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AGRICULTURA ORGÂNICA NA AMÉRICA LATINA |
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DAROLT, Moacir
Roberto Trabalho publicado em 23/03/2001 |
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O
intuito deste artigo é apresentar uma visão geral da agricultura orgânica
nos principais países da América Latina, em termos área, número de
produtores, principais culturas e mercado potencial.Inicialmente,
para localizar a América Latina no contexto mundial elaboramos a Figura
1, que mostra a distribuição dos 15,7 milhões de hectares
manejados organicamente no mundo, segundo dados de uma pesquisa recente
realizada pela Federação Internacional de Movimentos de Agricultura
Orgânica (IFOAM/ WILLER & YUSSEFI, 2001).
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FIGURA
1 – DISTRIBUIÇÃO MUNDIAL DAS ÁREAS EM AGRICULTURA ORGÂNICA,
SEGUNDO OS DIFERENTES CONTINENTES. |
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A
Figura 2 mostra que, em nível mundial, a América Latina é o
terceiro continente em termos percentuais, depois da Oceania e Europa,
perfazendo cerca de 21% da superfície total manejada no sistema orgânico
de produção. |
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FIGURA
2 – PERCENTUAL DE DISTRIBUIÇÃO DAS ÁREAS EM AGRICULTURA ORGÂNICA
NO MUNDO, SEGUNDO OS DIFERENTES CONTINENTES. |
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Atualmente,
cerca de 40 mil produtores cultivam aproximadamente 3,2 milhões de
hectares sob manejo orgânico na América Latina, conforme mostra
detalhadamente a Tabela 1. Os países com as maiores percentagens
da área total com agricultura orgânica são: Argentina, Costa Rica,
Paraguai, El Salvador e Suriname. Em termos de número de produtores orgânicos
o México aparece em primeiro, seguido do Brasil, Costa Rica, Peru e
Argentina. Vale
lembrar que a América Latina tem uma tradição milenar de cultivo da
terra, acumulando experiências, como a dos Incas e Astecas, que
buscavam a interação com o meio ambiente sem acesso a insumos
externos, capital ou conhecimento científico. Utilizando a autoconfiança
criativa, o conhecimento empírico e os recursos locais disponíveis, os
agricultores tradicionais da América Latina freqüentemente
desenvolveram sistemas agrícolas com produtividades sustentáveis. |
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TABELA
1 – ÁREA, NÚMERO DE PRODUTORES E PERCENTUAL DA ÁREA AGRÍCOLA SOB
MANEJO ORGÂNICO EM ALGUNS PAÍSES DA AMÉRICA LATINA. |
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FONTE:
Adaptado de WILLER & YUSSEFI (2001) |
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Preocupados
com a crítica situação dos pequenos agricultores da América Latina,
mais de 80 organizações desenvolvem projetos relacionados com a
agroecologia. Uma das organizações mais expressivas é o Movimento
Agroecológico Latino Americano (MAELA), que atualmente trabalha com
mais de 15 países da região. |
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FIGURA 3 – PRINCIPAIS PAÍSES E RESPECTIVAS ÁREAS SOB MANEJO ORGÂNICO NA AMÉRICA LATINA. |
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FONTE:
Adaptado de IFOAM / LERNOUD (2000) |
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A
Argentina é, atualmente, o país com a maior área
certificada na América Latina, ocupando o segundo lugar em nível
mundial, atrás da Austrália. Os dados mais recentes mostram que
existem cerca de 1.400 produtores orgânicos certificados. Nos últimos
quatro anos houve um aumento gigantesco da área certificada, passando
de 287.000 em 1997 (FOGUELMAN & MONTENEGRO, 1999), para cerca de
3.000.000 hectares em 2001, o que corresponde a cerca de 1,7% da área
total cultivada. Vale lembrar que cerca de 95% desta superfície
corresponde a áreas de pastagens. |
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No México
a agricultura orgânica começou a crescer a partir do início dos
anos de 1980. Entretanto, foi nos últimos 5 anos que o crescimento foi
maior. Segundo TOVAR (2000), as áreas orgânicas certificadas passaram
de 23.000 hectares em 1996 para cerca de 85.000 no ano 2000. Existem
cerca de 137 zonas incorporadas ao movimento orgânico no México,
cultivando cerca de 30 diferentes produtos, com destaque para o café
(cultivado em cerca de 75% da área); hortaliças, incluindo tomate,
pimenta, pepino, alho, etc. (10% da área); maças (5% da área);
sementes de gergelim (4%); feijões e grão-de-bico (3%); e outros
produtos em menor escala (3% da área) como amendoim, cana-de-açúcar;
banana, abacate, cacau, manga, morango e outras ervas medicinais. O México
apresenta o maior número de produtores orgânicos da América Latina,
cerca de 28.000, divididos em dois grupos: pequenos produtores ligados a
grupos de movimentos sociais, que representam 95% do total de produtores
e grandes produtores ligados a grupos privados. Os pequenos produtores são
responsáveis por 89% da produção orgânica mexicana e respondem por
78% da renda gerada com estes produtos. Em torno de 85% da produção
orgânica mexicana é exportada, sobretudo para os Estados Unidos. O
restante 15% é distribuído no mercado interno. Isto faz com que as
principais certificadoras sejam estrangeiras. Para se ter uma idéia,
aproximadamente 79% da certificação é realizada por agências
estrangeiras, sobretudo por certificadoras americanas, como a Organic
Crop Improvement Association International (OCIA) que acompanha
43% da área certificada. Segundo TOVAR (2000), o setor orgânico
mexicano gera aproximadamente 8,7 milhões de empregos por ano e
movimenta cerca de U$ 70 milhões anuais em exportações. |
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A
Costa Rica é o terceiro país com o maior número de produtores orgânicos
da América Latina (Tabela 1). O número de agricultores
