| A casa ecológica: uma proposta que reúne tecnologia, conforto e coerência com os princípios ambientais | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
RESUMO Espera-se
que a difusão de novas técnicas construtivas, de soluções
alternativas de obtenção de energia e de tratamento dos resíduos
despertem o interesse de micros e pequenos empresários, principalmente
de cunho artesanal, atentos para o lançamento de novos produtos e serviços
no mercado do Espírito Santo, incentivando também a geração de
emprego e renda. |
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
2.
DIRETRIZES PROJETUAIS As
diretrizes principais constituíram-se no uso de materiais construtivos
renováveis - na medida do possível -, aproveitamento dos
condicionantes naturais (sol e vento), no tratamento dos resíduos
oriundos do uso e na busca de racionalização e eficiência energética. No
aspecto relacionado à escolha dos materiais, a madeira foi eleita como
matéria prima fundamental, especialmente considerando ser este o único
material realmente renovável na construção civil tradicional. Procurando aliar os conceitos ambientais com a situação
deficitária de habitação no país, o projeto foi desenvolvido para
servir de parâmetro para moradias de médio poder aquisitivo, podendo,
com alterações, vir a ser produzida em série para conjuntos
habitacionais destinadas às famílias de baixa renda. Durante as pesquisas preliminares, foram constatados
procedimentos urbanos – como por exemplo o desperdício de água e
energia – facilmente evitados a partir de modificações de hábitos.
Para auxiliar na criação de uma mentalidade de “não desperdício”,
a Casa foi projetada para servir de laboratório
demonstrativo/informativo de procedimentos ecologicamente corretos. Além
disso, procurou-se dotar a Casa de elementos demonstrativos das soluções
arquitetônicas, já que a tomada de decisões dos profissionais da
construção civil muitas vezes são oriundos do desconhecimento de técnicas
e desenhos alternativos que proporcionem conforto ao usuário, economia
e adequação aos princípios de conservação ambiental. Adicional aos objetivos propostos, a questão estética foi fundamental na elaboração dos conceitos já que buscava-se uma tipologia edificatória caracteristicamente urbana, sem contudo desvincular do padrão “casa” presente na memória coletiva.
3.
O LOCAL DE IMPLANTAÇÃO A escolha do local de implantação – Parque da Pedra da
Cebola - foi motivada pelas características específicas do local e
pelas atividades desenvolvidas ao longo do ano vinculadas à educação
ambiental. O sítio onde foi implantado o Parque era uma antiga pedreira,
desativada em 1978, cuja atividade econômica de extração por um lado,
ocasionou grande degradação ambiental e, por outro, impediu a ocupação
urbana. O Parque foi inaugurado em 1997, servindo de exemplo de recuperação,
com ampla utilização de vegetação rupestre e de restinga no
exuberante projeto paisagístico. O parque possui cerca de 100.000 m² onde se distribuem
equipamentos esportivos, trilhas, áreas de lazer e contemplação,
local de eventos, estacionamentos, etc. Dentre os principais eventos
regulares, a Feira do Verde se destaca pela grande participação
comunitária e pelos resultados que vem obtendo ao longo dos anos. A área, originalmente do Governo Estadual, foi entregue à
Prefeitura Municipal de Vitória através de contrato de gestão e, a
viabilização da construção da “Casa Ecológica” foi possível
através da assinatura de um termo de compromisso entre as duas
entidades. O local dentro do Parque foi criteriosamente escolhido em função
da possibilidade de ampla visitação da Casa - especialmente por
escolares e turistas -, e dos condicionantes ambientais, especialmente
radiação e ventilação. 3. O PROJETO ARQUITETÔNICOA partir do estabelecimento das diretrizes projetuais, buscou-se elaborar um programa que permitisse o desenvolvimento das atividades previstas e a composição arquitetônica com o máximo de flexibilidade, interação entre os ambientes e que servisse como referência demonstrativa do potencial estético do sistema básico adotado. A
figura 3 apresenta duas imagens da maquete, ressaltando a busca de
movimentação nas fachadas e coberturas, projetadas em consonância com
as exigências estruturais do sistema viga-laje e com o projeto
complementar de obtenção energética por sistema solar (placas
fotovoltáicas). |
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
O
quadro da figura 4 apresenta os principais ambientes e as respectivas áreas.
As figuras 5 e 6, as plantas baixas e a figura 7 um corte esquemático
longitudinal.
Todos os ambientes foram concebidos a partir da técnica construtiva adotada, cujo posicionamento dos painéis buscam o travamento das componentes da edificação, formando uma unidade estrutural íntegra. |
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Figura 4 - Quadro básico dos ambientes da Casa Ecológica. |
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
3.1.
