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A palavra zootecnia surge pela primeira vez em
1843, na língua francesa, "zootechnie", formada por
Gasparin a partir dos radicais gregos "zoon" e "tecnê",
para designar o conjunto de conhecimentos já existentes relativos
à criação dos animais domésticos. Em seguida foi traduzida para
os demais idiomas latinos de povos de cultura fortemente
influenciada pela ciência francesa. A exploração dos animais
domésticos já existia antes da criação da palavra, inicialmente
tratada como a forma de criar a partir da domesticação dos
primeiros animais pelo homem primitivo. O objeto da zootecnia é o
animal doméstico, ou seja, o animal que pertence a uma espécie
criada e reproduzida pelo homem, dotada de mansidão hereditária e
que proporciona algum proveito ao homem.
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Para atingir o estado de
domesticação, a
espécie animal deve possuir os atributos de:
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fecundidade em cativeiro, de modo que os indivíduos não
precisem ser continuamente aprisionados para serem utilizados
pelo homem,
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ter tendência hereditária a mansidão, atributo pelo qual os
animais que nascem no cativeiro aceitam facilmente o convívio
com o homem e com outras espécies,
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sociabilidade, característica das espécies dotadas de
hábitos gregários, que permite a vida em bando, próprias dos
animais em domesticidade.
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As espécies que não possuem estes atributos
permanecem selvagens, mesmo aquelas cuja domesticação foi tentada
pelo homem, ou seria resultado do seu convívio com o homem, como é
o caso da zebra, do chacal, do leão, do bisão Americano, do
falcão e do papagaio.
As espécies domésticas passaram a viver sob
seleção artificial, isto é, uma seleção em que a luta pela vida
foi substituída pela escolha feita pelo homem dos indivíduos que
melhor atendem os objetivos da criação. Os efeitos da
domesticação consistiram em modificações do temperamento,
acarretando maior mansidão e docilidade, na diminuição dos
órgãos de ataque, como os chifres dos bovinos, nos dentes dos
suínos, nas garras das aves, na variação da cor dos pêlos e
penas, no porte dos animais, além do aumento na produtividade de
carne, leite, ovos, etc.
A maioria das espécies domésticas apresenta
vários grupos distintos, de grande interesse para a Zootecnia,
chamados de raças. A raça é uma subdivisão da espécie,
estabelecida e mantida pela ação do homem. Podemos definir a raça
como um conjunto de indivíduos da mesma espécie, com origem comum
e caracteres particulares semelhantes, sob as mesmas condições de
ambiente, produzindo descendentes com os mesmos caracteres.
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O desenvolvimento da pecuária orgânica deve
estar baseado no entendimento da natureza dos animais e de todos os
efeitos que o meio ambiente possa exercer sobre estes e a zootecnia
pode ajudar neste entendimento.
O bovino, tanto para criação de corte, como
para leite, como todo ser vivo, vive sujeito a um ambiente
constituído pelo conjunto de condições exteriores naturais e
artificiais.
O ambiente exerce uma importância significativa
na exploração dos animais domésticos. O estudo da climatologia
animal, ou seja, o efeito do ambiente sobre os animais, pode
esclarecer os pontos mais importantes para uma compreensão da
relação entre o comportamento animal, o meio ambiente e o ser
humano.
A climatologia animal é um importante ramo da
ecologia zootécnica, onde é estudada a relação entre os animais
domésticos e o clima, além das condições naturais do ambiente
que sofrem a influência do clima, sua principal condição. Os
principais agentes do clima, com ação direta ou indireta sobre os
bovinos são: temperatura, radiação solar, umidade, pressão
atmosférica, vento e chuva.
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A ação direta do clima sobre os bovinos pode
ser através da influência que exerce as condições naturais do
ambiente, ou seja, o aparecimento de doenças e parasitos. A
ocorrência de parasitos, como carrapatos, bernes, moscas, além de
vermes, é bem maior nos climas quentes e úmidos, tropicais. Muitas
doenças dos bovinos são peculiares ao ambiente tropical; a
tristeza bovina é um exemplo. Esta doença é veiculada pelo
carrapato e exige uma premunição natural dos animais.
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Para viver e produzir bem nos trópicos, os
bovinos devem ter uma tolerância ao calor e apresentar
características que confiram capacidade de suportar as demais
condições desfavoráveis. Ou seja, a pecuária orgânica deve
partir da premissa que os animais do rebanho devem apresentar estas
características fundamentais para poder expressar seu real
potencial de produção.
Os bovinos originários da Ásia, ou seja, os Bos
Indicus, são animais com maior tolerância ao calor, suportam
intensa radiação solar direta por apresentar grande superfície
corporal em relação ao seu peso, alem disto possuem glândulas
sudoríparas numerosas, grandes e ativas, pele pigmentada, pelagem
clara ou avermelhada, pêlos curtos e assentados e baixo
metabolismo. Normalmente, no Brasil, o "zebu", é
fundamental para o desenvolvimento de rebanhos em sistemas
orgânicos de produção.
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Gado
Nelore |
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Considerando todas estas influências do clima e
do ambiente, a pecuária orgânica deve direcionar seu manejo de
forma a desgastar o menos possível os animais. A movimentação
animal deve ser evitada nas horas mais quentes do dia e quando
houver necessidade de movimenta-los, deve-se procurar caminhos
frescos, com sombras, e faze-lo de forma bem lenta.
Considerando
também, todos os fatos citados acima, o
caminho mais adequado para o desenvolvimento da pecuária orgânica
é o melhoramento genético, através de um trabalho de seleção
dos animais com melhor resposta a todas as influências do ambiente,
é possível atingir um padrão de animais com níveis de
resistência as doenças e parasitos, além de animais que tenham
produtividade média capaz de viabilizar os sistemas de produção.
Fonte: Agrosuisse Ltda.
Zootecnia Geral – Ernesto Faria – UFRRJ – 1979
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