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MANEJO AGRÍCOLA E ECOLÓGICO DE QUIABO (Hibiscus
esculentus L.) |
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Nelson Salgado Tavares |
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No
assentamento de Jucuruaba, localizado no município de Viana, no Estado
do Espírito Santo, foi realizado um estudo de comparação entre as médias
das produções de quiabo (Hibiscus
esculentus L.) provenientes de agricultura química e de agricultura
natural (ou agroecologia). O quiabo, com aplicação de químicas, foi
plantado nas vizinhanças do campo experimental onde o autor conduziu a
agricultura natural em três sítios de uma paisagem homogênea. Os
solos onde foram feitos os experimentos da agricultura natural e da
agricultura química são classificados como Aluviais distróficos. O
experimento foi conduzido no período de 13 de maio a 6 de novembro de
1998. Objetivou-se
avaliar a produção comercializável de quiabo entre um agrossistema
eutrofizado artificialmente (agricultura química) e um agrossistema sem
aporte de elementos químicos (agricultura natural). Neste último foram
fornecidas, através de três tratamentos, condições para que fossem
recriadas e mantidas, em diferentes níveis, as relações ecológicas
existentes em um solo de floresta. A metodologia utilizada para a agricultura
natural, no presente estudo, empregou três tratamentos distintos, com
diferentes técnicas de reposição e manutenção de matéria orgânica
vegetal no solo. O método com aplicação de química agrícola para a
cultura de quiabo foi o convencional, adotado e difundido pela EMATER
local. Para avaliar a produção do quiabo "químico", o autor
tomou como base a quantidade comercializada por um produtor desta olerícola
na região de Viana, Espírito Santo. Nos
três tratamentos de agricultura natural foram utilizadas, em diferentes
níveis, práticas: -que privilegiaram o reciclo constante da matéria orgânica; -que protegeram o solo; -que evitaram a compactação do solo e: -que eliminaram a eutrofização artificial (adubação química e
composto orgânico alóctone ) do ecossistema do solo. Os resultados finais demonstraram: -que
as práticas da agricultura natural, quando aplicadas simultaneamente,
culminaram em uma produção de quiabo (14.015,00 kg/ha) 57% maior do
que a obtida pela agricultura química (8.926,00 kg/ha) normalmente
usada nesse município capixaba, no período de maio a novembro de 1998; -que
esta diferença percentual detectada permitiu garantir, a partir de análises
estatísticas, que houve uma produtividade maior no sítio onde foi
aplicado o método de cultivo "natural" menos estressante ao
ecossistema do solo; -que
o tratamento menos estressante da agricultura natural, quando comparado
com a agricultura química, teve a produção 57% maior, muito embora o
solo de onde se obteve esta grande produção tenha sido o mais pobre em
nutrientes e o que apresentou o pH mais baixo (5,1); -que
entre os três tratamento de agricultura natural, aquele que obteve a
produção mais baixa (8.858,00 kg/ha) foi o conduzido no solo mais rico
quimicamente e com o melhor pH (6,7), porém foi o que recebeu o
tratamento mais estressante para o seu ecossistema. Conclui-se, assim, que as técnicas
de agricultura natural, aplicadas no sítio de maior produção neste
experimento, foram mais importantes que as condições químicas de seu
solo. Neste experimento, o autor supõe, terem sido recriadas e mantidas
as relações ecológicas existentes em um solo de floresta, o que se
mostrou muito mais importante
que a riqueza química do solo detectada nas análises laboratoriais.
A grande produção de quiabo, do sítio mais deficiente em nutrientes e
com pH 5,1 (ácido), indica que a fertilidade química de um solo passa
a ser pouco relevante em um agrossistema onde são aplicados métodos
agrícolas fundamentados na recriação e manutenção das relações
ecológicas existentes, por mais de 100 milhões anos, entre as plantas,
solos e organismos de um ecossistema tropical. Neste trabalho, a grande produção da agricultura natural, provavelmente, tenha sido resultante das propriedades emergentes[1] estabelecidas a partir das interações biológicas entre solo-planta-microrganismos. [1] Na
organização hierárquica dos sistemas biológicos, à medida que
os componentes ou subconjuntos combinam-se para produzir sistemas
funcionais maiores, emergem novas propriedades, as chamadas
“propriedades emergentes”, que não estavam presentes no nível
inferior. Em outras palavras, as propriedades do todo não podem ser
reduzidas à soma das propriedades das partes. Florestas pluviais e
recifes de coral são ecossistemas estáveis, pobres em nutrientes
porém com altas taxas de produtividade, onde estão presentes altas
taxas de diversidade de espécies e muitas propriedades emergentes (ODUM,
E. P. Ecologia, Rio de
Janeiro: Guanabara Koogan., 1983. 434 p.).
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Nelson Salgado Tavares
- Engº Agrônomo
E-mail: nelson.t@vta.incra.gov.br ou nttg@terra.com.br |
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