Características Gerais O
projeto arquitetônico foi elaborado no Laboratório de Planejamento e
Projetos da UFES, cuja principal função é possibilitar o rebatimento
das atividades acadêmicas em projetos de extensão universitária,
unindo professores e alunos em profícuos debates. Assim, devido às
características peculiares da Casa, cada tomada de decisão no projeto
arquitetônico foi precedida de ampla discussão, especialmente sob os
aspectos da adequação ambiental, racionalização energética,
conforto do usuário e viabilidade técnico-construtiva e econômica. Com relação ao partido adotado, conforme já mencionado anteriormente, embora a Casa Ecológica deva funcionar como um local de visitação pública, o partido proposto visa caracterizá-la com os padrões tipológicos de uma casa urbana, enfatizando que a coerência ecológica não precisa estar vinculada a desconforto e padrões estéticos relacionados à rusticidade (figura 8). O quadro da figura 9 descreve sucintamente as principais características do projeto, observando-se que todas as decisões foram alicerçadas na realidade ambiental e econômica da região e, especialmente, na possibilidade de incentivar o setor produtivo na geração de produtos de qualidade e ambientalmente aceitáveis. |
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Figura 11 - Características do sistema viga-laje. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
Para
a Casa Ecológica, está sendo testada a madeira de reflorestamento
(eucalipto com densidade básica maior ou igual a 650 kg/m3),
com rígido controle em relação à qualidade e secagem. As peças
foram adquiridas secas em estufa (15%), aparelhadas e tratadas com secção
de 3,5 x 15 cm e comprimentos variados. O volume total de madeira
previsto é de 19 m3, já adquirido e em processo de produção
das peças. Observa-se que a ausência de encaixes permite a confecção das peças com instrumentos básicos de marcenaria e a possibilidade de montagem da edificação sem uso de equipamentos auxiliares de construção e/ou mão de obra especializada. Além disso, os painéis admitem soluções arquitetônicas arrojadas, desde que obedecidos os necessários travamentos entre painéis.
4.
COMENTÁRIOS FINAIS As
obras para a construção da Casa iniciaram em junho de 2000, estando previsto
o término em cerca de 120 dias. Destaca-se que os projetos
complementares, tais como tratamento de esgoto, iluminação, energia
solar, mobiliário, etc. foram elaborados de acordo com as empresas
parceiras do setor privado e/ou governamental. A
Casa atualmente está em processo de construção prevendo-se o
monitoramento de todas as etapas de obras para posterior avaliação do
sistema adotado sendo que já estão em andamento os estudos
preliminares para o desenvolvimento de um protótipo de habitação
popular para famílias de baixa renda, adotando-se os mesmos princípios
construtivos utilizados na Casa Ecológica. Espera-se
que a união entre o setor produtivo da economia (eco = casa; nomia =
gestão) e os princípios da ecologia (eco = casa, logia = estudo)
possam ser exemplificados, fisicamente, na viabilização da “Casa
Ecológica” numa verdadeira demonstração que ambos os setores podem
ser compatíveis, adequados ao ambiente urbano e, acima de tudo,
coerentes com as prerrogativas estabelecidas para o novo século. |
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
|
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
6
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALVAREZ,
C. E. et al. A Casa Ecológica.
Vitória, ES, SEAMA/ARACRUZ/UFES, 1999. (relatório interno) ALVAREZ,
C. E. de, MELO, J. E. de. A Estação
Científica do Arquipélago de São Pedro e São Paulo. Vitória,
ES. Ed. UFES, 2000. ANDRADE,
M. C. O. de.. O desafio ecológico:
utopia e realidade. São Paulo, SP: Hucitec. 1994. ASENCIO,
F.. World of environmental design.
Barcelona:
Curver. 1994-95. BROWN,
G. Z. et al.. Inside
out: design procedures for passive environmental technologies.
2ª ed. New York, NY: John Willy & Sons Inc. 1992. BRÜGGER,
P. Educação ou adestramento
ambiental? Florianópolis, SC: Livraria e Editora Obra Jurídica
Ltda. 1999. CARVALHO,
B. de. Ecologia e Arquitetura.
Ecoarquitetura: onde e como vive o homem. Rio de Janeiro: Globo. 1984. COLLIER,
T. Design, technology and the
development process in the built environment. Faculty of the built
environment, Universitu of Central England, Birminghan, UK: E&FN
Spon. 1995. COTTON-WINSLOW,
M. Environmental design: the best
of Arqchitecture & Technology. New York, NY: The library of
applied design. 1990. CROWTHER,
R. Ecologic Architecture.
Boston: Butterworth Architecture, 1992. FIGUEIREDO,
P. J. M. A sociedade do lixo: os
resíduos, a questão energética e a crise ambiental. 2ª
ed. Piracicaba, SP: Ed. UNIMEP. 1995. GUIMARÃES,
G. D. Análise energética na
construção de habitações. Rio de Janeiro: UFRJ, 1985. (Dissertação de Mestrado) HERTZ,
J. Ecotécnicas em arquitetura: Como Projetar nos Trópicos Úmidos no
Brasil. São Paulo: Pioneira. 1998. LAMBERTS,
R. Eficiência Energética na
Arquitetura. São Paulo: PW Editores. 1997. ODUM,
E. P. Ecologia. Rio de
Janeiro: Ed. Guanabara. 1988. PAPANEK,
V. The green imperative ecology
and ethics in design and architecture. London, UK: Thamus and Hudson.
1995. VALE,
B.; VALE R. Green Architecture:
design for a sustainable future. London, UK: Thames and Hudson Ltd.,.
1996. VAN
LENGEN, J. Manual del arquitecto descalzo: Como construir casas y
otros edificios, México, ed. Concepto.
1982. |
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
|
|
|
|
|