialidades nas indústrias processadoras
de alimentos e nas distribuidoras de produtos agrícolas, aliados à
uma maior exigência dos consumidores,
trouxe no
seu bojo novos padrões e novos conceitos
que hoje em dia atingem
uma importância cada vez maior nos processos de produção e
comercialização de produtos agrícolas e agroindustriais. Tais
conceitos seriam certificação, padronização, rastreabilidade,
certificação, rotulagem de transgênicos, selos de origem,
e fazem parte de um novo contexto onde a questão da segurança
do alimento vem assumindo
uma posição de liderança
nas discussões entre governo, população e iniciativa privada. Todos
estes conceitos portanto, buscam
agregar um novo atributo, universal e que tem sido amplamente
valorizado pelos consumidores: a informação. Informações sobre o
local onde foi produzido, a
tecnologia de produção utilizada, a garantia de que tal tecnologia não
apresenta riscos de contaminação
para o alimento produzido, saúde do consumidor ou meio
ambiente. Os consumidores querem conhecer os produtos que consomem,
saber como foram produzidos,
a tecnologia de produção utilizada,
a qualidade da matéria-prima,
a presença ou não de aditivos químicos. Atualmente
as oportunidades de lazer, entretenimento, aprendizagem e informação
ampliam-se cada vez mais, trazendo uma melhor qualidade de vida para a
população e a preocupação com a alimentação reflete uma concordância
com esse novo padrão, onde o homem quer viver mais e melhor. A
preservação do meio ambiente também é refletida por esse
busca de qualidade de vida, já que num ambiente deteriorado, a
qualidade de vida é muito prejudicada. Cada
vez mais o ser humano
busca contribuir com esse processo,
encontrando uma forma de colaboração na sua forma de
consumir. A preocupação com as embalagens, a escolha de alimentos
saudáveis, sem aditivos químicos, sem contaminantes,
e com uma tecnologia de produção menos agressiva ao meio
ambiente, como os produtos orgânicos, vem se intensificando
gradualmente e impondo-se como uma nova
forma de consumir, onde valores impalpáveis
se manifestam e satisfazem
o consumidor. Essa postura se manifesta principalmente em países mais
estáveis economicamente, como os da Europa e Estados Unidos,
onde a população geralmente tem mais oportunidades de
escolha, e garantia de sobrevivência.
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1.1.
Processos de produção em xeque
O
processo de conscientização da população não se deu aleatóriamente.
Incidentes graves como a doença da “vaca louca”
na Inglaterra e a contaminação de alimentos por dioxina na Bélgica,
alertaram a população sobre os riscos que processos de produção
industrial e agropecuários desequilibrados poderiam causar a saúde
da população, bem como as incertezas geradas com a atual polêmica sobre os
transgênicos ou
GMO- Organismos Genéticamente Modificados. As
atenções também vem
recaindo sobre os agrotóxicos,
considerados até pouquíssimo tempo como benfeitores indispensáveis
e insubstituíveis para a
produção de alimentos, hoje em dia vem sendo vistos como
contaminantes dos alimentos e degradadores do meio ambiente. Em muitos
casos e em muitos países, usados indiscriminadamente , causam uma
dependência gradativa da
agricultura pois o processo de desequilíbrio ambiental
no ecossistema agrícola,
provoca o aparecimento de novas pragas e doenças
continuamente, além de provocar resistências a estes
produtos. Os
alimentos produzidos sob estas condições, normalmente
apresentam resíduos de alguns componentes químicos
utilizados, seja pela intensidade da aplicação, seja
pela não observação do produtor dos prazos de carência da
aplicação até a colocação no mercado para consumo. Segundo LEITE,
(1999), os pesticidas sistêmicos são absorvidos
e distribuídos pela seiva das plantas, impregnando o interior
dos frutos de forma definitiva. Além disso,
as culturas mais intensamente
associadas à boa saúde como hortaliças, e frutas são vorazes
consumidoras de pesticidas Como
agravante, para a agricultura e o consumidor brasileiro, o Brasil é o
4o consumidor mundial
de substâncias químicas tóxicas usadas na Agricultura. No ano de
1988, o volume de
comercialização de agrotóxicos alcançou US$ 2,6 bilhões no país,
sendo despejados no meio ambiente, 101 milhões de litros de
fungicidas, herbicidas e inseticidas
O consumidor brasileiro fica
totalmente sem defesa já que o
sistema nacional de monitoramento é precário, a fiscalização
sobre o uso de produtos
químicos é frágil. A fiscalização se torna necessária porque
o temor de perder o produto no campo é a justificativa para o
descumprimento das normas. A
conquista de novos mercados de exportação para produtos agrícolas
também fica prejudicada já que as normas internacionais geralmente são
incompatíveis a há uma desconfiança quanto ao produto brasileiro,
além é claro do conhecido protecionismo dos países importadores
revelado através das barreiras tarifárias e não tarifárias.
