PO.- Como você
comercializa seu produto? E a exportação?
JW - Alguns dos
clientes da Fazenda Capão Alto das Criúvas são as empresas
Agroparr, Nardelli e a cooperativa Coolmeia. Além disso,
recentemente, criamos uma marca própria , a Volkmann,
certificado pelo IBD e pela européia Demeter. Empresas da
Alemanha, Inglaterra e Nova Zelândia são compradoras de arroz.
Alguns imprevistos vêm atrapalhando um crescimento maior de minha
marca, como o custo elevado para o transporte de pequenas cargas,
que aumenta o valor final para o cliente. Além disso, o preço do
arroz ficou em torno de U$6 para o ano 2000, longe dos U$16 de
1998 (apesar da diferença de câmbio), e abaixo da média
histórica do arroz, U$10. Muitos agricultores irão à falência
se o preço não começar a aumentar. A exportação também está
aumentando mas temos problemas para envio de produtos para fora do
país. Faltam informações mais claras para o produtor agrícola
quanto ao procedimento para exportação. Infelizmente, o Governo
Federal não apóia os produtores orgânicos em feiras no
exterior, ao contrário do que acontece na Argentina. |

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O
arroz orgânico Volkmann
tem os selos Demeter e IBD |
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PO – O consumidor brasileiro
dá ao produto orgânico o seu devido valor?
JW- Acredito que o brasileiro
tenha a cabeça mais aberta que o europeu para a aceitação dos
produtos orgânicos no mercado. É preciso haver esclarecimento junto à
população quanto a importância para a saúde de alimentos sem
aditivos químicos. O interesse é recente e somente agora vem recebendo
maior cuidado acadêmico. Os problemas para vendas estão nos preços
altos, cerca de 30% mais caro que os alimentos convencionais. Mesmo assim
está abaixando. |
PO - Depois da colheita, onde você guarda o
arroz? Que embalagem você utiliza para a venda do arroz Volkmann?
JW - A fazenda tem capacidade
para armazenamento de 2000 toneladas de arroz e o silo para 750
toneladas. Há
um controle para manter a temperatura baixa no silo para impedir o
desenvolvimento de insetos. Quanto à embalagem para o arroz, o vidro
seria a melhor opção, para o consumidor poder ver o produto; mas usamos
o papel, que é mais barato e biodegradável. Jamais usaria plástico.
Usamos na fazenda latas ao invés de balde de plástico. |
PO - Como você prepara
seus compostos orgânicos?
JW - As condições
para o preparo são rigorosas. Deve ser feito num barril de
madeira e a mistura envolve água e esterco colocado em chifre de
búfalo, enterrado durante todo o inverno. Durante uma hora, a
água com esterco tem que ser girada com força "até fazer
um funil", para depois rotacionar na direção oposta.
Joga-se um pouco de extrato de flor de valeriana, trazida de
Nuremberg, Alemanha, e que pretendo produzir na fazenda.
Finalmente, distribuímos manualmente a mistura nas plantações
de arroz.
O esterco tem muita energia em função do sistema ruminal do boi
e o chifre segura toda essa força gasta pelo animal. O uso de
chifres de búfalo, e não de boi, é inovador, tendo boa
receptividade no último encontro de produtores biodinâmicos em
Nuremberg, Alemanha.O barril de madeira foi adquirido em Bento
Gonçalves, RS, numa das últimas fábricas do ramo no Brasil. |
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João
Volkmann preparando composto orgânico em barril de madeira. |
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