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DOK – um Experimento
de Longo Prazo |
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Introdução Enquanto observamos a drástica diminuição da biodiversidade da face da terra pela extinção de espécies de animais e plantas, a perda de solo através da erosão é um fenômeno mais difícil a ser constatado. Porém, é sabido que no curto período de 40 anos um terço das áreas agricultáveis foi perdido dessa forma. As consequências dessas perdas ao nível de fauna do solo são, em sua maioria, desconhecidas. Essa fauna é de suma importância no combate à erosão pois é formadora de agregados estáveis no solo. A tendência mundial nas últimas décadas mostrou-se direcionada para a intensificação da produção agrícola. Nela faz-se uso de poucas culturas selecionadas pelas suas altas produtividades, as quais só são atingidas quando as plantas são nutridas com elevadas doses de adubos minerais e protegidas das doenças e de insetos através do uso irrestrito de agrotóxicos.Questionando o nível de sustentabilidade deste sistema, a União Européia lançou vários programas de apoio a uma produção agrícola mais ecológica, levando a extensificação em lugares menos apropriados para a agricultura, assim como a proibição de produção em áreas não-apropriadas à agricultura. Dentro desses programas, a agricultura orgânica encontrou forte sustento econômico. Para que os métodos mais ecológicos de produção possam ser subsidiados (seja através da ajuda do governo ou por preços mais altos dos produtos), é necessário que se justifique a sua verdadeira importância com dados obtidos em pesquisa. Assim como a formação do solo se faz através de milhares de anos, mudanças no seu estado físico, químico e em sua fauna também ocorrem lentamente. Para que se possa atribuir qualquer transformação ao sistema de produção, é necessário que se tenha resultados de pesquisa de longo prazo, onde a evolução até o devido estado tenha sido observado, e que se tenha resultados comparativos, controlados também a nível estatístico. Experimentos de longo prazo também servem para uma melhor compreensão dos processos que ocorrem nos solos, facilitando assim, na otimização de sistemas de produção mais ecológicos. "Adubar é trazer vida ao solo". Este é um axioma válido para todas as formas de agricultura. A racionalização e a produção em larga escala, práticas que se fazem cada vez mais habituais também no cultivo orgânico, induzem muitas vezes a renúncia de importantes técnicas conservacionistas como a compostagem ou o uso de preparados que elevam a fertilidade do solo. O experimento DOK nos mostra, que essas técnicas realmente levam a um solo mais ativo, com maior translocação de matéria e estabilidade dos agregados do solo. |
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O Experimento Desde 1978, o Instituto de Pesquisa em Agroecologia (FAL) e o Instituto de Pesquisa em Agricultura Orgânica (FiBL) na Suiça, vêm colhendo dados e resultados com o experimento DOK. As três letras apontam para as diferentes formas de cultivo em comparação: D está para Biodinâmico, O para Orgânico e K para Convencional. As maiores diferenças encontram-se na forma de nutrição das plantas (adubação) e no combate às pragas. No sistema Convencional utilisam-se os tradicionais adubos químicos, assim como esterco fresco; no sistema orgânico o esterco é parcialmente apodrecido e no sistema biodinâmico usa-se o esterco na compostagem. A rotação de culturas, o trabalho com a terra e a escolha das variedades a serem plantadas são os mesmos para os três sistemas. |
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Carbono
do solo Cada
espécie de microorganismo é mais ou menos especializada quanto a sua
alimentação. Em um solo rico em número total e diversificação de
espécies, a cadeia alimentar é mais completa, aumentando a interação
entre bactérias e fungos, facilitando assim os processos de biodegradação
e transformação de matéria orgânica em húmus e agregados estáveis
do solo. Esta eficiência nos processos de transformação devido à
alta atividade biológica, leva também a um menor consumo de energia
para estabilização da biomassa. Em
consequência, observou-se que os microorganismos das parcelas de
cultivo biodinâmico e orgânico incorporaram mais carbono em sua
biomassa, desprendendo (respirando) menos CO2 por unidade,
quando comparados aos solos de cultivo convencional. Este fator é de
grande importância quanto a problemática do efeito estufa. Nutrientes
do solo Assim
como para o carbono, as parcelas de cultivo biodinâmico e orgânico
demonstraram alto nível de transformação e incorporação de fósforo
e nitrogênio no solo. Isso significa que estas parcelas contêm uma
grande fonte de nitrogênio, a qual demonstrou estar disponível durante
um período maior para a nutrição das plantas, do que o nitrogênio
mineral proveniente de adubação nas parcelas de cultivo convencional. É
conhecido que este elemento é bastante móvel no solo, lixiviando
("sendo lavado") facilmente até o lençol freático na forma
de nitrato, onde, quando em grandes quantidades, é um fator poluente da
água que consumimos. Questiona-se, portanto, se este fato vêm a ser um
problema nas condições de cultivo orgânico e biodinãmico. Apesar de
ainda não existirem resultados confiáveis do experimento DOK,
numerosos estudos feitos na Alemanha e na Holanda demonstram que os níveis
de nitrato nas águas em solos sob cultivo mais sustentável são, em
geral, mais baixos do que em solos de produção convencional. Porém,
para que se possa chegar a uma conclusão definitiva, é importante que
se obtenha mais resultados. Estudos
demonstram que a atividade biológica tem grande importância na nutrição
do fósforo para as plantas. Os microorganismos facilitam a transferência
do fósforo que se encontra geralmente fixado às partículas do solo
para a forma solúvel, disponibilizando-o às plantas. No sistema biodinâmico,
esta transferência foi de 3 a 4 vezes maior do que no sistema
convencional, mostrando-se ainda 1,7 a 2,5 vezes maior para o sistema
orgânico. Devido
à ação direta da adubação, as parcelas convencionais têm os mais
altos níveis de fósforo e potássio solúveis. O contrário
observou-se para o cálcio e o magnésio. |
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Produtividade
dos diferentes tipos de cultivo As
diferenças nos níveis de produtividade de cada sistema de cultivo
dependeram bastante das espécies cultivadas. No terceiro período de
rotação de culturas, os sistemas biodinâmico e orgânico obtiveram
uma produtividade de 24% menor no cultivo do trevo, entre 6 e 11% para o
trigo e de até 45% a menos para a batata. Durante 21 anos, as parcelas
mais sustentáveis demonstraram, em média, uma produtividade de 79% da
alcançada dentro dos padrões convencionais de produção. Estas
diferenças se dão, principalmente, devido ao não uso de agrotóxicos
e de adubos. Nas parcelas convencionais utilisou-se para cada cultura
3,6kg/ha/ano em pesticidas e herbicidas, assim como 50% a mais em
nutrientes para as plantas. Dada a energia gasta na fabricação de
adubos sintéticos, registra-se um consumo de 20 a 30% menor de energia
por tonelada de massa seca produzida nos sistemas orgânico e biodinâmico. |
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Considerações
finais Em
vista da boa produtividade e do bom desenvolvimento da fertilidade dos
solos sob cultivo orgânico e biodinâmico, estas formas de produção
se propõem como reais alternativas ao método agrícola convencional.
Para garantir a segurança alimentar ao longo prazo, é importante que
estejamos preocupados em elaborar uma forma de produção mais sustentável
possível do ponto de vista ecológico. |
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| Fonte: Lebendige Erde (Julho / Agosto 2000) | |||
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