Sabe-se que os países desenvolvidos exercem rígidas normas de
controle de qualidade dos produtos que ingressam em seus mercados. Os
setores agrícola e agroindustrial
mantém fortes interelações
com o mercado externo e
na medida que novas regras de comércio,
como de proteção
ambiental e de segurança do alimento,
possam afetá-lo é preciso
promover processos
de inovação tecnológica no sentido de incorporar modelos
e tecnologias mais limpas ou de menor impacto ambiental. Uma alternativa portanto ao mercado interno, que deseja um produto mais saudável, sem resíduos químicos, e à obtenção de novos mercados para exportação seria os produtos agrícolas orgânicos, ou seja produtos obtidos sob um processo diferenciado de produção onde os defensivos agrícolas normalmente utilizados na agropecuária não são permitidos , utilizando-se técnicas diferenciadas que possibilitem uma produção de qualidade e em quantidade suficiente. 1.2.
Objetivos Este
trabalho pretende
refletir sobre o crescimento da demanda de produtos orgânicos no país
e no mundo, e como alguns países vêm se preparando para suprir
o abastecimento interno e
concorrer no
mercado internacional, buscando analisar o potencial do Brasil
frente a esses mercados. 2.
A CERTIFICAÇÃO E O PRODUTO ORGÂNICO A
certificação deve ser entendida como um instrumento econômico baseado no mercado, que visa
diferenciar produtos e
fornecer incentivos tanto
para o consumidor como para os produtores. Para
NASSAR, (1999), a
certificação é a definição atributos
de um produto, processo ou serviço e a garantia de que eles se
enquadram em normas pré-definidas. Também
no caso do produto orgânico, a certificação
é a forma de
controle da procedência do produto orgânico e da sua diferenciação
na forma produtiva em relação à agricultura tradicional ou
convencional Para
um produto receber o selo de certificação orgânico ele necessita
ser produzido, como regra básica, sem a utilização de agrotóxicos ou adubação química, sendo ainda um dos
requisitos importantes, a relação com os trabalhadores envolvidos no
processo, que precisam
Ter uma remuneração justa e participação nos lucros. A fazenda ou
unidade de beneficiamento também não podem oferecer qualquer tipo de
risco ao meio ambiente.(PASCHOAL, 1994). Os
movimentos de certificação para diferenciar produtos e produtores
agrícolas são originários de
países ricos, com setor agrícola forte e grupos sociais organizados,
sendo a Europa o
continente principais
iniciativas surgiram e se desenvolveram. O primeiro e mais importante
organismo mundial desse movimento é a IFOAM (International Federation
of Organic Agriculture Movements), que elaborou as normas básicas
para a agricultura orgânica, a serem seguidas por
todas as associações filiadas mundialmente Na
França, o certificado de
Agriculture Biologique (AB), é uma certificação oficial atribuída
a produtos agrícolas transformados ou não, fabricados sem produtos
químicos e que seguem modos particulares de produção. A Grã-
Bretanha também tem um selo oficial orgânico
denominado United Kingdom Register of Organic Food Standards (Ufrofs).
