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O
Pastoreio Voisin e a Agroecologia ( Parte II).
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O
método conhecido como Pastoreio Voisin (PV) constitui uma
tecnologia de processo que atende as melhores exigências para o
crescimento e desenvolvimento das pastagens e atendimento das
necessidades dos animais em pastoreio. Através dos tempos de
repouso concedidos aos piquetes, proporciona-se às plantas
todas as condições para que possam crescer sem interrupções
ou agressões, até que atinjam um novo ponto de corte. Os
animais, uma vez por dia, todos os dias (no gado leiteiro, duas
vezes), saem de uma parcela semi-pastoreada, de odor
desagradável, na qual depositaram seus excrementos, e vão para
uma nova, de pasto fresco e odor desagradável.
Esse manejo diário é o mais poderoso indutor de consumo de
pasto verde nos sistemas rotativos de utilização de pastagens.
Além de todos os benefícios ecológicos, essa produção reduz
os custos, o que é o anseio dos criadores de gado de leite ou
corte, cuja maioria enfrenta os baixos rendimentos econômicos
de suas propriedades.
Veja,
a seguir, os enunciados das 04 leis universais do Pastoreio
Racional formulados por André Voisin
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1) Lei do
Repouso.
Para que o
pasto cortado pelo dente do animal possa dar sua máxima
produtividade, é necessário que entre dois cortes consecutivos
haja passado um tempo que permita ao pasto:
a. armazenar em
suas raízes as reservas necessárias para um começo de rebrote
vigoroso.
b. realizar sua
"labareda de crescimento" ou grande produção diária
de massa verde.
Premissa
I : o
período de repouso varia com a estação do ano, condições
climáticas, fertilidade do solo e demais condições
ambientais.
Os
tempos de repouso não são iguais durante todo o ano, variam de
região para região segundo a fertilidade do solo. Existem
períodos de crescimento acelerado das pastagens e outras de
nulo ou quase nulo. No sul do Brasil, o motivo principal de
crescimento escasso das pastagens são as baixas temperaturas de
outono-inverno. No centro-oeste, a longa ausência de chuvas
representa a causa predominante. Em termos gerais, os piquetes,
em qualquer região brasileira são ocupados entre 06 e 08 vezes
por ano. Nos períodos críticos, os tempos de repouso chegam
até 120 dias; nos períodos normais, os piquetes podem ser
ocupados com intervalos entre cortes de 28 a 35 dias. No
gerenciamento dessas variáveis e das decisões daí derivadas
é que reside a verdadeira condução do Pastoreio Racional na
prática.
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2)
Lei da Ocupação.
"O
tempo global de ocupação de um piquete deve ser
suficientemente curto de modo a que um pasto cortado no primeiro
dia de ocupação não seja cortado de novo antes que os animais
deixem a parcela."
A
essência desta lei é os animais não comerem o rebrote na
mesma ocupação dos piquetes, o que causaria, como na primeira
lei, o esgotamento das reservas das plantas forrageiras e a
consequente degradação das pastagens. A tentação dos
agricultores que iniciam este sistema é montar uma rotação de
pastagens com número reduzido de piquetes, prolongando o tempo
de permanência do lote de animais em cada parcela, cometendo o
equívoco de imaginar que só o tempo de repouso é o suficiente
para um manejo correto.
Nos
períodos de chuvas intensas, o crescimento dos pastos chega de
4 a 5 cm/dia durante vários dias e já se manifesta poucas
horas após o corte, e o gado pode comer o rebrote na mesma
passagem pelo piquete.
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3)
Lei da Ajuda.
"É
preciso ajudar os animais de exigências nutricionais mais
elevadas para que possam colher a maior quantidade de pasto e
que este seja da melhor qualidade possível."
Premissa
I: Um
pasto entre 15 e 22 cm de altura é o que permitirá à vaca
colher as máximas quantidades de pasto da melhor qualidade.
Premissa
II:
Quanto menos trabalho de pastoreio a fundo se imponha à vaca,
maior será a quantidade de pasto que ela poderá colher.
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4)
Lei dos Rendimentos Regulares.
"Para
que um bovino possa dar rendimentos regulares, é necessário
que não permaneça mais do que três dias em uma mesma parcela.
Os rendimentos serão máximos se o bovino não permanecer mais
de um dia na mesma parcela."
Quanto mais
curto for o tempo de ocupação de um piquete, maior será a
eficiência do pastejo. Ao contrário, quanto mais permanece no
piquete, menos pasto a vaca terá condições de ingerir. Uma
parcela nova, descansada, apresenta um pasto fresco,
apetecível, comido com avidez pelo gado. Numa parcela mais de
um dia de ocupação , o pasto apresenta-se com odor
desagradável, o que diminui o apetite do bovino e a quantidade
de alimento ingerido. Toda a vez que se procede a uma troca de
piquete, os animais são estimulados a comer, no típico reflexo
condicionado. Para o peão responsável, a troca de parcela,
devida à docilidade dos animais, é uma tarefa muito fácil.
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