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CONSÓRCIO
VOISIN E VIDEIRA ECOLÓGICA: |
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Jaime
Quintanilha Gomes Trabalho publicado em
19/04/02
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1)
INTRODUÇÃO “Ou
a humanidade se deixa conduzir à dilaceração definitiva, na direta
linha do apogeu capitalista, ou tomará afinal o rumo da justiça e da
dignidade, seguindo o luminoso caminho traçado pela sabedoria clássica.
Não há terceira via”[1].
Com esta afirmativa, pode-se perceber o grau de correlação entre a
busca insidiosa e imediatista do modelo de produção agropecuário
amplamente adotado e estimulado por interesses públicos(de ordem
cientificamente externos aos princípios,
quer sejam políticos, econômicos ou sociais, como a falta de
uma política agrícola para exemplificar o que foi dito), e
principalmente, por mega-instituições privadas. Corrobora a este
raciocínio a aceitação inconseqüente deste processo pelos setores
ligados à produção primária, ou seja, pelos responsáveis diretos
pela produção dos alimentos essenciais à manutenção e
desenvolvimento da humanidade.
Para
muitos, que já visualizam uma alternativa para os seus modelos de produção
devido a insustentabilidade estabelecida e comprovada ao longo dos anos
pelo modelo anterior[2],
Voisin foi o grande idealizador do método do Pastoreio Rotativo
Racional. Mas muitos também esquecem que nos primórdios da civilização
o homem já trabalhava os seus rebanhos baseado em ‘cuidados de
pastoreio’, levando sempre em consideração e segundo várias das
suas necessidades como: a segurança, o clima, e principalmente, a
preservação do solo, pois
já admitia ser deste último uma grande porcentagem da sua segurança
alimentar. Voisin, sim, teve desta forma, a felicidade de sistematizar
este processo através das suas observações e defini-lo conforme os
fenômenos verificados fossem naturalmente ocorrendo. Escrevendo assim,
os fundamentos universais de um Pastoreio Rotativo Racional, aceito hoje
pela Academia. Porém,
dentro do processo produtivo existem alguns problemas, e dentre os
quais, o da relutância verificado em algumas classes produtoras rurais
em transitar para um modelo alternativo e agroecológico adequado aos
seus ecossistemas. Durante a chamada ‘transição agroecológica’[3], reside um fenômeno que pode ser considerado
significativo. Tal acontecimento consiste em que a as referidas classes,
perseverem em basearem-se em dados e argumentos de instituições de
investigação científica que não satisfaçam as exigências da
Academia, mas que contém um outro quesito considerado (dentro de algum
outro padrão) mais importante, que vem a ser: a vaidade.
2)
OBJETIVO
Alertar
para o descaso da sociedade brasileira em relação ao nível e ao método
de escolha das pesquisas desenvolvidas pelas instituições
oficializadas, bem como do despreparo das mesmas em relação ao
consentimento e ao retroalimento de seus conceitos e princípios. 3)
MARCO CONCEPTUAL
Para
Voisin, existe um ‘porque’ responsável pela concepção errônea ao
longo dos tempos sobre o fundamento do pastoreio rotativo racional.
Segundo ele, no princípio do século XVIII, o método não foi
desenvolvido suficientemente. Portanto, isto pode ter determinado o
tratamento dispensado a esse sistema de manejo até a atualidade, pois
ainda existem pesquisas relativas ao tema que são desenvolvidas com a
mesma insuficiência técnica constatada nos séculos anteriores.
Buscando a resposta a esta questão, Voisin percebe assim como outros[4],
o vício que impede o desenvolvimento deste sistema, ou seja, não se
considerava em absoluto a variação dos tempos de repouso das parcelas.
Durante muito tempo, e ainda hoje, segue-se crendo que o pastoreio
rotativo racional consiste em dividir o pasto em um número mais ou
menos elevado de parcelas, e depois em deslocar o rebanho de uma parcela
para outra. Esquece-se de que deverá ocorrer um “retorno”, e sobre
tudo, o tempo que devia transcorrer antes deste retorno, assim como a
necessidade de variar este tempo, de acordo com as estações. Da
mesma forma, existe um equívoco na produção e no desenvolvimento de
tecnologias para a fruticultura no Brasil e principalmente na Região da
Campanha, que atualmente atravessa uma crise econômica e social por não
estar considerando que há a necessidade de transição do modelo de
desenvolvimento no que tange a produção agropecuária. Em
“Alternativa Ecológica para a Alternativa Convencional”[5]
aparece parte de uma justificativa para com a disseminação de um novo
enfoque para uma nova classe de produtores rurais com vistas a salvar um
ecossistema da introdução de um ‘pacote tecnológico’ subsidiado
por empresas alienígenas da micro região da Campanha. Mais
propriamente, inserir a concepção da possibilidade para a produção
de uma variedade ecologicamente correta, socialmente justa, e portanto,
sustentável ao propor sua viabilidade para as futuras gerações que
venham possivelmente explorar este ecossistema natural. 4)
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O processo de construção de um novo paradigma que envolva diretamente, ou melhor, que parta do setor primário está vinculado à sustentabilidade. Existem várias alternativas disponíveis nas prateleiras da ciência. Adentramos numa fase de considerarmos em maior número e em maior freqüência, sobre a inter-relação e sinergia das disciplinas científicas. Ultimamente, por necessidade, evidentemente, questões de caráter social e ambiental tomam a dianteira quando da construção de um projeto científico. Vai-se desta forma, interagindo e percebendo as conexões existentes e formadoras do ‘processo’. Um redimensionamento nas informações e critérios de adoção de trabalhos científicos para serventia da humanidade, é questão prioritária da comunidade científica e também responsabilidade da sociedade em geral, visto que a ciência existe para a humanidade. Visto que a ciência faz parte de um conhecimento da humanidade. E visto também, que a ciência não é e não pode ser excludente e elitista.
5)
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1.
Anderson, J. Essays
relating to agriculture and rural affairs. Londres, 4ª Edição.
Londres, 1797. 2.
Arquivo capturado dia 23/01/2002 http://www.planetaorganico.com.br 3.
Comparato, F.K. A humanidade no século XXI: a grande opção.
IN: FÓRUM SOCIAL MUNDIAL 2001 (2001: Porto Alegre) Biblioteca das
Alternativas. Artigo publicado na revista Praga nº09, junho de 2000. 4.
Costabeber, J. A. Acción
colectiva y procesos de transición agroecológica en Rio Grande do Sul,
Brasil. Córdoba, España, 1998. 434p. Tese de Doutoramento -
Instituto de Sociologia y Estudios Campesinos, Universidad de Córdoba,
España, 1998. 5. Voisin, A. Productividad de la hierba. Madrid, Editorial Tecnos, S.A. 1967.
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