(VIGLIO, 1996) Na
América Latina, a Argentina
adota uma
regulamentação para produção de orgânicos baseada nas normas
internacionais da IFOAM. No
Brasil, os principais órgãos certificadores são
o IBD (Instituto Biodinâmico) em
Botucatu, , avalizado pelo IFOAM e cujo selo é aceito em
mercados internacionais, e a AAO (Associação de Agricultura
Orgânica de São Paulo), cujo selo é aceito apenas nacionalmente.
Existem outras de menor expressão. Atualmente o governo brasileiro
está incentivando a criação de comissões técnicas para a elaboração
de normas que regulem a atuação de
outras entidades ou empresas certificadoras. que possam surgir.
4.
PANORAMA DE MERCADO NO MUNDO O
mercado mundial de orgânicos movimenta cerca de US$
23,5 bilhões de dólares por ano, e há uma expectativa de
crescimento da ordem de 20% ao ano. Deste mercado incluem-se produtos
frescos, processados, industrializados e até artigos de cuidados pessoais, produzidos com matérias primas
obtidas sob o sistema orgânico. Na
Europa, as estatísticas de produção e consumo são escassas, mas
sabe-se que a CEE é uma grande consumidora de produtos orgânicos,
mas a maioria do que consome é importado. Segundo
LEITE (1999), o principal consumidor de produtos orgânicos na Europa
é a Alemanha, possuindo 290.000 hectares cultivados com agricultura
orgânica. Representa um
atraente e rico mercado
para os exportadores de produtos orgânicos, pois sua população
altamente consciente em relação às questões ambientais, vê no
produto orgânico um produto benéfico ao meio ambiente e à própria
saúde. No entanto, este mercado é extremamente exigente já que eles se
interessam além dos métodos de produção, nos de processamento e
embalagem de toda a cadeia industrial envolvida.
As importações suprem aproximadamente
20 % do mercado de orgânicos nesse país. O
Consumo na França aumenta 15% ao ano , sendo 5% do total dos
produtores convertidos ao sistema orgânico e
existem 450 processadores e distribuidores envolvidos com estes produtos. Uma dificuldade que se
encontra para a comercialização neste país são os altos preços
destes produtos. No
Reino Unido, o consumo de produtos
orgânicos registrou expansão
500% entre 1987 e 1997,
sendo que a produção britânica vem crescendo em torno de 40% ao
ano. As vendas de carne orgânica por exemplo tiveram aumento de 189%
entre 1992 e 1996. Os
EUA são um importante exportador de matérias primas orgânicas para
a Alemanha, que as
processam e embalam em suas própria indústrias.
Hoje em dia o país movimenta 4, 2 bilhões em produtos orgânicos,
podendo ultrapassar os US$ 10 bilhõesno ano 2000, com destaque para
salgadinhos e doces, cujas vendas cresceram perto de 100% ( ALVES,
1999). O
Canadá possui a maior área
cultivada organicamente
do mundo, com aproximadamente
600.000 hectares A
Argentina exporta para Alemanha, Holanda e Inglaterra, além dos EUA (VIGLIO,
1996), tendo acesso a esses mercados por suas normas de produção
serem compatíveis com as da União Européia. O governo argentino
sempre estimulou a produção orgânica, visando principalmente a
exportação para mercados da Europa e EUA. A produção orgânica
alcança uma área de aproximadamente 345 mil hectares, predominando a
atividade animal. Além
desses países, muitos outros com Holanda, Áustria,
Japão, representam um excelente mercado para os produtos orgânicos,
pois sua população é altamente consciente e interessada nos
produtos orgânicos. A produção nestes países apesar de crescente e
freqüentemente estimulada pelos governos, é relativamente limitada,
não sendo capaz ainda de suprir a demanda da população.
