Trabalhos 


MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO
SECRETARIA DA AGRICULTURA FAMILIAR
PROGRAMA NACIONAL DE FORTALECIMENTO DA AGRICULTURA FAMILIAR – PRONAF


Casa Familiar Rural
Aprendendo com a realidade

HISTÓRICO

As Casas Familiares Rurais (CFR) tiveram origem na França em 1937, por iniciativa de um grupo de famílias do meio rural, propondo a adoção de uma formação profissional aliada à educação humana para seus filhos. Nascia , assim, a Casa Familiar Rural, com a estrutura da Pedagogia da Alternância.
Hoje, a Casa Familiar Rural expandiu-se para os cinco continentes, em trinta países, com a mesma concepção - responsabilidade e engrossamento das famílias na formação dos jovens, no sentido de provocar o desenvolvimento global do meio.

No Sul do Brasil, o processo de implantação das Casas Familiares Rurais teve início no Paraná, em 1987, nos municípios de Barracão e Santo Antônio do Sudoeste, com discussão dos agricultores e envolvimento das comunidades.

Já em 1991, as Casas Familiares Rurais estavam sendo implantadas nos Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul e desenvolveram-se, também, nos outros Estados do Brasil, sobre a coordenação das Associações Regionais das CFR (ARCAFAR) hoje organiza-se em Confederação Nacional (CONACAFARB)

Em 1998, as Casas Familiares Rurais integram-se às ações, em nível federal, do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar - PRONAF, possibilitando o crescimento de unidades implantadas no Pais. Os princípios do PRONAF são convergentes com os adotados pelas CFR, facilitando assim o acesso à profissionalização dos jovens e de suas famílias, e contribuindo com o aumento de ocupações produtivas e da renda no meio rural.

OBJETIVOS das Casas Familiares Rurais

-Oferecer aos jovens rurais uma formação integral, adequada a sua realidade, que lhes permitam atuar, no futuro, como um profissional no meio rural, além de se tornarem homens e mulheres em condições de exercerem plenamente a cidadania.

-Melhorar a qualidade de vida dos produtores, dos rurais, através da aplicação de conhecimentos técnicos-científicos organizados a partir dos conhecimentos familiares, e através da pedagogia da alternância os jovens acima de 14 anos com 4a serie, 1° ou 2° Grau nos três anos de curso recebem um diploma de formação profissional e o 1° Grau, para aos que não têm.

-Fomentar no jovem rural o sentido de comunidade, vivência grupal e desenvolvimento do espírito associativo, e desenvolver a consciência de que é possível, através de técnicas de produção adequadas, de transformação de comercialização, viabilizar uma agricultura sustentável, sem agressão e prejuízos ao meio ambiente.

-Desenvolver práticas capazes de organizar melhor as ações de saúde de nutrição e cultural das comunidades.

FUNCIONAMENTO E METODOLOGIA

A duração das atividades na CFR é de três anos, em regime de internato, com a adoção do método de alternância onde os jovens passam:

---> duas semanas na propriedade, no meio profissional rural, e

---> uma semana na Casa Familiar Rural

Durante as duas semanas na propriedade ou no meio profissional, o jovem realiza um Plano de Estudo, discute sua realidade com a família, com os profissionais e provoca reflexões, planejam soluções e realiza experiências na sua realidade, disseminando assim novas técnicas nas comunidades.

E durante a semana na Casa Familiar Rural, os jovens colocam em comum com ajuda dos monitores os problemas as situações levantadas na realidade, buscam novos conhecimentos para compreender e explicar os fenômenos científicos.

Através os cursos profissionais com fichas pedagógicas que fazem parte da Pedagogia da Alternância são integradas a formação geral (interdisciplinaridade), a educação social e humana, e o desenvolvimento do espírito de trabalho em grupo.

Assim a Pedagogia da Alternância, baseada na realidade profissional dos jovens, é a forma de vinculação do conhecimento teórico e prático, ou seja  " aprender a aprender ".

Uma equipe de monitores, ligados as áreas de Ciências Agrárias e Economia Doméstica, entre outras, são responsáveis pela organização, pela dinamização das atividades docentes, e pela elaboração, em conjunto com os pais da Associação da CFR e Órgãos, de um Plano de Formação, sempre respeitando o calendário agrícola local.
Os monitores têm apoio e assessorameno técnico e pedagógicos das entidades locais e estaduais.
Os monitores acompanham o trabalho, o projeto pessoal de cada jovem e particularmente, através das visitas nas famílias durante os períodos de alternâncias.

Existe, algumas Escolas Famílias Agrícolas que realizam formação com alternância.