passou de 1.300 em 1996 (GARCIA, 1997) para cerca de 3.676 em 2000. Uma
característica que chama atenção é que a grande maioria das
propriedades é pequena, sendo a produção orgânica desenvolvida numa
área de 2,6 hectares em média. Atualmente, cerca de 0,4% da área
total agricultável encontra-se no sistema orgânico. Os maiores volumes
de produção são para os cultivos de banana, café, cana de açúcar e
palmito. Entretanto, está bem desenvolvido o cultivo de hortaliças,
citrus, mamão, manga, abacaxi, feijão e arroz. |
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A República
Dominicana é uma pequena ilha no Caribe que se destaca pelo grande
número de produtores orgânicos, cerca de 1.000, que produzem
principalmente banana, cacau, café, abacaxi, manga e outras frutas
tropicais. Em menor escala pode-se encontrar a produção de hortaliças. |
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| O Paraguai conta atualmente com uma área em torno de 19 mil hectares sob manejo orgânico. Sua principal atividade no setor orgânico é a produção de soja, milho e açúcar orgânico para exportação. Também o Equador e o Brasil se destacam na produção do açúcar orgânico. | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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O
Chile ainda apresenta um pequeno número de produtores orgânicos
(200) numa área de aproximadamente 2.700 hectares. A produção, como
em outros países da América Latina, é voltada basicamente para
exportação, destacando-se a produção de frutas como o kiwi e outras
consideradas nobres como a framboesa e o morango. Alem disso, o Chile
também exporta legumes orgânicos frescos e desidratados. |
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O
café é um dos produtos orgânicos mais solicitados no exterior. Além
do México, fazem parte do mercado de café orgânico a Colômbia,
Bolívia, Nicarágua, Guatemala e El Salvador.
A produção envolve um manejo conhecido como “café sombreado”,
onde a cultura é associada à floresta. Paralelamente, estes países se
destacam pela produção de frutas tropicais. |
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O Brasil
ocupa atualmente a segunda posição na América Latina em termos de
área manejada organicamente. Estima-se que já estão sendo cultivados
perto de 100 mil hectares em cerca de 4.500 unidades de produção orgânicas.
Aproximadamente 70% da produção brasileira encontra-se nos estados do
Paraná, São Paulo, Rio Grande do Sul , Minas Gerais e Espírito Santo.
Nos últimos anos o crescimento das vendas chegou a 50% ao ano. Os
principais produtos brasileiros exportados são café (Minas Gerais);
cacau (Bahia); soja, açúcar mascavo e erva-mate (Paraná); suco de
laranja, óleo de dendê e frutas secas (São Paulo); castanha de caju
(Nordeste) e guaraná (Amazônia). |
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| Em síntese, os dados latino-americanos sobre a produção orgânica permitem que sejam feitas algumas considerações finais. A maioria dos países da América Latina não possui uma legislação eficiente que regulamente a produção e comercialização de alimentos orgânicos. Alguns países como o Brasil, Chile e Paraguai já iniciaram o processo de regulamentação. A Argentina, que hoje é o país mais desenvolvido no setor orgânico da América Latina, já estabeleceu seu regulamento em 1994. Também a Costa Rica já possui uma regulamentação nacional para a produção orgânica. O fato de não haver um processo legal na maioria dos países faz com que a produção para exportação seja certificada por empresas estrangeiras, sobretudo companhias americanas e européias. Este procedimento torna o custo de certificação muito alto e, em muitos casos, acaba sendo um entrave para a expansão do mercado. | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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Apesar
de a maior parte da produção orgânica ser destinada à exportação,
alguns países da América Latina apresentam um grande potencial para
expansão do mercado interno, sobretudo por meio de feiras livres,
lojas especializadas e supermercados, como é o caso do Brasil,
Argentina, Chile, Equador, México e Uruguai. A venda em supermercados
tem crescido substancialmente. Atualmente, podem ser encontrados
produtos orgânicos em supermercados no Uruguai, Costa Rica, Honduras,
Peru, Brasil e Argentina. Os produtos processados ainda são
encontrados em menor escala, sendo um mercado promissor para a América
Latina. Atualmente, a Argentina é o país com a maior produção de
alimentos orgânicos industrializados (sucos concentrados, óleos,
vinhos, chás, frutas secas, condimentos, etc.). |
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Em
resumo, podemos dizer que a rapidez de expansão da agricultura orgânica
na América Latina dependerá, entre outros fatores, de uma legislação
eficiente adaptada às condições regionais de cada país, que
garanta que o produto é orgânico; de processos de certificação
mais eficientes e participativos, que considerem não só aspectos
tecnológicos, mas também sociais; da organização dos circuitos de
comercialização (agricultores,
transformadores, distribuidores, fornecedores e consumidores); do
apoio governamental por meio de políticas que apoiem e
incentivem a conversão dos agricultores convencionais em orgânicos; além
da valorização e investimento em centros de pesquisa, ensino e
extensão, que permitam o resgate de conhecimentos dos agricultores
tradicionais latino-americanos para impulsionar o sistema orgânico. |
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BIBLIOGRAFIA
CONSULTADA FOGUELMAN, D. & MONTENEGRO, L. Organic Production and Farmers in Argentina INTERNATIONAL
IFOAM SCIENTIFIC CONFERENCE, 12th, (1998: Mar del Plata). Proceedings...
Mar del
Plata: IFOAM, 1999. p. 45-50 |
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