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5.PRODUÇÃO
E MERCADO NO BRASIL No
Brasil a produção de orgânicos teve um grande impulso nos últimos
dois anos. Atraídos pelo preço dos produtos no mercado, em média
30% mais elevados do que o produto convencional, por uma possível
diminuição nos custos de produção ou por uma maior possibilidade
de conservação dos recursos da propriedade rural, o certo é que
esse número vem aumentando dia a dia. O
demanda no Brasil cresce cerca de 10% ao ano, podendo ter este ritmo
acelerado, pelo efeito da divulgação do próprio produtos nos pontos
de venda, ou seja, pessoas que não conheciam o produto orgânico,
podem passar a interessar-se à medida que ele se torne disponível.
Segundo uma pesquisa do Instituto Gallup, 7 em cada 10 brasileiros
consumiriam produtos orgânicos se houvesse mais ofertas nos
supermercados. (VIGLIO, 1996). As
exportações absorvem
70% do volume total certificado, gerando segundo dados de 1999, uma
receita de 10 milhões em 10 mil toneladas de soja, café, castanha,
óleo de dendê, suco de laranja, cacau, erva-mate, banana, guaraná,
etc. O maior estímulo às exportações são os preços que se obtém
pelo produto diferenciado, podendo
atingir ágios de 30 a 60% de acordo com o produto. O
mercado interno abastece-se principalmente de produtos frescos,
hortaliças, legumes e frutas, mas pouco a pouco, amplia-se a
variedade de produtos que vem sendo oferecida nos pontos de
venda, incluindo os alimentos processados. Segundo dados de ALVES, (1999), o número de produtores envolvidos com a agricultura orgânica no Brasil mais que dobrou nos últimos dois anos, passando de 700 para cerca de 1500, organizados em cooperativas ou trabalhando individualmente. O IBD (Instituto Biodinâmico) já autorizou mais de 80 projetos no país, cada um podendo incluir dezenas de produtores e outros 40 estão em processo de certificação. O Quadro 1 mostra os produtos certificados pelo IBD até junho de 1999 em diferentes estados do Brasil. |
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Quadro 1. Produtos certificados pelo IBD até junho de 1999, e sua localização.
Fonte: Adaptado de IXX Seminário Internacional Pensa de Agribusiness
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Os
principais pontos de venda do produto no país são as grandes redes de
supermercados, que viram no produto orgânico uma oportunidade de
diferenciação no seu mix de produto e da valorização da imagem da
empresa frente ao consumidor. Supermercados como Paes Mendonça,
Carrefour, Pão de Açucar, principalmente nos grandes centros urbanos,
foram os primeiros a
oferecer os produtos em suas gôndolas, estimulando um grande número de
produtores.
Empresas
ou propriedades que conseguem atender as exigências do grande varejo
como Horta&Arte, pioneira
no mercado, Ervas Finas de
Campo Limpo Paulista (SP), e Fazenda
Santo Onofre, de Morungaba (SP), obtém resultados compensadores
neste canal de distribuição.
No
Brasil, têm-se vários exemplos de sucesso com as exportações de orgânicos.
São empresas ou propriedades que captaram essa tendência do mercado
internacional e lançaram-se quando ainda pouco se falava em produto orgânico
no país. Como exemplo tem-se a Terra
Preservada, empresa do Paraná, certificada pelo IBD, que agrega
cerca de 500 produtores associados, e comercializa a produção vendendo
para mercados fechados como Europa e Japão,
obtendo preços cerca 50% maiores pelo seu principal produto, a
soja orgânica.
A
Fazenda Piratininga de Monte
Azul Paulista, também certificada pelo
IBD, exporta suco de
laranja orgânico, obtendo preços 30 a 40% mais elevados no mercado
internacional.
A
Empresa Agropalma, planta 3000
hectares de palmeiras orgânicos em uma propriedade de 12.000 há totais
em Tailândia, no Pará, para
produção de óleo de palma, matéria prima de inúmeros produtos
alimentícios. A produção é toda certificada e obtém preços 30 a
40% mais elevados no mercado internacional.