ADMINISTRAÇÃO E MANUTENÇÃO

A Casa Familiar Rural é administrada por uma Associação formada pelas famílias, pais de jovens que freqüentam a CFR principalmente. O Conselho de Administração eleito pela Assembléia Geral represente as comunidades.

A associação organiza a pesquisa participativa nas comunidades, para escolher os Temas para poder elaborar com os monitores o Plano de Formação.

A associação mantém a CFR, através de um sistema de parceria, com o apoio dos órgãos públicos e privados do município e do estado. Cada família de jovem contribui, trazendo o que produz em sua propriedade, para sua própria alimentação na semana na CFR. Os Órgãos locais, Prefeituras e instituições diversas, apoiam o funcionamento. As Secretarias da Educação e da Agricultura, principalmente, apoiam financeiramente e tecnicamente, dependendo dos Estados.

A Associação regional, ARCAFAR, organiza o apoio no que se refere à Pedagogia da Alternância capacitando os monitores e os responsáveis das associações.

A ARCAFAR de cada região tem a função de representar e de assessorar a implantação das CFR, nos diversos estados, a fim de que as comunidades assumam a decisão consciente e participativa de criar a CFR e minimizando o oportunismo e influências diversas.

RESULTADOS

A formação profissional dos jovens de 14 a mais de 25 anos é organizada pelas CFR na maioria dos estados desde 1988. Os adultos são fortemente envolvidos através da formação dos jovens.

  • As 83 CFR que estão em funcionamento e mais de 257 associações se preparam para outras criações de CFR com apoio do PRONAF e outras instituições.
  • Duas Casas Familiares do Mar já funcionam em Santa Catarina nos municípios de São Francisco do Sul a mais antiga e Laguna que abriu recentemente

O Plano de Formação é elaborado a partir da realidade das famílias pesqueiras
Seja a maricultura as recursos marinhos tecnologias de pesca, navegação oceanografia Ambientes costeiros, turismo.
Na casa familiar do Mar diversos municípios participam com 3 grupos de 25 jovens e pouco a pouco todas as famílias estão envolvidas
Muitos estados estão com vontade de desenvolver as Casas Familiares do Mar

  • Para responder a demanda das famílias as Casas Familiares Rurais estão desenvolvendo a profissionalização pelos setores não agrícolas como a pesca já contemplada e com a formação de pedreiros, marceneiros, mecânicos hotelaria Turismo etc.. .em função da demanda local
  • O impacto de todas as CFR é importante, considerando que cada jovem, envolve sua a família e 10 famílias vizinhas, seja 40 pessoas , cada CFR reagrupando de 60 a 80 jovens soma 3000 pessoas envolvidas por CFR. Atualmente as 83 CFR representem 250 000 pessoas envolvidas diretamente ou indiretamente.
  • Com as novas CFR, a médio prazo, serão 952 000 pessoas envolvidas.
  • Os resultados da profissionalização aparecem, através dos projetos que os jovens realizam durante as alternâncias, nas suas propriedades juntos com suas famílias.
  • Os resultados, na área técnica, são progressivos, principalmente no melhoramento da produção, com ênfase na diversificação desta produção nas propriedades e em particular, nos assentamentos.
  • Muitos jovens envolvem-se na transformação dos produtos e na comercialização. A maioria dessas atividades vem sendo feitas em grupos de forma associativa ou em pequenas cooperativas.
  • Os resultados sociais vêm sendo alcançados com o desenvolvimento das qualidades mais solidárias do jovem, trazendo uma sensível melhoria nas relações com as famílias. com amigos e com as comunidades de que fazem parte.
  • Os jovens das Casas Familiares Rurais desenvolvem a consciência crítica, a capacidade de entender melhor o mundo que o cerca, e passa a ser mais atuante dentro de sua família e das comunidades que vive.

DESAFIOS PARA O FUTURO

Despertar as entidades, em todos os níveis, para a importância e a seriedade do Projeto Casa Familiar Rural, envolvendo-os, no sentido de conseguir apoio para:

  • Conscientizar os agricultores que para ser profissional do futuro é preciso ter uma formação.
  • Investir na capacitação dos recursos humanos (associações e monitores) e ter reconhecimento da pedagogia.
  • Criar condições de trabalho com a construção de prédio, equipamentos didáticos, bibliotecas entre outros, abertos a todo, adequados às Casas Familiares Rurais .
  • Estimular a utilização do crédito para que os agricultores desenvolvam seus projetos de melhoria da produção através a agroindustrialização e a comercialização.

Avaliar e registrar constantemente os resultados obtidos, fazendo um trabalho de divulgação com objetivo de esclarecer as necessidades locais considerando o desenvolvimento sustentável da região de atuação, preservando o meio ambiente.

   
   

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