Os
alimentos processados começam a ser produzidos e são uma excelente
alternativa para a exportação. A Daterra,
indústria de alimentos de Schroeder (SC), lançou em 1998, uma linha
orgânica que inclui geléias, banana passa, e as primeiras balas de
bananas orgânicas do país. Também fornece matéria
prima para indústrias de sorvetes e doces para criação de
linhas exclusivamente orgânicas. A empresa
mantém ainda uma parceria com a rede
McDonald’s para o fornecimento de suas balas orgânicas.
Frutas
brasileiras in natura e orgânicas
já estão sendo solicitadas por importadores. O açucar
orgânico também é um produto de alto valor no mercado nacional
e internacional. Ë o açúcar
mais procurado nos países da Europa e dos Estados Unidos. No Estado de São Paulo, duas usinas aderiram a essa nova tendência de mercado e no ano 2000 devem fabricar cerca de 25 mil toneladas, ou o dobro desse ano. Mais de 90% destina-se à exportação, com preços até três vezes maiores do que o produto convencional. Os principais clientes são as indústrias de alimentos. A produção é toda certificada pelo IBD. (CARMO, 2000).
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6.
ABERTURA PARA EXPORTAÇÃO: CERTIFICAÇÃO, AUMENTO DA PRODUÇÃO E
ADEQUAÇÃO ÀS NORMAS INTERNACIONAIS Para que se desenvolva competências no setor de orgânicos para
a conquista do mercado externo alguns pontos devem ser considerados ·Atuação
governamental. Em
todos os países que já atingiram uma boa posição como exportadores
de orgânicos nota-se uma participação ativa do governo na promoção
da agricultura orgânica, incentivando na produção, comercialização,
pesquisa científica, estabelecendo normas de produção compatíveis às
dos mercados importadores Na Argentina, por exemplo, iniciativa privada e governo formaram
um organismo oficial denominado PROMEX (Promocion de
Exportaciones no Tradicionales), que colabora ativamente neste
setor, levando produtores e comercializadores
a distintos eventos e feiras internacionais para a atualização sobre
as expectativas do mercado. (Viglio,
1996). O governo Holandês anunciou um plano para estimular a produção
distribuição e venda dos produtos orgânicos, destinando US$ 35 milhões
para este fim. Nos EUA há algum tempo o governo já se prepara para o
desenvolvimento deste mercado. Em 1988, o
USDA, lançou um
programa de pesquisa em
sistema low-input de produção, colocando
a agricultura orgânica em importante posição
nas linhas de pesquisa agrícola do país. Em 1990, foi
introduzido a legislação definindo
o produto orgânico e
estabelecido um programa federal
de certificação, o National Organic Standards Board (Nosb), que propões
padrões para o cultivo orgânico. Em
março deste ano (2000), o órgão definiu novos padrões para a produção
de alimentos orgânicos que estavam em discussão desde 1997.Entre estas
normas está o veto aos produtos transgênicos e à maioria das substâncias
químicas utilizadas atualmente.
Segundo especialistas,
estes padrões deverão oferecer grande impulso ao setor e ajudar os agricultores a vender mais no exterior. Além disso, o
governo americano tem
contribuído com o crescimento do consumo de orgânicos com as
frequentes campanhas de alerta à população sobre os riscos de
pesticidas nos alimentos, e aconselhando a busca por alimentos orgânicos
aos consumidores preocupados com o
uso de insumos químicos. O governo brasileiro deu seus primeiros passos no ano de 1999 com
o lançamento da Instrução Normativa de 17 de maio de 1999, pelo
Ministério de Agricultura e Abastecimento, com normas para a produção,
processamento, distribuição identificação,
e certificação da qualidade de produtos orgânicos de origem animal ou
vegetal. Como suporte econômico, no mesmo ano, foi lançado o Programa
de Crédito Rural para Agricultura Orgânica do Banco do Brasil, para
incentivo da produção e comercialização de produtos orgânicos.
(YAMASHITA, 1999). O governo brasileiro deve ainda proporcionar garantias da separação
entre os alimentos oriundos
de sementes transgênicas que possam por ventura ser produzidos no país
caso a liberação se confirme. ·Integração.
A integração entre os diversos elos da cadeia é fundamental para o
desenvolvimento do mercado e fortalecimento para o mercado externo. Já
existem associações de grande porte nos EUA, por exemplo, como a
Organic Trade Association (OTA), que reúne produtores rurais,
processadores, certificadores, associações
de produtores , distribuidores e varejistas. O órgão zela pela integridade dos padrões de produção e promove os
produtos no mercado. ·Certificação.
Um
grande passo para as exportações
brasileiras de orgânicos é o
reconhecimento do selo de certificação do IBD pelo mercado
internacional. Devido à seriedade e rigidez desta instituição, alguns produtos como laranja orgânica certificada já
atingem mercados fechados como Alemanha. Com base nas informações coletadas, propõe-se a seguinte representação esquemática como destaque para os principais pontos a serem considerados para o desenvolvimento da atividade orgânica visando o mercado internacional:
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Barreiras
às Exportações : *Competição de outros países *Estruturas mais bem desenvolvidas de produção e comercialização. Ex: Argentina (Promex) Estratégias de mercado *Produtos diferenciados/ certificados *Diversidade de produtos (abundância tropical) empresas comercializam a própria produção ou agregando vários produtores Função social*Mão de obra intensiva e qualificada *Fixa
o homem no campo *
Permite rendas superiores aos agricultores Financiamentos *Papel
do governo e da iniciativa privada Ex: Argentina, EUA, Holanda, Áustria Estratégias
para Desenvolvimento: Pontos
fracos: *produção
ainda relativamente pequena *falta
de auxílio da pesquisa
científica *falta
de apoio governamental para regular e impulsionar o setor *falta
de integração entre os diferentes elos da cadeia de orgânicos. Ex:
EUA-OTA Pontos
fortes *Variedade
tropical
*Condições
climáticas *Empresa
certificadora reconhecida no mercado externo: IBD *Muita
área pode ser convertida ao sistema orgânico Oportunidades *Instalação
de agroindústrias: alimentos processados *Mercados
não explorados *Valorização
dos atributos de saúde do produto *Preocupação
ambiental *Socialmente
benéfica: bem vista aos olhos dos consumidores *Alimentos
in natura: frutas *Matérias
primas para agroindústrias: óleo de palma, cacau, soja, tabaco Ameaças *Protecionismo
europeu e norte americano *Entrada
de sementes transgênicas no país sem rotulagem
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7.CONCLUSÃO As
novas regras do agribusiness internacional passam necessariamente
pela adoção de
padrões de certificação, rotulagem de transgênicos,
e rastreabilidade ,
para garantir ao consumidor a oportunidade de escolha do que lhe for
mais conveniente. O Brasil deve caminhar neste sentido para conquistar o
mercado externo para seus
produtos. Existe uma demanda crescente pelo produtos orgânicos certificados no Brasil e no mundo, gerando um mercado atraente para produtores e distribuidores. O Brasil tem grande capacidade de conquistar o mercado externo, desde que todas as partes envolvidas cumpram devidamente seu papel, como o governo, a iniciativa privada e as instituições certificadoras.
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8.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS ALVES,
U. Dispara a procura por produtos
orgânicos. Gazeta
Mercantil. Agribusiness, 28-05-99. P. B-24 CARMO,
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n.6. 1999, p. 58-62. PASCHOAL,
A . Produção Orgânica
de alimentos. Piracicaba: Esalq, USP, 1994 NASSAR,
A M. “Certificação no
Agribusiness”. In:
IX Seminário
Internacional PENSA de Agribusiness: A Gestão da
Qualidade dos Alimentos. Cap.3
p. 16 -30. VEIGA,
J.E. A Consagração da Agricultura Biológica. O Estado de São Paulo. Caderno de Economia,
23-03-1999. P. B-2 VIGLIO,
E.C.B.L. Produtos orgânicos: uma
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